Dizem que a multa pode chegar a 50 milhões, mas e aí, será cumprida? Dará conta de reverter a degradação ambiental que ocorrerá? Por sinal e a Chevron??

Vazamento de Petróleo em Tramandaí, itoral Norte. Foto de André Soares.

Vazamento de Petróleo em Tramandaí, itoral Norte. Foto de André Soares.

Multa por vazamento no litoral pode chegar a R$ 50 milhões

Mancha de óleo atinge 3,5 quilômetros na praia de Tramadaí

Técnicos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aguardam laudo para avaliar os danos causados pelo vazamento de óleo na área sul de Tramandaí, no Litoral Norte. Conforme o órgão, a multa para este tipo de crime ambiental pode variar entre R$ 500 e R$ 50 milhões. Durante a manhã, o Ibama deverá sobrevoar a área do acidente de 3,5 quilômetros, entre a plataforma de Tramandaí e a barra do Rio Tramandaí, em Imbé.

Uma reunião entre a cúpula do órgão para analisar o problema ocorre nesta manhã com as presenças do diretor de Qualidade Ambiental Fernando Marques, do vice-presidente e coordenador Geral de Emergências do Ibama, João Antônio Raposo Pereira e do Superintendente do órgão no RS, João Pessoa Moreira Júnior.

População relata prejuízos diante do problema

Os proprietários de quiosques no calçadão de Tramandaí estão sendo prejudicados pela interdição da beira da praia em razão do vazamento de óleo. Alguns já estudam a possibilidade de entrar com um processo contra a Petrobras. Terezinha Fátima da Silva, que há 23 anos mantém um desses estabelecimentos junto com a família, disse que nunca viu algo assim.

O técnico de manutenção de bombas em combustíveis, Romildo Costa, 38 anos, levantou cedo nesta sexta-feira para pescar na Barra do Imbé. Costa disse que não ficou sabendo do vazamento e resolveu pescar no início desta manhã. “Fiquei sabendo do problema depois que já pescava, pela imprensa. A Petrobras nos exige diversos procedimentos quanto ao manuseio das bombas e agora comete um problema deste tamanho, é lamentável”, disse Costa que enfrentava uma chuva fina enquanto pescava.

Óleo de uma monoboia da Transpetro chegou à beira da praia ontem

A mancha de óleo decorrente do vazamento de petróleo foi registrado na manhã dessa quinta-feira no mar de Tramandaí, atingindo à beira da praia. O Comando Ambiental orientou os salva-vidas a retirar os banhistas da água e da areia. Um avião da Petrobras despejou um produto químico que endurece o produto para facilitar a retenção.

O incidente aconteceu durante uma operação de descarregamento em uma monoboia da Transpetro a cinco quilômetros da orla. Equipes da empresa, do Comando Ambiental e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) estão no local para conter o produto e avaliar a quantidade de óleo vazado no mar.

Com informações dos repórteres Paulo Tavares e Sandro Sauer

Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=386210

Jamie Oliver denuncia uso de hidróxido de amônio nos EUAApós o chefe de cozinha e ativista Jamie Oliver descobrir – e divulgar em seu programa de TV – que a rede McDonald’s utiliza hidróxido de amônio para converter sobras de carne gordurosas em recheio para seus hambúrgueres nos Estados Unidos, a marca anunciou que mudará a receita, segundo informações do jornal Mail Online. “Estamos comendo um produto que deveria ser vendido como a carne mais barata para cachorros e, após esse processo, dão o produto para humanos”, disse Oliver. “Por que qualquer ser humano sensato colocaria carne com amônio na boca de suas crianças?”, questiona.

O processo de conversão da carne é feito por uma empresa chamada Beef Products Inc (BPI), segundo o jornal. O veículo afirma ainda que esse processo nunca foi utilizado no Reino Unido, nem na Irlanda – que utilizam a carne de produtores locais. O McDonald’s negou que tenha sito forçado a trocar sua receita por causa da campanha de Oliver. O jornal diz ainda que outras duas redes de comida rápida, Burguer King e Taco Bell, já tinham sido pressionadas e removeram o hidróxido de amônio de suas receitas.

Fonte: http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201201261711_TRR_80776024

Boaventura estará em Porto Alegre durante o Fórum Social Temático 2012…

“A direita só se interessa pela democracia na medida em que esta serve aos seus interesses. Por isso, as esquerdas são hoje a grande garantia do resgate da democracia. Estarão à altura da tarefa? Terão a coragem de refundar a democracia para além do liberalismo? Uma democracia anticapitalista ante um capitalismo cada vez mais antidemocrático?”

Uma democracia anti-capitalista é possível?

por Boaventura de Sousa Santos

As divisões históricas entre as esquerdas foram justificadas por uma imponente construção ideológica mas, na verdade, a sua sustentabilidade prática—ou seja, a credibilidade das propostas políticas que lhes permitiram colher adeptos—assentou em três fatores: o colonialismo, que permitiu a deslocação da acumulação primitiva de capital (por despossessão violenta, com incontável sacrifício humano, muitas vezes ilegal mas sempre impune) para fora dos países capitalistas centrais onde se travavam as lutas sociais consideradas decisivas; a emergência de capitalismos nacionais com características tão diferenciadas (capitalismo de estado, corporativo, liberal, social-democrático) que davam credibilidade à ideia de que haveria várias alternativas para superar o capitalismo; e, finalmente, as transformações que as lutas socias foram operando na democracia liberal, permitindo alguma redistribuição social e separando, até certo ponto, o mercado das mercadorias (dos valores que têm preço e se compram e se vendem) do mercado das convicções (das opções e dos valores políticos que, não tendo preço, não se compram nem se vendem). Se para algumas esquerdas tal separação era um fato novo, para outras, era um ludíbrio perigoso.

Os últimos anos alteraram tão profundamente qualquer destes fatores que nada será como dantes para as esquerdas tal como as conhecemos. No que respeita ao colonialismo as mudanças radicais são de dois tipos. Por um lado, a acumulação de capital por despossessão violenta voltou às ex-metrópoles (furtos de salários e pensões; transferências ilegais de fundos colectivos para resgatar bancos privados; impunidade total do gangsterismo financeiro) pelo que uma luta de tipo anti-colonial terá de ser agora travada também nas metrópoles, uma luta que, como sabemos, nunca se pautou pelas cortesias parlamentares. Por outro lado, apesar de o neocolonialismo (a continuação de relações de tipo colonial entre as ex-colónias e as ex-metrópoles ou seus substitutos, caso dos EUA) ter permitido que a acumulação por despossessão no mundo ex-colonial tenha prosseguido até hoje, parte deste está a assumir um novo protagonismo (India, Brasil, Africa do Sul, e o caso especial da China, humilhada pelo imperialismo ocidental durante o século XIX) e a tal ponto que não sabemos se haverá no futuro novas metrópoles e, por implicação, novas colônias.

Quanto aos capitalismos nacionais, o seu fim parece traçado pela máquina trituradora do neoliberalismo. É certo que na América Latina e na China parecem emergir novas versões de dominação capitalista mas intrigantemente todas elas se prevalecem das oportunidades que o neoliberalismo lhes confere. Ora, 2011 provou que a esquerda e o neoliberalismo são incompatíveis. Basta ver como as cotações das bolsas sobem na exata medida em que aumenta desigualdade social e se destrói a proteção social. Quanto tempo levarão as esquerdas a tirar as consequências?

Finalmente, a democracia liberal agoniza sob o peso dos poderes fáticos (Máfias, Maçonaria, Opus Dei, transnacionais, FMI, Banco Mundial) e da impunidade da corrupção, do abuso do poder e do tráfico de influências. O resultado é a fusão crescente entre o mercado político das ideias e o mercado econômico dos interesses. Está tudo à venda e só não se vende mais porque não há quem compre. Nos últimos cinquenta anos as esquerdas (todas elas) deram uma contribuição fundamental para que a democracia liberal tivesse alguma credibilidade junto das classes populares e os conflitos sociais pudessem ser resolvidos em paz. Sendo certo que a direita só se interessa pela democracia na medida em que esta serve os seus interesses, as esquerdas são hoje a grande garantia do resgate da democracia. Estarão à altura da tarefa? Terão a coragem de refundar a democracia para além do liberalismo? Uma democracia robusta contra a antidemocracia, que combine a democracia representativa com a democracia participativa e a democracia direta? Uma democracia anticapitalista ante um capitalismo cada vez mais antidemocrático?

(*) Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal). Publicado na Carta Maior.

Fonte: http://rsurgente.opsblog.org/2012/01/11/uma-democracia-anti-capitalista-e-possivel/

O congressista estadunidense Lamar Smith, principal responsável pelo Stop Online Piracy Act (SOPA), anunciou na sexta-feira (20) que vai retirar o projeto de lei de tramitação, até que se alcance “uma concordância mais ampla” sobre o assunto. A lei, que pretende criar barreiras à distribuição não autorizada de conteúdos protegidos por copyright, motivou um “blecaute” na quarta-feira (18), quando vários sites protestaram contra uma lei que consideram perigosa e nociva à liberdade e desenvolvimento da Internet.

“Ouvi as críticas e as levei seriamente em consideração”, afirmou Lamar Smith, em nota oficial. “Parece claro que teremos que rever a abordagem quanto ao melhor modo de atacar o problema de ladrões estrangeiros que roubam e vendem invenções e produtos norte-americanos”, acrescentou. No entanto, Smith também deixou claro que o recuo não é definitivo. “O problema da pirataria online é grande demais para ser ignorado”, diz o documento. “O roubo online de propriedade intelectual norte-americana não é diferente do roubo de produtos de uma loja. Continuaremos trabalhando junto a proprietários de copyright, companhias de Internet, instituições financeiras para desenvolver propostas que combatam a pirataria online e protejam nossa propriedade intelectual”.

O enfraquecimento da proposta do republicano era perceptível já no dia seguinte ao protesto, que unu sites como Wikipedia, Google, Reddit, Yahoo! e Facebook, entre outros. Pelo menos 18 legisladores retiraram o apoio ao SOPA nas horas seguintes ao “blecaute”.

O controverso projeto de lei tem o apoio da indústria do cinema e da música, com o argumento de que se busca uma proteção dos direitos autorais e de propriedade intelectual. Pelo projeto, Google e outros serviços de internet teriam que bloquear os sites onde são distribuídos filmes, músicas e outros bens pirateados.

As empresas da internet defendem que a legislação promove a censura, altera a operacionalidade da internet e prejudica sua capacidade para a inovação. Diante da polêmica, o governo do presidente Barack Obama expressou na semana passada sua oposição a qualquer legislação que signifique estabelecer censura à internet.

Com informações de Reuters, Huffington Post e Mashable

Fonte: Sul21

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“Com o discurso que a crise climática e ambiental é urgente e que os Estados são lentos, corruptos e obsoletos, o capital busca enganar o mundo e consolidar esse novo flanco de sua expansão”

Por Luiz Zarref e Marcelo Durão, do MST

Breve análise política da movimentação do capital
A atual crise estrutural do capital está produzindo impactos profundos nas economias centrais (EUA, Europa e Japão). Entretanto, essa crise não inviabilizará automaticamente o sistema capitalista, que vem reconfigurando seus mecanismos de acumulação. Um dos eixos dessa reconfiguração é o espraiamento do capital para as economias periféricas emergentes, com foco principalmente nos países conhecidos como Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Grandes projetos de estruturação desse capital estão em curso nesses países, e definirão também as formas que a acumulação capitalista se dará nos outros países periféricos.

Os antigos mecanismos de industrialização, exploração da mais valia urbana e avanço do agronegócio estarão no centro dessa expansão do capital nesses países. Entretanto, há um elemento comum a esses países que não será descartado nesse novo período: as áreas naturais e territórios dos povos do campo. A leitura da Via Campesina sobre a Rio+20 e as últimas disputadas nas convenções de diversidade biológica (CDB) e mudanças climáticas (UNFCCC) é que o capital está se organizando para se apropriar desses territórios e transformar a natureza em uma série de mercadorias.

No Brasil, por exemplo, temos cerca de 220 milhões de hectares em Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Somando-se aí as áreas das comunidades tradicionais, quilombolas e camponesas, que possuem expressivas áreas conservadas, chegamos a mais de ¼ de todo o território nacional onde o capital ainda não possui mecanismos de acumulação. Essa realidade se repete na imensa maioria dos países do Sul e da Ásia, o que se apresenta como um potencial flanco de expansão do capital em crise.

Não é possível pensar que no atual nível de voracidade e de crise do capital essa imensidão de território seja desprezada. Muitas são as possibilidades de exploração dessas áreas naturais conservadas. Em um primeiro momento, poderão realimentar o capital financeiro, por meio de papéis de carbono ou de biodiversidade, negociados e especulados em bolsas de valores. Mas em um passo posterior, poderão adentrar sobre esses territórios (uma vez que eles já estarão comercializados) para realizarem a acumulação primitiva sobre várias formas: roubo do conhecimento tradicional associado à biodiversidade dessas áreas, roubo de minérios e madeiras etc.

É a esse novo flanco de expansão do capital que se convencionou a chamar de Capitalismo Verde. Para a Via Campesina, apesar da qualificação “verde”, estamos falando do mesmo capitalismo de sempre, com a mesma necessidade de geração de lucro a partir da mais valia e da acumulação primitiva. É o mesmo capital que explora o petróleo, os minérios, que expande as industrias automobilísticas, farmacêuticas e tantas outras. Mas é uma face do capital que busca enganar o planeta, em um momento que a crise ambiental pode colocar em cheque a sua hegemonia. É uma face que se apresenta como ética, preocupada com o planeta, mas que no fim é apenas uma fachada para o mesmo de sempre.

Ao observarmos as convenções ambientais da ONU, é possível identificar uma estratégia bem definida de regulamentação desse novo flanco de expansão do capital. É possível identificar claramente os alicerces da tese capitalista que será defendida na Rio+20.

As convenções da ONU e seu atrelamento ao projeto político do capital
As convenções ambientais jamais chegaram a consensos consistentes. Entretanto, a Rio 92 possibilitou alguns importantes avanços, colocando a questão ambiental no âmbito da relação sociedade-Estado. Definiu-se questões importantes como o Princípio da Precaução e a criação das três convenções que ocorrem até os dias atuais: Desertificação, Diversidade Biológica (CDB) e Mudanças Climáticas (UNFCCC). Todas as três deveriam criar uma governança global sobre o meio ambiente, ao mesmo tempo que responderiam às alterações ambientais que ocorressem ao longo dos anos.

Convenção das Mudanças Climáticas
A principal pauta desta convenção foi a definição, por parte dos países, de metas de redução de emissões de gases efeito estufa (GEE). Apesar da pressão dos movimentos e de várias organizações, os instrumentos para essa redução foram propositalmente vagos e com um progressivo atrelamento ao mercado. A partir do Protocolo de Quioto (1997) criaram-se mecanismos importantes para a entrada do mercado neste espaço, como os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) e o Sequestro de Carbono.

Apesar do fracasso dessas falsas soluções, o interesse do capital se consolidou cada vez mais nas convenções seguintes. Nas duas últimas convenções (Copenhagen e Cancun), o que se viu foi o império das propostas do capital e a derrota de toda a agenda popular, que estava sintetizada na proposta boliviana dos direitos da Mãe-Terra. Ambas as convenções não debateram sobre mudanças climáticas, mas sim serviram como grandes feiras internacionais do capitalismo esverdeado.

Muitos são os instrumentos do capital para transformar as mudanças climáticas em um flanco de maior acumulação. O investimento massivo em novas fontes de energia, como eólica, geotérmica, hidrelétrica, fortalece transnacionais como Siemens e General Eletrics e abandona o debate sobre a destinação dos atuais 15 Tera Watts produzidos anualmente, que na realidade alimentam indústrias predatórias de commodities. O desenvolvimento de espécies transgênicas resistentes às alterações do clima, como seca ou maior intensidade de chuva. A criação de um fundo internacional para o clima, atrelado ao Banco Mundial, que endividará os países a partir da obrigação de implementarem as falsas soluções.

Entretanto, o principal instrumento que vem sendo trabalhado é a Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD). Esse mecanismo pretende transformar as florestas em áreas de compensação das poluições de outros países, pagando valores por toneladas de carbono que supostamente seriam “seqüestradas” pelas florestas. Apenas essa intenção já deve ser rechaçada, uma vez que é absurdo permitir que as florestas limpem a sujeira feita pelo Norte, além de sabermos que essas toneladas apenas legitimarão um aumento velado das emissões. Porém o principal problema deste instrumento reside na possibilidade de apropriação dos territórios dos povos da floresta e do campo, uma vez que as empresas que pagarem pelo REDD passam a ter direitos contratuais sobre o “carbono seqüestrado”, que nada mais são que toda a biomassa que ali está.

Convenção da Diversidade Biológica
Essa convenção historicamente foi um espaço voltado às pautas da sociedade. Importantes regulações e proibições a tecnologias transgênicas (como o Terminator e Árvores transgênicas) foram conquistadas na CDB. Entretanto, nos últimos quatro anos ocorreu um forte atrelamento da CDB às empresas, que teve seu ponto mais forte na última convenção, ano passado, em Nagoya, Japão.

A pedido do G7, um economista da diretoria de mercados futuros do Deutsche Bank defendeu um estudo chamado The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB) (“A economia dos ecossistemas e biodiversidade”). De forma resumida, esse instrumento quantifica monetariamente todas as relações ecossistêmicas, desde a beleza cênica até a polinização das abelhas. A partir de uma padronização dessa metodologia, será possível transformar em mercadoria toda a natureza, indo muito além do sequestro de carbono.

Diversas reuniões vêm ocorrendo em vários países do mundo para se criar as regulamentações nacionais para a consolidação desse mecanismo. Aproveita-se da tradicional pauta dos povos do campo e da floresta, que historicamente exigiram o pagamento pelo uso sustentável que fazem da biodiversidade, e colocam uma cortina de fumaça chamada Pagamento de Serviços Ambientais, que não responde à pauta popular, mas sim à mercantilização da natureza.

Rio+20: a tese capitalista avançando sobre a natureza dos povos
Diante do avanço orquestrado do capitalismo dentro da CDB e da UNFCCC (e o descaso com a convenção sobre desertificação, de onde não foi possível, ainda, extrair mecanismos para acumulação capitalista), há uma clara intencionalidade na Rio+20, conferência que vai celebrar os 20 anos da Rio 92 e que reunirá todas as convenções sobre meio ambiente. A proposta é unir os caminhos trilhados em cada uma das convenções paralelas e lançar para o mundo a síntese das falsas soluções: a economia verde.

Com o discurso que a crise climática e ambiental é urgente e que os Estados são lentos, corruptos e obsoletos, o capital busca enganar o mundo e consolidar esse novo flanco de sua expansão. O último documento apresentado pelo PNUMA para a Rio+20 chega a ser escandaloso. Considera que “o caminho do desenvolvimento deve manter, aprimorar e, quando possível, reconstruir capital natural como um bem econômico crítico”. E vai além: “Uma economia verde, com o passar do tempo, cresce mais rapidamente do que a economia marrom, enquanto mantém e restabelece o capital natural [...]. Um cenário de investimento verde de 2% do PIB mundial proporciona um crescimento a longo prazo, entre 2011-2050”. Ou seja, além de defender que a tal economia verde deve servir para a continuidade da acumulação capitalista, defende que 98% do PIB continue atrelado ao tradicional sistema de acumulação capitalista que vem levando nosso planeta ao colapso. Corrobora, portanto, nossa leitura que são falsas soluções para os povos e para o planeta, mas reais soluções para um capitalismo em crise.

Por último, o atrelamento da Rio+20 aos interesses do mercado fica mais claro ainda quando o texto defende a relação dessa Conferência com a OMC: “As negociações atuais da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio oferecem a oportunidade de promover uma economia verde. Uma conclusão bem sucedida destas negociações poderia contribuir para a transição para uma economia verde”. Ou seja, as propostas a serem defendidas no próximo ano, na Rio+20, estão em clara oposição às reais e necessárias mudanças que devem ocorrer nas relações de produção, bem como confrontam a idéia de soberania dos povos. Ao mercado, tudo.

A importância da articulação da sociedade civil organizada
A partir dessa leitura política, a Via Campesina tem buscado se organizar com os grupos políticos que possuem uma visão anti-capitalista e contrária à mercantilização da natureza. É importante uma frente ampla, que articule organizações do campo e da cidade e que demonstre que as verdadeiras soluções para o colapso ambiental estão juntos à agricultura camponesa, à reforma agrária e urbana e à justiça social.

Não será tarefa simples questionar o esverdeamento do capitalismo durante a Rio+20. Sendo uma modalidade dos megaeventos, a Rio+20 contará com um aparato repressivo muito forte, que estará em treinamento na cidade do Rio de Janeiro para se prepararem para a Copa do Mundo (2014) e as Olimpíadas (2016). Contará também com uma massiva propaganda, que buscará associar a economia verde ao combate da fome e da miséria. Portanto, utilizará diversos aparelhos do Estado para avançar na construção da hegemonia desse novo flanco.

Por isso, os movimentos e organizações populares devem buscar uma estratégia comum de: i) denunciar a maquiagem verde do capitalismo e seus novos instrumentos, como REDD, Biologia Sintética e outros; ii) debater com a sociedade as reais causas da crise ambiental, atrelando às outras facetas da crise estrutural do capital (financeira, alimentar, energética etc); iii) reafirmar as verdadeiras soluções à crise: agricultura camponesa, agroecologia, economia solidária, soberania energética.

A partir desta análise de que o capitalismo verde irá avançar justamente sobre os países onde os povos do campo e da floresta ainda estão em seus territórios, temos a clareza que é fundamental bloquearmos esse flanco do capital imediatamente. Contra a globalização do capitalismo, que quer devorar nossa natureza e roubar nossos territórios, devemos globalizar a nossa luta. Devemos dar uma mensagem clara ao mundo contra as falsas soluções, defendendo a Mãe Terra, a agricultura camponesa e a soberania dos povos.

GLOBALIZEMOS A LUTA, GLOBALIZEMOS A ESPERANÇA!

Fonte: http://cupuladospovos.org.br/2011/11/soberania-dos-povos-contra-o-esverdeamento-do-capital/

A Administração Federação de Receitas Públicas (AFIP, da sigla em espanhol) da Argentina denunciou a Monsanto por tráfico de pessoas e exploração de 65 trabalhadores em condições degradantes com base em uma fiscalização realizada no final do ano passado. A informação é do jornal argentino Página 12. O flagrante aconteceu em um dos campos da Rural Power, empresa contratada pela Monsanto, que também foi denunciada.

A reportagem detalhou que os camponeses contratados para trabalhar na lavoura de milho foram levados para uma área a 200 km de Buenos Aires, e, então, enganados, endividados e impedidos de deixar o local. Eles também afirmaram cumprir jornadas de até 14 horas seguidas no processo de desfloração do milho.

Na produção de sementes transgênicas, trabalhadores rurais separam manualmente as flores de algumas espigas para controlar o processo de reprodução e as características desejadas na nova safra. Na Argentina, as denúncias de violações de direitos trabalhistas no cultivo de milho transgênico têm sido recorrentes.

Os representantes da empresa no país confirmaram que o campo foi inspecionado, mas negaram que a multinacional tenha sido denunciada. Eles ressaltaram que a Monsanto mantém “os padrões mais altos para os trabalhadores” e forte preocupação em relação a direitos humanos.

Com informações do Repórter Brasil

Fonte: http://sul21.com.br/jornal/2012/01/monsanto-e-denunciada-na-argentina-por-trafico-de-pessoas/

http://catalogodeindisciplinas.files.wordpress.com/2011/03/animal-test-singer_.gif?w=490

pelos movimentos sociais na Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental contra a mercantilização da vida e da natureza e em defesa dos bens comuns

Mobilizemos-nos junt@s a caminho da Rio+20 e mais além

Por nossos direitos e pelos direitos da natureza contra a mercantilização da vida e o esverdeamento do capitalismo.

Nós, organizações, redes e movimentos sociais, estamos envolvidos na construção da Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, contra a mercantilização da vida e da natureza e em defesa dos bens comuns, que se realizará no Rio de Janeiro, Brasil, entre 15 e 23 de junho de 2012, simultaneamente e na mesma cidade, da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Fazemos um chamado à mobilização e coordenação das lutas por todo o planeta, para garantir que se cumpra com o direito de todos os povos, especialmente aqueles mais vulneráveis, de acesso à água, alimentos, energia, terra, sementes, território e meios de vida dignos, e para reivindicar os Direitos da Mãe Terra. Estamos construindo juntos, como atividade deste processo de articulação, a Assembléia Permanente dos Povos, a realizar-se no Rio.

Essa assembléia terá como desafio fazer ouvir a voz das mulheres e dos homens, dos jovens e das pessoas idosas, que no dia-a-dia resistem ao avanço de um modelo de desenvolvimento por definição não sustentável, cuja desumanidade depredadora busca submeter cada aspecto da vida à ação do mercado, antepondo sempre a ganância de poucos ao bem viver do conjunto, forjando simultaneamente um rosto cada vez mais “verde” atrás do qual se esconde.

Foi durante a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio em 1992 – a chamada Cúpula da Terra, ou Rio 92 – que uma mobilização social quase sem precedentes frente à conferência oficial viu nascer, entre outras coisas, a Convenção sobre a Diversidade Biológica e a Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

São os princípios fundadores dessa Convenção sobre a Mudança Climática: a responsabilidade histórica dos países industrializados pela mudança climática, dívida ecológica e climática, e, portanto, as responsabilidades comuns, porém diferenciadas para seu tratamento –  que sofrem hoje como nunca os embates do capital mais concentrado em sua tentativa de converter a vida em um mercado a serviço de seus lucros. Depois dos marcantes retrocessos nas negociações climáticas de Copenhague (2009) e Cancun (2010), não há motivo para esperar resultados menos decepcionantes da COP17 em Durban (de 28 de novembro a 9 de dezembro de 2011). Também em seguida à COP-10 da Convenção da Diversidade Biológica em Nagoya (2010), a mercantilização da natureza passou a ter lugar central ante a proposição dos chamados mecanismos financeiros inovadores que copiam a mesma lógica dos falidos mercados de carbono.

Porém, foi também na Rio 92 que o mundo corporativo começou a levantar a bandeira do “Desenvolvimento Sustentável”,  pois sabia da possibilidade de convertê-lo em um bom negócio. Esse mesmo conceito, complementado na Rio+10 por “responsabilidade social corporativa” e subvertido até o núcleo simultaneamente pela abertura neoliberal e desregulamentação e pela economia capitalista hegemônica do financiamento global, provoca hoje estragos na vida dos povos do planeta, e ameaça causar impactos ainda piores. E é essa agenda que se aprofunda por meio de mecanismos e políticas de ajuste estrutural da chamada “economia verde”. Tal como a agenda neoliberal de privatizações de serviços públicos nos anos 1990, vem a liberalizar a Natureza e seu acesso por parte dos mercados, dividindo em componentes – como o carbono, a biodiversidade ou os serviços ambientais – para gerar ao mesmo tempo títulos de especulação financeira, controle corporativo, perda da soberania alimentar e esvaziamento dos territórios.

Frente a essa realidade, precisamos converter a Rio+20 em um processo mundial de forte mobilização, que confronte a realidade de um sistema de morte que busca perpetuar-se a qualquer custo e fortalecer as lutas e resistências por nossa sobrevivência através da construção de alternativas não-capitalistas como a soberania alimentar. A continuidade e a profundidade das atuais crises, seu caráter sistêmico e cada vez mais militarizado e violento, a falta de respostas adequadas dos governos e o sequestro dos processos de negociação multilateral por parte dos interesses geopolíticos e corporativos, vão marcando de maneira urgente a necessidade de construção desse espaço próprio, plural, democrático e autônomo, com uma mensagem contundente e realizações concretas capazes de reverberar não só nossas denúncias e demandas, mas também ser um multiplicador de nossa criatividade e solidariedade, força e esperança.

Frente a enorme festa das falsas soluções que grandes corporações, bancos, entidades financeiras internacionais e os governos cúmplices estão preparando para a Rio+20 com o fim de consolidar um capitalismo reverdecido como única resposta ante as múltiplas crises por eles mesmos desatados – crise econômica, ecológica, alimentar, energética, democrática, climática, de direitos, de gênero, enfim, crises civilizatórias –, a Cúpula dos Povos terá o desafio de articular e desenhar as verdadeiras soluções que estão sendo construídas pelos povos, no campo, nos bosques, nas fábricas, nas comunidades, nos bairros, nas escolas e outros lugares de trabalho e de convivência.

Convocamos, então, para o envolvimento neste processo e para nos mobilizarmos em todo lugar a caminho da Rio+20, impulsionando campanhas e iniciativas de debate e formação, de ampliação de plataformas de estratégia e ação conjunta, de coordenação e apoio solidário entre as lutas concretas e as demandas aglutinadoras.

Convocamos os povos e movimentos em luta contra todas as formas de exploração, depredação e dominação, a se unirem a nós em uma Assembléia Permanente dos Povos, onde afirmaremos nossos direitos e os da Natureza frente à mercantilização da vida e o “esverdeamento” do capitalismo, baixo a retórica da “economia verde”.

Por meio dos testemunhos e das análises, dos intercâmbios e da solidariedade, da mobilização e das ações concretas, o desafio será ainda de fortalecer as lutas presentes e convocar a novas ações e iniciativas, geradoras de novas plataformas de unidade. Nesse sentido, na Assembleia Permanente dos Povos, os afetados e afetadas, os verdadeiros credores das dívidas sociais e financeiras, ecológicas e climáticas, democráticas e de gênero – que, ao longo de seu desenvolvimento, vêm acumulando o capitalismo, o patriarcado, o imperialismo, o racismo, e o antropocentrismo – terão o desafio de contribuir significativamente na coordenação dos nossos diversos esforços por construir economias e sociedades não capitalistas, justas e equalitárias, em harmonia entre tod@s e com a Natureza, superando a fome, o empobrecimento, a exploração e a opressão, acumulando sobre a base de múltiplas lutas em curso e ajudando a nos prepararmos para confrontar os desafios estratégicos dos próximos tempos.

Serão realizadas, ainda, atividades autogestionadas em torno de aspectos vitais do processo de transformação sistêmica e civilizatória, nas quais buscaremos conhecer e apoiar diretamente as lutas da população do Rio de Janeiro e de todos os lugares em seus esforços de sobrevivência contra a investida do capitalismo e seu marketing verde, incluindo os megaeventos, açambarcamento de terras, os mega-projetos, os mecanismos chamados de desenvolvimento limpo e outras tantas siglas e nomes enganosos como REDD, REDD+, biocombustíveis; denunciaremos os responsáveis; organizaremos ações diretas; e também, como corresponde, celebraremos a vida e a esperança que nascem e se nutrem de nossas lutas e conquistas.

Chamamos para mobilização na construção da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental, contra a mercantilização da vida e em defesa dos bens comuns, e da Assembleia Permanente dos Povos, com base nas múltiplas lutas em curso, em defesa da vida, da soberania – alimentar, energética, financeira, territorial, política –, da autodeterminação, da igualdade e da defesa dos direitos humanos e da natureza, anallisando as origens da presente crise e das novas organizações e redes sociais para assegurar que o Rio+20 se converta em uma grande mobilização popular que fortaleça as bases locais, regionais e mundiais necessárias para enfrentar a avançada verde do capitalismo. A Rio+20 deve ser um ponto de partida para uma sociedade mais justa e mais solidária.

04 de dezembro de 2011

Esperamos vocês para construir juntos e juntas!

A vida não se vende, se defende!

Somos os povos os credores!

Globalizemos a luta, globalizemos a esperança!

Seguiremos em marcha até que todos sejamos livres!

Aliança dos Povos do Sul Credores da Dívida Ecológica – Amigos da Terra América Latina e do Caribe – Convergência de Movimentosdos Povos das Américas – Coordenadora Andina de Organizações Indígenas – Grassroots Global Justice – Grito Continental dos Excluídos – Jubileu Sul/Américas – Marcha Mundial das Mulheres – Movimento Mundial pelos Bosques – Oilwatch – Via Campesina

Para se unir a esta convocatória, envie um e-mail para: movilizacion.rio20@gmail.com

Fonte: http://cupuladospovos.org.br/2012/01/a-caminho-da-rio20-e-mais-alem/

Imagina só se uma denúncia de crime ambiental, aqui no blog, seja uma infração aos direitos autorais de tal empresa criminosa? Isso é só um exemplo, tantas outras coisas podemos pensar. Educação Ambiental se faz com compartilhar. Se não for assim é qualquer outra coisa que não EA. É muitos andam querendo fechar o cerco e devemos estar atent@s. Internet se faz com liberdade e a democracia!

O Stop Online Piracy Act (em tradução livre, Lei de Combate à Pirataria Online), abreviado como SOPA, é um projeto de lei da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos de autoria do representante Lamar Smith e de um grupo bipartidário com doze participantes. O projeto de lei amplia os meios legais para que detentores de direitos de autor possam combater o tráfico online de propriedade protegida e de artigos falsificados.

Lamar Smith
O projeto tem sido objeto de discussão entre seus defensores e opositores. Seus proponentes afirmam que proteger o mercado de propriedade intelectual e sua indústria leva a geração de receita e empregos, além de ser um apoio necessário nos casos de sites estrangeiros. Seus oponentes alegam que é uma violação à Primeira Emenda, além de uma forma de censura e irá prejudicar a Internet, ameaçando delatores e a liberdade de expressão.

Opositores
Entre os opositores estão as principais empresas que atuam na Internet como o Facebook, Twitter, Google, Yahoo!, LinkedIn, Mozilla, Wikimedia, Zynga, Amazon, eBay, Reddit, 4chan e 9GAG. Também organizações de direitos humanos, como Repórteres Sem Fronteiras e Human Rights Watch.
A empresa de registro de domínios Go Daddy inicialmente apoiou a proposta. O posicionamento atraiu fúria de seus clientes, levando-a reconsiderar o apoio.
A comunidade da Wikipedia também debate a respeito de sua posição quanto ao SOPA, em SOPA_initiative/Action, e a versão anglófona aprovou um blecaute para o dia 18 de janeiro de 2012, a decisão foi tomada no dia 16 de janeiro de 2012 pela Wikimedia Foundation.
Membros da administração do presidente estadunidense Barack Obama fizeram um anúncio online no qual dizem que não apoiarão legislações que reduzam a liberdade de expressão, aumentem o risco da ciber-segurança ou enfraqueçam a dinâmica e a inovação na Internet global.

Defensores
Os defensores são os maiores grupos e empresas dependentes de direitos de autor nos Estados Unidos: Motion Picture Association of America, Recording Industry Association of America, Sony Pictures Entertainment, Time Warner, CBS entre outras.
Fonte: Wikipédia/Os Verdes

Entenda mais assistindo o vídeo

Alguns desavisados podem questionar “O que isso tem a ver com a luta ecológica?”. Tem tudo a ver meus caros e caras….

‘Não há democracia num país que tem uma emissora de TV que manda e desmanda, escandaliza e “des-escandaliza” (transforma verdadeiros escândalos em… nada)”

Por Igor Felippe Santos*

A Globo fez um escândalo sem precedente quando, em 2009, trabalhadores rurais derrubaram pés de laranjas (menos de 1% do total na área, contaminados por agrotóxicos, de acordo com o governo dos Estados Unidos) em protesto para denunciar que a fazenda era grilada pela Cutrale, as terras ficam no município de Borebi, na região de Iaras (SP).

Foram dias e dias de exposição por mais de uma semana, dia e noite, das imagens (sem contextualizá-las) de um trabalhador rural passando o trator sobre os pés de laranja. Esse escândalo teve como consequência a instalação de uma CPMI contra a Reforma Agrária, a paralisação da criação de assentamentos e tentativa de desmoralização do MST.

Agora suspeita-se que um integrante de um reality show, o BBB12, teria feito sexo sem consentimento com outra participante, desmaiada e sem consciência, o que configuraria estupro. Esta denúncia não vai aparecer no Jornal Nacional, no Bom Dia Brasil, no Jornal Hoje e no Jornal da Globo? As imagens, inclusive, não estão mais no arquivo da Globo…

Escândalo para a Globo é fazer um protesto contra a grilagem de uma empresa transnacional, contra a pobreza no campo e pela Reforma Agrária. Mas a suspeita de estupro dentro da suas instalações, transmitido ao vivo por suas câmeras (com consentimento da produção do programa?), não está sujeita a virar notícia.

Não dá nem para dizer que são dois pesos e duas medidas. Porque o escândalo no caso da Cutrale era a grilagem das terras, que foi omitida, assim como o episódio no BBB12. A Globo cria os escândalos que quer. E com todo o seu poder apaga aqueles que se configuram como tal que não convêm para seus interesses. Aposto que, daqui uma semana, o programa transcorrerá como se nada tivesse acontecido…

Tanto que a “história” e os “procedimentos” para a continuidade da “atração” já foram combinados entre produção e participantes, uma vez que “por volta das 19h30 desta segunda-feira, o áudio do pay-per-view do programa foi cortado e só voltou às 20h20. Às 20h, os brothers que estavam na área externa da casa tiveram que entrar imediatamente” (de acordo com o blog SRZD).

Não há democracia num país que tem uma emissora de TV que manda e desmanda, escandaliza e “des-escandaliza” (transforma verdadeiros escândalos em… nada). É hora da sociedade se movimentar e pressionar para que o governo federal jogue peso no projeto de regulamentação dos meios de comunicação. É preciso colocar amarras nesse monstro criado pela ditadura chamado Organizações Globo, que deveria escandalizar todos aqueles que defendem a democracia.

Igor Felippe Santos é jornalista, editor da Página do MST, do conselho político do jornal Brasil de Fato e do Centro de Estudos Barão de Itararé.

Fonte: http://www.mst.org.br/node/12844

Mais chocante ainda a situação... Foto de Florença Smidt

Mais chocante ainda a situação... Foto de Florença Smidt

por Cíntia Barenho

Muito se utiliza a nossa capital, Porto Alegre, como exemplo de arborização urbana, de como é possível e passível de convivência árvores e calçadas e/ou vias urbanas. Mas aos poucos a atual política partidária, de interesses poucos ecológicos, mostra suas “garras”. Algumas das principais praças da cidade estão passando por uma revitalização bem duvidosa, onde remete-se as décadas do século passado para achar a tal “inspiração”. Inspiração essa que nada mais é que acabar com as praticamente centenárias árvores que ali foram plantadas, não pensando naquela época, mas pensando na nossa, para que nós, cidadãos e cidadãs urbanóides pudessemos desfrutar de sombras num tempo onde as mudanças climáticas são pauta do dia-a-dia.

Sendo assim, ontem ao passar pela Praça Otávio Rocha (na esquina da Alberto Bins), me chamou atenção o fato de ver um “arvoricídio” de uma grande árvore, digno daqueles que frequentemente vemos em Pelotas e Rio Grande. Ao acessar a internet hoje, vejo que tal fato não chamou só atenção de mim, mas também de outras pessoas conhecidas no Facebook.

Assim, a praça que já foi dessa forma:

...agora a praça está ficando assim: sem árvores!! Foto de Ieve Holthausen
…agora a praça está ficando assim: sem árvores!! Foto de Ieve Holthausen
A praça Otávio Rocha era assim...
A praça Otávio Rocha era assim…

Outras praças de Porto Alegre também já passaram por arvorecídios, com a desculpa de “revitalização”, como a tradicional praça da Feira do Livro de Porto Alegre, a Praça da Alfândega. A tal revitalização deixou ela assim, conforme percebe-se, os anos 1930…

Panorâmica da Praça da Alfândega em 1929.
Panorâmica da Praça da Alfândega em 1929.
Espiando a Praça da Alfândega antes de sua "entrega" em 2011...
Espiando a Praça da Alfândega antes de sua “entrega” em 2011…

Será que destino igual terá o Parque Farroupilha e/ou Redenção? Entregue recentemente através de Parceria Público Privada, a mais de uma empresa, será que eles terão a mirabolante ideia de substituir as árvores por propagandas? Pra alguns seria uma boa, já que um monte de árvores juntas pode gerar “violência”, sim “meliantes” podem ficar a espreita esperando por assaltar, violentar etc e  tal; ou ainda, uma árvore pode cair sobre algum carro, imagina só, que baita prejuízo…

A grave crise financeira e o horror econômico que atingiram as sociedades europeias estão fazendo todos esquecer que a mudança climática e a destruição da biodiversidade seguem sendo os principais perigos que ameaçam hoje a humanidade. Se não modificarmos rapidamente o modelo de produção dominante, imposto pelo atual modelo de globalização econômica, alcançaremos o ponto de não retorno a partir do qual a vida humana no planeta deixará pouco a pouco de ser sustentável.

Por Ignacio Ramonet*

A grave crise financeira e o horror econômico que atingiram as sociedades europeias estão fazendo todos esquecer que – como lembrou, em dezembro passado, a Cúpula do Clima, de Durban, África do Sul – a mudança climática e a destruição da biodiversidade seguem sendo os principais perigos que ameaçam a humanidade. Se não modificarmos rapidamente o modelo de produção dominante, imposto pela globalização econômica, alcançaremos o ponto de não retorno a partir do qual a vida humana no planeta deixará pouco a pouco de ser sustentável.

Há algumas semanas, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou o nascimento do ser humano número 7 bilhões, uma menina filipina chamada Dánica. Em pouco mais de cinquenta anos, o número de habitantes da Terra se multiplicou por 3,5. E a maioria deles vive agora em cidades. Pela primeira vez, os camponeses são menos numerosos que os urbanos. No entanto, os recursos do planeta não aumentam. E surge uma nova preocupação geopolítica: o que acontecerá quando se agravar a penúria de alguns recursos naturais? Estamos descobrindo em estupefação que nosso “amplo mundo” é finito…

No curso da última década, graças ao crescimento experimentado por vários países emergentes, o número de pessoas saídas da pobreza e incorporadas ao consumo ultrapassou os 150 milhões…(1) Como não ficar alegre com isso? Não há causa mais justa no mundo que o combate contra a pobreza. Mas isso traz uma grande responsabilidade para todos. Porque essa perspectiva não é compatível com o modelo consumista dominante.

É óbvio que nosso planeta não dispõe de recursos naturais nem energéticos suficientes para que toda a população mundial os utilize sem freio. Para que sete bilhões de pessoas consuma tanto como um europeu médio seriam necessários os recursos de dois planetas Terra. E para que consumissem como um estadunidense médio, os de três planetas.

Desde o princípio do século XX, por exemplo, a população mundial cresceu quatro vezes. Nesse mesmo lapso de tempo, o consumo de carvão aumentou seis vezes e o de cobre 25 vezes. De 1950 até hoje, o consumo de metais em geral se multiplicou por sete, o de plásticos por dezoito e o de alumínio por vinte. Há algum tempo, a ONU vem nos alertando de que estamos gastando “mais de 30% da capacidade de reposição” da biosfera terrestre. Moral da história: devemos ir pensando em adotar e generalizar estilos de vida muito mais frugais e menos destruidores do meio ambiente.

Este conselho parece ser puro bom senso, mas é evidente que não se aplica ao um bilhão de famintos crônicos no mundo, nem aos três bilhões de pessoas que vivem na pobreza. A bomba da miséria ameaça a humanidade. A enorme brecha que separa os ricos dos pobres segue sendo, apesar dos progressos recentes, uma das principais características do mundo atual (2).

Essa não é uma afirmação abstrata. Ela tem traduções muito concretas. Por exemplo, no tempo de leitura deste artigo (cerca de dez minutos), dez mulheres no mundo vão morrer durante o parto e 210 crianças menores de cinco anos vão morrer de doenças facilmente curáveis (entre elas, 100 por ter bebido água de melhor qualidade). Essas pessoas não morrem por causa de doenças. Morrem por serem pobres. A pobreza é que as mata.

Enquanto isso, a ajuda dos Estados ricos aos países em desenvolvimento diminuiu cerca de 25% nos últimos quinze anos. E no mundo seguem se gastando cerca de 500 bilhões de euros por ano em armamentos.

Se, nas próximas décadas, tivéssemos que aumentar em 70% a produção de alimentos para responder à legítima demanda de uma população mais numerosa, o impacto ecológico seria demolidor. Além disso, esse crescimento nem sequer seria sustentável porque suporia maior degradação dos solos, maior desertificação, maior escassez de água doce, maior destruição da biodiversidade. Sem falar da produção de gases causadores do efeito estufa e suas graves consequências para a mudança climática.

Neste contexto, convém lembrar que cerca de 1,5 bilhões de seres humanos seguem usando energia fóssil contaminante procedente da combustão de lenha, carvão, gás ou petróleo, principalmente na África, China e Índia. Apenas 13% da energia produzida no mundo é renovável e limpa (hidráulica, eólica, solar, etc.). O resto é de origem nuclear e, sobretudo, fóssil, a mais nefasta para o meio ambiente.

Assim, preocupa que os grandes países emergentes adotem métodos de desenvolvimento depredadores, industrialistas e extrativistas, imitando o pior que os Estados desenvolvidos fizeram e seguem fazendo. Tudo isso está produzindo uma gravíssima erosão da biodiversidade.

O que é a biodiversidade? A totalidade de todas as variedades de todo o conjunto de seres vivos na Terra. Estamos constatando uma extinção massiva de espécies vegetais e animais, Uma das mais brutais e rápidas que a Terra já conheceu. A cada ano, desaparecem entre 17 mil e 100 mil espécies vivas. Um estudo recente revelou que 30% das espécies marinhas estão a ponto de desaparecer por causa do excesso de pesca e da mudança climática. Além disso, uma de cada oito espécies de plantas encontra-se ameaçada. Uma quinta parte de todas as espécies vivas poderia desaparecer de hoje até 2050.

Quando se extingue uma espécie se modifica a cadeia dos seres vivos e se muda o curso da história natural, o que constitui um atentado contra a liberdade da natureza. Defender a biodiversidade é, por conseguinte, defender a solidariedade objetiva entre todos os seres vivos. O ser humano e seu modelo depredador de produção são as principais causas desta destruição da biodiversidade. Nas últimas três décadas, os excessos da globalização neoliberal aceleraram esse fenômeno.

A globalização favoreceu o surgimento de um mundo dominado pelo horror econômico, no qual os mercados financeiros e as grandes corporações privadas restabeleceram a lei da selva, a lei do mais forte. Um mundo onde a busca de lucros justifica tudo, seja lá qual for o custo para os seres humanos ou para o meio ambiente. Neste sentido, a globalização favorece o saque do planeta. Muitas grandes empresas tomam a natureza de assalto, com meios de destruição desmedidos. E obtém enormes lucros, contaminando, de modo totalmente irresponsável, a água, o ar, os bosques, os rios, o subsolo, os oceanos…Que são bens comuns da humanidade.

Como colocar um freio nesse saque da Terra? As soluções existem. Eis aqui quatro decisões urgentes que poderiam ser tomadas:

- Mudar de modelo inspirando-se na “economia solidária”. Esta cria coesão social porque os lucros não vão apenas para alguns, mas para todos. É uma economia que produz riqueza sem destruir o planeta, sem explorar os trabalhadores, sem discriminar as mulheres, sem ignorar as leis sociais;

- Colocar um freio à globalização mediante um retorno à regulamentação que corrija a concepção perversa e nociva do livre comércio. É preciso se atrever a restabelecer uma dose de protecionismo seletivo (ecológico e social) para avançar na direção da desglobalização;

- Frear o delírio da especulação financeira que está impondo sacrifícios inaceitáveis a sociedades inteiras, como vemos hoje na Europa onde os mercados tomaram o poder. É mais urgente do que nunca impor uma taxa sobre as transações financeiras para acabar com os excessos da especulação nas bolsas de valores;

- Se queremos salvar o planeta, evitar a mudança climática e defender a humanidade, é urgente sair da lógica do crescimento permanente que é inviável, e adotar, por fim, a via de um “decrescimento” razoável.

Com estas simples quatro medidas, uma luz de esperança apareceria por fim no horizonte, e as sociedades começariam a recobrar confiança no progresso. Mas quem terá a vontade política de impô-las?

Le Monde Diplomatique – Nº195- Janeiro 2012

NOTAS:

(1) Somente na América Latina, como consequência das políticas de incluso social implementadas por governos progressistas na Argentina, Bolívia, Brasil, Equador, Nicarágua, Paraguai, Venezuela e Uruguai, cerca de 80 milhões de pessoas saíram da pobreza.

(2) No mundo, cerca de 100 milhões de crianças (sobretudo meninas) não frequentam a escola; 650 milhões de pessoas não têm acesso à agua potável; 850 milhões são analfabetos; mais de 2 bilhões não dispõem de esgoto, nem de latrinas; cerca de 3 bilhões vivem (incluindo aí alimentação, moradia, vestimenta, transporte, saúde, etc) com menos de dois euros diários.

*Jornalista espanhol. Presidente do Conselho de Administração e diretor de redação do Le Monde Diplomatique. 

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19331

Publicada nessa semana, a primeira versão do principal documento da conferência em junho. Pauta é ampla, mas há muitas indefinições e contradições evidentes

Por Daniela Chiaretti, no Valor Econômico

Saiu ontem o primeiro rascunho do documento que será o resultado principal da Rio+20, a conferência sobre desenvolvimento sustentável das Nações Unidas, no Rio de Janeiro, em junho. Oceanos, segurança alimentar, agricultura, energia e cidades sustentáveis, acesso a água, empregos verdes, trabalho decente, inclusão social e redução de risco de desastres são as áreas sugeridas para que os países tenham metas a serem cumpridas a partir de 2015.

Batizado de “The Future We Want” (“O Futuro Que Queremos” – versão integral aqui), o documento de 19 páginas também dá a indicação financeira de como o mundo pode chegar ao cumprimento dessas metas: que sejam cumpridos os compromissos de países ricos de destinar 0,7% de seu Produto Interno Bruto (PIB) para a cooperação internacional às nações em desenvolvimento, assim como 0,15% a 0,20% do PIB para programas de assistência aos países mais pobres. Essa sugestão não é nova e resume decisões já tomadas em vários fóruns das Nações Unidas, mas que, nos últimos 20 anos, nem sempre decolaram.

Várias partes do texto estão entre colchetes, o que, no rito diplomático indica que são temas onde não há consenso. Tudo o que importa – finanças, energia, ciência e tecnologia, lixo, consumo e produção sustentável, educação, degradação da terra, mudança do clima, florestas e biodiversidade – aparecem entre colchetes. Na verdade, o processo de discussão do texto começa agora. Será a base da rodada informal de negociações em Nova York, no fim de janeiro. Acontecerão mais dois encontros nesse formato, onde representantes dos países discutem o documento, mas ainda não tomam decisões. No fim de março e em junho, pouco antes da cúpula da Rio+20, ocorrem duas reuniões preparatórias com poder de decisão.

O documento que saiu ontem, conhecido por “draft zero”, pretende ser um grande resumo de todas as sugestões que a ONU recebeu nos últimos meses do que deveria ser a Rio+20. Foram 6.000 páginas de contribuições vindas de governos, de ONGs, de empresas. “O documento final da Rio+20 deverá trazer aquele monte de tópicos sobre desenvolvimento sustentável, que já foram discutidos e decididos em um monte de fóruns diferentes, a um lugar único” opina Aron Belinky, coordenador de processos internacionais do Instituto Vitae Civilis e participante do comitê facilitador da sociedade civil na conferência. “Eles devem ser traduzidos em uma declaração política”, prossegue, referindo-se ao documento final da cúpula.

O primeiro rascunho do texto da Rio+20 traz pontos interessantes, como o que sugere que as grandes empresas tenham relatórios de sustentabilidade. Mas não há metas no texto, em nenhuma área. O prazo também é genérico e apenas menciona o “pós-2015″.

Fonte: http://ponto.outraspalavras.net/2012/01/11/nao-ha-consenso-futuro-queremos/

Já está circulando nas redes a tradução do “draft”, ou seja, do rascunho do documento-base das Nações Unidas (10 jan/2012)  para a Rio+20. Um apanhado de palavras vazias. Vergonha alheia e/ou indignação de como nos tratam como um bando de imbecis…O futuro que queremos passa longe desse documento, no qual atesta o nosso não “futuro”.http://www.uncsd2012.org/rio20/content/logos/Color%20Compact/Portugese.png

O futuro que queremos [1]

ÍNDICE
I. definição Preâmbulo / Stage
Visão

II. Renovação do Compromisso Político
Reafirmando os princípios Rio e planos de ação do passado
Avaliar o progresso alcançado e as lacunas ainda existentes na implementação dos resultados das grandes cimeiras sobre desenvolvimento sustentável e abordando novas e emergentes desafios (Integração, Implementação, Coerência)
Envolver grandes grupos
Quadro de acção

III. Economia Verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza
Enquadramento no contexto da economia verde, os desafios e oportunidades
Kits de ferramentas e partilha de experiências
Quadro de acção

IV. Quadro Institucional para o Desenvolvimento Sustentável
Reforçar / reformar / integrar os três pilares
GA, ECOSOC, CSD, a proposta SDC
UNEP, agência especializada sobre a proposta meio ambiente, instituições financeiras internacionais, das Nações Unidas para as actividades operacionais a nível nacional
Regional, Nacional, Local

V. Quadro de acção e follow-up
A. Prioridade / key / temáticas / questões intersectoriais e áreas
B. Acelerar os progressos e medição (SDGs, PIB e outros)
Meios de implementação (financiamento, acesso e transferência de tecnologia, capacitação)

I. Definir Preâmbulo / Stage
1. Nós, os Chefes de Estado e de Governo, reunidos no Rio de Janeiro, Brasil, 20-22 junho de 2012, resolvem trabalhar juntos por um futuro próspero, seguro e sustentável para o nosso povo e nosso planeta.

2. Reafirmamos a nossa determinação para libertar a humanidade da fome e quer através da erradicação de todas as formas de pobreza e lutar por sociedades que são eqüitativas e inclusivas, para a estabilidade econômica e crescimento que beneficie a todos.

3. Estamos empenhados em fazer todos os esforços para acelerar o progresso na realização dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até 2015, melhorando assim a vida das pessoas mais pobres.

4. Estamos também empenhados em reforçar a cooperação e abordar as questões actuais e emergentes de uma maneira que irá aumentar as oportunidades para todos, estar centrado no desenvolvimento humano, preservando e protegendo o sistema de suporte de vida da nossa casa comum, o nosso planeta compartilhado.

5. Instamos ação audaciosa e decisiva sobre o objetivo e os temas da conferência. Renovamos nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e expressar a nossa determinação em prosseguir a economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e erradicação da pobreza. Afirmamos ainda mais a nossa vontade de reforçar o quadro institucional para o desenvolvimento sustentável. Tomados em conjunto as nossas ações devem preencher as lacunas de implementação e alcançar uma maior integração entre os três pilares do desenvolvimento sustentável – econômico, o social e o ambiental.

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A Organização das Nações Unidas (ONU) apresentou uma ata da mais recente reunião preparatória para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (UNCSD, na sigla em inglês, ou apenas Rio+20), realizada nos dias 15 e 16 de dezembro último em Nova York (EUA). Na publicação, foram apresentados alguns pontos decididos a respeito da estrutura do “rascunho zero” (zero draft) do documento final que será produzido durante a Rio+20.

Entre os elementos apresentados na ata, alguns se destacam. Um deles é o compêndio de compromissos voluntários, sugerido principalmente pelos Estados Unidos durante a reunião de Nova York. A proposta ainda é considerada válida, mas poderá ser desvinculada do documento oficial. “Esse é um aspecto positivo, porque não mistura eventuais acordos oficiais dos governos com afirmações unilaterais ou voluntárias”, avalia Aron Belinky, coordenador de Projetos Internacionais do  Instituto Vitae Civilis e membro do Comitê Facilitador da Cúpula dos Povos.

As propostas de acompanhamento e de medição das ações de desenvolvimento sustentável implementadas pelos países também foram incorporadas na estrutura do “rascunho zero”, na forma das “Metas de Desenvolvimento Sustentável” (SDGs, na sigla em inglês) e de outros métodos. Também foi enfatizado o foco na economia verde e na integração dos três pilares para o desenvolvimento sustentável (social, ambiental e financeiro).

Veja a estrutura para o “rascunho zero” publicada na ata da ONU (a íntegra da ata pode ser lida aqui, em inglês):

I. Preâmbulo/Contextualização

Visão

II. Renovação do compromisso político

A. Reafirmar os Princípios do Rio e planos de ação passados;

B. Avaliar o progresso até hoje e as lacunas na implementação dos resultados das grandes reuniões de cúpula sobre desenvolvimento sustentável, e atenção aos desafios novos e emergentes (Integração, Implementação, Coerência);

C. Estabelecer relacionamento/participação com os “major groups”(sociedade civil);

D. Quadro referencial para ação.

III. Economia Verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.

A. Estabelecer o contexto (quadro referencial) da economia verde, seus desafios e oportunidades;

B. “Caixas de ferramentas” para a economia verde e compartilhamento de experiências;

C. Quadro referencial para a ação.

IV. Quadro institucional para o desenvolvimento sustentável

A. Fortalecer, reformar e integrar os três pilares (econômico, social e ambiental);

B. Proposta envolvendo Assembleia Geral, Conselho Economico e Social, Comissão para o Desenvolvimento Sustentável, Conselho para o Desenvolvimento Sustentável;

C. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), proposta para uma agência especializada em meio ambiente, Instituições Financeiras Internacionais, área operacional da ONU ao nível de cada país (nacional);

D. Dimensões regional, nacional e local;

V. Quadro referencial para ação e acompanhamento

A. Assuntos e areas transversais/temáticas/chave/prioritárias;

B. Acelerar e medir progresso (Metas do Desenvolvimento Sustentável, PIB e outras);

D. Meios de implementação (finanças, acesso a e transferência de tecnologia, capacitação).

Fonte: http://cupuladospovos.org.br/2012/01/onu-libera/

Reproduzimos a charge do Kayser, publicada em 2004, mas que por falar em agrotóxicos e estarmos novamente enfrentando uma seca, segue ainda atual.

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