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por Esther Vivas*

Frequentemente quando se fala do impacto da crise alimentar e da dificuldade para acessar uma alimentação sã e saudável olhamos para os países do Sul. Na atualidade, 925 milhões de pessoas no mundo passam fome e estas se encontram, majoritariamente, nos países empobrecidos.

Estas circunstancias ocorrem em um período onde se produzem mais alimentos que nunca na história, com um aumento de produção de 2% nos últimos vinte anos enquanto que a população cresce a um ritmo de 1,14%. Portanto, comida existe, mas a crescente mercantilização dos alimentos têm feito que o acesso às mesmas se converta em praticamente impossível para amplas parcelas da população.

Entretanto, mais além do impacto dramático destas políticas agrícolas e alimentares na geração da fome no mundo, ha que assinalar, também, suas consequencias no aumento das mudanças climáticas, a deslocalização alimentar, a crescente descampesinação do mundo rural, a perda de agro-diversidade, etc…, especialmente nos países do sul global, mas também aqui.

Na Catalunha, por exemplo, somente 2,46% da população ativa se dedica a agricultura e esta porcentagem se reduz ano após ano, uma vez que se constata um envelhecimento progressivo do setor, já que o relevo geracional é muito escasso. Se calcula que a incorporação de jovens no campo é dez vezes inferior ao de sete anos atrás. Se em 2001, 478 jovens se somaram a atividade camponesa catalã; em 2008, somente o fizeram 49, segundo dados do sindicato Unió de Pagesos.

O empobrecimento dos camponeses é uma realidade inegável. A renda agrária na Cataluña caiu desde 2001 em 43,7%, situando-se muito abaixo da renda geral. O encarecimento dos custos de produção e a baixa remuneração que os camponeses recebem por seus cultivos seriam algumas das causas principais que explicariam essa tendência.

O sistema agro-industrial têm gerado uma progressiva desvinculação entre produção de alimentos e consumo, favorecendo a apropriação por parte de um punhado de empresas, que controlam cada um dos componentes da cadeia agroalimentar (sementes, fertilizantes, transformação, distribuição), com a conseqüente perda de autonomia dos camponeses.

Para descrever a estrutura do atual modelo de distribuição de alimentos se costuma utilizar a metáfora do “ relógio de areia”, onde umas poucas empresas monopolizam o setor gerando um gargalo da garrafa que determina a relação entre produtores e consumidores. Na atualidade, o diferencial entre o preço pago na origem, ao camponês, e o que pagamos no supermercado se situa em torno de uns 500% em média, sendo a grande distribuição quem fica com o maior lucro. Por esse motivo, os diferentes sindicatos campesinos reclamam uma Lei de Margens comerciais e que lhes pague um preço digno por seus produtos.

Frente a este modelo agrícola, desde metade dos anos 90, diferentes movimentos sociais vêm reivindicando o direito dos povos a soberania alimentar. Uma demanda que implica recuperar o controle das políticas agrícolas e alimentares, o direito a decidir sobre aquilo que comemos, que os bens naturais(água, terra, sementes…) estejam em mãos dos camponeses. Uma proposta que é baseada na solidariedade internacional e que não tem que se confundir com os discursos chauvinistas partidários do “primeiro o nosso”.

Na Catalunha, esta soberania alimentar implica o acesso a terra de quem quer incorporar-se a atividade agrícola, apostar por um banco de terras, e denunciar a crescente especulação com o território. É urgente, como reivindica a plataforma Catalã Somos o que semeamos, uma moratória de cultivo de transgênicos e deixar bem claro que a coexistência é impossível. Catalunha e Aragão são as principais zonas da União Européia onde se cultivam transgênicos, inclusive variedades proibidas em outros países. Faz falta uma nova Política Agrária Comum(PAC), enquanto soberania alimentar, priorizando uma produção, uma distribuição e um consumo de proximidade, um modelo agrícola vinculado a agroecologia, investimentos e serviços públicos e de qualidade no mundo rural e uma legislação sanitária adequada para a transformação artesã e a comercialização local.

Sem um entorno rural e camponês vivo, outro mundo e outro consumo não serão possíveis. Como diz a Via Campesina, hoje “ comer se converteu em um ato político”

*Esther Vivas é autora de ‘Do campo ao prato’ (Icaria ed. 2009). Artíigo publicado no jornal Público (edición de Catalunya)

Tradução para o português: Paulo Marques ( www.brasilautogestionario.org)

+ info: http://esthervivas.wordpress.com/portugues

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Sociedade brasileira tem a chance de acabar com o latifúndio no Brasil durante o Plebiscito Popular pelo Limite da Terra, que ocorre em todo Brasil de 1 a 7 de setembro.

1- Porque a concentração de terra é a grande responsável pela miséria e fome em nosso país.

2 – Porque no Brasil se uma pessoa quiser comprar todas as terras privadas de Norte a Sul, de Leste ao Oeste, pode! Pois não existe uma lei que limite o tamanho da propriedade de terra no nosso país.

3 – Porque o latifúndio e o agronegócio, no ultimo século, expulsaram mais de 50 milhões de pessoas do campo, provocando o surgimento de milhares de favelas em todo o País, onde vivem mais de 80 milhões de brasileiros e brasileiras em condições desumanas. Se não houver uma Reforma Agrária decente este número vai aumentar ainda mais.

4 – Porque muitas famílias sem terra poderiam ter acesso à terra e com isso aumentaria a produção de alimentos, pois a agricultura familiar e camponesa é a responsável pela produção dos alimentos da mesa dos brasileiros.

5 – Porque são as pequenas propriedades que produzem alimentos orgânicos, livre dos agrotóxicos e é um direito das populações do campo e da cidade ter uma alimentação saudável

6 – Porque a agricultura familiar e camponesa cria muito mais empregos. Emprega 15 pessoas a cada 100 hectares, enquanto que o agronegócio emprega apenas duas.

7 – Porque o latifúndio e o agronegócio são os grandes responsáveis pela violência no campo e pela exploração do trabalho escravo.

8 – Porque banqueiros, grandes empresários e corporações internacionais são donos de grande parte dos latifúndios. Muitos nunca plantaram um pé de cebola.

9 – Porque 1% dos estabelecimentos rurais, com área de mais 1 mil hectares e ocupa 44% de todas as terras, enquanto praticamente 50% dos estabelecimentos com menos de 10 hectares, ocupam somente, 2,36% da área.

10 – Porque no século passado pelo menos 20 países estabeleceram um limite para propriedade rural, entre eles países desenvolvidos como Itália, Japão, Coréia do Sul. Agora é a nossa vez!

Se você concorda que é preciso acabar com a concentração de terras e riqueza em nosso país. Se você está cansado de tanta desigualdade e acredita que com uma Reforma Agrária justa podemos desenvolver o Brasil não só economicamente, mas também no âmbito social, gerando renda, empregos e distribuição de renda, você pode ajudar a mudar o Brasil!

De 1 a 7 de setembro participe do Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra. Diga sim! Coloque limites em quem não tem!

Exerça sua cidadania e mostre que, juntos, podemos conquistar o que é de direito de todos os brasileiros e brasileiras.

Elaborado pela Assessoria de Comunicação Fórum Nacional de Reforma Agrária e Justiça no Campo, FNRA e publicado pelo EcoDebate

Para saber mais sobre o Plebiscito Popular acesse AQUI

Abaixo seguem materiais, informações, notícias e diferentes conteúdos relevantes na temática, mas que não foi possível publicarmos antes.

  • A corrida às terras agrícolas: novo colonialismo? <aqui>
  • Agricultura argentina tende a ficar mais ecológica <aqui>
  • Agricultura Camponesa versus Agronegócio <aqui>
  • Agrocombustíveis ameaçam a segurança alimentar <aqui>
  • Agrotóxicos no seu estômago <aqui>
  • Cambio de hábitos: del monocultivo sojero al agroforestal <aqui>
  • Carta Agroecológica de Curitiba 2009 <aqui>
  • Impactos do latifúndio <aqui>
  • Comercio justo y soberania alimentaria <aqui>
  • Conheça os inimigos da Reforma Agrária <aqui>
  • Créditos multimilionários da ONU para agro-combustíveis ameaçam o clima, florestas e populações <aqui>
  • Fiscalização apreende 1 milhão de litros de agrotóxicos na Syngenta <aqui>
  • Fome é causada pela má distribuição e não pela falta de alimentos <aqui>
  • La planta sagrada de los incas desafía al gigante Monsanto <aqui>
  • ‘No existe soberania alimentar sem sementes nativas’ <aqui>
  • O agronegócio está extinguindo as abelhas no mundo <aqui>
  • O medo dos índices de produtividade <aqui>
  • O Roundup, o câncer e o crime do “colarinho verde” <aqui>
  • Os números de suicídios no Rio Grande do Sul assustam <aqui>
  • O veneno no pão nosso de cada dia <aqui>
  • Para FAO, agricultura de baixo carbono pode elevar produção <aqui>
  • Pesquisadores encontram DNA transgênico RR na cadeia trófica do solo
    <aqui>
  • Povoado argentino é Zona Livre de Agrotóxicos e Transgênicos <aqui>
  • Projeto transforma resíduo venenoso em aliado para preservar meio ambiente <aqui>
  • Proposta autoriza tecnologia para produzir planta modificada estéril <aqui>
  • Requião inaugura Centro de Pesquisa Valmir Mota de Oliveira <aqui>
  • Projeto de sementes crioulas de Canguçu ganha prêmio em Brasília <aqui>
  • Tese de mestrado analisa trajetórias de transição de produtores ecológicos e identifica indicadores sociais de sustentabilidade <aqui>
  • Governo destina mais de R$ 40 milhões para Manejo Florestal <aqui>

Agricultura argentina tende a ficar mais ecológica

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