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Foto: Tatiana Cardeal

Foto: Tatiana Cardeal.

O Brasil detém a marca de maior produtor mundial de celulose branqueada. As unidades industriais estão distribuídas entre o norte do Espírito Santo e o sul da Bahia. Nessa região, segundo dados levantados pela pesquisa O FALSO VERDE, as empresas de celulose estão ligadas a diversos crimes, dentre eles lavagem de dinheiro, fraude, corrupção, sonegação de impostos e crimes ambientais e trabalhistas.

O principal controlador das empresas envolvidas com os problemas é o BNDES, seguido por Votorantim e Fibria. O banco aumentou a injeção de recursos no setor em 2009, em decorrência da crise internacional. Hoje, é o principal investidor em celulose no mundo.
A pesquisa, liderada pelo jornalista Marques Casara, mostra o passo a passo das fraudes e dos crimes tributários, ambientais e trabalhistas ligados à cadeia produtiva da celulose.
Mostra também como as empresas da região falsificaram documentos e se uniram a oficiais do Exército para expulsar moradores que habitavam a região.
A pesquisa é uma iniciativa do Instituto Observatório Social e da Papel Social Comunicação. A íntegra do documento estará disponível para download a partir do dia 18 de dezembro, no site das duas organizações.
O responsável pelo estudo, o jornalista Marques Casara, atua em pesquisas de cadeias produtivas desde 2002, quando identificou a existência de trabalho escravo na produção do aço brasileiro. Desde então, publicou diversos estudos sobre problemas socioambientais nas cadeias produtivas da siderurgia, da mineração, da madeira e do vestuário. Casara foi duas vezes agraciado com o Prêmio Esso de Jornalismo e outras duas com o prêmio Vladimir Herzog.

Fonte: http://redesustentavelbrasil.com.br/2012/12/10/celulose-fraudes-suborno-grilagem/

Acesse a revista AQUI

Obs: Por falar em Fibria, a mesma recentemente foi multada por “brincar”na bolsa de valores: leia AQUI

Se aproxima do dia 21 de setembro, , e somos supreendidos com tal notícia. Na verdade começa a ficar um pouco mais esclarecido o destino dos desertos verdes no Pampa. Felizmente tal Bioma não é o mais o local de excelência para a ampliação dos desertos verdes, seja por conta da crise, seja por conta de toda luta e resistência feita por nós. 

No entanto, a luta e resistência segue, uma vez que o governo estadual não tem cumprido o Zoneamento Ambiental da Silvicultura (ZAS), bem como exigido prazos para regularização das áreas com plantios de eucaliptos  junto à FEPAM. Pelo jeito a CMPC está pouco preocupada com tal situação, até porque recentemente, foi noticiado que o governo do Estado vai apoiar ampliação da Celulose Riograndense

Para quem não lembra,  a CMPC Celulose Riograndense (empresa chilena apesar da pinta gaúcha), adquiriu, em dez/2012, a fábrica de celulose que pertencia à Fibria – união entre Aracruz e Votorantim Celulose e Papel – em Guaíba (RS).

Para quem pouco conhece a tal CMPC, seu dono, o bilionário Eliodoro Matte, acumula sua fortuna às custas do expansão dos desertos verdes sobre o território ancestral do Povo Mapuche (maior etnia originária chilena). No Chile a luta e resistência é forte, apesar do governo chileno invocar lei antiterrorista (lei 18.314), promulgada durante a ditadura militar de Pinochet, para reprimir tal luta.  Sistematicamente tem ocorrido uma onda de incêndios “florestais” (Chile: incêndios e repressão, o legado do modelo florestal), nos quais os Mapuches estão sendo acusados de serem os criminosos, mas ja há indícios da empresa querer recorrer ao seguro (aguardando material para publicação), por causa da atual crise.

Grupo chileno anuncia compra de parte de floresta (monocultura de eucalipto) no Rio Grande do Sul

O valor da negociação, firmada entre a CMPC com a a Fibria Celulose, será de 302 milhões de dólares

O grupo florestal e industrial chileno CMPC (Companhia Manufatureira de Papeis e Cartões) anunciou nesta segunda-feira (10/09) a compra de cerca de 100 mil hectares de floresta (monocultura de eucalipto) brasileira por 302 milhões de dólares.

A área adquirida pela CMPC fica localizada no Rio Grande do Sul e tem 38 mil hectares de plantação de eucaliptos.

Os termos da negociação, realizada com a carioca Fibria Celulose, permitem que a empresa administre e explore a região como achar melhor. Cerca de 1.300 hectares também foram arrendados de pequenos proprietários locais.

Em nota enviada à Superintendência de Valores e Seguros chilena, a companhia destacou que a concretização do negócio ainda depende da aprovação de autoridades competentes do governo brasileiro, no caso o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Para emitir sua decisão sobre vendas de terras a empresas estrangeiras, a entidade avalia a porcentagem de capital nacional da companhia e o tamanho do terreno em relação ao município.

“A CMPC Riograndense [um dos braços da companhia] assinou este acordo com o objetivo de completar as necessidades de madeira para a sua indústria de celulose e especialmente para o projeto Guaíba Linha II, atualmente em estudo e que se refere à construção de uma nova linha de produção de celulose.”

Dessa maneira, a companhia investe em seu plano de expansão no Brasil, um dos sete países onde atua na América Latina, além do Chile.

A Fibria Celulose, por sua vez, também emitiu comunicado sobre o assunto por meio da BM&FBov. Fonte: OperaMundi

Saiba mais sobre os Desertos Verdes no Pampa AQUI

A denúncia contra os desertos verdes segue com as mulheres, agora as Baianas

Por Ivonete Gonçalves*, especial para o Blog Combate ao Racismo Ambiental

Na noite do dia 27 para o dia 28 as mulheres chegaram de todas as partes do Extremo Sul da Bahia no local, onde mais tarde viria a ser o acampamento Irmã Dorothy Stang. Muitas delas carregavam os seus filhos e filhas como se fossem para a melhor festa do planeta. E por volta das 4:00 horas, do dia 28, antes mesmo que o Rei Sol surgisse no horizonte, centenas de árvores inúteis do deserto verde de eucaliptos tombavam numa área de cerca de 8 mil hectares da Veracel Celulose, a maior proprietária de terras do Estado da Bahia. E foi assim durante os 10 dias que resistem no local.

Todas as manhãs as mulheres tomadas pela consciência de que o ‘modelo de desenvolvimento’ baseado no latifúndio; no agronegócio não poderá ser tolerado pois é  responsável pela destruição da biodiversidade, cortam eucalipto e plantam alimentos. São cerca de 1500 mulheres de todas as idades, credos e cores. Cozinhas, barracos, plantios, escola, posto de saúde, construídos coletivamente. Uma verdadeira lição de cidadania e amor!

Debaixo de lonas pretas sob sol escaldante, movidas pela esperança de viver em paz com todo direito ter direitos iguais avançaram sobre um dos maiores ícones da prepotência humana. A paisagem monótona e sem vida dos eucaliptais deu lugar a barracos gigantes, com vozes, crianças, brincadeiras e muita alegria. Começam a chegar também os vendedores ambulantes, que excluídos do tal ‘mercado de trabalho’ aproveitam para ganhar o sustento. As mulheres transformaram o deserto em uma cidade criativa e diferente.

Este deserto monocultural muitos acreditam ser impermeável. Mas as mulheres, trabalhadoras rurais sem terra, expatriadas em seu próprio país, cansadas de viver precariamente não aceitam mais viver sob o jugo dos colonizadores. Stora Enso, Fíbria, Suzano, Arcelor Mital, BNDES ou qualquer outro monstro que aproxime será enfrentado e com suor e trabalho serão transformados. Muitas pessoas vieram, de perto e de longe engrossar as fileiras da luta. De todas as partes vieram apoios e conforto.

No dia 4, o trânsito da rodovia BR 101 foi interrompido, e as mulheres pediram uma audiência com o Ministro do Desenvolvimento Agrário exatamente na hora em que a Presidenta Dilma Rousseff estava na Bahia, na cidade de Irecê. Elas exigem que as famílias que estão acampadas nas estradas do Extremo Sul da Bahia sejam assentadas. São cerca de 2000 famílias vivendo debaixo de lonas enquanto a região possui cerca de 700 mil hectares de eucalipto. E, durante duas horas, trabalhadores e sociedade aguardaram a liberação da estrada. As mulheres liberaram a BR agradecendo a paciência dos motoristas e informando o objetivo da luta.

O dia 8 de março começou com uma alvorada; as mulheres cantavam animadas: “Olê mulher renderia, olê mulher rendá, saia do fogão e venha se libertar”. As mulheres do Movimento de Luta pela Terra (MLT) chegaram de outro acampamento para colaborar e participar. Trouxeram leite, farinha, feijão e verduras para complementar o almoço especial do dia Internacional da Mulher e comemorar juntas com emoção.

Os alimentos são produzidos no acampamento Baixa Verde do MLT em uma área devoluta que a Veracel plantou eucalipto. São 1.333 hectares que agora sustenta cerca de 85 famílias. Se depender das mulheres do acampamento Irmã Dorothy Stang e suas aliadas e aliados, a experiência de vida de subordinação, subjugação e discriminação terá dias contados.

Samba de couro, música popular,  poesia e mística foram as sobremesas que permearam durante toda a tarde. Políticos, sindicalistas, camaradas de todos os segmentos da sociedade vieram ver de perto a cidade de lona construída por mulheres. Na escola, 280 crianças encantaram o público com cantos, desenhos, místicas e brincadeiras. A oradora militante começa o discurso dizendo que ‘enquanto houver tanta gente sem terra e tanta terra sem gente a luta vai continuar. Não podemos ver nosso país refém de empresas como Stora Enso e Fíbria, que envenena terra e gente. Não queremos ser herdeiros das ruínas que este projeto resultará. O clima já se transformou e certamente virá tempestades e mudanças que nós hoje sequer podemos imaginar. Não podemos apenas assistir. Temos que construir outra realidade ’.

As mulheres lembraram também que as empresas que plantam eucalipto e possuem fábricas de celulose são também responsáveis pelo aquecimento do planeta. Para plantar eucalipto eles derrubam a Mata, em nosso caso a Mata Atlântica. As empresas usam venenos que tem como base o petróleo, grande responsável pelo aquecimento global e, ainda, no processo de produção de papel, utilizam muita energia e isso causa emissão de carbono. E ainda querem nos fazer crer que estas mesmas empresas podem solucionar o problema. Buscam ainda receber créditos do chamado ‘mercado de carbono’, sob o argumento de que a plantação de eucalipto capta, em seu período de crescimento, uma quantidade de dióxido de carbono. Mas se o eucalipto é cortado em 7 anos, o que acontece?  Isso certamente é apenas mais uma estratégia para gerar mais lucros e tentar limpar a sua imagem e realidade ameaçadora.

E, diante disso, as mulheres seguem na luta pelo direito à terra e ao território!  Pelo direito à vida! Contra a todas as formas de racismo, de opressão e de exploração!

*Ivonete Gonçalves é do CEPEDES – Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul/Ba.

Fonte: racismoambiental

Já estão disponíveis no site do TSE os valores das doações privadas nas campanhas eleitorais de 2010. Como recebemos descriminados os valores das doações da empresa de celulose e papel Fibria (ex Aracruz e Votorantin), disponibilizamos aqui os valores doados aos partidos e alguns candidatos. Ainda bem que alguns exímios defensores dos desertos verdes não se elegeram.

Os dois maiores partidos, nas eleições majoritárias, receberam R$ 1milhão de reais. Já no RS, um dos candidatos ao senado, recebeu sozinho o maior montante, que foi de R$ 60mil reais. Para conhecer os candidatos e partidos, acesse os arquivos abaixo ou diretamente o site do TSE

Doação aos Partidos (AQUI) / Doação aos Candidatos (AQUI)

Aqui no RS ainda não se fez tais análises…

A prestação de contas dos candidatos que disputaram as eleições majoritárias e proporcionais deste ano comprova a prática habitual de financiamento de campanha por empresas poluidoras a políticos no Espírito Santo. Assim como em eleições anteriores, a ex-Aracruz Celulose (Fibria) foi a líder de doações, figurando na declaração de 26 candidatos, o correspondente a R$ 1.570.000.

A ArcelorMittal aparece logo atrás, por ter destinado recurso a 22 candidatos, mas em valor um pouco mais alto, R$ 1.595.000. A transnacional Vale e a Samarco Mineração, ao contrário dos anos anteriores, não aparecem no balanço do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O governador eleito Renato Casagrande (PSB) foi um dos principais beneficiários dessas doações. Ele recebeu duas doações da ex-Aracruz, somando R$ 250 mil, e mais duas da ArcelorMittal, totalizando R$ 500 mil. O senador eleito pela mesma coligação, Ricardo Ferraço (PMDB), recebeu R$ 150 mil da ex-Aracruz e R$ 170 mil da siderúrgica.

O candidato derrotado ao governo do Estado, deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), que durante sua campanha fez coro ao discurso das poluidoras, atacando o Movimento dos Sem Terra (MST), além de índios e quilombolas, não ficou muito atrás. Angariou R$ 180 mil de financiamento da ex-Aracruz e R$ 100 mil da Arcelor. A candidata ao Senado do mesmo partido, Rita Camata, que também saiu derrotada do pleito, recebeu R$ 100 mil da ex-Aracruz e o mesmo valor da siderúrgica.

Já entre os deputados federais eleitos, o que mais recebeu dinheiro das duas poluidoras foi Lelo Coimbra (PMDB), com R$ 165 mil, seguido de César Colnago, do PSDB (R$ 150 mil); Audifax Barcelos, do PSB (R$ 110 mil); Sueli Vidigal e Carlos Manato, do PDT (R$ 100 mil e R$ 90 mil, respectivamente). O deputado estadual Paulo Foletto (PSB) recebeu doação apenas da Arcelor, no valor de R$ 70 mil. Já Jorge Silva, do PDT, levou da ex-Aracruz R$ 60 mil. O candidato derrotado Guilherme Lacerda (PT) também aparece na lista da ex-Aracruz, com R$ 100 mil, assim como Marcus Vicente (PP), que recebeu R$ 60 mil.

Na Assembleia Legislativa, também não faltaram candidatos que tiveram suas campanhas financiadas pelas poluidoras. O líder do governo na Casa, Paulo Roberto (PMN), derrotado nas urnas, saiu na frente na lista de deputados estaduais da ex-Aracruz, com R$ 110 mil. O presidente da Casa, Élcio Álvares (DEM) vem logo atrás, com R$ 50 mil, somados aos R$ 50 mil da Arcelor, totalizando R$ 100 mil. Da Vitória (PDT) também recebeu dinheiro das transnacionais, R$ 30 mil da primeira, e R$ 25 mil da siderúrgica.

O deputado estadual reeleito Atayde Armani (DEM), que em seu primeiro mandato liderou um movimento contra a titulação do território quilombola do norte do Estado, e faz coro aos interesses dos ruralistas, foi beneficiado com R$ 30 mil da ex-Aracruz. O mesmo valor receberam os deputados Luciano Pereira (DEM), Luzia Toledo (PMDB), Solange Lube (PMDB), Luciano Rezende (PPS), Rodrigo Chamoun (PSB), Eustáquio de Freitas (PSB) e Gildevan Fernandes (PV).

Já a ArcelorMittal compareceu na disputa à Assembleia também pelas mãos do deputado estadual Cláudio Vereza (PT), com R$ 30 mil; Marcelo Santos (PMDB), com R$ 20 mil; e Lúcia Dornelas (PT), com R$ 25 mil.

Entre os derrotados, ainda levaram dinheiro da ex-Aracruz os socialistas Jones Cavaglieri, vice-prefeito de Aracruz (norte do Estado), e Sargento Valter, com R$ 10 mil. Da Arcelor, o vice-prefeito de Cariacica, Juninho (PPS), R$ 25 mil, e o ex-presidente da Câmara do município Heliomar Costa Novais (PV), R$ 20 mil, assim como Bruno Lamas (PSB), Coronel Coutinho (PRP) e Cacau Lorenzoni (PP), todos com R$ 30 mil.

As doações de campanhas por empresas responsáveis pelos maiores problemas socioambientais do Espírito Santo não são ilegais, mas embutem sérios problemas, porque favorecem o comprometimento dos políticos com as transnacionais. Essa ligação justifica a ausência de debates na área ambiental durante toda a campanha eleitoral, tanto por candidatos das majoritárias quanto de candidatos a deputado federal e estadual.

A falta de regras para as doações também permite que as empresas despejem vultosas somas, sem qualquer critério objetivo – abrindo um leque de possibilidades dentro do jogo político. Por conta disso, o padrão dos repasses está estreitamente ligado ao arranjo produtivo local e impacto das atividades industriais.

Assim como este ano, as últimas eleições também foram marcadas pela presença das transnacionais em campanhas, principalmente aos candidatos apoiados pelo palácio Anchieta.

Fonte: Seculo Diario

por Flavia Bernardes

“Qualquer monocultivo em escala industrial, em especial o afeto ao plantio de milhões de árvores clonadas de eucalipto, é incompatível com o propalado desenvolvimento sustentável”.

A afirmação é do geógrafo Carlos Walter Porto-Gonçalves e foi divulgada pela ONG WRM. Ele critica os extensos plantios de eucalipto que tomam as áreas de Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, entre outros estados brasileiros.

A constatação do geógrafo se deu após análises no Vale do Paraíba, em São Paulo. Lá ele constatou uma série sem precedentes de devastação ambiental por conta da total ausência de monitoramento estatal e do desrespeito às leis ambientais. Com isso, diz o estudioso, o que se vê atualmente é a ocupação de topos de morros, a afronta a áreas de mananciais e a violação a matas ciliares.

Em Taubaté, por exemplo, nem mesmo a bacia do rio Uma (manancial responsável pelo abastecimento de água potável para as populações de Taubaté e Tremembé) foi poupada. Embora oficialmente tombada pela municipalidade taubateana por sua significativa riqueza hídrica, paisagística e ecológica, a bacia do rio encontra-se tomada por grandes plantações de eucalipto.

Aqui, o cenário não é diferente. Conforme os depoimentos de índios e quilombolas do norte do Estado, inúmeros córregos desapareceram após a implantação dos extensos plantios de eucalipto da Aracruz Celulose (atual Fibria), na região.

“A monocultura do eucalipto não pode ser aceita como floresta, posto que não cumpre o ciclo biológico de devolução dos nutrientes tão característico das florestas nativas e é incompatível com a biodiversidade”.

O geógrafo critica ainda os eucaliptais clonados, que, segundo o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), apesar da negativa da empresa, também são plantados no norte e no  do Estado, através,inclusive, do fomento florestal (programa que incentiva o plantio em terras particulares).

“Diante do rápido crescimento das árvores clonadas, todos os nutrientes exauridos da terra pelas árvores são transferidos e aniquilados no processo industrial da pasta de celulose, num processo tecnicamente conhecido como exportação de campo, deixando para trás as terras devastadas, a paisagem lunar, enormes áreas sobrecarregadas com os tocos mortos”.

A agravar ainda mais os efeitos nocivos ao meio ambiente, estes plantios são tratados com a aplicação de toneladas de herbicidas à base de glifosato (elemento químico altamente nocivo ao meio ambiente e cancerígeno), que, via de regra aplicado em topos de morros, escorrem para as áreas baixas, contaminando mananciais.

No Estado, a mortandade de peixes, a desertificação do solo, a contaminação das águas antes utilizadas como lazer e abastecimento das comunidades tradicionais do norte, já foram exaustivamente denunciadas aos órgãos ambientais, mas nada é feito.

Em estudo que se tornou marco sobre o tema, o cientista Augusto Ruschi, assegurou  que  o consumo assombroso de água derivado da monocultura do eucalipto é responsável pela deficiência hídrica verificada no norte do Espírito Santo.

Já em São Paulo, na pequena cidade de Piquete, o agrotóxico foi responsável pela morte de mais de 8 mil quilos de peixes, centenas de suínos, pássaros silvestres, anfíbios e árvores frutíferas, para não se falar na contaminação dos moradores do entorno de grande latifúndio de eucalipto.

Os extensos plantios de eucalipto também deixam pra trás a destruição da diversidade cultural das localidades campesinas, inviabilizando o desenvolvimento da agricultura familiar. Segundo o estudo, esse plantio “faz com que se extingam manifestações culturais tradicionais como festejos populares, atos devocionais emanados de lugares tidos como sagrados pela população originária, agora suprimidos pelos grandes latifúndios do eucalipto, consumando tudo de ruim que se possa perceber numa região já assolada pelo avanço do monocultivo”.

Como se vê, de floresta o eucalipto possui apenas a cor verde. Um verde enganador, dizem os ambientalitas.

“As vastas plantações de eucalipto não são florestas, e não geram nem a décima parte da oferta de empregos bradada por seus empreendedores. Todos esses questionamentos socioambientais já estão sendo realizados, com êxito, pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo que, em três ações civis públicas ajuizadas em São Luiz do Paraitinga, Distrito de Catuçaba e Piquete, conseguiu acessar decisões judiciais suspendendo os projetos futuros do monocultivo nessas localidades”.

A medida é considerada uma vitória e um exemplo para o Espírito Santo, onde as autoridades fecham os olhos diante dos impactos gerados pela monocultura do eucalipto.

No Estado, sofrem com o plantio de eucaliptos pela Aracruz Celulose, principalmente os municípios de Conceição da Barra e São Mateus. Entretanto, extensos plantios também podem ser encontrados no sul do Estado, inclusive em topos de morros.

Fonte: SeculoDiario

Obviamente uma empresa com grande responsabilidade, para com seus trabalhadores, para com o meio ambiente.

O Sindicato dos Trabalhadores Químicos e Papeleiros do Estado (Sinticel) tenta, há cerca de um mês, um acordo salarial com a ex-Aracruz Celulose (atual Fibria), que propôs cortar benefícios dos trabalhadores em troca de um abono de R$ 2 mil. Os empregados não aceitam a proposta e a empresa é irredutível, dizendo que é a proposta final.

O presidente do Sinticel, Artur Duarte, diz que a empresa chamou o sindicato para uma mediação na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). No entanto, não quis discutir os termos do acordo, e sim propor que o sindicato promovesse assembleias com os trabalhadores, na tentativa de fazê-los aceitar os termos da proposta. Na reunião, a data-base da categoria foi estendia até o dia 28 deste mês.

Artur não ficou satisfeito com a proposta e afirmou que vai consultar o departamento jurídico do sindicato para decidir se as assembleias vão acontecer. Afirmou, ainda, que durante o carnaval as assembleias dos turnos devem ser mantidas.

A transnacional insiste na proposta de um abono de R$ 2 mil em troca da redução dos benefícios com saúde, abono de férias e seguro de vida. A única modificação proposta pela sucessora da Aracruz foi não alterar o plano odontológico por três anos e só começar a cobrança pelo plano de saúde em 1 de julho, em vez de 1 de abril.

Desde que houve a fusão entre a Aracruz e a Votorantim Celulose e Papel (VCP), os trabalhadores acumularam diversos prejuízos, como perda de 150 postos de trabalho, depois da demissão de empregados, em abril de 2009.

Foi também extinta a gratificação em dinheiro para empregados a partir de dez anos e eliminou-se o ônibus do turno de Vitória, prejudicando diversos trabalhadores. E ainda extintos os planos de previdência privada da empresa e a aposentadoria vitalícia em caso de acidente e invalidez permanente.

O presidente do Sinticel acrescenta que a possibilidade de uma greve dos papeleiros não está descartada. Se for deflagrada, esta será a primeira paralisação da categoria. A atual diretoria do Sinticel, diferentemente de diretorias anteriores, não promove acordos que só beneficiem a empresa.

As antigas lideranças do sindicato costumavam tomar decisões que beneficiavam diretamente a empresa, em detrimento dos empregados. Ela foi responsável, inclusive, por promover violência contra índios, liderada pelo próprio presidente da época, Davi Gomes, em 2006.

(Por Lívia Francez, Século Diário, 16/02/2010)

Capacidade de produção excessiva no mercado externo, câmbio desfavorável às exportações e baixo consumo absoluto no país postergaram por prazo indeterminado os planos da sueco-finlandesa Stora Enso de ampliar a produção de papel em solo brasileiro. Dona de uma fábrica de papel utilizado em impressões gráficas no Paraná e sócia da Fibria na Veracel, produtora de celulose branqueada de eucalipto instalada no sul da Bahia, a companhia planejava, inicialmente, aumentar sua participação no mercado brasileiro de papéis via produção local. Mas a deterioração do cenário econômico e condições adversas aos negócios do segmento levaram a mudanças na estratégia para o país.

Assim, ao longo de 2009, a Stora Enso encampou uma série de medidas anticrise, que passaram por reestruturação, revisão de contratos, nova política administrativa e lançamento de produtos para garantir taxas de ocupação mais elevadas. “É utopia pensar em ampliar capacidade em um mundo superofertado”, diz o vice-presidente de Operações da Stora Enso América Latina, Glauco Affonso.

Em 2006, quando comprou da International Paper (IP) a fábrica de Arapoti (PR), única no país a produzir papel revestido de baixa gramatura (LWC), a sueco-finlandesa tinha por objetivo conhecer o mercado brasileiro e, mais adiante, ampliar a plataforma de produção doméstica. A desvalorização do dólar e a crescente importação de papel isento de impostos para outras finalidades que não as previstas na legislação, contudo, jogaram um balde de água fria nos planos da companhia. “A desvalorização do dólar cria uma situação bastante desafiadora, porque temos custos em reais e as exportações são remuneradas em dólares”, explica.

Além do impacto do câmbio sobre as exportações, que hoje giram em torno de 5% da produção em Arapoti ante fatia entre 30% e 40% em 2006, a Stora Enso teve de enfrentar o encolhimento do mercado nacional de papel LWC. Até setembro, a queda no consumo aparente desse tipo de papel chegou a 23%, para 164 mil toneladas. “No mesmo período, conseguimos um recuo de apenas 10% nas vendas de papel”, comemora Affonso, referindo-se a um dos resultados da reestruturação colocada em marcha no Paraná. Em 2008, foram produzidas 183 mil toneladas de papel LWC em Arapoti, volume que deve ter recuado a 160 mil toneladas no ano passado. Essa queda, porém, foi acompanhada de ganho de 11 pontos percentuais de participação no mercado, para 65%.

Outra conquista, segundo o executivo, foi a manutenção em níveis satisfatórios da taxa de ocupação na fábrica, que ficou parada por 32 dias no ano passado em razão da crise. Conforme Affonso, o índice anual se aproximou de 85%, o que deve garantir à unidade o posto de mais eficiente entre as fábricas do grupo. “Lançamos três produtos e alteramos o mix de gramaturas, o que permitiu a elevação da taxa de ocupação”, diz.

A operação brasileira ainda enfrenta o crescente volume de papel imune importado que é e desviado da finalidade prevista no artigo 150 da Constituição, que estabeleceu isenção tributária para o produto usado no segmento editorial. Até outubro, de acordo com dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), 56% do papel declarado imune, ou 460 mil toneladas, foi utilizado para outros fins. Contra o uso ilegal, a Receita Federal publicou, no início de dezembro, a Instrução Normativa 976, que endureceu penas e ampliou o rigor na fiscalização do papel que entra no país. “Hoje no Brasil há uma evasão fiscal enorme”, aponta Affonso.

Apesar da interrupção dos planos no segmento de papel, em celulose a Stora Enso e a Fibria se preparam para duplicar a capacidade de produção da Veracel, após um ano de suspensão dos investimentos. Neste mês, a Veracel deve retomar o plantio de eucalipto para abastecer a nova linha – hoje, a capacidade de produção é superior a 1 milhão de toneladas de celulose por ano.
(Stella Fontes | Valor)

Abaixo seguem materiais, informações, notícias e diferentes conteúdos relevantes na temática, mas que não foi possível publicarmos antes.

  • Campanha denuncia destruição da Serra Vermelha <aqui>
  • A fosfateira e os caminhos de desenvolvimento em Santa Catarina <aqui>
  • Debate aborda os impactos da indústria fosfateira a ser instalada em Anitápolis<aqui>
  • Mantido breque na fosfateira <aqui>
  • COLTAN: mineração em meio a uma guerra civil <aqui>
  • Governador cassa proteção em Angra <aqui>
  • Os dez maiores desmatamentos autuados no Brasil <aqui>
  • Fibria confirma multa ambiental por “acidente” <aqui>
  • Votorantim continua causando morte no rio São Francisco <aqui>
  • Fiscais flagram desmatamento na primeira reserva biológica municipal do estado do Rio <aqui>
  • Ibama autua empresa que explora urânio em Caetité/BA <aqui>
  • IIRSA: mega projetos destroem os recursos naturais na Amazônia, por Telma Monteiro <aqui>
  • Megaprojeto do Cais do Porto: uma nova Dubai? <aqui>
  • O mercado das catástrofes ambientais, por Felipe Amaral <aqui>
  • Os impactos de um mega-projeto de subdesenvolvimento no RJ, por Leandro Uchoas <aqui>
  • Petrobras é condenada a pagar R$ 6 milhões por danos ambientais <aqui>
  • Os prejuízos da refinaria para as comunidades tradicionais, por Mayron Régis <aqui>
  • Saiba a quem denunciar irregularidades ambientais <aqui>
  • Violências contra os Guarani-Kaiowá: sinais de uma política de extermínio <aqui>
  • Rolling Stone também é política, sociedade e meio ambiente <aqui>
  • Construção de cemitério derruba 3.318 árvores <aqui>


As "boas práticas" da Silvicultura na metade sul do RS. Imagem de Cíntia Barenho

As "boas práticas" da silvicultura na metade sul gaúcha. Imagem por Cíntia Barenho

Novas regras para plantio de florestas no RS

por Geraldo Hasse

A Câmara Técnica da Silvicultura do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), composta por 19 membros, aprovou por unanimidade um novo regulamento para a silvicultura gaúcha.

Segundo o engenheiro florestal Antonio Augusto Marques, que representa o Comitê da Bacia do rio Tramandaí na Câmara Técnica, o novo regulamento é fruto de um consenso arduamente trabalhado, com destaque para dois aspectos fundamentais: 1 – restringe ao máximo ou proibe o plantio de árvores madeireiras exóticas (eucalipto, pinus e acácia) em áreas críticas sob o ponto de vista hídrico; 2 – limita as dimensões dos supertalhões pretendidos pela silvicultura atrelada às indústrias madeireira e de celulose/papel.

Para ser colocado em prática, esse documento precisa passar por uma reunião plenária do Consema, que se reúne uma vez por mês. A agenda das reuniões é feita pelo presidente do Consema, Berfran Rosado, secretário do Meio Ambiente.

Este é o terceiro regulamento em três anos. O primeiro foi criado no final de 2006 pela Fepam com a ajuda da Fundação Zoobotânica e outros órgãos públicos e privados. Por ser muito “ambientalista”, foi repudiado pelo setor empresarial.

O segundo, que veio em 2007 em oposição ao primeiro, foi fruto de uma tratoragem pilotada pela Ageflor e a Farsul com o beneplácito da direção da Fepam e o apoio estratégico da indústria dita florestal, representada sobretudo pelas fábricas de celulose Aracruz, Votorantim e Stora Enso.

Colocado sub judice pelo Ministério Público Federal, o regulamento “empresarial” vem sendo aplicado aos trancos e barrancos mas tende a ser rifado porque os plantadores de árvores madeireiras sossegaram o facho desde a eclosão da crise financeira de setembro de 2008, que provocou o surpreendente colapso da Aracruz.

Mesmo que o segmento florestal-madeireiro entre em 2010 tendo que cumprir novas regras para o plantio de eucalipto, pinus e acácia, ainda é incerta a retomada dos plantios dito florestais e dos projetos de fábricas de celulose, pois a crise ainda está provocando uma reacomodação de forças no mercado.

Um ano depois da crise, a Aracruz não existe mais. Envolvido num tsunami financeiro, o grupo controlado por Erling Lorentzen foi absorvido pela Votorantim, que para isso precisou da ajuda do Banco do Brasil e do BNDES.

Para reduzir as dívidas, a Votorantim acaba de vender a unidade de Guaíba ao grupo chileno CMPC por US$ 1,43 bilhões, negócio de porteira fechada que envolveu 220 mil hectares de terras em dezenas de municípios gaúchos.

Até meados de outubro os chilenos não haviam aberto o jogo, mas a permanência da equipe diretiva da ex-Aracruz Guaíba sugere a manutenção do projeto de quadruplicação da capacidade da planta de 450 mil toneladas/ano de celulose.

Resta saber em quanto tempo o projeto será finalizado. Pelo cronograma original, ele devia ficar pronto em 2011. Agora não há mais pressa porque o mercado de celulose sofreu uma baixa da qual ainda não se recuperou.

Mesmo assim, o projeto de Guaíba é o mais adiantado dos três prometidos para a Metade Sul gaúcha. Se for retomado em 2010, pode entrar em operação em fins de 2012 ou no primeiro semestre de 2013.

O segundo projeto em volume de produção, área plantada e investimento total – o da Votorantim no polígono Pelotas-Rio Grande-Pinheiro Machado-Jaguarão – permanece em banho-maria porque a prioridade do grupo no momento é pagar as dívidas, estimadas em R$ 10 bilhões.

É provável que somente seja concluído na segunda metade desta década.

Finalmente, aguarda-se para o final deste ano ou o início do próximo uma definição do grupo sueco-finlandês Stora Enso sobre seu projeto no oeste do Rio Grande do Sul, onde plantou eucalipto em 20 mil dos 47 mil hectares comprados em 2005, no primeiro tempo de um investimento de mais de US$ 1 bilhão para produzir 900 mil toneladas anuais de celulose.

O plantio realizado representa 20% das necessidades de matéria-prima para a fábrica. A paralisação do projeto foi determinada pela denúncia de que a Stora Enso teria infringido a Lei de Segurança Nacional, que proíbe a posse de terras a 150 quilômetros das fronteiras por estrangeiros.

A empresa tentou contornar o problema registrando as áreas compradas em nome de brasileiros comprometidos com o projeto, mas isso só agravou a polêmica. Em agosto, finalmente, o Conselho de Defesa Nacional deu parecer favorável ao projeto, que ainda carece das necessárias licenças ambientais.

Os eucaliptais mais velhos da Stora Enso na região de Rosário do Sul, São Francisco de Assis e Santiago estão com três anos e foram liberados para pastoreio de criadores vizinhos, que já mantinham gado em regime de parceria nas áreas de preservação ambiental ou de pastos nativos nas quais é proibido plantar árvores.

Apicultores também estão sendo convidados a levar suas abelhas para pastar nas áreas da empresa, mas tudo isso são paliativos para o maior e mais antigo grupo papeleiro do mundo.

A única certeza é que não falta bala para o investimento: em meados de outubro, a Stora Enso anunciou a compra de 130 mil hectares de áreas plantadas pela espanhola ENCE na região de Fray Bentos, no oeste do Uruguai. A meia com a chilena Arauco, ela pagou US$ 344 milhões para apossar-se de um dos maiores ativos florestais da América do Sul. Não está decidido o que será feito com tanta madeira.

Fonte: Jornal JÁ

Enfim a grande “promessa” pro RS vai para uma empresa chilena. Grande preocupação com a responsabilidade social seguem tendo o setor da celulose e papel…

Celulose no Pampa by Cintia Barenho por você.

cmpcA papeleira Aracruz Celulose confirmou ONTEM a asssinatura de contrato de venda da fábrica de celulose em Guaíba para a empresa chilena CMPC. O negócio foi fechado por UM BILHÃO QUATROCENTOS E TRINTA MILHÕES de dólares. A venda inlcui a fábrica de celulose e as terras e monoculturas de eucalipto da Aracruz. O dinheiro será utilizado na redução do endividamento da Fibria empresa que resultou da fusão entre a Aracruz e a Votorantim Celulose. A dívida da empresa chega a TREZE BILHÕES E QUATROCENTOS MILHÕES de reais.

Fonte: Agência Chasque

fibria-828A Votorantim Celulose e Papel é mais um exemplo de como os interesse corporativos são atendidos, sem quase nenhum pudor em transferir renda e recurso para mãos privadas, pelo Estado Capitalista.

por Bruno Lima Rocha

O Grupo Votorantim que já detinha 84% das ações da empresa conhecida como Aracruz Celulose e Papel, oficializa a incorporação e chama a atenção da mídia de sempre que louva a criação de uma nova empresa. Sim, o nome da gigante da celulose e derivados é Fibria e orgulhosamente as fábricas de sentido desassociados de uma sociedade justa (a chamada mídia corporativa) seguem exaltando a “maior empresa de celulose do mundo”. Nada mal. Para consumir boa parte da água disponível no segundo maior manancial de águas do planeta, teremos sobre o Cone Sul uma malha de deserto verde com vocação para usurpar os recursos naturais não renováveis do Aqüífero Guarani.

A situação beiraria o absurdo se não fosse uma construção de discurso que abafa o volume do problema. Sob o manto das premissas capitalistas mascaradas com valores socialmente construídos a partir da lógica do sistema, vivemos o mundo das hipocrisias e da inversão conceitual. Vejamos o porquê de tanta ira. A Aracruz totaliza uma dívida de R$ 12 bilhões. A desculpa esfarrapada vem sob o eufemismo da “exposição” dos riscos que a empresa correra ao ver-se diante de um cenário inseguro no mercado dos derivativos e do dólar futuro. Pura balela! Compraram papéis podres, jogaram em pirâmides digitais, apostaram em cima de recurso oriundo do financiamento produtivo e aumentaram a quebradeira! Assim como no Congresso Nacional tem acórdão para todos os tipos de crime de colarinho branco, no mundo dos negócios em geral e das finanças em específico, vale tudo desde que ninguém fale um idioma compreensível pelos mortais.

O Grupo Lorentzen, o Grupo Safra através de sua Arainvest, a VCP (subsidiária do grupo econômico da família Ermírio de Moraes) foram para a jogatina descontrolada apostando na roleta com o dólar futuro. O resultado foi igual o da Sadia do ministro Furlan. Veio a quebradeira e os arigós pagaram o pato, entrando por tabela na operação salva vidas através do dinheiro do BNDES, ou do BNDES participações, subsidiária do maior banco de fomento do mundo e especialista em praticar a versão tupiniquim da Reaganomics – Tirar dos pobres para dar aos ricos! Nada disso é novidade e em matéria da excelente Eco Agência (Núcleo de Ecojornalistas do RS, NEJ/RS), datada de 25 de janeiro de 2009 já se expunha o volume da transferência para fins privados do recurso coletivo. Ou seja, do ROUBO por vias legais!

Segundo a Ecoagência, a VCP pôs no negócio o valor de R$ 4,5 bilhões que obviamente estavam subsidiados. Da parte da União, o BNDES entrou com R$ 2,4 bilhões de subsídio – sabe-se lá as condições de pagamento, se é que não acabará indo tudo a fundo perdido depois de várias renegociações – para que um gigante adquirisse a maior empresa “brasileira” de celulose e que estava à beira da falência total. De sua parte, o Banco Safra tirava da frente, informando que não tinha relação direta com a empresa. Quem sim tinha eram apenas os dois irmãos fundadores da casa bancária mui peculiar e outras passagens nebulosas a mais. O Safra, segundo o Valor Econômico de 10 de outubro de 2008 (no olho do furacão de derivativos), este banco de “investimentos” estaria com imagem abalada pela perda da Aracruz de R$ 1,95 bilhão com os ativos tóxicos e outros derivados.

O que a nota do Valor esqueceu de relacionar foi a participação do Safra nas pirâmides do Sr. Madoff, o autor da maior estafa individual da história da humanidade. Luis Nassif nos apresenta a pérola do fundo Safra Zeus (nome inspirador para financistas levantinos), Segundo o Nassif, nem todos dos cerca de uma centena de investidores podem apresentar a origem dos recursos aplicados, que extrapolam e muito qualquer razoabilidade de comprovação de gastos. Enfim, este dinheiro que sumira, tem boa dose de chances de ser do contribuinte e não dos titulares das contas.

Agora o cenário está completo. Sai de vez a Lorentzen e o Banco Safra, entra com tudo a VCP (Votorantim, família Ermínio de Moraes), assume o controle e muda o nome. Isso, mais a ajuda de sempre do BNDES, prova que as relações assimétricas do Capitalismo financiado por seu Estado seguem vivas e fortes no governo de Lula, o ex-dirigente sindical que nunca foi de esquerda. Percebam que eu sequer mencionei até agora detalhes mais técnicos da desertificação de cor verde e outras mazelas. A própria natureza das operações já atesta nosso fundo teórico. O botim se organiza na composição de seu Conselho Diretor, entrando os homens de confianças de Antônio Erminio com quatro vagas de sete, o BNDESPar com dois assentos e o restante bem que poderia ficar para o governo do estado do RS, que tanta força fez para assegurar a incorporação na base do financiamento estatal e cuja orientação estratégica passa pela derrubada da legislação ambiental ainda vigente no estado do Rio Grande do Sul e no Brasil.

Para concluir

Gostaria de me permitir uma ilação, apenas uma. Na 5ª anterior ao assassinato do colono sem terra Eltom Brum da Silva na cidade de São Gabriel (fronteira oeste do RS), a chiadeira geral do latifúndio sob a bandeira de plataforma de exportações de bens primários com tecnologia transgênica era quanto ao aumento do índice de produtividade. Absurdo todos eles gritavam (incluindo na grita os editoriais e falas dos âncoras das mídias corporativas), assim como gritam e esperneiam diante da proposta de aumento da reserva legal. Um dia depois, em 21 de agosto de 2009, Eltom é assassinado com tiros de 12 com balins de chumbo nas costas. Uma semana depois, no sábado 29 de agosto se consuma a aliança financiada com dinheiro do FGTS e outros recursos públicos. A Fibria, que já nasce devendo a R$ 12 bi é isso.

Uma poça de suspeita coletiva cai sobre o modo transacional, sobre os benefícios dados aos CEOs com cargo na nova empresa e a mácula de tentar (seguir tentando) derrubar o código de legislação ambiental mais respeitado do planeta. É óbvio que esta agenda não é marcada por uma conspiração em escala nacional (ainda que esta hipótese nunca pode deixar de ser levada em conta), mas sim por um poder de agendamento e demonstração de forças dos gigantes corporativos.

Mais do que xingar (embora este recurso sempre seja válido), entendo que o dever de ofício dos que vivem para analisar é retirar o véu das premissas e descortinar tanto as indústrias predatórias (como na celulose) como o linguajar supostamente técnico e que atenta contra nossos ouvidos. Esta “compra” de capital da Aracruz por parte da Votorantim é uma vergonha nacional por ter sido financiada pelo BNDES e sem consulta de nenhum tipo para a população contribuinte (e que no fundo sustenta a todo o aparelho de exercício das relações assimétricas).

Temos de abrir a agenda corporativa, traduzir o linguajar “técnico” e pautar o debate em cima das decisões políticas que atravessam nossa vida e pelas quais nunca somos consultados. No que depender deste modesto analista, esse tipo de compra jamais terá existência e convivência pacífica.

Este artigo foi originalmente publicado no portal do Instituto Humanitas da Unisinos (IHU)

Fonte: Estratégia e Análise

As degradadoras do Pampa gaúcho tentam novo suspiro…buscam com um novo nome se desfazer do passivo de degradação socioambiental que carregam com seu nome “antigo”

Duplicação da Aracruz é prioridade de nova empresa

Resultado da incorporação da Aracruz pela Votorantim Celulose e Papel (VCP), a Fibria foi apresentada oficialmente ontem como a maior fabricante de celulose de mercado do mundo. A nova empresa nasce com receita líquida estimada em R$ 6 bilhões, capacidade de produção de 5,8 milhões de toneladas e 15 mil funcionários.

Quanto aos dois projetos de instalar fábricas no Rio Grande do Sul, anunciados pela Aracruz e pela VCP, a formação da nova empresa aparentemente não muda o cenário desenhado no começo deste ano, quando ambas as companhias pisaram no freio devido à queda mundial do preço da celulose, à contração da demanda e ao endividamento com a repentina desvalorização do real em relação ao dólar.

A duplicação da unidade da Aracruz em Guaíba é o projeto número 1 da lista de investimentos da Fibria, informou ontem Walter Lídio Nunes, que agora responde pela diretoria executiva de operações florestais, desenvolvimento de pesquisas e tecnologia e novos projetos da empresa apresentada ontem.

– Já foram investidos US$ 650 milhões no projeto. O cancelamento não faz sentido – afirmou Nunes.

Projetos serão implementados segundo condições do mercado

Mas o executivo acrescentou que a paralisação e a retomada do projeto em 2011 foram negociadas com credores e fornecedores e que, apesar de o preço da celulose ter ganhado cerca de US$ 100 desde o auge da crise internacional, não há no momento razões para antecipar o desengavemento da fábrica. Da mesma forma, outro projeto no Estado, o Losango, da VCP, é reafirmado pela Fibria, mas sem data para começar a sair do papel. Somados, os dois representariam quase US$ 4 bilhões.

A direção da empresa informou também que os projetos de expansão já anunciados deverão ser implementados, dependendo das condições do mercado, expandindo sua capacidade produtiva em até 6,7 milhões de toneladas de celulose, o que resultaria em outros 9 mil postos de trabalho. A Fibria será comandada por Carlos Aguiar, antigo presidente da Aracruz. O conselho de administração vai ser presidido por José Luciano Penido, até então presidente da VCP.

Com áreas de plantio no Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Bahia, a Fibria tem base florestal total de 1,3 milhão de hectares, dos quais 461 mil hectares destinados à preservação permanente. No Estado, a companhia conta com 335 mil hectares de florestas, sendo 179 mil hectares plantados e 139 mil preservados.

Em um primeiro momento, o controle da empresa está nas mãos do BNDESPar, com 34,9% de participação que, no entanto, deverá ser reduzida nos próximos anos.. O grupo Votorantim tem 29,3%, e 35,8% das ações são negociadas no mercado

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