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Laos: Empresa Chinesa Sun Paper planeja monocultura de eucalipto

por Chris Lang

Mais monocultura de eucalipto esta sendo planejada para o Laos.

Uma empresa Chinesa chamada Shandong Sun Paper esta planejando estabelecer 100.000 hectares de plantações de eucalipto na provincial de  Savannakhet no centro do Laos. Nessa área, o governo fez uma concessão de terra de 50 anos para a Sun Paper por 30.000 hectares.[1] Os restantes 70.000 hectares serão plantados por agricultores na sua própria terra, sob contrato com a Sun Paper.[2] O projeto de US$15 milhões de dólares esta estimado para iniciar no começo de 2010.[3]

“Também estamos planejando construir usinas de celulose nos distritos de Xepon ou Phin,”  afirmou o Gerente geral da Sun Paper, Ying Guang Dong, ao Vientiane Times. A Sun Paper planeja investir US$300-500 milhões para construir uma usina de celulose com capacidade para 300.000 toneladas. “Em seguida iremos investir mais US$1.8 bilhões de dólares na segunda fase,” disse Ying.[4]

Ying afirma que a usina de celulose irá empregar 10.000 pessoas.[5]Se isso for verdade, ou será a maior usina e com  o maior uso de mão de obra do planeta. A Sun Paper é a maior empresa privada de papel da China, com uma capacidade anual de 2.2 milhões de toneladas de papel e papelão.[6] E Emprega um total de 7.000 pessoas. [7] A Usina de Celulose de US$1.2 bilhões  no Uruguai, a Botni, que tem uma capacidade de produção de um milhão de toneladas ao ano, emprega um total de 300 pessoas..[8]

Enquanto a Sun Paper exagera o número de empregados, é pelo menos honesta quanto ao dinheiro que irá trazer para a comunidade local: US$200.000. Esse dinheiro irá ser usado para a construção de escolas e postos de saúde, além da construção e manutenção de estradas.[9] Há 44 povoados na área de concessão. O que significa aproximadamente US$4.500 por povoado, que pode ser melhor do que nada, mas não é grande coisa.

A Sun Paper não planeja empregar a população local nas suas plantações.  “Atualmente, queremos usar a mão de obra do Vietnam para cortar Madeira nas plantações,” Ying disse à empresa de informação sobre a indústria de florestamento RISI em Fevereiro 2009.[10]

Antes de a Usina de Celulose ser construída, a Madeira será exportada pelo porto de Da Nang no Vietnam. Em março de 2009, a Sun Paper anunciou que iria investir US$15 milhões na usina de cavacos de Madeira no Vietnam para processar Madeira do Laos.[11] Do Vietnam os cavacos são ser levados de navio para a fábrica da Sun Paper na cidade de Yanzhou na China. Parte das operações da Sun Paper em Yanzhou são conduzidas em parceria – joint venture –  com a International Paper.[12]

Um problema que a Sun Paper irá enfrentar é que não há terra suficiente para concessões em grande escala na província de Savannakhet. Em outubro de 2007,  o Vientiane Times noticiou que as “autoridades de Savannakhe estão enfrentando dificuldade em suprir  terra aos investidores estrangeiros, que solicitam milhares de hectares, nos últimos anos, para os seus projetos.”[13] Há notícias de que a empresa Indiana a Birla Lao Pulp & Plantations Company Limited, está tendo sérias dificuldades para encontrar terra para o seu projeto de 50.000 hectares de plantação de eucalipto na província de Savannakhet.

A Sun Paper conduziu estudos de impacto ambiental e alega que irá envolver as pessoas que vivem na área concedida durante o processo decisório e no monitoramento. 14]Eles alegam que irão “empregar” 50.000 pessoas para plantar árvores. Mas há um histórico nesse tipo de projeto no Laos, o mais notório foi o do Projeto Industrial de Plantação de Árvores do  Asian Development Bank. Em dezembro de 2005, o departamento de Avaliação de Operações do ADB concluiu que o projeto havia “fracassado em melhorar as condições socioeconômicas dos beneficiários alvo, enquanto as pessoas eram empurradas na pobreza  e tendo que pagar as prestações dos empréstimos que financiaram as plantações fracassadas.”  ”[15] Em outras palavras os agricultores que a Sun Paper espera que plantem árvores para eles precisam de suas terras para plantar alimentos.

Em 2007, o governo do Laos suspendeu a emissão de novas concessões de terra “após descobrir  que tais acordos estavam afetando negativamente as comunidades locais”, como diz o Vientiane Times. Em maio de 2009, o governo anunciou um decreto do Primeiro Ministro sobre arrendamentos e concessões de terra. Mas muito pouco mudou em Savannakhet.Não pareceu terra nova na província. E o problema continua. Onde a  Sun Paper vai encontrar terra? Quem vai se beneficiar? E por que cargas d´água o governo do Laos concordou com esse projeto?

Referências:

[1] “Gum trees to fuel Savannakhet paper production”, Vientiane Times, 25 June 2009.

[2] “Sun Paper looks to build pulp mill in Laos”, RISI PPI Asia, Vol. 11, No. 20, 20 October 2008.

[3] “Gum trees to fuel Savannakhet paper production”, Vientiane Times, 25 June 2009.

[4] “Gum trees to fuel Savannakhet paper production”, Vientiane Times, 25 June 2009.

[5] “Gum trees to fuel Savannakhet paper production”, Vientiane Times, 25 June 2009.

[6] “Metso to supply fine paper machine to Sun Paper Group in China”, Metso press release, 15 January 2009.

[7] “Shandong Sun Paper is set to build pulp mill in Laos”, China Forest Paper, 17 October 2008.

[8] Graeme Rodden (2008) “More than ‘just a mill’ – Botnia’s Fray Bentos mill”, Pulp & Paper magazine, RISI, 30 June 2008.

[9] “Savannakhet plantation impacts under study”, VientianeTimes, 24 June 2009.

[10] Annie Zhu (2009) “PM 22 shines for Sun Paper”, RISI, 28 February 2009.

[11] Yu Hongyan (2009) “Sun Paper to set up joint venture in Vietnam”, China Daily, 9 March 2009.

[12] “Sun Paper looks to build pulp mill in Laos”, RISI PPI Asia, Vol. 11, No. 20, 20 October 2008.

[13] “Savannakhet ‘heavy-hearted’ about land supply”, Vientiane Times, 18 October 2007.

[14] “Gum trees to fuel Savannakhet paper production”, Vientiane Times, 25 June 2009.

[15] Sector Assistance Program Evaluation for the Agriculture and Natural Resources Sector in the Lao People’s Democratic Republic, SAP: LAO 2005-17, Operations Evaluation Department Asian Development Bank, December 2005.

[16] “Govt resumes land concessions”, Vientiane Times, 16 June 2009.

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Fonte: Cris Lang