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Os reatores nucleares ociosos do Japão vão ser religados gradualmente sob o governo do recém-eleito primeiro-ministro, Shinzo Abe, conforme as unidades forem recebendo o sinal verde da Autoridade de Regulação Nuclear do país, afirmou o jornal Nikkei.

Abe, em instruções para membros do gabinete, traçou sua política de permitir que reatores nucleares retomassem as operações dando prioridade à avaliação do órgão regulador, disse o jornal japonês.

Todos os 50 reatores do Japão, com exceção de dois, continuam desligados depois que a usina de Fukushima sofreu explosões e um derretimento com o tsunami provocado por um terremoto em 2011.

O novo governo também irá rever a política de seu predecessor de desativar a energia nuclear até 2040, disse o ministro do Comércio e Indústria, Toshimitsu Motegi, em entrevista coletiva nesta quinta-feira, disse o Nikkei.

Shinzo Abe, que assumiu o posto de primeiro-ministro do Japão na quarta-feira, criticou o objetivo de “zero nuclear” do derrubado Partido Democrático do Japão como irreal.

Fonte: Terra

E tem gestor público brasileiro defendendo que não há perigo com a energia nuclear. Além disso, cabe lembrar a denúncia feita pela ecofeminista Yuko Tonohira  sobre a Violência contra mulheres por parte do Estado Japonês, uma vez que este defendia não haver riscos para mães e seus filhos.

Crianças japonesas apresentam nódulos na tireoide depois de acidentes em Fukushima

Aproximadamente 38 mil crianças e adolescentes que vivem na região de Fukushima, no Norte do Japão, foram submetidas a testes para verificação do funcionamento da tireoide. Em 36% das crianças examinadas, foram identificados nódulos, mas não houve confirmação de tumor maligno. Mais de 52 mil pessoas ainda estão fora de suas casas em um raio de 20 quilômetros ao redor da Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, desde os acidentes de 2011.

As autoridades decidiram pelos testes após verificar que algumas crianças de províncias vizinhas à Usina de Fukushima Daiichi foram detectadas com nódulos na tireoide. Porém, o governo de Fukushima desconsidera a possibilidade de adotar medidas adicionais.

Os especialistas advertem que o iodo radioativo liberado pela usina durante os acidentes nucleares poderá se acumular nas glândulas tireoides das crianças e aumentar o risco de câncer. Em março de 2011, a região de Fukushima foi atingida por um tsunami, após um terremoto, o que causou vazamentos e explosões radioativas. Desde então, o Japão está em alerta e redobrou os cuidados com a energia nuclear.

Em março de 2013, serão realizados novos testes em 4,5 mil crianças e adolescentes, em três províncias vizinhas de Fukushima. O governo espera assim aliviar a preocupação dos japoneses e detectar eventuais efeitos da radiação libertada pela central nuclear sobre as crianças.

Com informações da Agência Brasil

Fonte: Sul21

Ontem (06.08) fez 67 anos que os EUA explodiram o Japão com a boma atômica, deixando, só em Hiroshima, 140 mil mortos, onde hoje existe um forte movimento movimento antinuclear. Cerca de 50 mil pessoas se reuniram no Parque da Paz de Hiroshima, junto ao Hiroshima Peace Memorial Museum (http://www.pcf.city.hiroshima.jp/index_e2.html).

O CEA, esteve lá, em outra ocasião, mas aproveita a data para divulgar algumas de suas fotos, pelo fim do uso da energia nuclear. Lovelock que nos perdoe!!!

Japão, Hiroshima, 2000. Foto: Soler/CEA

Japão, Hiroshima, 2000. Foto: Soler/CEA

Energia Nuclear ou Guerra  Nuclear? Nuances muito próximas, que seguem acontecendo

Por Noam Chomsky

O dia 6 de agosto, aniversário de Hiroshima, deveria ser um dia de reflexão sombria, não só a respeito dos acontecimentos terríveis dessa data, em 1945, mas também sobre o que eles revelaram: que os seres humanos, em sua busca dedicada por meios de aumentarem a sua capacidade de destruição, finalmente tinham conseguido encontrar uma forma de se aproximarem desse limite final. 

Os atos em memória desse dia têm um significo especial neste ano. Têm lugar pouco antes do 50º aniversário do momento mais perigoso na história humana, nas palavras de Arthur M. Schlesinger Jr, historiador e assessor de John F. Kennedy, ao se referir à crise dos misseis cubanos. Graham Allison escreve na edição atual da Foreign Affairs que Kennedy ordenou ações que ele sabia que aumentariam o risco, não só de uma guerra convencional, mas também de um enfrentamento nuclear, com uma probabilidade que, acreditava ele, de talvez 50% , cálculo que Allison considera realista. 

Kennedy declarou um alerta nuclear de alto nível, que autorizava o uso de aviões da OTAN, tripulados por pilotos turcos (ou outros), a decolarem, voarem a Moscou e largarem uma bomba. Ninguém esteve mais assombrado pela descoberta dos mísseis em Cuba do que os homens encarregados de mísseis similares que os Estados Unidos tinha largado clandestinamente em Okinawa, seis meses antes, seguramente apontados para a China, em momentos de tensão crescente. Kennedy levou o presidente soviético Nikita Krushev à iminência da guerra nuclear e ele olhou o que se aproximava e não teve estômago para a coisa, segundo o general David Burchinal, então alto oficial do pessoal de planejamento do Pentágono.

Não se pode contar sempre com essa cordialidade. Krushev aceitou uma fórmula apresentada por Kennedy pondo fim à crise que estava a ponto de se converte em guerra. O elemento mais audacioso da formula, escreve Allison, era uma concessão secreta que prometia a retirada dos mísseis estadunidenses da Turquia num prazo de seis meses depois do fim da crise. Tratava-se de mísseis obsoletos que estavam sendo substituídos por submarinos Polaris, muito mais letais. 

Em resumo, correndo inclusive o alto risco de uma guerra de destruição inimaginável, considerou-se necessário reforçar o princípio de que os Estados Unidos têm o direito unilateral de situar misseis nucleares em qualquer parte, alguns apontados para a China ou para as fronteiras da Rússia, que até então não tinha nunca posto mísseis fora da URSS. 

Ofereceram justificações, é claro, mas não sobrevivem a uma análise. Cuba, como princípio correlato a isso, não estava autorizado a possuir mísseis para sua defesa contra o que parecia ser uma invasão iminente dos Estados Unidos. Os planos para os programas terroristas de Kennedy, a Operação Mangusto, estabeleciam uma revolta aberta e a derrocada do regime comunista em outubro de 1962, mês da crise dos mísseis, com o reconhecimento de que o êxito final exigiria uma intervenção decisiva dos Estados Unidos.

As operações terroristas contra a Cuba são descartadas habitualmente pelos comentaristas como travessuras insignificantes da CIA. As vítimas, como é de se supor, veem as coisas de uma forma bastante diferente. Ao menos podemos ouvir suas palavras em Vozes do outro lado: Uma história oral do terrorismo contra Cuba, de Keith Bolender.

Os eventos de outubro de 1962 são amplamente celebrados como o melhor momento de Kennedy. Allison os oferece como um guia sobre como reduzir o risco de conflitos, manejar as relações das grandes potências e tomar decisões acertadas a respeito da política externa em geral. Em particular, os conflitos atuais com o Irã e a China.

O desastre esteve perigosamente próximo em 1962 e não tem havido escassez de graves riscos desde então. Em 1973, nos últimos dias da guerra árabe-israelense (a guerra do Yom Kippur), Henry Kissinger lançou um alerta nuclear de alto nível. A Índia e o Paquistão tem estado há muito próximos de um conflito atômico. Tem havido inúmeros casos nos quais a intervenção humana abortou um ataque nuclear momentos antes do lançamento de mísseis, com base em falsas informações de sistemas automatizados. 

Há muito em que se pensar no 6 de agosto. Allison se une a muitos outros ao considerar que os programas nucleares do Irã são a crise atual mais grave, um desafio ainda mais complexo para os formuladores da política dos Estados Unidos do que a crise dos mísseis cubanos, dada a ameaça de um bombardeio israelense. A guerra contra o Irã está em processo, inclusive com o assassinato de cientistas e pressões econômicas que chegaram ao nível de guerra não declarada, segundo o critério de Gary Sick, especialista em Irã. 

Há um grande orgulho da sofisticada ciberguerra dirigida contra o Irã. O Pentágono considera a ciberguerra como ato de guerra, que dá um cheque em branco para o uso da força militar tradicional, informa o The Wall Street Journal. Com a exceção usual: não quando o Estados Unidos ou um aliado é que a realiza. A ameaça iraniana tem sido definida pelo general Giora Eiland, um dos maiores estrategistas militares de Israel, “um dos pensadores mais engenhosos e prolíficos que (as Forças de Defesa de Israel) produziram”. 

Entre as ameaças que ele define, a mais plausível é que qualquer enfrentamento nas fronteiras teria lugar sob um guarda-chuva nuclear iraniano. Em consequência, Israel poderia se ver obrigado a recorrer à força. Eiland está de acordo com o Pentágono e com os serviços de inteligência dos Estados Unidos, que consideram a dissuasão como a maior ameaça que o Irã representa. 

A atual escalada da guerra não declarada contra o Irã aumenta a ameaça de uma guerra acidental em grande escala. Alguns perigos foram ilustrados no mês passado, quando um barco estadunidense, parte da enorme força militar no Golfo, disparou contra uma pequena embarcação de pesca, matando um membro da tripulação indiana e ferindo outros três. Não seria preciso muito para iniciar outra guerra importante. 

Uma forma sensata de evitar as temidas consequências é buscar a meta de estabelecer no Oriente Médio uma zona livre de armas de destruição em massa e todos os mísseis necessários para o seu lançamento, e o objetivo e uma proibição global do uso de armas químicas – o que é o texto da resolução 689 de abril de 1991, do Conselho de Segurança, que os Estados Unidos e a Grã Bretanha invocaram em seu esforço para criar uma cobertura complacente para a sua invasão do Iraque, 12 anos depois. 

Essa meta tem sido um objetivo árabe-iraniano desde 1974 e nesses dias tinha um apoio global quase unânime, ao menos formalmente. Uma conferência internacional para debater formas de levar a cabo esse tratado pode ocorrer em dezembro. É improvável o progresso, a menos que haja um apoio público massivo no Ocidente. Ao não se compreender a importância dessa oportunidade, alarga-se mais uma vez a sombra que tem obscurecido o mundo desde o terrível 6 de agosto.

Fonte: Aldeia Gaulesa

Marcha das Mulheres na Cúpula dos Povos 18.06

Violência nem no Lar, nem Nuclear! Marcha das Mulheres na Cúpula dos Povos. Foto: Cintia Barenho/CEA

Lá do outro lado do atlântico, japoneses (as) enfrentam a madrugada chuvosa para impedir que Usina Nuclear seja reativada. Havia uma previsão de fechamento de todas as usinas nucleares no Japão, como pode-se ler aqui, no entanto…

Ao vivo podemos acompanhar AQUI e/ou acessar outras câmeras aqui

Em março havia um artigo intitulado “Japão mostrou que energia nuclear é segura”, no qual o autor – assistente da Presidência da Eletronuclear S.A. – afirmava que: “…Essas consequências foram bastante limitadas quando comparadas às dimensões da terrível tragédia humana, social, econômica e ambiental causada por esse fenômeno natural excepcionalmente severo. O fato desse acidente não ter causado vítimas fatais pela radiação confirma que a energia nuclear é essencialmente segura.” Nada como desviar o foco. O que será que o mesmo tem para defender agora que o Japão desliga seus 54 reatores nucleares??

Nesse sábado, 05 de maio, os 54 reatores nucleares japoneses estarão parados, talvez para sempre. Foto: Wikimedia

Ansioso, o Japão se prepara para a vida sem energia nuclear   por Justin McCurry

Esse fim de semana o Japão começará um experimento ambicioso de uso de energia que ninguém pensava possível — até que a usina de Fukushima Daiichi sofreu um triplo super aquecimento, faz apenas um ano. No sábado, quando a companhia de eletricidade Hokkaido fechar para manutenção o reator número 3 da usina de Tomari, a terceira maior economia do mundo não terá reatores nucleares funcionando pela primeira vez em quase 50 anos.

O fechamento do último dos 54 reatores japoneses marca uma mudança dramática na política energética, porém enquanto os ativistas se preparam para celebrar, o apagão nuclear nacional chega ligado a riscos econômicos e ambientais expressivos.

A crise de Fukushima detonada pelo letal terremoto e tsunami forçou o Japão a repensar profundamente sua relação com a energia atômica.

O fechamento de Tomari vem quando o Japão se prepara para um longo e úmido verão que levará dezenas de milhões de pessoas a buscar o controle dos seus aparelhos de ar-condicionado, aumentando o perigo de falhas no fornecimento de energia e mais danos para as indústrias, que ainda se recuperam do terremoto.

Em um relatório publicado essa semana, a agência nacional  de políticas públicas do governo projetou uma escassez de 5% de energia em Tóquio, enquanto as próprias empresas de energia preveem uma carência de 16% de energia na região oeste do Japão, onde está Osaka, uma das suas maiores cidades industriais.

“Eu tenho que dizer, nós enfrentaremos um grave risco de falta de eletricidade”, disse Yukio Edano, ministro da economia, comércio e indústria. Ele acrescentou que o custo extra de importação de combustível para uso nas usinas termoelétricas  poderá ser repassado aos consumidores através de contas de luz mais caras.

Antes do desastre de 11 de março de 2011, o Japão dependia da energia nuclear para suprir 30% da sua eletricidade, e havia planos para aumentar essa  participação para mais de 50% até 2030, com a construção de novos reatores.

Com o acidente, o lançamento de imensas quantidades de radiação no ar e no mar, a contaminação da comida e das fontes de água e a evacuação de dezenas de milhares de residentes demoliram a visão de um futuro dominado por energia nuclear e baixas emissões de carbono.

Nos últimos 14 meses, dúzias de reatores nucleares não diretamente afetados pelo tsunami foram desligados para se submeterem à testes de segurança e manutenção rotineira. Enquanto isso, as distribuidoras buscaram usinas movidas a carvão, óleo e gás para manter o fornecimento de eletricidade para a indústria e os lares. As importações desses insumos contribuíram para gerar, no ano passado, o primeiro déficit comercial do Japão em mais de 3 décadas.

O Japão, que já é o maior importador mundial de gás natural liquefeito, comprou quantidades recorde no ano passado para substituir a energia nuclear. A agência internacional de energia estima que o fechamento de todas as usinas nucleares aumentará a demanda japonesa por petróleo para 4,5 milhões de barris/dia, com um custo adicional em torno de 100 milhões de dólares por dia.

As últimas investidas de Yoshihiko Noda, primeiro ministro, de obter apoio para um reinício precoce de 2 reatores da Usina Oi, no oeste do Japão, falharam em meio a uma oposição pública cada vez mais dura contra a energia nuclear.

Nenhum dos reatores ociosos do Japão terá permissão de ser reiniciado até que passem por rigorosos “testes de estresse” — simulações planejadas para testar a capacidade de resistir a eventos catastróficos como o tsunami de 14 metros de altura que nocauteou o sistema reserva de energia da usina de Fukushima Daiichi, e disparou o pior acidente nuclear mundial desde Chernobyl.

Enquanto há especialistas que criticaram os testes de estresse duplos, a volta imediata, mesmo a uma produção limitada, da energia nuclear parece impossível.

Pela lei, a aprovação da população local não é necessária para o reinício. Mas Noda não está inclinado a correr o risco de um colapso político causado por ignorar a opinião local: em uma pesquisa recente, feita pelo Noticiário Kyodo, 59,5% se opunham ao recomeço das operações da usina nuclear Oi, na região administrativa de Fukui, enquanto 26,7% apoiavam a medida.

Na liderança do movimento para reiniciar os reatores está a Keidanren, o influente lobby dos negócios. Em pesquisa recente, 71% dos industriais disseram que a falta de energia poderia forçá-los a cortar a produção, enquanto 96% disseram que o espectro de preços de eletricidade mais altos reduziria o faturamento. O Instituto de Economia da Energia alertou que manter os reatores em compasso de espera pode limitar o crescimento do PIB a apenas 0,1% esse ano, pois as indústrias reduzirão a produção ao mesmo tempo em que pagam mais caro por energia derivada de petróleo.

Críticos da paralisação nuclear também enfatizaram o impacto negativo que mais combustível fóssil para gerar energia terá nos compromissos assumidos pelo Japão na área de mudanças climáticas. E mesmo grandes investidores em energia alternativa, como o principal executivo do Softbank, Masayoshi Son, admitiu que levará tempo para que essas opções tenham impacto real na matrix energética do país.

Esses investidores ficarão exultantes com o resultado de um novo painel do ministério do meio ambiente, o qual afirma que o Japão ainda pode reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 25% até 2030 (comparadas aos níveis de 1990) através da economia de energia e da adoção mais veloz de fontes renováveis. Espera-se que elas representem entre 25% e 35% da geração total de energia em 2030.

“Se o Japão tiver a motivação, pode também realizar isso”, afirma Sei Kato, diretor de promoção da sociedade de baixo carbono no ministério do meio ambiente. “Nós temos o know-how tecnológico”. Colocando de lado os riscos de curto prazo, grupos ambientalistas dizem que a paralisação desse sábado é uma oportunidade sem precedentes para o Japão se livrar da dependência da energia nuclear.

“Esse é um momento decisivo para o Japão, uma enorme oportunidade para que se mova em direção ao futuro de energia sustentável que o seu povo demanda”, afirmou o Greenpeace no seu relatório sobre a revolução da tecnologia energética. “Com abundância de recursos para energia renovável e tecnologia de vanguarda, o Japão pode facilmente se tornar um líder na área, enquanto simultaneamente acaba com sua necessidade da tecnologia nuclear, que é cara e arriscada”.

Na terça, as pessoas que trabalham em escritórios deram sua contribuição com o início, um mês antes do habitual, do esforço apelidado de “cool biz” (algo como “negócio bacana”) para reduzir o uso de energia. Mas trocar ternos e gravatas por camisas de manga curta, e reduzir o uso de aparelhos de ar-condicionado é fácil enquanto durarem as temperaturas amenas da primavera. O grande teste de força de vontade pós Fukushima ainda está para vir.

Fonte: O ECO

Para onde era (e ainda é levado) o lixo nuclear gerado pelas usinas de Angra?

Usinas nucleares de Angra terão sistema de armazenamento de lixo atômico em três anos

A Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras que administra a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, vai concluir a construção da primeira célula-demonstração para contenção do lixo atômico das usinas nucleares dentro de três anos, conforme informou o presidente da estatal, Othon Luiz Pinheiro. Ele garante que o sistema de armazenamento dos rejeitos nucleares é seguro.

A técnica adotada faz o encapsulamento de cada célula do combustível e, depois, o encapsulamento do conjunto de elementos combustíveis atômicos. “É uma proteção a mais”, observa Othon Pinheiro.

Segundo ele, o armazenamento não será imposto a nenhum município, mas aquele que se dispuser a estocar esse lixo será remunerado. “[O município] ganhará royalties por isso. Se nós tivermos a competência para demonstrar que [o sistema] é seguro, vai ter muito município com densidade populacional baixa, sem utilização para terrenos públicos, que vai ganhar com isso, sem nenhuma consequência para a população”.

Apesar de o programa nuclear brasileiro estar sendo revisto, em função do acidente que abalou a Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, há um ano, Othon Pinheiro acredita que não há razão para interromper a construção de centrais nucleares no país.

Em construção, Angra 3 deverá entrar em funcionamento em 2016 e vai gerar 1.405 megawatts (MW) de energia. Somando com a produção das outras duas usinas em funcionamento, Angra 1 e 2, contribuirá para a geração de 60% da energia consumida no estado do Rio de Janeiro. Othon Pinheiro destacou que, nos últimos dez anos, a contribuição de energia térmica nuclear ao sistema integrado nacional fica, pelo menos, dentro da média de 2.015 MW.

Para o presidente da Eletrobras, o acidente de Fukushima, um grande vazamento de radiação depois que os reatores foram sacudidos por um forte terremoto terremoto seguido de tsunami, em março do ano passado, acabará provando que a energia nuclear dificilmente será abandonada onde é adotada no mundo.

Mesmo descartando problemas similares aos de Fukushima, a Eletronuclear decidiu construir o prédio do reator de Angra 3 à prova de terremoto. De acordo com Othon Pinheiro, a rotina de trabalho na central nuclear brasileira prima pela segurança e pela qualidade de treinamento do pessoal.

Fonte: Agência Brasil

Ativistas tentam acabar com a caça à baleia no Japão. Foto Guano/Flickr

A prisão de um ativista holandês no Japão voltou a mostrar a reticência deste país em ouvir as reclamações internacionais para limitar a caça de baleias e golfinhos. Por Suvendrini Kakuchi, da IPS. “A detenção de Erwin Vermeulen pretendia intimidar-nos para que abandonássemos Taiji”, povoado pesqueiro onde os golfinhos são encurralados para serem mortos em massa, denunciou Scott West, diretor de pesquisas da organização norte-americana Sea Shepherd Conservation Society (SSCS). “Contudo, o efeito foi contrário, mais voluntários estão a inscrever-se para participar de nossas atividades contra a matança de golfinhos e baleias”, disse West. Ao enviar voluntários estrangeiros como Vermeulen a Taiji, a SSCS gerou uma reação adversa no Japão, especialmente após publicar imagens da sangrenta caça de golfinhos.

As matanças em Taiji foram expostas ao mundo em 2011, quando um filme sobre esse ritual anual, The Cove, ganhou o Oscar de melhor documentário. Embora a libertação de Vermeulen, no dia 22 de fevereiro, tenha evidenciado que não era certo o crime do qual o acusavam, ter empurrado um policial no dia 16 de dezembro, os ativistas acreditam que isto não muda em nada as arraigadas atitudes quanto à caça de cetáceos neste país.

“Vermeulen ganhou o caso porque não violou a lei. Isto não significa que os que se opõem à caça de baleias se tenham feito respeitar. A prova real é se podem impedir que em Taiji se mate baleias e golfinhos”, declarou o porta-voz do capítulo japonês da organização Greenpeace, Kazue Suzuki. Apesar de também ser contra a casa de baleias, o Greenpeace distanciou-se do enfoque de confronto da SSCS e prefere centrar a sua campanha em questões como a contaminação da carne de baleia com mercúrio.

Os meios de comunicação locais retratam a SSCS como uma organização agressiva, que utiliza raios laser e barulho para assediar as baleias. Num editorial de janeiro do The Japan Times, jornal publicado em inglês, acusou a organização de “cruzar a linha dos protestos pacíficos e do controle razoável para uma confronto violento que pode prejudicar” integrantes dos dois lados.

Mas a controvérsia parece estar se dirimindo a favor da SSCS. Em 21 de fevereiro, um tribunal federal da cidade norte-americana de Seattle negou uma ordem judicial solicitada pelo Instituto Japonês de Pesquisa de Cetáceos para impedir que a SSCS realizasse suas atividades contra a caça de baleias o Oceano Atlântico.

Países ocidentais como Estados Unidos e Austrália, que respeitam a moratória da Comissão Baleeira Internacional (CBI) à caça de cetáceos, querem que o Japão acabe com suas “experiências científicas”. Embora, no contexto de uma decisão de 1987, a CBI permita matar anualmente mil baleias no Oceano Atlântico para fins de pesquisa, boa parte da carne desses animais acaba sendo vendida. Por muitos anos, os conservacionistas acusaram o Japão de se aproveitar da cota autorizada pela CBI para continuar com a caça comercial, pondo em risco a existência destes mamíferos aquáticos. Este país também é acusado de gastar milhares de milhões de dólares para manter sua envelhecida frota baleeira, e de insistir em seu direito de caçar da maneira tradicional, como a Noruega, outra nação que incorre nesta prática. As táticas da Sea Shepherd puseram em evidência o gasto público excessivo para apoiar uma indústria que rapidamente se torna obsoleta.

A campanha da organização obrigou o Japão a cancelar, em março de 2011, suas capturas científicas no Oceano Atlântico. Em seu livro Como capturar golfinhos, publicado em 2010, Yusuke Sekiguchi, pesquisador do assunto, diz que a caça obedece a uma cultura na qual os animais são emboscados, mortos e comidos com gratidão à providência. Naoko Koyama, do não governamental Instituto de Biodiversidade do Japão, com sede em Kyoto, destacou que o confronto pela matança traz reminiscências do choque entre as culturas japonesa e ocidental. “Como manifestantes, temos que evitar entrar nesse debate estreito”, afirmou. A organização de Koyama, que tem 15 membros, realiza uma campanha que busca divulgar os impactos negativos de confinar mamíferos selvagens aquáticos em aquários para fins comerciais.

“Os resultados são animadores, as pessoas que nos ouvem decidem apoiar nossa organização”, comemorou. Iwao Takayama, advogado defensor de Vermeulen, disse que “os ativistas estrangeiros falam em respeitar a lei, a base para ganhar um processo. Porém, para ganhar o respeito no Japão é preciso falar claro e preferencialmente em japonês”. Os promotores tentaram apresentar o caso contra Vermeulen como um problema entre a SSCS e o governo do Japão, acrescentou. “Foi óbvio que tentavam apelar para os sentimentos nacionalistas”, ressaltou o advogado.

Fonte: http://www.esquerda.net/artigo/ca%C3%A7a-de-baleias-perde-popularidade-no-jap%C3%A3o/22196

por Yuko Tonohira*

Estou aqui para falar com você sobre o impacto do desastre nuclear no trabalho reprodutivo, e muitas vezes são as mulheres que estão sobrecarregadas com várias lutas na vida cotidiana. Primeiro, eu gostaria de atualizá-lo com alguns fatos.

O desastre nuclear de Fukushima está longe de terminar.

Os reatores ainda estão vazando substâncias nucleares radioativas.

O governo ainda não está nos dizendo que há riscos para a saúde
No momento nós não podemos ver como os efeitos da radiação vão ser, mas precisamos esperar pior do que o que já sabemos.
Claramente, área muito mais ampla em torno da planta Fukushima precisa ser evacuada.

No rescaldo do acidente nuclear, o governo japonês não nos dizem os níveis de contaminação no ar, a água, o solo, a comida. Em vez disso, eles disseram que não há efeitos imediatos para a sua saúde.

O governo, com ajuda da mídia, pediu às pessoas para continuar com suas vidas e até mesmo continuar a comer produtos da área de Fukushima, alegando que ser um ato patriota. Se você ligasse a tv que você veria celebridades mordendo vegetais das área atingidas por desastres e dizendo que é delicioso, e seguro.

O governo informou às mulheres grávidas e mães com crianças que a água é segura para beber e, mesmo se eles comerem alimentos contaminados, não terá efeitos na saúde. Disse também que o leite do seu seio é completamente seguro, e que se elas ficam muito preocupadas com a radiação haverá efeitos negativos para seus bebês.

As mulheres são mentalmente confundidas, entre a propaganda de segurança por parte do governo e a luta contra as ameaças diárias de radiação que é invisível, mas certamente deve contaminá-las.

Mais uma vez, tudo o que ouvem do governo é que não há efeitos imediatos para a saúde.

Devo evacuar? Ou devo ficar?
Que devo comer ou não?
Devo usar uma máscara?
Devo fazer os meus filhos usam máscaras?
Devo deixá-los jogar ao ar livre?
Eu deveria levantar a minha voz ou manter minha boca fechada?

Estas são as perguntas que todos se fazem todos os dias.

Por aqui, nós também vivemos sob o mesmo sistema baseado no mito de segurança e mentiras.

A energia nuclear é originada do desenvolvimento de tecnologia militar, em meados do século 20. Desde que a energia nuclear foi introduzida no Japão pelas corporações dos EUA, como a GE e a Westinghouse, durante a década de 50, manteve-se como um importante programa nacional, para o bem das relações de ‘segurança’ EUA-Japão.

Agora, as pessoas em Fukushima foram feitas de pesquisa para os experimentos nucleares. Isso é uma pesquisa sem tratamento.
Em setembro do ano passado o governo deu às crianças e mulheres grávidas crachás de dosímetros de pequena radiação. Os resultados são recolhidos pelo governo local a cada três meses e enviados para o centro nacional de câncer. O governo decidiu também que mais de 360 mil pessoas, além de recém-nascidos serão ao longo da vida objetos de exame de câncer de tireóide. Se o objetivo desta pesquisa é o de proteger as vidas humanas, deveriam ser evacuados para um lugar mais seguro em primeiro lugar.

Tantas vidas e recursos naturais são sacrificados apenas para a energia nuclear permanecer aqui, com ou sem acidentes.

Então, o que os japoneses estão fazendo? Para resumir:
-Desde 11 de março as pessoas foram rapidamente educar-se sobre diferentes tipos de materiais radioativos e seus vários efeitos ao corpo humano.
-Eles estão monitorando o nível de radiação em suas próprias comunidades, com os seus próprios contadores Geiger em suas mãos. Essas atividades baseadas na comunidade começou muito autônoma, fora da sua necessidade de obter informações mais ninguém oferece.
-As mulheres, especialmente aquelas com filhos estão protestando contra as autoridades. Na semana passada, as mulheres de todo o Japão começaram a ocupar ruas em torno do ministério da economia, e manter negociações diretas com funcionários governamentais para exigir a evacuação das crianças, a divulgação de todas as informações contaminação de alimentos e etc.

Um mês atrás, uma mãe de Fukushima visitou NY para falar sobre sua experiência. Ela disse para nós, que se pergunta se Fukushima aconteceu para toda a humanidade para mudar nossa percepção sobre o valor monetário, e para todos nós percebermos quão valiosos são nossos bens comuns: o ar, solo, água.

A luta pela abolição das armas nucleares envolve todos os elementos do nosso mundo que ainda é controlada pela sociedade altamente consumista baseada no capitalismo à custa do bem-estar humano. Como eu disse anteriormente, as mulheres são as mais fortemente opostas à propaganda do governo sobre o patriotismo e sacrfifício. Elas estão lutando para resistir a essa lógica suicida, o que exige de suas famílias consumir produtos radioativos para mostrar ao mundo que tudo está bem neste país e que energia nuclear é algo que podemos conviver. Sua resistência precisa do nosso apoio. Por favor, conecte-se conosco e preste atenção em nossas atividades aqui e no Japão.

*Yuko Tonohira é militante ecofeminista japonesa da luta anti-nuclear, que atualmente mora nos EUA. Tradução Ticiana Gabrielle Amaral Nunes.

Manifestante segura cartaz em protesto contra a energia nuclear em frente à Tokyo Electric Power, em Tóquio

Manifestante segura cartaz em protesto contra a energia nuclear em frente à Tepco: reatores estão sendo submetidos a operações de resfriamento.Toru Yamanaka/AFP

Documento mostra que milhares de pessoas em todo o mundo ainda vivem sob a ameaça de acidentes nucleares

Um ano após o desastre de Fukushima, no Japão, o mundo ainda não aprendeu a lição. Um relatório produzido pelo Greenpeace mostra que milhares de pessoas em todo o mundo ainda correm o risco de enfrentar acidentes nucleares.

Intitulado “Lições de Fukushima”, o documento aponta que o acidente não foi causado por um desastre natural, mas por uma série de falhas do governo japonês, de órgãos reguladores e da indústria nuclear.

“Embora causado pelo tsunami de 11 de março, o desastre de Fukushima foi, em última instância, culpa das autoridades japonesas, que optaram por ignorar os riscos e fazer dos negócios uma prioridade mais alta que a segurança”, disse Jan Vande Putte, da campanha de energia nuclear do Greenpeace Internacional.

“Este relatório demonstra que a energia nuclear é insegura e que os governos são rápidos em aprovar reatores, mas continuam mal preparados para lidar com problemas e proteger as pessoas de desastres nucleares. Esta situação não mudou desde o desastre de Fukushima e é por isso que milhares de pessoas continuam expostas a riscos nucleares.”

O relatório chega a três importantes conclusões para explicar a tragédia e suas consequências. A primeira delas é que as autoridades japonesas e a empresa que operava a planta nuclear de Fukushima conheciam, mas ignoraram, os riscos de um sério acidente.

Em segundo lugar, ficou claro que, mesmo um país preparado para desastres de grandes proporções, como o Japão, ficam de mãos atadas diante da magnitude de um desastre nuclear. Os planos de emergência nuclear e de evacuação falharam em proteger os cidadãos.

Por fim, centenas de milhares de pessoas ainda não puderam refazer suas vidas devido à falta de apoio e compensação financeira. O Japão é um dos poucos países onde, por lei, as empresas que operam as plantas nucleares são responsáveis por bancar os custos de um desastre. Na prática, após um ano da tragédia, os afetados pela tragédia continuam desamparados. Os contribuintes japoneses é que terminarão arcando com todos os custos.

Corrente humana contra a energia nuclear

O próximo domingo, 11 de março, marca o primeiro ano do desastre nuclear de Fukushima. O acidente promoveu uma revisão global dos padrões de segurança das usinas nucleares. Países como a Alemanha anunciaram um plano de desligamento de suas usinas.

Na contramão deste processo, o Brasil dá continuidade à construção do terceiro reator do complexo de Angra e prevê a construção de mais plantas nucleares por todo o país.

Fonte: Greenpeace (adaptado para o blog do CEA)

Segundo denúncia de Krista Mahr, correspondente da revista TIME, o governo japonês utilizou 29 milhões dólares do Fundo Nacional de Recuparação Pós-Tsunami na indústria baleeira, inclusive para fornecer segurança adicional para a frota ilegal. Embora a caça de baleias tenha sido proibida no mundo inteiro em 1986, o governo japonês insiste no negócio bilionário e cruel alegando que realiza a caça para fins de pesquisa.

Fonte: Vista-se

Levantamento em 23 países mostra crescente oposição à construção de novas usinas. Usina nuclear na França, em foto de arquivo (AFP)

Levantamento em 23 países mostra crescente oposição à construção de novas usinas. Usina nuclear na França, em foto de arquivo (AFP)

A rejeição da opinião pública global ao uso de energia atômica aumentou após o acidente com a usina nuclear de Fukushima, no Japão, segundo indica pesquisa encomendada pela BBC.

Na média geral entre os 12 países que já têm usinas nucleares ativas – Brasil incluído –, 69% dos entrevistados rejeitam a construção de novas usinas, enquanto 22% defendem novas estações. No Brasil, 79% dos entrevistados dizem se opor à construção de novas usinas.

Esses 79% incluem pessoas que acham que o Brasil deve usar as usinas nucleares que já tem, mas não construir estações novas (44%), e pessoas que acham que, como a energia atômica é perigosa, todas as usinas nucleares operantes devem ser fechadas o mais rápido possível.

Apenas 16% dos entrevistados brasileiros acham que a energia nuclear é relativamente segura e uma importante fonte de eletricidade e que, portanto, novas usinas devem ser construídas.

A pesquisa, em 23 países, indica que após o acidente de Fukushima, em março, aumentou a oposição à energia nuclear, tanto em países que a promovem ativamente, como Rússia e França, como em países que ainda planejam a construção de usinas.

Em comparação com resultados de 2005, o levantamento “sugere que houve um elevado aumento na oposição à energia nuclear” em parte dos países, enquanto cresce a defesa da economia de energia e o uso de fontes renováveis em vez da energia nuclear.

Rejeição e apoio

As maiores rejeições à ampliação do uso da energia atômica são observadas na França, no Japão, no Brasil, na Alemanha, no México e na Rússia.

Em contrapartida, em países como China, Estados Unidos e Grã-Bretanha, ainda é representativa a quantidade de pessoas que consideram a energia nuclear segura – 42%, 39% e 37%, respectivamente.

“A falta de impacto que o desastre nuclear de Fukushima teve na opinião pública nos EUA e na Grã-Bretanha é digna de nota e contrasta com a crescente oposição às usinas nucleares novas na maioria dos países que acompanhamos desde 2005”, declarou o presidente da empresa de pesquisas GlobeScan, Doug Miller.

“O maior impacto foi observado na Alemanha, onde a nova política do governo (de Angela) Merkel, de fechar todas as estações de energia nuclear, é apoiada por 52% dos entrevistados”, disse.

A visão alemã reflete a opinião pública do resto da Europa, continente em que “a maioria dos países pesquisados tem uma visão negativa com relação ao uso de energia atômica para gerar eletricidade”.

Realizado pela GlobeScan a pedido da BBC, o levantamento ouviu 23,2 mil pessoas em 23 países (12 deles já operando usinas nucleares), entre junho e setembro. A margem de erro é de 3,1 a 4,4 pontos percentuais.

Este foi o primeiro ano em que o Brasil participou da pesquisa.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/11/111124_pesquisa_nuclear_bbc_pai.shtml

 Japoneses saem às ruas de Tóquio para protestar contra as usinas nucleares neste domingo, quando completam seis meses do terremoto seguido de tsunami. Foto: AFP

Japoneses saem às ruas de Tóquio para protestar contra as usinas nucleares neste domingo, quando completam seis meses do terremoto seguido de tsunami. Foto: AFP

Aos gritos de “nuclear não”, milhares de pessoas pediram neste domingo em Tóquio ao governo japonês o fechamento de todos os reatores atômicos do país, no dia em que completa seis meses da luta para controlar a usina nuclear de Fukushima.

O tsunami que assolou o nordeste japonês em 11 de março provocou nessa planta o pior acidente nuclear em 25 anos, o que obrigou a remoção em massa de mais de 80 mil famílias e mantém 80% dos reatores do arquipélago paralisados.

“A radioatividade não tem fronteiras”, “Do Japão ao mundo: Perdão!” e “Energia atômica, não obrigada” foram alguns dos slogans que se repetiram neste domingo em frente ao Ministério da Indústria na capital, que abriga também a sede da Agência para a Segurança Nuclear do Japão.

Em meio a um forte esquema de vigilância policial, 3 mil pessoas formaram uma rede humana que ordenadamente cercou o prédio e que, em um ambiente entre indignado e de lembrança, pediu em coro e com cânticos levar aos tribunais os responsáveis pela crise e o fechamento definitivo de todas as plantas nucleares do Japão.

As mesmas mensagens se repetiram em outras manifestações na capital japonesa, como no bairro de Shinjuku e o popular parque de Yoyogi, onde ocorrem os atos de homenagem aos quase 20 mil mortos e desaparecidos pela catástrofe de março.

Seis meses depois, mais de 3 mil pessoas trabalham ainda na central de Fukushima para tentar levar os reatores a uma parada fria, enquanto continua interrompida uma área de 20 quilômetros em torno da central e alguns pontos de áreas mais afastadas.

No restante da província persiste ainda o sentimento de medo da radioatividade: embora as pessoas continuem em suas casas, um terço dos cidadãos de Fukushima desejaria mudar, mas não o fazem pelos problemas e custos que isso acarretaria, segundo uma pesquisa conjunta do jornal Asahi, a agência Kyodo e várias TVs locais.

“Temos de encontrar outras fontes de energia e conseguir que todas as usinas nucleares do Japão sejam fechadas já, não daqui a 50 anos”, sublinhava à Agência Efe Akira Kosuge, um dos manifestantes que estava em frente à sede da polêmica Agência de Segurança Nuclear.

“Por que nós japoneses não aprendemos com Chernobyl?”, acrescentou, enquanto exibia uma grande fotografia que mostrava uma mãe chorando por seu filho durante o desastre.

Desde o início da crise, a elétrica TEPCO, operadora de Fukushima, ressaltou a diferença com Chernobyl e insistiu em que os acidentes ocorreram de forma diferente e em reatores de tecnologia diferente, embora os dois tenham sido classificados no nível 7 de máxima gravidade na escala internacional de acidentes nucleares.

Neste domingo, o presidente da TEPCO, Toshio Nishizawa, pediu novamente desculpas “aos moradores que vivem no entorno da central, a Fukushima e a todo o Japão” pelo acidente e insistiu em que a companhia se esforça “para que os refugiados possam retornar para suas casas o mais rápido possível”.

Segundo a televisão pública NHK, na central estão acumuladas ainda 100 mil toneladas de água contaminada e o desafio é conseguir resfriamento estável dos reatores, sem que aumente o volume de líquido até janeiro de 2012.

A situação em Fukushima provocou o fechamento de boa parte dos reatores nucleares do Japão desde 11 de março, parte por questão de segurança e outra por causa de revisões rotineiras, sem que por enquanto exista um sinal verde para reativar nenhum deles.

Atualmente, somente 11 dos 54 reatores do país estão em funcionamento e, se não forem colocados em andamento nenhum dos paralisados por inspeções, até o primeiro semestre do próximo ano todos estarão parados.

No entanto, e apesar dos pedidos dos movimentos contrários a energia nuclear, nesta semana 15 deles começaram a ser submetidos a testes de resistência exigidos pelo governo, por isso que não está descartada a reativação nos próximos meses.

Fonte: Terra

A crise nuclear criou uma nova vertente na requintada culinária japonesa, o cardápio atômico. O que era apresentado como um pequeno problema temporário, tornou-se, seis meses depois, um grave problema sócio-econômico. Vacas, javalis, peixes frutas e folhas de chá, entre outros produtos, apresentam contaminação por césio. Arroz também está sob suspeita. Milhares de agricultores e pescadores exigem indenização.

O cardápio atômico japonês por Tomi Mori (*)

A crise aberta em Fukushima 1 continua a aprofundar-se. Além da questão energética, que aflige os japoneses, a fuga da radiação parece prosseguir sem que a população tenha informações ou meios de evitar as consequências.

Dias após o desastre nuclear, enquanto a TEPCO e o governo insistiam que não havia risco para a população, os fatos foram provando o contrário. O primeiro indício dessa grande mentira foi a divulgação pela imprensa de que o leite e alguns tipos de verduras estavam contaminados pela radiação. Na sequência foi descoberto que a água, mesmo em Tóquio, a quilômetros de Fukushima, estava contaminada, mas, segundo eles, num nível não prejudicial às pessoas. Mas aconselhou-se que essa água não fosse dada a crianças pequenas.

A crise nuclear criava, assim, uma nova vertente na requintada culinária japonesa, o cardápio atómico O que era apresentado como um problemazinho temporário, seis meses depois, tornou-se um grave problema sócio-econômico.

O javali atômico
Para poder escrever sobre este tema, tive de estar atento, com uma lupa na mão, para, em alguns casos, encontrar informações, que julgo relevantes, nos pés de página dos jornais, como aconteceu esta manhã.

Numa breve nota, comunicava-se que, mais uma vez, fora detectada radioatividade acima da estabelecida por lei em gado bovino de corte da província de Iwate. Isso, alguns dias depois do governo afirmar que o gado proveniente dessa província não estava contaminado e ter levantado a proibição da venda da carne produzida nas províncias do nordeste. A questão do gado bovino tornou-se uma grande e triste novela desde que, semanas atrás, foi descoberto que uma vaca, abatida num matadouro, num bairro central de Tóquio, estava contaminada pelo césio. Na sequência das averiguações confirmou-se que outras vacas também abatidas nesse matadouro também estavam contaminadas. A bola de neve foi aumentando e, com o passar dos dias, o governo proibiu que algumas províncias produtoras (Fukushima, Miyagi, Iwate, Tochigi) dispusessem o seu gado para abate.

A contaminação da carne bovina, provocada pelo consumo de palha de arroz que esteve exposta à radiação para a alimentação do gado, assestou um profundo golpe a todo o setor, levando pequeno produtores à bancarrota ou a grandes perdas. E, inclusive, grandes empresas, como é o caso da Agura Bokujo, criador de porte nacional, com 370 fazendas no sistema de franquia, com 145 mil cabeças, que entrou com um pedido de proteção à falência nos primeiros dias de agosto. O golpe atingiu matadouros, que já são negócios decadentes no Japão, supermercados, restaurantes especializados e grandes cadeias de restaurantes como a Gyukaku e Anrakutei, também especializadas na carne bovina. “Penso que não tenho outra opção além de abandonar a criação”, “não sei se os consumidores voltarão a consumir os nossos produtos”, são alguns dos comentários dos pequenos produtores. Durante o auge da crise descobriu-se que algumas centenas (quantas?) de gado bovino foram contaminados pelo césio.

Não existem dados precisos da quantidade de carne contaminada que foi vendida aos consumidores. O que sabemos é que a carne foi vendida na maioria das províncias japonesas, 37 ao todo. O governo comprometeu-se a comprar parte da carne e incinerá-la. Mas é de se perguntar se é correto o governo, e não a TEPCO, desembolsar dinheiro vindo dos contribuintes para resolver um problema criado por essa empresa.

No importantíssimo arroz, que é parte integrante da dieta japonesa, consumido por milhões em três refeições diárias, foi detectada também contaminação radioativa pelo césio, como nalgumas amostras do arroz produzido em Fukushima. Segundo o governo, os índices de contaminação estão abaixo dos estabelecidos por lei. Nas últimas semanas foram feitas várias análises de arroz produzidos nas províncias do nordeste e, inclusive, em Chiba, vizinha a Tóquio.

Um agricultor de Miyagi, Shigeo Kurosawa, decidiu fazer a sua análise por conta própria, através de um instituto privado. Vivemos o período de colheita de arroz e, igualmente, como no caso do gado bovino, todos os produtores de arroz do nordeste têm sofrido em maior ou menor grau as consequências da crise. O arroz de Fukushima foi o meu predilecto durante vários anos, mas decidi aboli-lo do meu cardápio e já nem sei se algum dia voltarei a comê-lo, mesmo que me garantam que é seguro. Várias análises foram feitas e, na maioria dos casos, demonstram que os índices são seguros, conforme os níveis do governo. Mas o óbvio é que toda a metodologia dessas pesquisas é, em primeiro lugar, bastante questionável.

A província de Fukushima é a segunda produtora de pêssegos. Nesse Verão, tive oportunidade de ver esses deliciosos pêssegos serem vendidos a preço de banana no mercado que costumo frequentar. Tradicionalmente, eram utilizados como presentes de Verão, enviados a familiares, amigos ou por empresas aos clientes ou pessoas relacionadas. Mas, neste ano, é evidente que não eram uma boa opção.

No dia 21 de agosto, a imprensa noticiou que a carne de um javali capturado em Kakuda, na província de Miyagi, no dia 7 de agosto, possuía nível de contaminação pelo césio quatro vezes superior ao limite de segurança estabelecido pelo governo. O governo fez um patético apelo para que a população evite comer animais selvagens. Esse javali atômico parece ser apenas a ponta de um grande iceberg, já que qualquer leitor é capaz de imaginar que esse pobre bicho pode não ter sido a única vítima da contaminação Muito provavelmente, por falta absoluta de pesquisas, um número pequeno ou grande de animais silvestres deve ter sofrido contaminação E é possível especular também que alguns seres humanos também podem ter-se transformado em homens atômicos desde o início da crise. Mas ainda não caíram nos matadouros nem nas lâminas das facas dos caçadores para que isso se possa provar. Mas o caso desse simples javali demonstra a profundidade do impacto ambiental causado pela central nuclear.

Situação dramática
Também nas notas de rodapé do Yomiuri do dia 4 de setembro li que recentes análises encontraram césio nas folhas de chá produzidas nas províncias de Saitama e Chiba, vizinhas a Tóquio, ou seja, longe de terminar, cada dia que passa a lista vai ficando mais longa. A situação é tão dramática que, apenas em Fukushima, tinham sido conduzidas mais de 4 mil inspecções.

Estes poucos exemplos ajudam-nos a fazer uma generalização sobre a verdadeira situação após o desastre de Fukushima 1. Um desastre que, ao contrário de ter sido controlado, continua a expandir-se, como os fatos vêm demonstrando. Se não fosse assim, como explicar que, seis meses após o desastre, a lista de contaminação continue a crescer.

O outro aspecto da discussão são os critérios e metodologia que estão a ser utilizados para fazer todo tipo de afirmações Vejamos o critério utilizado no gado bovino: o governo ira inspecionar uma vaca por fazenda a cada três meses! Alguém se sente seguro em comer essa carne? Por que três meses e não cinco, um mês, uma semana, a cada três dias?

A repercussão econômica é mais que evidente. Mas, o desastre tem feito com que milhões de pessoas sejam forçadas a pensar, diariamente, se é realmente seguro deleitar-se com o cardápio atômico que as autoridades insistem em afirmar que não são prejudiciais aos seres humanos. Por último, resta ainda um simples raciocínio: para que comer o cardápio atômico se é possível evitá-lo?

Em meados de agosto, alguns milhares de agricultores e pescadores de Fukushima realizaram uma manifestação de protesto no Parque Hibiya, em Tóquio, exigindo indenização pelos danos causados pela TEPCO às suas vidas.

(*) Correspondente do Esquerda.Net em Tóquio

Fonte: CartaMaior

Um grau de radioatividade “fatal para os seres humanos” foi detectado perto do sistema de ventilação entre dois reatores da central nuclear japonesa de Fukushima, segundo a empresa responsável pelo seu funcionamento. Embora a empresa afirme que as leituras não dificultarão seu objetivo de estabilizar os reatores de Fukushima até janeiro, os especialistas questionam que a segurança dos trabalhadores estará em perigo se a Tepco priorizar o cumprimento dos prazos acima dos riscos de radiação.

Mais de quatro meses depois do acidente nuclear ocorrido nessa central em consequência do terremoto e posterior tsunami de 11 de março, foram registados níveis recordes de radioatividade.

A Companhia de Energia Elétrica Tóquio (Tepco) informou que contadores Geiger – aparelhos manuais usados para medir a radiação – registaram, no dia 1º, a leitura mais alta possível na central. A radiação excede os dez sieverts por hora no fundo de uma coluna de ventilação localizada entre dois reatores, informou a companhia. Aela Callan, da rede de televisão Al Jazeera, informou, da cidade de Ibaraki, que a radiação registrada era “fatal para os seres humanos”, mas que se restringia ao local da central atômica. Entretanto, ontem os cientistas fizeram novos testes.

“As autoridades trabalham com a teoria de que a radioatividade procede das explosões iniciais de hidrogênio que vimos na central nos dias posteriores ao terramoto e ao tsunami”, disse Callan. “Agora, parece mais provável que esta área tenha este grau de radioatividade desde o terremoto e o tsunami sem que ninguém tivesse dado conta disso até o momento”, acrescentou.

A Tepco informou ontem que encontrou outro ponto no próprio sistema de ventilação onde a radiação superava os dez sievers por hora, um registo que poderia causar incapacidade ou morte com apenas segundos de exposição. A empresa usou equipamentos para medir a radiação à distância e não conseguiu assegurar o nível exato, porque a leitura máxima alcançada pelo aparelho é de dez sieverts. Embora a empresa afirme que as leituras não dificultarão seu objetivo de estabilizar os reatores de Fukushima até janeiro, os especialistas questionam que a segurança dos trabalhadores estará em perigo se a Tepco priorizar o cumprimento dos prazos acima dos riscos de radiação.

“O vazamento de radiação na central pode ter sido controlado ou reduzido, mas não selado completamente”, afirmou Kenji Sumita, professor da Universidade de Osaka que se especializa em engenharia nuclear. É provável que se continue encontrando mais pontos de alta radiação, acrescentou. “Considerando isto, não deveria haver pressa para as tarefas de recuperação na usina para cumprir prazos e objetivos, já que isso colocaria em perigo os trabalhadores”, disse Sumita. “Passamos a fase imediata da crise e devem ser permitidos alguns atrasos”, ressaltou.

Os trabalhadores da central de Fukushima só podem se expor a 250 milisieverts de radiação por ano. A Tepco, que fornece eletricidade a Tóquio e áreas vizinhas, disse não ter detectado um grave aumento na radiação geral do complexo. “A elevada dose foi descoberta numa área que não serve de obstáculo aos esforços de recuperação da central”, disse ontem Junichi Matsumoto, um porta-voz da companhia.

Embora ainda investigue o caso, a Tepco disse que os pontos de alta radiação podem ter origem nos escombros que ficaram após as ações de emergência realizadas dias após o terremoto e o tsunami de 11 de março.

FOnte: Esquerda.net/CartaMaior

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