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O programa A Liga, na quarta parte da matéria “O Perigo Mora ao Lado”, retrata a questão dos moradores de Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, que sofrem com a presença da Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). O projeto da companhia foi negado em vários países por conta do seu modelo de produção ultrapassado e poluente. No Rio, foi aceito prontamente, inclusive com direito a incentivos fiscais.

 Durante a Rio+20, movimentos sociais já haviam ido à Santa Cruz ouvir a comunidade, na tour Rio+Tóxico.
Veja também o material produzido pelo CEA, durante a Cúpula dos Povos na Rio+ToxicTour AQUI

Recebi um rosário longo de mensagens lamentando minha falta de patriotismo ao afirmar que o Brasil pensava que ia todo elegante para a Rio+20 mas que, na verdade, seguia nu em pelo. A idéia do post (para quem tem preguiça de ler o link acima) era de que meia dúzia de ações de marketing não consegue passar a borracha em todo um modelo de desenvolvimento que constrói a felicidade de parte da população sobre a dignidade e a qualidade de vida da outra. E o futuro de ambas.

Eu simplesmente adoro que alguém critique o meu patriotismo. Sabe por que? Por que não sofro desse mal.

Não amo meu país incondicionalmente, como não amo nada incondicionalmente. Mas gosto dele o suficiente para tentar entendê-lo e ajudar a torná-lo um local minimante habitável, através da narração e análise do que acontece, para a grande maioria da população. Gente deixada de fora do grande butim, que aparece sorrindo em propagandas oficiais, relatórios de sustentabilidae e folders de algumas organizações sociais para mostrar que o Brasil é dez. Mas que, no dia a dia, encaram a realidade da falta, da ausência, da fome, de um ar irrespirável ou de um rio desviado ou poluído.

Qual a melhor demonstração de respeito por um país? Vestir-se de verde e amarelo e se enrolar em uma bandeira enquanto canta o hino nacional em prantos? Contar mentiras sobre a realidade para fazer bonito lá fora?  Ou apontar o dedo na ferida quando necessário? Ama a si mesmo, por outro lado, os que se escondem do debate, usando como argumento um suposto “interesse nacional” – do petróleo (EUA) ao etanol (Brasil) – que, na verdade, trata-se de “interesse pessoal”. Se questionado, corre para trás da trincheira do patriotismo. Que, como disse uma vez o escritor inglês Samuel Johnson: “é o último refúgio de um canalha”.

E já que fico falando mal do meu país por aí, trago à tona uma lista, que organizei tempos atrás, de pontos que o governo não quer nem ouvir falar durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. O divertido é que reuni em cada ponto o discurso oficial ou oficialesco (tem tanto pelego por aí que vocês não imaginam…) para tratar do tema diante de críticas.

Uns podem chamar de ironia, outros de formas pouco ortodoxas de reinterpretar a realidade. Eu que já ouvi isso da boca de representantes do povo com estes ouvidos que a terra há de comer prefiro acreditar que era uma tremenda cara de pau mesmo.

Quando a pergunta é sobre a flexibilização do Código Florestal

…a resposta deve conter algo como: “Esse processo é um exemplo de como um país, que conta com uma boa legislação ambiental, pode melhorá-la ainda mais através de um Congresso Nacional compromissado com a qualidade de vida das futuras gerações”.

Quando a pergunta é sobre problemas na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte…

… a resposta deve conter algo como: “O licenciamento da usina foi um exemplo de como ouvir as comunidades impactadas por um empreendimento de geração de energia elétrica, pois o progresso de muitos não pode se sobrepor sobre a dignidade de alguns”.

Quando a pergunta é sobre greves e reclamações sobre a reforma e construcão de estádios para a Copa

… a resposta deve conter algo como: “A preparação para a Copa é um modelo de justa remuneração, de respeito à força de trabalho e de tratamento amigável da polícia frente ao pleito de operários e de planejamento para evitar impactos negativos ao meio ambiente”.

Quando a pergunta é sobre a forma através da qual foi feita a construção da Usina Hidrelétrica de Estreito…

… a resposta deve conter algo como: “A usina é um exemplo de reconhecimento das famílias atingidas e de rápida indenização das comunidades retiradas para a construção de uma obra”.

Quando a pergunta é sobre os impactos causados pela transposição de parte das águas do do São Francisco

… a resposta deve conter algo como: “Este é um modelo de como considerar a opinião dos diferentes stakeholders antes da implantação de um projeto de engenharia, levando em conta as realidades socioambientais regionais para a implementação de um empreendimento”.

Quando a pergunta é sobre problemas no Minha Casa, Minha Vida

…a resposta deve conter algo como: “O projeto de construcão de moradias é um exemplo de como não usar trabalho escravo na construção de imóveis em grandes cidades brasileiras e de como não usar madeira oriunda de desmatamento ilegal da Amazônia”.

Quando a pergunta é sobre o afrouxamento de alguns licenciamentos ambientais

… a resposta deve conter algo como: “O Ministério do Meio Ambiente tem conseguido ser um modelo de como um governo consegue resistir às pressões de grandes empreendimentos pela flexibilização das regras de licenciamento ambiental, garantindo a dignidade de indígenas, quilombolas, ribeirinhos, caiçaras e camponeses”.

Quando a pergunta é sobre problemas na construção da usina Hidrelétrica de Jirau

…a resposta deve conter algo como: “Jirau é um modelo de tratamento aos trabalhadores envolvidos na construcão de um empreendimento e de seu canteiro de obras e responder as suas reivindicações e direitos”.

Quando a pergunta é sobre o alto nível de enxofre nos combustíveis…

… a resposta deve conter algo como: “O Brasil é um exemplo de país que conseguiu reduzir suas taxas de enxofre no diesel para valores abaixo daqueles adotados na União Européia e Estados Unidos por se preocupar com a qualidade do ar que respiramos”.

Quando a pergunta é sobre os impactos em nossa biodiversidade…

…a resposta deve conter algo como: “Somos um exemplo de país que recompõe sua área florestal desmatada utilizando árvores nativas, brasileiras, como o eucalipto e o dendê”.

Quando a pergunta é sobre a violação de direitos das populações indígenas…

… a resposta deve conter algo como: “Nunca na história deste país o governo garantiu tantos direitos às populações tradicionais. Haja visto os guarani kaiowá no Mato Grosso do Sul que vivem felizes em suas terras”.

Quando a pergunta é sobre trabalho escravo na produção de etanol…

… a resposta deve conter algo como:  ”A produção de etanol contém algumas das melhores práticas na relação de trabalho, com a jornada de trabalho, com a condição de respeito ao direito do trabalhador. Durante muito tempo o etanol brasileiro foi acusado de utilizar trabalho escravo. Porque a forma de diminuir a importância do etanol como uma alternativa ao uso de combustíveis fósseis era fazer uma acusação socioambiental contra nós”.

Ouvindo os depoimentos de representantes do governo, o jogral está ensaiadinho. E se o jornalista for insistente, há sempre a saída de “o mundo vive uma crise e o Brasil não pode se dar ao luxo de perder empregos para garantir preservação ambiental. Primeiro temos que resolver essa instabilidade, para depois fazer as mudanças necessárias – e em conjunto com as outras nações – para uma economia verde global”.

Ou seja, empurrando com a barriga em nome de uma falsa dicotomia.

O problema é que, como diria Samuel Beckett, vamos esperando Godot.

Temos fé que Godot um dia venha.

Mas Godot não veio. Godot nunca vem.

Fonte: Blog do Sakamoto

A bióloga Mônica, conta como a empresa, juntamente com o Poder Público, tentou vender a idéia de uma Escola Verde, fazendo uma falsa Educação Ambiental. Talvez uma espécie de adestramento ambiental. No entanto a comunidade escolar não é boba e está mobilizada e em resistência contra essa propaganda enganosa, que parece uma tática nazista, mas que saiu pela culatra.

Os particulados que caiam constantemente sobre a comunidade de Santa Cruz, mas negados pela empresa. A saúde da população local está muito comprometida. As lembrancinhas do “mal”da TKSA foram gentilmente dadas aos participantes da Toxic-Tour para auxiliar na divulgação de tal crime ambiental. Foto: Cintia Barenho/CEA

Participamos do Rio Toxico-Tour, pelo qual visitou-se o município de Santa Cruz-RJ, no qual foi terrivelmente premiado com  projeto da Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). Tal projeto foi negado em outros países e estados. No entanto, o Rio de Janeiro – a cidade que recebe a Rio+20 com o discurso de busca de alternativas aos impasses ambientais – acolheu prontamente a megasiderúrgica, oferecendo inclusive incentivos fiscais.

O empreendimento, instalado em 2010, operou até 2012 sem filtros em suas chaminés (para dar apenas um exemplo), ocasionando constantemente chuvas de partículados, chamados pelos moradores de “chuva de prata”. Inclusive na visita feita à comunidade, fomos presenteados com lembrancinhas do “mal”no qual colocaram os particulados para auxiliarmos no protesto, resistência e solidariedade à comunidade.

Não precisamos falar que as pessoas que “ousam” denunciar o crime vivido, estão constantemente sendo ameaçados e perseguidas. Uma das moradoras, que teve laudo médico apontando as causas de seus problemas de saúde causados pela TKCSA, não consegue atendimento e o médico que assinou tal laudo (contestado pela empresa) foi transferido do posto de saúde. A comunidade, infelizmente, está numa ilha do mal.

Vamos seguir contando mais dessa história….

Veja Fotos AQUI 

A ONU adora afirmar que desde a “Primeira Cúpula da Terra, em 1992, percebeu-se que o desenvolvimento sustentável não poderia ser alcançado apenas através da atuação de governos, mas que seria necessária a participação ativa de todos os segmentos da sociedade e tipos de pessoas – consumidores, trabalhadores, empresários, agricultores, estudantes, professores, pesquisadores, ativistas, comunidades nativas e outras comunidades interessadas.” (Veja AQUI).

Percebeu a sutileza?? Agricultores (serão só os pequenos e camponeses?), comunidades tradicionais, jovens e crianças, mulheres disputam as discussões com o setor dos Negócios e Indústria,  e da Comunidade Científica. Para que lado será que “pende a vara”?

Certamente o Major Group nesse caso tem muito haver com o poder econômico, aquele que pode financiar o trabalho de técnicos em prol de seus interesses.

Isso é uma das facetas da Captura Corporativa da ONU

NOTA PÚBLICA ASSINADA PELOS COLETIVOS E MOVIMENTOS CONSTRUINDO A  CUPULA DOS POVOS

QUE INICIA AMANHà15 DE JUNHO NO RIO DE JANERIO

Os coletivos e movimentos sociais trabalhando na construção da Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental abaixo listados vem a publico expressar sua indignação com o impedimento de entrada no Brasil e ato arbitrário que deflagra um processo de criminalização de ativista da sociedade civil e participante da Cúpula dos Povos vindo de Moçambique.

Jeremias Vunjanhe, jornalista de profissão da organização não Governamental Moçambicana JA – Justiça Ambiental, membro moçambicano da federação Internacional Amigos da Terra, foi impedido de entrar no Brasil no dia 12 de Junho de 2012 em representação desta, participante da Cúpula dos Povos e do III Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale, para expor o polêmico caso da Vale em Moçambique e compartilhar com comunidades atingidas no mundo todo pelas corporações extrativas, também credenciado  como observador da sociedade civil na Conferencia Oficial da ONU Rio + 20.

Ao chegar no aeroporto de Guarulhos em São Paulo dia 12 de junho, foi-lhe retirado o passaporte sendo este escoltado para a sala de embarque de regresso a Moçambique pela Polícia Federal brasileira, sem qualquer explicação, apesar deste ter solicitado que fossem apresentadas as razões deste ato. O seu passaporte foi-lhe devolvido horas depois de levantar voo, carimbado com o selo de Impedido da SINPI (Sistema Nacional de Impedidos e Procurados) do Departamento da Polícia Federal.

A Embaixada do Brasil em Moçambique emitiu o visto de entrada seguindo todos os requisitos exigidos e em momento algum o Sr. Jeremias foi informado da existência de alguma questão que pudesse constituir impedimento para a sua entrada no Brasil.

Perante esta situação a organização Justiça Ambiental informou que irá utilizar todos os meios disponíveis para desvendar esta questão e razões por detrás deste vergonhoso acontecimento e que não irá desistir enquanto não for devidamente esclarecido, visto o ato prejudicar não apenas a imagem e trabalho da organização Justiça Ambiental, mas acima de atacar a imagem e integridade do Sr. Jeremias, atentando contra seus direitos sem a apresentação de qualquer fundamento.

Exigimos, unidos em solidariedade internacional e em apoio a organização Justiça Ambiental e ao ativista Jeremias, que o nome do Sr. Jeremias Vunjanhe seja urgentemente retirado da SINPI ou de qualquer outro organismo de informação a este associado. Que seja feito um esclarecimento publico e um pedido de desculpas formal e que se garanta o mais pronto possível a participação do Sr. Jeremias nas suas atividades prevista no Rio de Janeiro durante a Conferencia Rio+20 e que nenhum ato arbitrário contra ativistas venha a comprometer a garantia dos direitos e de participação democrática em processos das Nações Unidas.

A Embaixada do Brasil em Moçambique já foi contatada e esta tarde o Consul do Brasil em Maputo. Ofícios e pedidos de esclarecimentos enviados pelas organizações da sociedade civil do Brasil e internacionais ao Itamaraty, Ministério da Jstica e Secretaria Geral da Presidência.

Rio de Janeiro 14 de Junho de 2012

Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental Contra a Mercantilização da Natureza e em Defesa dos Bens Comuns

www.cupuladospovos.org.br

Assinam os movimentos e organizações nacionais e internacionais:

Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia – Salvador – BA

Alternatives international

AMB – Articulação de Mulheres Brasileira

Amigos da Terra Brasil

Amigos da Terra Internacional

ANAÍ – Salvador – BA

ANEL

Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale

Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa

Associação Aritaguá – Ilhéus – BA

Associação de Favelas de São José dos Campos – SP

Associação de Moradores de Porto das Caixas (vítimas do derramamento de óleo da Ferrovia Centro Atlântica)  – Itaboraí – RJ

Associação dos Geógrafos Brasileiros GT Ambiente

Associação Socioambiental Verdemar  – Cachoeira – BA

ATTAC France

Bicuda Ecológica

Brigadas Populares

CEA

CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva) – Belo Horizonte – MG

CEDENPA-Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará

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Conheci Jeremias em 2010, numa atividade internacional promovida pelo NAT em Viamão. Conversamos muito sobre as distintas realidades brasileiras e moçambicanas, especialmente por conta dos impactos da Vale, dos projetos da Embrapa (Cíntia Barenho).

Prohíben ingreso a Brasil de observador de cumbre de la ONU que denunciaría accionar de minera Vale en Mozambique

El periodista Jeremias Vunjanhe, integrante de Justicia Ambiental – Amigos de la Tierra Mozambique, fue impedido de entrar a Brasil a participar como observador en la conferencia de Naciones Unidas (ONU) sobre Desarrollo Sustentable, que se hace en Rio de Janeiro del 19 al 22 de junio (conocida como Rio+20).

Vunjanhe tenía previsto participar también en la paralela Cumbre de los Pueblos, en la misma ciudad, y denunciar los diversos impactos negativos de la minera brasileña Vale en su país, en el III Encuentro Internacional de Afectados por esa empresa. Vale aparece como uno de los apoyos oficiales de la cumbre de la ONU en Río de Janeiro. El activista formaría parte de la delegación de Amigos de la Tierra Internacional, federación ambientalista presente en cerca de 80 países.

Sin embargo, al llegar al aeropuerto de Guarulhos de la ciudad brasileña de San Pablo, el martes, Vunjanhe fue interceptado por la Policía Federal y se le retiró el pasaporte, al tiempo que se le condujo a la sala de embarque de retorno a Mozambique. Según las denuncias que está realizando NAT – Amigos de la Tierra Brasil, con el apoyo de las organizaciones a cargo de la Cumbre de los Pueblos, Vunjanhe no recibió ninguna explicación por parte de los policías, aunque la solicitó. El pasaporte se le devolvió al periodista horas después de haber emprendido el retorno a Mozambique, con el sello de “impedido” del Sistema Nacional de Impedidos y Procurados.

Radio Mundo Real logró mantener una pequeña entrevista con Anabela Lemos, integrante de Justicia Ambiental, que manifestó su indignación por lo sucedido con su colega. Catalogó el hecho como “una falta de respeto” y dijo que es uno más de los diversos ataques que ha estado sufriendo su organización en el último tiempo. Lemos no descartó que el impedimento de ingreso de Vunjanhe a Brasil pueda estar vinculado con su trabajo de denuncia del accionar de Vale en Mozambique y de apoyo a las comunidades afectadas por la empresa. No obstante, Justicia Ambiental no ha logrado tener una respuesta oficial sobre lo acontecido en San Pablo.

Justicia Ambiental, y Jeremias Vunjanhe específicamente, han estado respaldando a cientos de familias mozambiqueñas reasentadas por la minera brasileña Vale en el distrito de Moatize, provincia de Tete, que han realizado manifestaciones en los últimos meses en reclamo de derechos.

Desde 2007 Vale tiene la concesión de un proyecto de extracción de carbón mineral en Moatize, en una zona considerada como una de las mayores reservas de carbón mineral del mundo. El emprendimiento ha sido muy criticado por algunos grupos nacionales, entre otras cosas porque unas 1300 familias debieron ser desplazadas. Justicia Ambiental ha visitado la zona y confirmado las denuncias de esas familias: están en viviendas muy deterioradas, tienen dificultades de acceso al agua, a la tierra para las actividades agrícolas y a medios de transporte para la atención sanitaria, entre otras restricciones. Vale no ha cumplido con sus promesas previas al comienzo de la obra sobre estos puntos.

Numerosas organizaciones y movimientos sociales que han generado el espacio de la Cumbre de los Pueblos en Rio de Janeiro, que empieza este viernes, están manifestando su solidaridad internacional y apoyo a Justicia Ambiental y a Vunjanhe especialmente. Con el liderazgo de NAT – Amigos de la Tierra Brasil, la sociedad civil reunida para la Cumbre de los Pueblos ya contactó a la Embajada de Brasil en Mozambique y al Cónsul de Brasil en Maputo, capital mozambiqueña. Piden que se revelen las verdaderas razones por las que el periodista no pudo ingresar a Brasil, y que haya un pedido de disculpas formal.

En tanto, Justicia Ambiental ya dejó en claro que no descansará hasta conocer las causas de este caso, y este viernes realiza una conferencia de prensa en Maputo para denunciar lo ocurrido. “Jeremias es una persona íntegra, un gran activista social y ambiental”, reivindicó Lemos en la charla con Radio Mundo Real.

Vea entrevista en video que NAT – Amigos de la Tierra Brasil le realizara a Jeremias Vunjanhe en septiembre de 2010 en la localidad brasileña de Viamao, Rio Grande do Sul, en el marco de la Escuela de la Sustentabilidad de Amigos de la Tierra de América Latina y el Caribe. En la entrevista Vunjanhe habla de la operativa de Vale en su país.

Fonte: http://www.radiomundoreal.fm/5596-asi-no-vale?lang=es

De 15 a 17 de junho, comunidades e entidades da sociedade civil guiarão ativistas, jornalistas e pesquisadores por três empreendimentos de forte impacto socioambiental na região metropolitana do Rio de Janeiro. 
O objetivo do grupo é mostrar que, na mesma cidade que promete redefinir os marcos ambientais do planeta, estão sendo erguidos ou tocados uma série de megaprojetos na contramão do discurso oficial.A jornada, batizada de Rio+Tóxico, visitará Santa Cruz, Duque de Caxias e Magé, áreas afetadas pela siderúrgica ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) e pela refinaria de Duque de Caxias REDUC-Petrobrás. Outros destinos são a Área de Proteção Ambiental de São Bento e o Aterro
Metropolitano de Jardim Gramacho, o maior da América Latina. Os visitantes participarão de reuniões e visitas, e poderão fazer entrevistas com lideranças e moradores locais. Os ônibus partem da sede do BNDES, no Centro do Rio, de onde sai também grande parte do financiamento desses empreendimentos tóxicos.

 
Empreendimentos Tóxicos
Localizada na Baía de Sepetiba, a ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA) se instalou no Rio após ser negada em outros Países e estados do Brasil. A siderúrgica despeja partículas de ferro-gusa e emite toneladas de gás carbônico no ar, suficientes para aumentar as emissões na cidade do Rio de Janeiro em 76%. Isso tem afetado a saúde e o meio ambiente dos moradores e pescadores da região em um nível tão elevado que se tornou um problema para a sede da empresa, na Alemanha.Já a Refinaria Duque de Caxias (REDUC), inaugurada há 50 anos, e o Pólo Petroquímico que se formou ao seu redor se tornaram ao longo do tempo um dos maiores poluidores da Baía de Guanabara, afetando não só plantas e animais, mas também a saúde e os modos de vida das populações no seu entorno. Em 2000, um grande vazamento despejou 1,3 milhão de litros de óleo na Baía de Guanabara, trazendo à tona o custo social e ambiental do empreendimento.

Ainda em Caxias o roteiro inclui uma visita à Área de Proteção Ambiental de São Bento, ao Aterro
Metropolitano de Jardim Gramacho – o maior aterro sanitário da América Latina, desativado em junho – e a Cidade dos Meninos, um dos casos mais emblemáticos de injustiça ambiental. O problema, que se arrasta por 50 anos, envolve os resíduos de inseticidas abandonados no local e diversos atores sociais..

 
 Agenda do Toxic-Tour

15 de Junho

– 8h – Santa Cruz – Comunidade Vizinha a TKCSA (Community next to TKCSA) (Lotado/Fully Booked)
– 8h – Magé – Gasoduto da REDUC (REDUC Gas pipeline)
– 12h – Santa Cruz – Comunidade Vizinha a TKCSA (Community next to TKCSA)

16 de Junho

– 8h – Santa Cruz – Comunidade Vizinha a TKCSA (Community next to TKCSA)
– 8h – Duque de Caxias – Gramacho, REDUC, Cidade dos Meninos, APA São Bento (Landfill of Gramacho, Oil Refinery of Duque de Caxias, Cidade dos Meninos and Environmental Protection Area of São Bento)
– 12h – Santa Cruz – Comunidade Vizinha a TKCSA (Community next to TKCSA)

17 de Junho

– 8h – Sepetiba – Impactos da TKCSA na Baia de Sepetiba (Impacts of TKCSA in the Sepetiba Bay)

Saiba mais AQUI

Chegando no Rio de Janeiro. Fotos Cíntia Barenho/CEA

por Cíntia Barenho

Ao chegar ontem no Rio de Janeiro é surpreendente perceber que a cidade é um canteiro de obras para os mega-eventos que sediará, começando pela Rio+20.  Por conta disso e por ser uma grande cidade, o deslocamento do aeroporto Galeão até o Viva Rio demorou mais de uma hora. além das vias terrestres, as vias aéreas parecem também estar congestionadas. Helicópteros passam constantemente por todos os lados, fica-se imaginando como será perto dos dias que as delegações oficiais e chefes de Estado chegarão. Inclusive o aeroporto Santos Dumont, próximo ao centro do Rio, estará fechado durante os dias 20 a 22 de junho.

No ViVaRio acontece até dia 14/06 a formação dos sistematizadores e facilitadores das plenárias e assembleias que ocorrerão na Cúpula dos Povos. Para se ter uma ideia, o Grupo Articulador da Cúpula, espera um público de 1-2mil pessoas nas 5 plenárias que estão previstas. Consequentemente para a 3 assembleias dos povos milhares são os previstos.

Estou participando enquanto sistematizadora, através da Marcha Mundial das Mulheres. Ou seja, formação política Feminista da MMM e formação política Ecológica do CEA.

O trabalho durou o dia inteiro, sendo que mais ao final do dia, fomos conhecer a estrutura que está sendo montada para receber a Cúpula dos Povos no Aterro do Flamengo. Local que fica no meio entre os espaços governamentais, do SEBRAE e de outras instituições que disputam espaços e atenções a todos e todas que chegarão até a Cúpula dos Povos – na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental – e que estarão tratando da unidade e a mobilização do povos, em defesa da vida e dos bens comuns, justiça social e ambiental, contra a mercantilização da natureza e a “economia verde”.

A cúpula dos Povos começa a tomar formas materiais. Fotos de Cintia Barenho/CEA

Hoje a formação segue no VivoRio e amanhã abre-se oficialmente as atividades da Cúpula dos Povos. Estaremos pela manhã acompanhando a “Toxic Tour”em territórios impactados pelas corporações.

Para ver as fotos da participação do CEA na Cúpula dos Povos/Rio+20

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Para saber mais da Cúpula dos Povos clique AQUI

Em uma ação batizada Rio+Leaks, a Cúpula dos Povos, evento paralelo a Rio + 20 que acontecerá entre 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo, divulgou a mais recente versão do documento que servirá de base para as discussões da conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, que será realizada de 13 a 22 de junho no Riocentro. Para Sérgio Ricardo, da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, texto é caminho para conferência “Rio menos 20”.

Para Cúpula dos Povos, rascunho da Rio + 20 explicita teor neoliberal

Rio de Janeiro – Em uma ação batizada Rio+Leaks, a Cúpula dos Povos, evento paralelo a Rio + 20 que acontecerá entre 15 e 23 de junho no Aterro do Flamengo, divulgou a mais recente versão do documento que servirá de base para as discussões da conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, que será realizada de 13 a 22 de junho no Riocentro. O “rascunho zero” é distribuído apenas internamente na ONU e deve sofrer mais uma revisão até chegar ao Rio.

A atual versão do texto é um calhamaço de 80 páginas, intitulado “o Futuro que Queremos” e dividido em seis seções: Visão Comum, Renovando Compromissos Políticos, Economia Verde no Contexto do Desenvolvimento Sustentável e da Erradicação da Pobreza, Moldura Institucional para o Desenvolvimento Sustentável, Moldura para Ação e Acompanhamento, e, finalmente, Formas de Implementação. Cada seção desmembra-se em até 17 itens e 21 subitens, acomodando, por exemplo, temas como “florestas” e “químicos e desperdícios” dentro da seção Moldura para Ação e Acompanhamento.

Tanto Iara Pietricovsky, antropóloga e ambientalista que participará da Rio+20 e da Cúpula dos Povos; como Sergio Ricardo, ecologista da Rede Brasileira de Justiça Ambiental, leram e reprovaram o pré-documento. A antropóloga vê uma linguagem preparada para “uma consolidação de uma tendência mais privatista do sistema global”. Por sua vez, Ricardo avalia o texto como o caminho para carimbar a conferência como “Rio menos 20”. “A crise ecológica se aprofundou da Eco 92 para cá. O planeta perdeu muito nesses 20 anos, e isso não consta do documento. Ele deveria partir de um balanço do que aconteceu. É uma omissão!”, diz.

Nuances perigosas

Segundo Iara, com a linguagem do texto aliviada em relação à Eco 92 e a rascunhos anteriores da Rio + 20, ao invés de “os países têm que realizar” entra “os países reconhecem a importância”, tirando a obrigação dos estados e estendendo tapetes vermelhos para o setor privado através de parcerias. A ambientalista aponta o conteúdo do item C, “Englobando Grupos de Discussão e Outros Conjuntos de Interessados”, da segunda seção, “Renovando Compromissos Políticos”, como um dos exemplos mais explícitos da substituição dos direitos consignados pela maioria dos países para os novos arranjos que desembocarão em vantagens comerciais de apenas alguns atores.

Ela cita o trecho “nós encorajamos novas parcerias público-privada para mobilizarmos significativos fundos para complementação de políticas”, ou ainda, “o governo deve dar suporte as iniciativas que promovem e contribuem para o setor privado”, como “pérolas” do novo rascunho.

Diferenciações

Iara também realça a quase supressão das Responsabilidades Iguais Porém Diferenciadas (CBDR, em inglês), uma das bandeiras da Cúpula dos Povos, nas seções “Moldura para Ação e Implementação” e “Formas de Implementação” do desenvolvimento sustentável. “Isso é um princípio que saiu da Eco 92 que é fundamental para que a mensuração e a mudança de paradigma se faça, em especial, nos países ricos. Esse é um princípio que vai dar as diferentes responsabilidades que os países têm no processo. Porque uns têm que fazer muito mais que outros. E se isso não se coloca, essa conta não vai ficar para os países ricos, ainda mais por causa da crise que eles estão passando”, afirma.

Pontos positivos

Para Iara, alguns pontos positivos do texto estão mantidos porque existe grande intervenção dos movimentos sociais. Ela cita “Igualdade de Gêneros e Fortalecimento das Mulheres”, subitem da seção cinco, como um deles. “A questão do direito sexual e reprodutivo das mulheres está com uma linguagem mais própria, porque eles falam ‘no direito reprodutivo’, eles não usam a linguagem ‘do direito reprodutivo’, que é completamente diferente”.

Na visão de Sérgio Ricardo, o que acontecerá de positivo é a capacidade de mobilização internacional que a Cúpula dos Povos, mais que a Rio+20, está angariando. Assim, de acordo com o ecologista, “a perspectiva da mobilização é muito forte. A metodologia de convergência valoriza a diversidade dos grupos, mas ao mesmo tempo é propositiva. Muitas propostas e experiências serão apresentadas mostrando que é possível construir uma economia ecológica. Uma economia que seja distributiva, solidária, descentralizada e respeitando a diversidade e territórios dos povos”.

Confira o rascunho da ONU AQUI 

Fonte: CartaMaior

Excelente análise do sociólogo Boaventura de Sousa Santos acerca da Esquerda frente ao que ele chama de “sistema financeiro-democrático”(ótima analogia). Vivenciamos isso duramente no Brasil, seja ele com nossos partidos políticos ditos de esquerdas, sejam entre nós, ecologista da luta militante.

por Boaventura de Sousa Santos*

Quando estão no poder, as esquerdas não têm tempo para refletir sobre as transformações que ocorrem nas sociedades e quando o fazem é
sempre por reação a qualquer acontecimento que perturbe o exercício do poder. A resposta é sempre defensiva. Quando não estão no poder, dividem-se internamente para definir quem vai ser o líder nas próximas eleições, e as reflexões e análises ficam vinculadas a esse objetivo.

Esta indisponibilidade para reflexão, se foi sempre perniciosa, é agora suicida. Por duas razões. A direita tem à sua disposição todos os intelectuais orgânicos do capital financeiro, das associações empresariais, das instituições multilaterais, dos think tanks, dos lobbistas, os quais lhe fornecem diariamente dados e interpretações que não são sempre faltos de rigor e sempre interpretam a realidade de modo a levar a água ao seu moinho. Pelo contrário, as esquerdas estão desprovidas de instrumentos de reflexão abertos aos não militantes e, internamente, a reflexão segue a linha estéril das facções.

Circula hoje no mundo uma imensidão de informações e análises que poderiam ter uma importância decisiva para repensar e refundar as esquerdas depois do duplo colapso da social-democracia e do socialismo real. O desequílibrio entre as esquerdas e a direita no que respeita ao conhecimento estratégico do mundo é hoje maior que nunca.

A segunda razão é que as novas mobilizações e militâncias políticas por causas historicamente pertencentes às esquerdas estão sendo feitas sem qualquer referência a elas (salvo talvez à tradição anarquista) e muitas vezes em oposição a elas. Isto não pode deixar de suscitar uma profunda reflexão. Essa reflexão está sendo feita? Tenho razões para crer que não e a prova está nas tentativas de cooptar, ensinar, minimizar, ignorar a nova militância.

Proponho algumas linhas de reflexão. A primeira diz respeito à polarização social que está a emergir das enormes desigualdades sociais. Vivemos um tempo que tem algumas semelhanças com o das revoluções democráticas que avassalaram a Europa em 1848. A polarização social era enorme porque o operariado (então uma classe jovem) dependia do trabalho para sobreviver mas (ao contrário dos pais e avós) o trabalho não dependia dele, dependia de quem o dava ou retirava a seu belprazer, o patrão; se trabalhasse, os salários eram tão baixos e a jornada tão longa que a saúde perigava e a família vivia sempre à beira da fome; se fosse despedido, não tinha qualquer suporte exceto o de alguma economia solidária ou do recurso ao crime. Não admira que, nessas revoluções, as duas bandeiras de luta tenham sido o direito ao trabalho e o direito a uma jornada de trabalho mais curta. 150 anos depois, a situação não é totalmente a mesma mas as bandeiras continuam a ser atuais.

E talvez o sejam hoje mais do que o eram há 30 anos. As revoluções foram sangrentas e falharam, mas os próprios governos conservadores que se seguiram tiveram de fazer concessões para que a questão social não descambasse em catástrofe. A que distância estamos nós da catástrofe? Por enquanto, a mobilização contra a escandalosa desigualdade social (semelhante à de 1848) é pacífica e tem um forte pendor moralista denunciador.

Não mete medo ao sistema financeiro-democrático. Quem pode garantir que assim continue? A direita está preparada para a resposta repressiva a qualquer alteração que se torne ameaçadora. Quais são os planos das esquerdas? Vão voltar a dividir-se como no passado, umas tomando a posição da repressão e outras, a da luta contra a repressão?

A segunda linha de reflexão tem igualmente muito a ver com as revoluções de 1848 e consiste em como voltar a conectar a democracia com as aspirações e as decisões dos cidadãos. Das palavras de ordem de 1848, sobressaíam liberalismo e democracia. Liberalismo significava governo republicano, separação ente estado e religião, liberdade de imprensa; democracia significava sufrágio “universal” para os homens. Neste domínio, muito se avançou nos últimos 150 anos. No entanto, as conquistas têm vindo a ser postas em causa nos últimos 30 anos e nos últimos tempos a democracia mais parece uma casa fechada ocupada por um grupo de extraterrestres que decide democraticamente pelos seus interesses e ditatorialmente pelos interesses das grandes maiorias. Um regime misto, uma democradura.

O movimento dos indignados e do occupy recusam a expropriação da democracia e optam por tomar decisões por consenso nas sua assembleias. São loucos ou são um sinal das exigências que vêm aí? As esquerdas já terão pensado que se não se sentirem confortáveis com formas de democracia de alta intensidade (no interior dos partidos e na república) esse será o sinal de que devem retirar-se ou refundar-se?

* Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Fonte: RSUrgente

Sabias palavras de Boaventura, pena que quando ele afirma “A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto” evidencia um antropocentrismo, que nós ecologistas de fato (não aqueles de mercado) buscamos superar…(Cíntia)

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor Português

Livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação de algumas ideias. A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas.

por Boaventura de Sousa Santos

Não ponho em causa que haja um futuro para as esquerdas mas o seu futuro não vai ser uma continuação linear do seu passado. Definir o que têm em comum equivale a responder à pergunta: o que é a esquerda? A esquerda é um conjunto de posições políticas que partilham o ideal de que os humanos têm todos o mesmo valor, e são o valor mais alto. Esse ideal é posto em causa sempre que há relações sociais de poder desigual, isto é, de dominação. Neste caso, alguns indivíduos ou grupos satisfazem algumas das suas necessidades, transformando outros indivíduos ou grupos em meios para os seus fins. O capitalismo não é a única fonte de dominação, mas é uma fonte importante.

Os diferentes entendimentos deste ideal levaram a diferentes clivagens. As principais resultaram de respostas opostas às seguintes perguntas. Poderá o capitalismo ser reformado de modo a melhorar a sorte dos dominados, ou tal só é possível para além do capitalismo? A luta social deve ser conduzida por uma classe (a classe operária) ou por diferentes classes ou grupos sociais? Deve ser conduzida dentro das instituições democráticas ou fora delas? O Estado é, ele próprio, uma relação de dominação, ou pode ser mobilizado para combater as relações de dominação?

As respostas opostas as estas perguntas estiveram na origem de violentas clivagens. Em nome da esquerda cometeram-se atrocidades contra a esquerda; mas, no seu conjunto, as esquerdas dominaram o século XX (apesar do nazismo, do fascismo e do colonialismo) e o mundo tornou-se mais livre e mais igual graças a elas. Este curto século de todas as esquerdas terminou com a queda do Muro de Berlim. Os últimos trinta anos foram, por um lado, uma gestão de ruínas e de inércias e, por outro, a emergência de novas lutas contra a dominação, com outros atores e linguagens que as esquerdas não puderam entender.

Entretanto, livre das esquerdas, o capitalismo voltou a mostrar a sua vocação anti-social. Voltou a ser urgente reconstruir as esquerdas para evitar a barbárie. Como recomeçar? Pela aceitação das seguintes ideias.

Primeiro, o mundo diversificou-se e a diversidade instalou-se no interior de cada país. A compreensão do mundo é muito mais ampla que a compreensão ocidental do mundo; não há internacionalismo sem interculturalismo.

Segundo, o capitalismo concebe a democracia como um instrumento de acumulação; se for preciso, ele a reduz à irrelevância e, se encontrar outro instrumento mais eficiente, dispensa-a (o caso da China). A defesa da democracia de alta intensidade é a grande bandeira das esquerdas.

Terceiro, o capitalismo é amoral e não entende o conceito de dignidade humana; a defesa desta é uma luta contra o capitalismo e nunca com o capitalismo (no capitalismo, mesmo as esmolas só existem como relações públicas).

Quarto, a experiência do mundo mostra que há imensas realidades não capitalistas, guiadas pela reciprocidade e pelo cooperativismo, à espera de serem valorizadas como o futuro dentro do presente.

Quinto, o século passado revelou que a relação dos humanos com a natureza é uma relação de dominação contra a qual há que lutar; o crescimento económico não é infinito.

Sexto, a propriedade privada só é um bem social se for uma entre várias formas de propriedade e se todas forem protegidas; há bens comuns da humanidade (como a água e o ar).

Sétimo, o curto século das esquerdas foi suficiente para criar um espírito igualitário entre os humanos que sobressai em todos os inquéritos; este é um patrimônio das esquerdas que estas têm vindo a dilapidar.

Oitavo, o capitalismo precisa de outras formas de dominação para florescer, do racismo ao sexismo e à guerra e todas devem ser combatidas.

Nono, o Estado é um animal estranho, meio anjo meio monstro, mas, sem ele, muitos outros monstros andariam à solta, insaciáveis à cata de anjos indefesos. Melhor Estado, sempre; menos Estado, nunca.

Com estas ideias, vão continuar a ser várias as esquerdas, mas já não é provável que se matem umas às outras e é possível que se unam para travar a barbárie que se aproxima.

Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

Fonte: CartaMaior

Após ontem (24.05.11), definitivamente, os “anos dourados” (se que é existiram) da lei ambiental brasileira acabaram. A flexibilização do Código Florestal é só o começo e é uma questão menor do que ainda esta por vir em nome do mito do crescimento.

 Ontem foi um dia marcante!!!! Marcante e triste.

O Congresso Nacional, numa articulação com os governos (sim, porque muitos governadores e prefeitos também apoiaram a flexibilização do Código Florestal) e com setores do capitalismo urbano e rural (com aval dos comunistas), aprovou uma lei florestal que favorece o desmatamento e a supressão da vegetação nativa (https://centrodeestudosambientais.wordpress.com/2011/05/24/insensato-codigo-florestal/). O maior retrocesso da legislação, na história do Direito Ambiental Brasileiro, até então uma referência mundial em vários aspectos. Mais um fato que colabora para o desencantamento do mundo, cada vez mais presente, especialmente entre a esquerda e os ecologistas.

Talvez também em razão do nosso combate contra a flexibilização do Código Florestal, por outro lado, o Blog do CEA bateu mais um recorde de acesso, desde seu inicio, em 2008. Foram 1.736 visitas!!!!! Um recorde para um Blog feito por amadores… amadores da vida!!!!!!! Bem diferente dos “profissionais” da política, a serviço do agronegócio predatório, que legalizaram o incremento do desmatamento no Brasil, ontem a noite, numa ação egoísta e insensata, e mais diferente ainda daqueles que mataram e mandaram matar dois extrativistas no Pará.

É isso mesmo. Para desencanto maior, não “mataram” somente uma lei, o Código Florestal. Ontem, além de sinalizarem com a permissão do avanço da degradação ambiental, também assassinaram pessoas que defendiam a floresta. O casal José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo da Silva foram mortos por pistoleiros numa emboscada, em Nova Ipixuna, cidade a 390 quilômetros de Belém.

Repudiamos tais atos contra vida humana e não humana, protagonizados ontem pela disputa da floresta e da dominação da natureza.

E hoje? Bom hoje, para piorar ainda mais o avanço da visão egoísta individualista antropocêntrica neoliberal de mundo está sendo exaltado como o Dia da Liberdade de Impostos.

Os neoliberais não querem que o Estado intervenha nas relações de mercado, mas, contraditoriamente, exigem que esse mesmo Estado invista em infra-estrutura, como rodovias, portos e aeroportos, o que, aliás, o governo federal vem fazendo com os Planos de Aceleração do Crescimento (PACs), seguindo a cartilha neoliberal, nesse aspecto.

Os impostos servem para o Estado investir em políticas públicas e fazer justiça social, bem como promover a proteção ambiental. Como construir estradas sem impostos? Ou pior, como investir em proteção ambiental sem orçamento? Porque esses neoliberais anti-impostos e anti-ecológicos não divulgam o montante do seu lucro, resultado da exploração da natureza humana e não humana, para uma comparação com os impostos e se proponham a diminuir seus ganhos gigantescos proporcionalmente a diminuição dos impostos? Argumentam que há corrupção no Estado? Mas quem corrompe? Além do mais, se há corrupção devemos combatê-las e não ir matando o Estado ao pouquinhos, abandonando os pobres e os biomas.

Esperamos que as informações divulgadas por nós, nesse Blog e de outra forma, sirvam para que fatos como o enfraquecimento das políticas públicas, a flexibilização do Código Florestal e assassinatos (por qual motivo for e de quem quer que seja) não se repitam e que todas as formas de vida no planeta Terra e a própria Terra sejam respeitadas, mesmo que muitos achem isso uma utopia ingênua.

Caso contrário, de nada vale bater recordes e recordes de visitas, como o CEA vem conquistando com seu Blog.

Ontem foi um dia de desencanto, sim. Mas também foi um dia de acreditar na luta ecológica fortalecida pela comunicação alternativa, democrática e não antropocêntrica.

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O Centro de Estudos Ambientais (CEA) é a primeira ONG ecológica da região sul, constituída em Rio Grande/RS/Brasil, em julho de 1983.

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