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Chegamos, mais uma vez, ao dia 21 de setembro: Dia Internacional Contra os Monocultivos de Árvores. Você sabe o que significa o monocultivo e quais são as implicações socioambientais dessa prática? A monocultura é uma prática industrial, ou seja, não tem como finalidade abastecer diretamente à população – eu e você –, mas às grandes indústrias. Isso faz com que as monoculturas cresçam exponencialmente, uma vez que as indústrias – as quais demandam matéria prima em grande escala – também crescem em uma velocidade absolutamente insustentável com o objetivo de “dar conta” de uma demanda descontrolada, criada pelas próprias corporações para “escoar” seus produtos. No centro desse círculo vicioso, está o modo de produção e consumo, criado e mantido com a intenção de não deixar a roda da produção parar. Por exemplo, 59% da celulose produzida no Brasil é exportada[1], 49,4% do papel produzido no Brasil é destinado para embalagens. Além disso, no mundo, 20% das correspondências[2] é publicidade impressa, e, como sabemos, vai direto para o lixo. Toda publicidade em pilhas e pilhas de papel reflete pilhas e pilhas de produtos devidamente embalados. Ao passo que esses produtos são desenvolvidos a partir da lógica da obsolescência programada – ou seja, com um tempo limite de durabilidade que garanta a substituição em um tempo longo o suficiente para que o consumidor não se sinta prejudicado pela compra, porém curto o bastante para garantir o resgate do investimento feito pela indústria na produção desses produtos –, é impossível sustentar o atual modo de produção e consumo sem inviabilizar a própria vida no planeta.

Neste 21 de setembro, no bioma Pampa, aqui no Rio Grande do Sul,  cresce a extensão de terras cultivadas  com eucalipto para celulose, destinados a suprir as “necessidades” de grandes corporações extrativas. Ao defenderem seus interesses, essas empresas fazem uso da força – principal razão de episódios de extrema violência no campo. A truculência na defesa do interesse econômico expõe a urgência de se fazer um alerta: o desrespeito crescente e, cada vez mais legitimado política e socialmente, aos direitos fundamentais dos cidadãos. Seja através do uso da força não institucional como as seguranças privadas, seja com o uso do poder institucional como a polícia, as corporações conseguem legitimar suas ações ao inserirem seus interesses privados e específicos na pauta dos interesses públicos. Dessa forma, a população é induzida a crer que a consumação dos interesses das corporações – tidos como públicos – significa um avanço para a sociedade como um todo. O resultado disso é termos as pessoas que defendem uma outra forma de lidar com essa situação – observando o princípio de igual consideração de interesses de todos os sujeitos afetados por essas ações – serem criminalizados ou invisibilizados e vistos como entraves ao “desenvolvimento social”, porém, na realidade, pela perspectiva das corporações, não se está falando em desenvolvimento social, mas sim, em desenvolvimento puramente econômico. A aprovação do novo Código Florestal é um exemplo emblemático dessa lógica perversa, afinal não são as leis ambientais que querem prejudicar as corporações como é alegado; mas as leis são feitas com a intenção de proteger a sociedade. Isso quer dizer que, quando as corporações defendem que a legislação ambiental é um “entrave” ao “desenvolvimento”, na verdade, estão indo contra a proteção que essas leis dão à sociedade na tentativa de dirimir danos ambientais e assegurar o direito ao meio ambiente saudável.

Mais do que isso, as corporações, compradoras de imensos territórios, além de degradarem o meio ambiente, impactarem fauna e flora desses lugares em função do uso intensivo de agrotóxicos e outras práticas predatórias, também acabam gerando graves conflitos com as populações que, historicamente, residem nessas áreas. No Chile, por exemplo, o Povo Mapuche (etnia ancestral chilena) trava uma guerra sangrenta pelo direito de permanecer em suas terras, as quais, infelizmente, entraram na rota dos interesses da CMPC – aqui, Celulose Riograndense. Você até pode se questionar sobre o que a Celulose RIOGRANDENSE faz se envolvendo em conflitos com populações ancestrais no Chile; mas, o correto seria perguntar o que uma corporação de capital chileno faz se envolvendo na degradação do Pampa sul riograndense. Se os limites à ganância não são dados pelas fronteiras dos territórios, muito menos o seriam pela limitação de um bioma como o Pampa, que, afinal, seria só mais um dos tantos biomas que a CMPC e outras transnacionais da celulose impactam pela América Latina e outras partes do mundo.  Os limites são tão frágeis que a CMPC, não contente com a selvageria posta em curso no Chile, este mês, [às vésperas do Dia Internacional Contra os Monocultivos de Árvores] adquiriu 100 mil hectares do Pampa gaúcho de outra gigante da celulose, a Fíbria (união entre Aracruz e Votorantim Celulose e Papel). O certo é que nossos governos parecem não pensar nos efeitos presentes e futuros dessa incorporação de territórios, ou, se pensam, as conclusões a que chegam são diferentes das nossas; ou, talvez, o pensar dos nossos governos não esteja alinhado com os reais interesses públicos.

 

Porto Alegre, 21 de setembro de 2012

ASSINAM ESTA CARTA:

Amigos da Terra Brasil

Centro de Estudos Ambientais (CEA)

Casatierra

Catarse

Econsciência

Frente Nacional em Defesa dos Territórios Quilombolas


[2] Environmental Paper Network – www.environmentalpaper.org.

Montes del Plata é o nome com o qual operam no Uruguai duas empresas transnacionais vinculadas à indústria florestal, celulósica e papeleira: a chilena Arauco e a sueco-finlandesa Stora Enso. Nesta ocasião associaram-se para construir e pôr em andamento uma fábrica de celulose que produzirá no mínimo 1.450.000 toneladas de celulose.

A partir desta fusão, o consórcio Montes del Plata passou a possuir o maior latifúndio do país: 250.000 hectares de terra destinadas à plantação de monoculturas de árvores, matéria-prima necessária para o funcionamento de seu megaempreendimento celulósico.

No passado dia 25 de maio foram inauguradas as obras da fábrica de celulose, localizada no município de Conchillas, departamento de Colônia, sem que a empresa tivesse divulgado ainda o estudo de impacto social que provocará sua instalação na região, que havia sido exigido pela Direção Nacional de Meio Ambiente (DINAMA). Os dois anos de construção deste megaempreendimento implicarão a contratação de até uns 6.000 trabalhadores em seu ponto alto, que se calcula em sua grande maioria serão estrangeiros, que se mobilizarão nos arredores de um município de uns 500 habitantes.

A isso acresenta-se que nestes dias foi publicada nos jornais parte do conteúdo do contrato “secreto” de investimento assinado por Montes del Plata e o governo uruguaio, em que ambas partes se obrigavam a não divulgar informações relacionadas com tal convênio mediante uma cláusula de “confidencialidade”.

O contrato estabelece benefícios econômicos incomuns e notáveis para um investimento transnacional, aos quais os empresários nacionais não têm acesso. Sob o cálido texto “as partes farão os melhores esforços para encontrar soluções…” escondem horas e horas de reuniões da empresa com representantes do governo nacional. Com sucesso para a empresa.  Além disso, garante que no futuro a empresa será compensada diante de “mudanças significativas no regime tributário ou em questão de licenças e autorizações que irão afetar negativamente as condições econômicas do projeto”. Para conhecer alguns dos benefícios combinados vide “O contrato secreto de investimento entre o Governo e a Montes del Plata”, http://www.guayubira.org.uy/2011/05/montes-del-plata-contrato-secreto- investimento/  (veja abaixo).

O grupo uruguaio Guayubira, longamente crítico da expansão do florestamento (e seu corolário, as fábricas de celulose) por seus impactos ambientais e sociais, manifestou em um comunicado seu repúdio pelas manipulações e pressões da empresa estrangeira e alertou que esse tipo de negociações condiciona a soberania do país: “Este contrato secreto define o curso da utilização dos recursos naturais do país, de seu ordenamento territorial, de seu meio ambiente, em fim, o curso do desenvolvimento nacional, condicionando as possibilidades de intervenção das sociedade nacional e a ação soberana da nação por um longo período”.

Artigo publicado na edição de maio do WRM (Nº 166).

Os territórios que hoje conformam a América Latina costumam revestir duas características diante dos olhos das grandes empresas e conglomerados comerciais: abrangem grandes superfícies, e são fonte de cobiçadas mercadorias: madeira, dendê, culturas comerciais, carne, lã, matéria-prima para agrocombustíveis, recursos genéticos, terra, água. São um ímã para o grande capital.

As vastas extensões de ricos ecossistemas biodiversos- selva, monte, floresta, pampa, serrania, planalto, savana- têm sido a base territorial na qual proliferaram as diversas formas culturais e produtivas das comunidades da região. E o que os grandes comerciantes vêem como mercadorias têm sido os elementos constitutivos da milenar tradição agrária de muitos povos, cujos vestígios testemunham o nível que atingiram seus avançados conhecimentos.

Hoje, como há mais de 500 anos, o colonialismo continua em vigor, com outras formas, com outros nomes. Os navios que ontem partiam dos portos latino-americanos com a prata, o ouro, o cacau, a borracha, hoje são enormes cargueiros que levam embora nossa água e nosso solo nas toras, as lascas, a celulose, o óleo de dendê. Levam embora também, de forma sofisticada, nossa atmosfera para ser vendida no mercado de carbono. Levam embora, em definitivo, a preço de mercado, o futuro das próximas gerações.

O modelo atual de globalização dos mercados baseia-se em uma estrutura de subordinação- dos países do Sul em relação aos do Norte, dos grupos que vendem sua força de trabalho em relação aos donos do capital, das minorias étnicas em relação às hegemônicas, do sexo feminino em relação ao masculino. Tal subordinação tem sido funcional para a formação de um capital excedente nos grupos dominantes, à custa de inúmeras desigualdades intrínsecas e penúrias para os grupos subordinados.

É no contexto da expansão desse capital acumulado que a globalização é configurada como uma plataforma ideal para a apropriação e a mercantilização crescente da natureza por parte de grupos empresariais cada vez mais concentrados. As formas produtivas assumem escalas cada vez maiores, cada vez mais uniformes, para mercados cada vez maiores e convenientemente uniformizados. O consumo torna-se o alicerce e o motor da economia, e as políticas sociais muitas vezes servem para introduzir as melhoras necessárias que permitam manter o sistema e inclusive somar mais consumidores aos mercados.

Como parte dessa expansão, as monoculturas em grande escala de árvores exóticas desembarcam no continente na década de 1950, em um processo de ocupação e apropriação da terra e da água e à custa dos ecossistemas e comunidades locais. Não se trata de um projeto isolado senão que está inserido no modelo da “Revolução Verde” promovida pela FAO, que consolida a industrialização da agricultura. Somam-se posteriormente o Banco Mundial, o FMI, o BID, processos de Nações Unidas sobre florestas (IPF, IFF, UNFF), agências bilaterais como a GTZ e JICA, empresas consultoras como a Jaakko Poyry. Através de mecanismos de empréstimo, subsídio, extensão, capacitação, propaganda, esses atores conseguem instalar seus argumentos em âmbitos científicos e acadêmicos e incidir nas políticas de Estado de vários países que, aplicando modelos bastante similares, promoveram na América Latina as plantações florestais voltadas para a exportação.

Conforme a FAO, entre 2000 e 2005, a superfície de plantações florestais cresceu uns 2,8 milhões de hectares anuais (1) e os dados de 2009 apontam que na América Latina e o Caribe há 12,5 milhões de hectares de monoculturas florestais- categoria que não inclui o dendezeiro. Para 2020 planeja-se um aumento que levaria as plantações florestais a 17,3 milhões de hectares.

É assim que a região se posiciona como “líder em plantações florestais de alta produtividade” destacando especialmente a Argentina, o Brasil, o Chile e o Uruguai, com 78% das plantações desse tipo. As plantações altamente produtivas fazem referência aqui em especial às variedades que foram selecionadas de forma a obter um rápido crescimento, entre as quais predominam eucaliptos (65% das plantações do Brasil, 80% das do Uruguai) e pinheiros (49% das áreas de plantações da Argentina, 78% das do Chile). Além do papel dominante desses países, em quase toda a região existem também vastas superfícies de plantações florestais.

Madeira para celulose
Até hoje a maior parte das plantações de variedades de eucaliptos e pinheiros de rápido crescimento tem como destino a produção de celulose para papel, uma atividade industrial altamente poluente e exigente quanto à água e à energia (este setor é o 5º consumidor industrial mundial de energia). Obviamente ninguém pode negar as vantagens que trouxe à humanidade a fabricação industrial do papel, que em meados de 1800 permitiu seu barateamento e a divulgação da leitura e a escritura. Mas atualmente, a produção de papel ultrapassou em muito seu uso associado ao acesso à educação, e mesmo assim, esse simbolismo é usado com enorme força para intensificar a necessidade de produzir mais e mais papel. Contudo, em termos de usos de papel, a embalagem ultrapassa de longe os usos vinculados à educação, à informação e às comunicações, e a ela somam-se outros tantos artigos e produtos próprios da era do consumo descartável.

Isso prova a falsidade da premissa de que quanto maior o consumo de papel, maior o nível de educação. Basta comparar o indicador de consumo de papel e papelão com os indicadores de escolaridade. Disso resulta que, por exemplo, Cuba, com um consumo bem menor de papel do que os Estados Unidos, a Finlândia ou o Chile, registra, no entanto, taxas de acesso à educação terciária que estão acima do Chile e dos Estados Unidos (2).

Consumo de papel e papelão por pessoa ao ano (2005)
Europa: 132,39 kg. (Finlândia 324,97 kg)
Estados Unidos: 297,05 kg
América do Sul, América Central e o Caribe: 84,85 kg (Chile 64,57 kg; Cuba 8,63 kg)

Índice de educação: taxa bruta de matrícula em nível terciário (2006)
Finlândia 93%
Estados Unidos 82%
Chile: 48%
Cuba: 88%

Afinal, as desigualdades do consumo coincidem com as desigualdades intrínsecas do atual modelo dominado pelos interesses empresariais. Mas em todo caso assinalam que esse consumo desmedido é desnecessário aos efeitos das necessidades do desenvolvimento humano.

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CARTA ABERTA À SECRETARIA DE ESTADO DO MEIO AMBIENTE DO RIO GRANDE DO SUL

Porto Alegre, 21 de setembro de 2010.

No Dia Internacional Contra as Monoculturas de Árvores, 21 de setembro, nos dirigimos ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul, através do atual Secretário do Meio Ambiente e Presidente do Conselho Estadual do Meio Ambiente, Sr. Giancarlo Tusi Pinto, para afirmar que nós, organizações e movimentos sociais e ambientais do Estado do RS e do Brasil, em conjunto com representantes dos grupos de Amigos da Terra da América Latina e Caribe:

Estamos alertas e continuaremos resistindo, mobilizando a sociedade e denunciando os graves impactos ao ambiente e à biodiversidade, as violações de direitos humanos, a criminalização dos movimentos sociais e os conflitos sócio-ambientais causados pelo processo de expansão das monoculturas de árvores;

Nosso compromisso inegociável é com a defesa da biodiversidade e da integridade ambiental do nosso território e da garantia da democracia e do direito coletivo a um meio ambiente saudável como condição de realização de todos os outros direitos;

Seguiremos nos opondo e combatendo a instalação e consolidação do projeto da celulose no RS e em todo o bioma trinacional do Pampa, pois este só aprofunda a dependência à lógica da monocultura e representa a subserviência do Estado e dos governos às demandas das grandes empresas transnacionais e nacionais da celulose – e que é incompatível com um verdadeiro projeto popular baseado na construção de alternativas sócio e biodiversas;

Reafirmamos a autonomia do movimento ambiental dentro do qual seguiremos organizados, construindo alianças e fortalecendo a luta na sociedade por territórios livres de monoculturas, bem como publicizando os conflitos de interesse e ataques à legislação e às políticas ambientais cometidos pelos atuais e futuros governantes.

Queremos um futuro diverso, alegre e com desenvolvimento de sociedades sustentáveis com autonomia sobre seus territórios. Não queremos o MONOFUTURO que se impõe pela expansão das monoculturas.

Assinam:
Amigos da Terra Brasil – Porto Alegre
CasaTierra – Porto Alegre
Econsciencia – Porto Alegre
InGá – Porto Alegre
Utopia e Luta – Porto Alegre
Quilombo do Sopapo – Porto Alegre
Núcleo de Economia Alternativa – NEA/UFRGS – Porto Alegre
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – RS
MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens – SC
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais – Nacional
Amigos da Terra Argentina
CERDET – Amigos da Terra Bolívia
CENSAT Água Viva – Amigos da Terra Colômbia
Coordinacion de Jovenes del Cauca – Colômbia
COECO Ceiba – Amigos da Terra Costa Rica
Red de Cordinación en Biodiversidad – Costa Rica
CESTA – Amigos da Terra El Salvador
CEIBA – Amigos da Terra Guatemala
Haiti Survie – Amigos da Terra Haiti
Madre Tierra  – Amigos da Terra Honduras
Otros Mundos Chiapas – Amigos da Terra Mexico
SOBREVIVENCIA – Amigos da Terra Paraguai
REDES – Amigos da Terra Uruguai
ATALC – Amigos da Terra América Latina e Caribe
Justiça Ambiental – Amigos da Terra Moçambique
Radio Mundo Real
Instituto Biofilia – Porto Alegre
CEA – Centro de Estudos Ambientais – Pelotas/RS

O dia 21 de setembro, dia da árvore, organizações de resistência ambiental/ecológica e movimentos sociais, escolheram para marcar a luta contra a Monocultura de Árvores Exóticas, as lavouras de celulose.

Nesta terça, 21 de setembro, entidades ambientalistas vão fazer uma concentração para marcar a data, no Largo Glênio Peres/POA – Piquete Contra as Monoculturas de Árvores.

A atividade faz parte da 4ª edição da Escola de Sustentabilidade dos Amigos da Terra da América Latina e Caribe, promovida pela Amigos da Terra Brasil, entidade com sede em Porto Alegre e membro da Federação Friends of the Earth Internacional (FoEI), presente em mais de 70 países.

LARGO GLÊNIO PERES – Mercado Público – 10:00 HORAS

A empresa Fibria, que já foi Borregaard, Riocel, Aracruz, e que também já virou Celulose Riograndense ou Compañía Manufacturera de Papeles y Cartones (CMPC), de origem chilena, segundo notícia veiculada pela a imprensa da zona sul do RS, esta fazendo parceria com a ONG WWF (no original World Wildlife Fund) ou Fundo Mundial para a Natureza.

A empresa em questão é dona de diversos hectares de monocultura de árvores no pampa gaúcho, bem como de fabrica de celulose em Guaíba – RS, entre outras propriedades.

Segundo a notícia citada, representantes da WWF estiveram no município de Canguçu visando conhecer as atividades da papelera, com vistas a estabelecer parceria no programa da empresa denominado Poupança Florestal, negócio agrícola que tem como base plantação de eucalipto.

Cabe ressaltar que a maioria das ONGs gaúchas, dentra quais as mais antigas, assim como o CEA, repudia veemente iniciativas como o Diálogo Florestal, que esta mais para um “monólogo monocutural”. Como dialogar com quem burla as leis anbientais, compra terras de forma “ilegal”, faz lobby para retrocesso na legislação, “compra” políticos, degrada o ambiente, destrroi o Pampa e expulsa famílias do campo?

Para saber mais sobre tal “dialogo”, clique aqui

Na cozinha da COOPESI no Brasil Rural Contemporâneo - as delícias da Lagoa Mirim sendo produzidas. Foto de Cíntia Barenho

Cooperativa de Pescadores de Santa Isabel – Arroio Grandre/RS

por Cíntia Barenho

Passeando na praça de alimentação é possível encontrarmos a banca dos Pescadores de Santa Isabel. Desde 2002, eles se organizam através da Cooperativa de Pescadores de Santa Isabel (COOPESI-Arroio Grandre/RS). A conversa foi motivada, especialmente porque em tal área a ex-VCP (até o momento) cotava instalar uma Fábrica de Celulose.
Conversei com várias pessoas da cooperativa, que estão pela primeira vez participando de uma feira e oferecendo algumas das Delícias da Lagoa Mirim.

Na cooperativa estão associdadas cerca de 40 pessoas. Silvia Marisa Colvara, atual secretária da Colônia Z-24, conta que estarem cooperativados potencializou o trabalho deles, hoje estão fazendo feiras em Arroio Grande e Santa Isabel. Também participam de um convênio com a CONAB (Fome Zero) fornecendo diretamente filés e peixes inteiros para Companhia. Mensalmente entregam 1307kg, afirmou Iramar Kerchine também integrante da COOPESI. Para ele ainda há perspectivas de aumentar a quantidade fornecida, mas dependem da quantidade de chuva que pode vir a banhar a lagoa.

Na Lagoa a variedade de peixes é grande, tem Peixe-Rei, Traíra, Pintado, Jundiá, Dourado, Viola, Trairão, Corvina, Cascuda, Tainha. Silvia Marisa afirma que a variedade é grande e que eles precisam descrever todas para o IBAMA, pois se forem pegos com um tipo de peixe não descrito eles podem ser multados. Iramar comentou que antigamente tinha muito mais, mas com a Barragem Eclusa reduziu muito, prejudicando o trabalho deles.
Outro pescador, Jorge Alexande Teixeira, pescador desde os 10 anos, contou que existem pelo menos 2 tipos de peixe-rei: o bananinha e o bicudo. O que varia é o o tamanho deste.

Delícias da  Lagoa Mirim da COOPESI = Pintado Assado. Foto de Cíntia Barenho

Delícias da Lagoa Mirim da COOPESI = Pintado Assado. Foto de Cíntia Barenho


Mas e a Fábrica de Celulose?
Quando questionados sobre a Fábrica de celulose o descontentamento foi geral. Silvia Marisa disse que “é 100% ruim pra gente”. Ela contou que chegaram lá cheios de promessas de empregos, que iriam buscar o povo para trabalhar. Sobre tais empregos ela disse que dependiam do grau de escolaridade, certamente a população local não estaria na condição exigida ou seja, “imaginam que por seremos de campanha não conhecemos o que acontece lá fora”.
Para o pescador Jorge Alexandre “Barulho de prato não é comida”, se re
ferindo aos empregos que prometeram gerar com a fábrica. Ele disse que já há comentários na região que a empresa devolverá a terra comprada. Já para Iramar, a Fábrica e os Eucaliptos são ruins para a natureza: “a terra onde são plantados os eucaliptos demora muitos anos para se recuperar; o sustento da terra é tirado com os eucaliptos”.
Para todos que moram na Vila Isabel, uma fábrica de celulose só traria prejuízo para o trabalho que desenvolve a sua comunidade: a pesca.

Enfim, parece que as alternativas econômicas para a metade sul passam longe por um único e exclusivo modelo de “desenvolvimento”.

Para quem for na Feira da Agricultura Familiar – Brasil Rural Contemporâneo – confira as Delícias da Lagoa Mirim da COOPESI – Strogonoff de bochecha (de traíra), Moqueca Santa Isabel, Pintado Assado

Infelizmente não encontramos fotos de pequenas agricultoras rurais do Pampa. Sendo assim, ilustramos com o humor do Eugenio Neves

Recebido por email pelo companheira de lutas ecológicas de Herval

por Marília G.*

A falta de políticas públicas que propiciem melhores condições de vida para os pequenos produtores rurais no Brasil e particularmente no Pampa onde eu vivo, permite que as coisas por aqui cheguem sem causar muito impacto, chamadas até de “soluções econômicas viáveis” em nome do dito “desenvolvimento”.

Sem ir muito longe a um passado distante, deixando de avaliar a ocupação européia- visto que para falar sobre isto temos muitos, e bons, especialistas historiadores- me atenho em citar fatos mais, bem mais, recentes.

Por volta do ano de 2003, 2004 começamos a viver a realidade de monocultivo do eucalipto no Pampa, mesmo que alguns membros da academia insistam em afirmar que o eucalipto é tão antigo no Pampa quanto o europeu, aproveito aqui para esclarecer que quando os europeus ocuparam estas terras com plantéis gigantescos na fronteira mais a oeste, sentiram falta de sombra para o gado, já que a vegetação lá é basicamente pasto e espécies arbustivas, então trouxeram o eucalipto que era plantado em pequenos bosques, e assim que maturava tinha sua madeira utilizada para alambrados, construções e coisas do gênero. Então, sim temos eucalipto a muitos e muitos anos no Pampa, mas não podemos – e é um absurdo- comparar aqueles pequenos bosques com os monocultivos realizados nos dias de hoje. Na época da implantação das lavouras a falta de conhecimento da população sobre as plantações e a miséria a que este povo foi sempre submetido a viver tornou o processo todo muito fácil. Não só a compra de terras de latifundiários falidos, como a mão-de-obra barata e submissa, já que as condições de trabalho são péssimas.

Como consequências imediatas deste plantio desordenado, podemos citar a invasão de formigas, a invasão de pássaros de pequeno porte as propriedades vizinhas, a diminuição notável de muitos animais silvestres, o aparecimento perto de residências de animais antes encontrados apenas em matos densos, a contaminação das sangas por secantes, fertilizantes, formicidas utilizados nas lavouras, o desaparecimento de “olhos d’água” e pequenos açudes próximos ou dentro das lavouras.

Agregando este fato a inúmeros problemas mundiais – todos eles ligados ao “desenvolvimento”- tivemos entre fim de 2005 e início de 2006 a pior seca já vista não só no Pampa, mas em todo Estado e também na Argentina e Uruguai, na época ainda me lembro que a RBS noticiou que “aquela seca poderia ser comparada a seca de 62” induzindo as pessoas a pensarem se tratar de um ciclo natural, mas felizmente temos pessoas com memória, minha vizinha é uma destas que além de memória, anota tudo e garante”- a seca de 62 não foi pior que esta, esta foi mais extensa e mais ventosa.” Bom, passada a seca, e depois de vários investimentos pessoais – como já disse não existe política pública pro pequeno- para enfrentar as próximas secas que viriam, tivemos em 2007 períodos curtos de seca durante todo o ano, em 2008 já tivemos um ano bem mais agradável, as pessoas conseguiram plantar e colher – o que a caturrita e o javali não comiam- e nos adaptávamos diante das novas “pragas”.

Veio então o setembro de 2009, em nossa região os setembros sempre são terríveis, tem inúmeras músicas nativistas que contam com beleza o terror dos temporais. Mas, este ano o que se conhecia de temporal não foi suficiente para diminuir o pânico vivido por todos que moram no sul do Pampa Gaúcho. Foram ao todo, de setembro à dezembro 23 temporais, com tornados, muitos raios, muito vento, muita chuva, gerou inundações onde faz seca, arrancou casas inteiras, deixou um número incalculável de famílias na rua,mais de uma vez, em muitos lugares mais de duas ou três vezes. Arrancou escolas inteiras, escolas estas que as prefeituras não querem reerguer, facilitando o processo de urbanização das crianças rurais. Bem, foram muitos estragos materiais e imateriais, ainda hoje por onde andar por aqui vai ver e ouvir coisas acontecidas naqueles meses.

Hoje então, estamos sendo obrigados a conviver com o monocultivo de soja transgênica, que está entrando com força total, no município de Jaguarão as lavouras já passam de 14.000ha onde se deixou de plantar trigo, milho entre outros grãos, e também diminuiu drasticamente o rebanho bovino. Geograficamente, Herval não se presta pra este tipo de plantio, mas temos agora nas mãos da CTNBio a aprovação do milho transgênico, algo que vai nos danar e muito. O milho, pra quem não sabe, é a base da agricultura camponesa, é o alimento principal de todos os animais criados na volta da casa – galinhas, patos, gansos, porcos, coelhos, vacas de leite, terneiros, ovelhas guaxas e os companheiros – cavalo e cusco-  e muitos utilizam comer o milho, seja verde deliciosamente cozido, ou depois de seco moído como farinha, comido em encantadores bolos ou polentas e outras mil coisas que dele podem ser feitas.
Recentemente tive a oportunidade de assistir o filme “O mundo segundo a Monsanto”, e ali, muito comprovadamente é mostrado o dano que estas aberrações já fizeram e estão fazendo no ser humano. O veneno RR – Roundup Red – utilizado nas lavouras transgênicas das sementes da Monsanto ganhou uma popularidade incrível pela sua eficácia na “limpeza” das lavouras, o que o produtor levaria seis dias para capinar, hoje passando o RR faz em um dia sozinho.

É realmente impressionante, mas existem mil coisas que podem ser citadas como o mal que este veneno é, me surgiu então uma preocupação bem particular, voltada a pequena propriedade, obviamente que pra  passar o veneno em uma lavoura de um dois até cinco hectares, não vai se utilizar avião, então as pessoas usam o pulverizador costal, fazem manualmente as misturas e colocam nas suas costas, não usam máscaras, luvas ou botas, óculos protetor nem pensar. O pior é que isso não está só nas lavouras, as pessoas estão usando isso em todas as situações imagináveis, na horta, no jardim, no pátio, na sombra da árvore, no caminho do gado, no passo que liga a sanga ao campo… é um absurdo!!

É um genocídio, feito pelas indústrias do mundo “transgênico”, aceita pelos governos, todos, e agente fica aqui, se unindo e lutando para tentar mudar esta realidade!!

E agora virá então o eucalipto transgênico para alta produção de celulose.

Vamos lutando!

*Marília G. (Assentamento Tamoios de Herval- RS)

santiago_pampa3por Cíntia Barenho

Já faz um ano que o dia 17 de dezembro foi oficialmente instituído como o Dia Nacional do Bioma Pampa e poucos (ou quase nenhum) são os avanços no que tange a preservação e conservação desse bioma único no Brasil. Mesmo contando agora com um “dia nacional” os órgãos ambientais Federal e, principalmente o Estadual, parecem seguir de “costas” para o Bioma Pampa. Inclusive, “curiosamente”, hoje nada tratam do tema em seus sítios eletrônicos.

O Pampa sul-rio-grandense abrange cerca de 180 mil Km2, o que equivale a cerca de 60% da área do RS. O Pampa é caracterizado por uma vegetação campestre, que predomina em relevos de planície, e por uma vegetação mais densa, arbustiva e arbórea, nas encostas e ao longo dos cursos de água, além da ocorrência de banhados e áreas úmidas. Além disso, as terras pampeanas ocupam uma área de aproximadamente 700 mil km2 entre os países da Argentina, Uruguai e Brasil (Schnadelbach & Picoli, 2007).2encruzilhada-do-sul-rs-brasil-by-cintia-barenho-2008
No Rio Grande dos Sul apenas 39% de sua área total ainda é constituída por remanescentes de campos naturais (Pillar apud Buckup, 2007). E mesmo com uma imensa riqueza de biodiversidade e significantes endemismos (ou seja, espécies que só ocorrem nesse ecossistema) apenas 0,46% do Pampa gaúcho está protegido em Unidades de Conservação.

Mesmo assim e em ritmo acelerado, os campos estão sendo convertidos em lavouras e plantações de árvores exóticas. Segundo Pillar (2006), entre os anos de 1970 e 2005 mais de 4,7 milhões de hectares de pastagens naturais foram modificadas.

Atualmente o RS tem uma área de mais de 500 mil hectares de monoculturas de árvores exóticas e, segundo projeções, deverá ter cerca de um milhão de hectares de plantações de pinus, eucalipto e acácia até 2015. A metade sul do RS, onde predomina o bioma, desde 2003 tem sofrido a ofensiva dos mega-projetos de três grandes empresas de celulose e papel (Aracruz, Votorantin e Stora Enso). Tais empresas já estão transformando o bioma Pampa e sua biodiversidade em imensos maciços de eucalipto, ou seja, em desertos verdes.  Não obstante, além de transformar a biodiversidade do Pampa em desertos verdes também instalarão, pelo menos, três fábricas de celulose.
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E o poder público? Enquanto o Governo federal se omite, ou melhor, apenas cria um data comemorativa, o Governo estadual “faz de tudo” para não preservar centímetro qualquer do Pampa.  A cúpula do atual poder público estadual (gestão Yeda Crusius) assumiu os investimentos do setor da celulose e papel como projeto de governo e vem incentivando de diferentes formas a consolidação deste setor no Estado. Estas formas de incentivo incluem, sobretudo, a flexibilização e o descumprimento da legislação ambiental (por exemplo, excluindo ou postergando a apresentação do Estudo Prévio de Impacto Ambiental em empreendimento de florestamento ou reflorestamento para fins empresariais com menos de 1000 hectares). Além disso, os licenciamentos ambientais dos plantios de eucaliptos estão sendo liberados de forma precária, descumprindo regras e sem a conclusão do Zoneamento Ambiental para atividade de Silvicultura (ZAS), desenvolvido pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental e da Fundação Zoobotânica. É importante ressaltam que com o ZAS finalizado, o mesmo foi desqualificado e rechaçado pelas empresas, por algumas entidades e sindicatos e, pasmem, pelo próprio governo, uma vez que o zoneamento limitava plantios de pínus e eucalipto em grande escala e em determinadas áreas do RS.Sendo assim, resta concluir que o descomprometimento real com a questão ambiental e que a falta de políticas efetivas de preservação e de conservação do bioma Pampa tem permitido e incentivado que o mesmo seja convertido em monoculturas de eucaliptos.
Autoria de Cíntia Barenho

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O Centro de Estudos Ambientais (CEA) é a primeira ONG ecológica da região sul, constituída em Rio Grande/RS/Brasil, em julho de 1983.

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