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E tem gestor público brasileiro defendendo que não há perigo com a energia nuclear. Além disso, cabe lembrar a denúncia feita pela ecofeminista Yuko Tonohira  sobre a Violência contra mulheres por parte do Estado Japonês, uma vez que este defendia não haver riscos para mães e seus filhos.

Crianças japonesas apresentam nódulos na tireoide depois de acidentes em Fukushima

Aproximadamente 38 mil crianças e adolescentes que vivem na região de Fukushima, no Norte do Japão, foram submetidas a testes para verificação do funcionamento da tireoide. Em 36% das crianças examinadas, foram identificados nódulos, mas não houve confirmação de tumor maligno. Mais de 52 mil pessoas ainda estão fora de suas casas em um raio de 20 quilômetros ao redor da Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, desde os acidentes de 2011.

As autoridades decidiram pelos testes após verificar que algumas crianças de províncias vizinhas à Usina de Fukushima Daiichi foram detectadas com nódulos na tireoide. Porém, o governo de Fukushima desconsidera a possibilidade de adotar medidas adicionais.

Os especialistas advertem que o iodo radioativo liberado pela usina durante os acidentes nucleares poderá se acumular nas glândulas tireoides das crianças e aumentar o risco de câncer. Em março de 2011, a região de Fukushima foi atingida por um tsunami, após um terremoto, o que causou vazamentos e explosões radioativas. Desde então, o Japão está em alerta e redobrou os cuidados com a energia nuclear.

Em março de 2013, serão realizados novos testes em 4,5 mil crianças e adolescentes, em três províncias vizinhas de Fukushima. O governo espera assim aliviar a preocupação dos japoneses e detectar eventuais efeitos da radiação libertada pela central nuclear sobre as crianças.

Com informações da Agência Brasil

Fonte: Sul21

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Marcha das Mulheres na Cúpula dos Povos 18.06

Violência nem no Lar, nem Nuclear! Marcha das Mulheres na Cúpula dos Povos. Foto: Cintia Barenho/CEA

Lá do outro lado do atlântico, japoneses (as) enfrentam a madrugada chuvosa para impedir que Usina Nuclear seja reativada. Havia uma previsão de fechamento de todas as usinas nucleares no Japão, como pode-se ler aqui, no entanto…

Ao vivo podemos acompanhar AQUI e/ou acessar outras câmeras aqui

Em março havia um artigo intitulado “Japão mostrou que energia nuclear é segura”, no qual o autor – assistente da Presidência da Eletronuclear S.A. – afirmava que: “…Essas consequências foram bastante limitadas quando comparadas às dimensões da terrível tragédia humana, social, econômica e ambiental causada por esse fenômeno natural excepcionalmente severo. O fato desse acidente não ter causado vítimas fatais pela radiação confirma que a energia nuclear é essencialmente segura.” Nada como desviar o foco. O que será que o mesmo tem para defender agora que o Japão desliga seus 54 reatores nucleares??

Nesse sábado, 05 de maio, os 54 reatores nucleares japoneses estarão parados, talvez para sempre. Foto: Wikimedia

Ansioso, o Japão se prepara para a vida sem energia nuclear   por Justin McCurry

Esse fim de semana o Japão começará um experimento ambicioso de uso de energia que ninguém pensava possível — até que a usina de Fukushima Daiichi sofreu um triplo super aquecimento, faz apenas um ano. No sábado, quando a companhia de eletricidade Hokkaido fechar para manutenção o reator número 3 da usina de Tomari, a terceira maior economia do mundo não terá reatores nucleares funcionando pela primeira vez em quase 50 anos.

O fechamento do último dos 54 reatores japoneses marca uma mudança dramática na política energética, porém enquanto os ativistas se preparam para celebrar, o apagão nuclear nacional chega ligado a riscos econômicos e ambientais expressivos.

A crise de Fukushima detonada pelo letal terremoto e tsunami forçou o Japão a repensar profundamente sua relação com a energia atômica.

O fechamento de Tomari vem quando o Japão se prepara para um longo e úmido verão que levará dezenas de milhões de pessoas a buscar o controle dos seus aparelhos de ar-condicionado, aumentando o perigo de falhas no fornecimento de energia e mais danos para as indústrias, que ainda se recuperam do terremoto.

Em um relatório publicado essa semana, a agência nacional  de políticas públicas do governo projetou uma escassez de 5% de energia em Tóquio, enquanto as próprias empresas de energia preveem uma carência de 16% de energia na região oeste do Japão, onde está Osaka, uma das suas maiores cidades industriais.

“Eu tenho que dizer, nós enfrentaremos um grave risco de falta de eletricidade”, disse Yukio Edano, ministro da economia, comércio e indústria. Ele acrescentou que o custo extra de importação de combustível para uso nas usinas termoelétricas  poderá ser repassado aos consumidores através de contas de luz mais caras.

Antes do desastre de 11 de março de 2011, o Japão dependia da energia nuclear para suprir 30% da sua eletricidade, e havia planos para aumentar essa  participação para mais de 50% até 2030, com a construção de novos reatores.

Com o acidente, o lançamento de imensas quantidades de radiação no ar e no mar, a contaminação da comida e das fontes de água e a evacuação de dezenas de milhares de residentes demoliram a visão de um futuro dominado por energia nuclear e baixas emissões de carbono.

Nos últimos 14 meses, dúzias de reatores nucleares não diretamente afetados pelo tsunami foram desligados para se submeterem à testes de segurança e manutenção rotineira. Enquanto isso, as distribuidoras buscaram usinas movidas a carvão, óleo e gás para manter o fornecimento de eletricidade para a indústria e os lares. As importações desses insumos contribuíram para gerar, no ano passado, o primeiro déficit comercial do Japão em mais de 3 décadas.

O Japão, que já é o maior importador mundial de gás natural liquefeito, comprou quantidades recorde no ano passado para substituir a energia nuclear. A agência internacional de energia estima que o fechamento de todas as usinas nucleares aumentará a demanda japonesa por petróleo para 4,5 milhões de barris/dia, com um custo adicional em torno de 100 milhões de dólares por dia.

As últimas investidas de Yoshihiko Noda, primeiro ministro, de obter apoio para um reinício precoce de 2 reatores da Usina Oi, no oeste do Japão, falharam em meio a uma oposição pública cada vez mais dura contra a energia nuclear.

Nenhum dos reatores ociosos do Japão terá permissão de ser reiniciado até que passem por rigorosos “testes de estresse” — simulações planejadas para testar a capacidade de resistir a eventos catastróficos como o tsunami de 14 metros de altura que nocauteou o sistema reserva de energia da usina de Fukushima Daiichi, e disparou o pior acidente nuclear mundial desde Chernobyl.

Enquanto há especialistas que criticaram os testes de estresse duplos, a volta imediata, mesmo a uma produção limitada, da energia nuclear parece impossível.

Pela lei, a aprovação da população local não é necessária para o reinício. Mas Noda não está inclinado a correr o risco de um colapso político causado por ignorar a opinião local: em uma pesquisa recente, feita pelo Noticiário Kyodo, 59,5% se opunham ao recomeço das operações da usina nuclear Oi, na região administrativa de Fukui, enquanto 26,7% apoiavam a medida.

Na liderança do movimento para reiniciar os reatores está a Keidanren, o influente lobby dos negócios. Em pesquisa recente, 71% dos industriais disseram que a falta de energia poderia forçá-los a cortar a produção, enquanto 96% disseram que o espectro de preços de eletricidade mais altos reduziria o faturamento. O Instituto de Economia da Energia alertou que manter os reatores em compasso de espera pode limitar o crescimento do PIB a apenas 0,1% esse ano, pois as indústrias reduzirão a produção ao mesmo tempo em que pagam mais caro por energia derivada de petróleo.

Críticos da paralisação nuclear também enfatizaram o impacto negativo que mais combustível fóssil para gerar energia terá nos compromissos assumidos pelo Japão na área de mudanças climáticas. E mesmo grandes investidores em energia alternativa, como o principal executivo do Softbank, Masayoshi Son, admitiu que levará tempo para que essas opções tenham impacto real na matrix energética do país.

Esses investidores ficarão exultantes com o resultado de um novo painel do ministério do meio ambiente, o qual afirma que o Japão ainda pode reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 25% até 2030 (comparadas aos níveis de 1990) através da economia de energia e da adoção mais veloz de fontes renováveis. Espera-se que elas representem entre 25% e 35% da geração total de energia em 2030.

“Se o Japão tiver a motivação, pode também realizar isso”, afirma Sei Kato, diretor de promoção da sociedade de baixo carbono no ministério do meio ambiente. “Nós temos o know-how tecnológico”. Colocando de lado os riscos de curto prazo, grupos ambientalistas dizem que a paralisação desse sábado é uma oportunidade sem precedentes para o Japão se livrar da dependência da energia nuclear.

“Esse é um momento decisivo para o Japão, uma enorme oportunidade para que se mova em direção ao futuro de energia sustentável que o seu povo demanda”, afirmou o Greenpeace no seu relatório sobre a revolução da tecnologia energética. “Com abundância de recursos para energia renovável e tecnologia de vanguarda, o Japão pode facilmente se tornar um líder na área, enquanto simultaneamente acaba com sua necessidade da tecnologia nuclear, que é cara e arriscada”.

Na terça, as pessoas que trabalham em escritórios deram sua contribuição com o início, um mês antes do habitual, do esforço apelidado de “cool biz” (algo como “negócio bacana”) para reduzir o uso de energia. Mas trocar ternos e gravatas por camisas de manga curta, e reduzir o uso de aparelhos de ar-condicionado é fácil enquanto durarem as temperaturas amenas da primavera. O grande teste de força de vontade pós Fukushima ainda está para vir.

Fonte: O ECO

Para onde era (e ainda é levado) o lixo nuclear gerado pelas usinas de Angra?

Usinas nucleares de Angra terão sistema de armazenamento de lixo atômico em três anos

A Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras que administra a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, vai concluir a construção da primeira célula-demonstração para contenção do lixo atômico das usinas nucleares dentro de três anos, conforme informou o presidente da estatal, Othon Luiz Pinheiro. Ele garante que o sistema de armazenamento dos rejeitos nucleares é seguro.

A técnica adotada faz o encapsulamento de cada célula do combustível e, depois, o encapsulamento do conjunto de elementos combustíveis atômicos. “É uma proteção a mais”, observa Othon Pinheiro.

Segundo ele, o armazenamento não será imposto a nenhum município, mas aquele que se dispuser a estocar esse lixo será remunerado. “[O município] ganhará royalties por isso. Se nós tivermos a competência para demonstrar que [o sistema] é seguro, vai ter muito município com densidade populacional baixa, sem utilização para terrenos públicos, que vai ganhar com isso, sem nenhuma consequência para a população”.

Apesar de o programa nuclear brasileiro estar sendo revisto, em função do acidente que abalou a Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, há um ano, Othon Pinheiro acredita que não há razão para interromper a construção de centrais nucleares no país.

Em construção, Angra 3 deverá entrar em funcionamento em 2016 e vai gerar 1.405 megawatts (MW) de energia. Somando com a produção das outras duas usinas em funcionamento, Angra 1 e 2, contribuirá para a geração de 60% da energia consumida no estado do Rio de Janeiro. Othon Pinheiro destacou que, nos últimos dez anos, a contribuição de energia térmica nuclear ao sistema integrado nacional fica, pelo menos, dentro da média de 2.015 MW.

Para o presidente da Eletrobras, o acidente de Fukushima, um grande vazamento de radiação depois que os reatores foram sacudidos por um forte terremoto terremoto seguido de tsunami, em março do ano passado, acabará provando que a energia nuclear dificilmente será abandonada onde é adotada no mundo.

Mesmo descartando problemas similares aos de Fukushima, a Eletronuclear decidiu construir o prédio do reator de Angra 3 à prova de terremoto. De acordo com Othon Pinheiro, a rotina de trabalho na central nuclear brasileira prima pela segurança e pela qualidade de treinamento do pessoal.

Fonte: Agência Brasil

por Yuko Tonohira*

Estou aqui para falar com você sobre o impacto do desastre nuclear no trabalho reprodutivo, e muitas vezes são as mulheres que estão sobrecarregadas com várias lutas na vida cotidiana. Primeiro, eu gostaria de atualizá-lo com alguns fatos.

O desastre nuclear de Fukushima está longe de terminar.

Os reatores ainda estão vazando substâncias nucleares radioativas.

O governo ainda não está nos dizendo que há riscos para a saúde
No momento nós não podemos ver como os efeitos da radiação vão ser, mas precisamos esperar pior do que o que já sabemos.
Claramente, área muito mais ampla em torno da planta Fukushima precisa ser evacuada.

No rescaldo do acidente nuclear, o governo japonês não nos dizem os níveis de contaminação no ar, a água, o solo, a comida. Em vez disso, eles disseram que não há efeitos imediatos para a sua saúde.

O governo, com ajuda da mídia, pediu às pessoas para continuar com suas vidas e até mesmo continuar a comer produtos da área de Fukushima, alegando que ser um ato patriota. Se você ligasse a tv que você veria celebridades mordendo vegetais das área atingidas por desastres e dizendo que é delicioso, e seguro.

O governo informou às mulheres grávidas e mães com crianças que a água é segura para beber e, mesmo se eles comerem alimentos contaminados, não terá efeitos na saúde. Disse também que o leite do seu seio é completamente seguro, e que se elas ficam muito preocupadas com a radiação haverá efeitos negativos para seus bebês.

As mulheres são mentalmente confundidas, entre a propaganda de segurança por parte do governo e a luta contra as ameaças diárias de radiação que é invisível, mas certamente deve contaminá-las.

Mais uma vez, tudo o que ouvem do governo é que não há efeitos imediatos para a saúde.

Devo evacuar? Ou devo ficar?
Que devo comer ou não?
Devo usar uma máscara?
Devo fazer os meus filhos usam máscaras?
Devo deixá-los jogar ao ar livre?
Eu deveria levantar a minha voz ou manter minha boca fechada?

Estas são as perguntas que todos se fazem todos os dias.

Por aqui, nós também vivemos sob o mesmo sistema baseado no mito de segurança e mentiras.

A energia nuclear é originada do desenvolvimento de tecnologia militar, em meados do século 20. Desde que a energia nuclear foi introduzida no Japão pelas corporações dos EUA, como a GE e a Westinghouse, durante a década de 50, manteve-se como um importante programa nacional, para o bem das relações de ‘segurança’ EUA-Japão.

Agora, as pessoas em Fukushima foram feitas de pesquisa para os experimentos nucleares. Isso é uma pesquisa sem tratamento.
Em setembro do ano passado o governo deu às crianças e mulheres grávidas crachás de dosímetros de pequena radiação. Os resultados são recolhidos pelo governo local a cada três meses e enviados para o centro nacional de câncer. O governo decidiu também que mais de 360 mil pessoas, além de recém-nascidos serão ao longo da vida objetos de exame de câncer de tireóide. Se o objetivo desta pesquisa é o de proteger as vidas humanas, deveriam ser evacuados para um lugar mais seguro em primeiro lugar.

Tantas vidas e recursos naturais são sacrificados apenas para a energia nuclear permanecer aqui, com ou sem acidentes.

Então, o que os japoneses estão fazendo? Para resumir:
-Desde 11 de março as pessoas foram rapidamente educar-se sobre diferentes tipos de materiais radioativos e seus vários efeitos ao corpo humano.
-Eles estão monitorando o nível de radiação em suas próprias comunidades, com os seus próprios contadores Geiger em suas mãos. Essas atividades baseadas na comunidade começou muito autônoma, fora da sua necessidade de obter informações mais ninguém oferece.
-As mulheres, especialmente aquelas com filhos estão protestando contra as autoridades. Na semana passada, as mulheres de todo o Japão começaram a ocupar ruas em torno do ministério da economia, e manter negociações diretas com funcionários governamentais para exigir a evacuação das crianças, a divulgação de todas as informações contaminação de alimentos e etc.

Um mês atrás, uma mãe de Fukushima visitou NY para falar sobre sua experiência. Ela disse para nós, que se pergunta se Fukushima aconteceu para toda a humanidade para mudar nossa percepção sobre o valor monetário, e para todos nós percebermos quão valiosos são nossos bens comuns: o ar, solo, água.

A luta pela abolição das armas nucleares envolve todos os elementos do nosso mundo que ainda é controlada pela sociedade altamente consumista baseada no capitalismo à custa do bem-estar humano. Como eu disse anteriormente, as mulheres são as mais fortemente opostas à propaganda do governo sobre o patriotismo e sacrfifício. Elas estão lutando para resistir a essa lógica suicida, o que exige de suas famílias consumir produtos radioativos para mostrar ao mundo que tudo está bem neste país e que energia nuclear é algo que podemos conviver. Sua resistência precisa do nosso apoio. Por favor, conecte-se conosco e preste atenção em nossas atividades aqui e no Japão.

*Yuko Tonohira é militante ecofeminista japonesa da luta anti-nuclear, que atualmente mora nos EUA. Tradução Ticiana Gabrielle Amaral Nunes.

Manifestante segura cartaz em protesto contra a energia nuclear em frente à Tokyo Electric Power, em Tóquio

Manifestante segura cartaz em protesto contra a energia nuclear em frente à Tepco: reatores estão sendo submetidos a operações de resfriamento.Toru Yamanaka/AFP

Documento mostra que milhares de pessoas em todo o mundo ainda vivem sob a ameaça de acidentes nucleares

Um ano após o desastre de Fukushima, no Japão, o mundo ainda não aprendeu a lição. Um relatório produzido pelo Greenpeace mostra que milhares de pessoas em todo o mundo ainda correm o risco de enfrentar acidentes nucleares.

Intitulado “Lições de Fukushima”, o documento aponta que o acidente não foi causado por um desastre natural, mas por uma série de falhas do governo japonês, de órgãos reguladores e da indústria nuclear.

“Embora causado pelo tsunami de 11 de março, o desastre de Fukushima foi, em última instância, culpa das autoridades japonesas, que optaram por ignorar os riscos e fazer dos negócios uma prioridade mais alta que a segurança”, disse Jan Vande Putte, da campanha de energia nuclear do Greenpeace Internacional.

“Este relatório demonstra que a energia nuclear é insegura e que os governos são rápidos em aprovar reatores, mas continuam mal preparados para lidar com problemas e proteger as pessoas de desastres nucleares. Esta situação não mudou desde o desastre de Fukushima e é por isso que milhares de pessoas continuam expostas a riscos nucleares.”

O relatório chega a três importantes conclusões para explicar a tragédia e suas consequências. A primeira delas é que as autoridades japonesas e a empresa que operava a planta nuclear de Fukushima conheciam, mas ignoraram, os riscos de um sério acidente.

Em segundo lugar, ficou claro que, mesmo um país preparado para desastres de grandes proporções, como o Japão, ficam de mãos atadas diante da magnitude de um desastre nuclear. Os planos de emergência nuclear e de evacuação falharam em proteger os cidadãos.

Por fim, centenas de milhares de pessoas ainda não puderam refazer suas vidas devido à falta de apoio e compensação financeira. O Japão é um dos poucos países onde, por lei, as empresas que operam as plantas nucleares são responsáveis por bancar os custos de um desastre. Na prática, após um ano da tragédia, os afetados pela tragédia continuam desamparados. Os contribuintes japoneses é que terminarão arcando com todos os custos.

Corrente humana contra a energia nuclear

O próximo domingo, 11 de março, marca o primeiro ano do desastre nuclear de Fukushima. O acidente promoveu uma revisão global dos padrões de segurança das usinas nucleares. Países como a Alemanha anunciaram um plano de desligamento de suas usinas.

Na contramão deste processo, o Brasil dá continuidade à construção do terceiro reator do complexo de Angra e prevê a construção de mais plantas nucleares por todo o país.

Fonte: Greenpeace (adaptado para o blog do CEA)

Levantamento em 23 países mostra crescente oposição à construção de novas usinas. Usina nuclear na França, em foto de arquivo (AFP)

Levantamento em 23 países mostra crescente oposição à construção de novas usinas. Usina nuclear na França, em foto de arquivo (AFP)

A rejeição da opinião pública global ao uso de energia atômica aumentou após o acidente com a usina nuclear de Fukushima, no Japão, segundo indica pesquisa encomendada pela BBC.

Na média geral entre os 12 países que já têm usinas nucleares ativas – Brasil incluído –, 69% dos entrevistados rejeitam a construção de novas usinas, enquanto 22% defendem novas estações. No Brasil, 79% dos entrevistados dizem se opor à construção de novas usinas.

Esses 79% incluem pessoas que acham que o Brasil deve usar as usinas nucleares que já tem, mas não construir estações novas (44%), e pessoas que acham que, como a energia atômica é perigosa, todas as usinas nucleares operantes devem ser fechadas o mais rápido possível.

Apenas 16% dos entrevistados brasileiros acham que a energia nuclear é relativamente segura e uma importante fonte de eletricidade e que, portanto, novas usinas devem ser construídas.

A pesquisa, em 23 países, indica que após o acidente de Fukushima, em março, aumentou a oposição à energia nuclear, tanto em países que a promovem ativamente, como Rússia e França, como em países que ainda planejam a construção de usinas.

Em comparação com resultados de 2005, o levantamento “sugere que houve um elevado aumento na oposição à energia nuclear” em parte dos países, enquanto cresce a defesa da economia de energia e o uso de fontes renováveis em vez da energia nuclear.

Rejeição e apoio

As maiores rejeições à ampliação do uso da energia atômica são observadas na França, no Japão, no Brasil, na Alemanha, no México e na Rússia.

Em contrapartida, em países como China, Estados Unidos e Grã-Bretanha, ainda é representativa a quantidade de pessoas que consideram a energia nuclear segura – 42%, 39% e 37%, respectivamente.

“A falta de impacto que o desastre nuclear de Fukushima teve na opinião pública nos EUA e na Grã-Bretanha é digna de nota e contrasta com a crescente oposição às usinas nucleares novas na maioria dos países que acompanhamos desde 2005”, declarou o presidente da empresa de pesquisas GlobeScan, Doug Miller.

“O maior impacto foi observado na Alemanha, onde a nova política do governo (de Angela) Merkel, de fechar todas as estações de energia nuclear, é apoiada por 52% dos entrevistados”, disse.

A visão alemã reflete a opinião pública do resto da Europa, continente em que “a maioria dos países pesquisados tem uma visão negativa com relação ao uso de energia atômica para gerar eletricidade”.

Realizado pela GlobeScan a pedido da BBC, o levantamento ouviu 23,2 mil pessoas em 23 países (12 deles já operando usinas nucleares), entre junho e setembro. A margem de erro é de 3,1 a 4,4 pontos percentuais.

Este foi o primeiro ano em que o Brasil participou da pesquisa.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/11/111124_pesquisa_nuclear_bbc_pai.shtml

 

Clique na imagem e acesso o link para transmição via internet. Maiores informações acesse AQUI

“Não aos fundos climáticos e públicos para a energia suja”

 Saudações cordiais da Aliança Global para Alternativas à Incineração / Aliança Global Anti-Incineração (GAIA)

GAIA tem a honra de convidar os nossos estimados membros e amigos/as de todas as regiões para se juntarem à nossa celebração anual do Dia de Ação Global (DAG) contra o lixo e a incineração.

DATA: De acordo com a sugestão de alguns participantes do DAG do ano passado, este ano se celebrará dia 30 de Setembro. Como esse pode não ser o momento mais adequado para todos, os grupos participantes têm a opção de organizar suas atividades uns dias antes ou depois de 30 de Setembro. O ideal seria, como é óbvio, se a maioria das atividades se pudessem organizar a 30 de Setembro, de maneira a conseguirmos uma melhor projeção global.

TEMA: O financiamento de incineradores e outras tecnologias sujas de eliminação de resíduos é um problema comum para os membros do GAIA no mundo inteiro. Nossa capacidade de desviar os fundos dos projetos de incineração sem dúvida ajudará não só a obstruir como também, em última instância, a acabar com os incineradores e a abrir o caminho para soluções reais de LixoZero. Aliás, nosso sucesso em influir no curso dos processos nacionais e mundiais para a criação de fundos para o clima que excluam a financiamento de tecnologias sujas sem dúvida dará lugar à redução do número de projetos de incineradoras e aterros, conforme se reduza o financiamento. Por estas razões, o DAG deste ano colocará em relevo os aspetos financeiros que nos ajudarão a conseguir em conjunto os seguintes objetivos:

  1. deter as subvenções públicas para a incineração de resíduos
  2. acabar com os subsídios climáticos para os incineradores e aterros sanitários
  3. assegurar que os fundos nacionais e mundiais para o clima (incluindo o novo Fundo Verde para o Clima) promovam sistemas de Lixo Zero

Como GAIA, não queremos nem que o dinheiro dos contribuintes seja esbanjado, nem que se gerem incentivos fiscais para a construção e o funcionamento de incineradores, aterros e outras instalações poluentes. Como GAIA, não queremos créditos de carbono para as más tecnologias que não só aumentam as emissões de gases de efeito de estufa, como também perpetuam a injustiça climática e reduzem as oportunidades de emprego no setor da reciclagem (por exemplo, os catadores de lixo e os recicladores formais).

Como GAIA, queremos que o Fundo Verde para o Clima, bem como outros fundos climáticos, incluindo a ajuda para o desenvolvimento e a cooperação dos organismos financeiros nacionais e multilaterais, não repita os erros do MDL subsidiando os incineradores e aterros sanitários, e, no seu lugar, apoie a prevenção e redução de resíduos, a separação na origem, a reciclagem, a compostagem, a biodigestão e a plena integração social.

ATIVIDADES: O DAG oferece uma oportunidade única para o ativismo global e tanto o alcance como o tipo de atividades que se podem levar a cabo dependerão da energia, o engenho e a criatividade dos participantes. Aqui vai uma lista aberta de atividades que vocês poderão eventualmente colocar em prática:

  • Assinar, traduzir e incentivar outros, tanto indíviduos como grupos, a assinar a Declaração global do Gaia sobre o financiamento climático (irão recebê-la prontamente)
  • Adotar o modelo do nosso comunicado de imprensa do DAG e dar ampla difusão a seus contactos com os media
  • Organizar atividades educativas para sensibilizar seus membros, bem como líderes comunitários e ativistas, sobre temas de financiamento climático
  • Reunir-se com redes de ação e justiça climática para partilhar suas lutas e pedidos
  • Manter diálogos e reuniões com os negociadores do clima (especialmente dirigido aos negociadores do Comité de Transição de 40 países do Fundo Verde para o Clima)
  • Co-organizar com grupos de catadores um ato público para exercer pressão a favor do financiamento de programas que incluam LixoZero
  • Mobilizar a opinião pública utilizando as redes sociais
  • Consultar as notícias publicadas nos meios de comunicação
  • Lançar uma petição on-line para pedir o reencaminhamento de subsídios para os sistemas de Resíduos Zero
  • Realizar inquéritos públicos para conhecer a opinião das pessoas sobre políticas ou projetos de resíduos existentes ou propostos
  • Organizar encontros pacíficos de protesto em frente das empresas e das instalações de incineração, ou nos escritórios do governo encarregues de dar a autorização

Fonte: http://www.incineradornao.net/2011/09/dia-de-acao-global-contra-o-lixo-e-a-incineracao-2011/

Em tempo de ciberativismo e ações de alerta ao uso do carvão mineral, cabe trazermos a tona tal entrevista.

A termoelétrica de Candiota. Foto de Cíntia Barenho, novembro de 2010
A termoelétrica de Candiota. Foto de Cíntia Barenho, novembro de 2010

Complexo Termelétrico de Candiota: ‘Uma licença nula por natureza’. Entrevista com Paula Schirmer

Ainda que o debate seja atual, a história do complexo termelétrico de Candiota [1], na zona sul do Rio Grande do Sul, começa ainda na década de 1950.

Dividida em fase A, que possui duas unidades que produzem 63 megawatts de energia; e fase B, que também possui duas unidades, porém cada uma delas com potencial para gerar 160 megawatts, o complexo sempre esteve cercado de polêmicas envolvendo o risco e os problemas que causam ao meio ambiente da região.

Ainda assim, em dezembro de 2010, foi dada a licença ambiental para o funcionamento da fase C, também conhecida com Candiota III, que tem capacidade de geração de 350 megawatts.

Diante desse cenário, o Ministério Público Federal enviou recomendação ao Ibama estabelecendo prazo de 15 dias para suspender a operação das Fases A e B e indicando a anulação da Licença de Operação da Fase C.

Quem assina a recomendação é a Procuradora da República do Ministério Público Federal Paula Schirmer que concedeu entrevista à IHU On-Line, realizada por telefone, explicando como organizou a recomendação apresentada.

“Esse caso já vem sendo acompanhado pelo Ministério Público há bastante tempo. O inquérito civil-público tramita desde 2004, quando se teve a primeira notícia de infração ambiental das fases A e B do Complexo Termelétrico de Candiota. Então, a partir desta constatação, para possibilitar a readequação ambiental do empreendimento, o Ibama firmou um termo de compromisso com a Companhia de Geração Termelétrica de Energia Elétrica – CGTEE, cujas condições, até este momento, não foram cumpridas”, conta.

IHU On-Line – Qual a sua análise do caso do Complexo Termelétrico Candiota?

Paula Schirmer – Esse caso já vem sendo acompanhado pelo Ministério Público há bastante tempo. O inquérito civil-público tramita desde 2004, quando se teve a primeira notícia de infração ambiental das fases A e B do Complexo Termelétrico de Candiota. Então, a partir desta constatação, para possibilitar a readequação ambiental do empreendimento, o Ibama firmou um termo de compromisso com a Companhia de Geração Termelétrica de Energia Elétrica – CGTEE, cujas condições, até este momento, não foram cumpridas. Assim, o termo de compromisso perdeu a validade. Após novas vistorias e novos pareceres técnicos dos próprios analistas do Ibama se constatou que o índice de poluições atmosféricas só aumentou e vem aumentando. Todos os prognósticos feitos pelo órgão mostram que o índice já está acima dos limites e que só tende a aumentar, considerando ainda que o prognóstico do cenário da fase C funcionando em conjunto com as fases A e B foi considerado intolerável pelo próprio Ibama.

Essas informações foram recebidas pelo Ministério Público Federal no segundo semestre de 2010, mesmo diante deste cenário em que o próprio Ibama notificou a CGTEE por infração administrativa informando que o cenário de funcionamento das três fases é intolerável, ou seja, explicando que não é possível conceder a licença de operação para a fase C, sem regularizar a questão ambiental da fase A e B. No entanto, foi concedida a licença para operar, ou seja, ignorando todo o corpo técnico do Ibama, destituída de qualquer fundamento técnico e legal, afrontando a lei e a Constituição e todo e qualquer princípio de direito ambiental. É uma licença nula por natureza. O que o Ministério Público quer é justamente que o Ibama cumpra o seu papel e o que ele, através do seu corpo técnico, disse que era necessário fazer.

IHU On-Line – Quais os principais danos socioambientais se apresentam nesse projeto?

Paula Schirmer – O Complexo Termoelétrico de Candiota iniciou ainda na década de 1960. Ele é um projeto muito antigo. O projeto da fase C foi iniciado no início da década de 1980, antes da regulamentação ambiental que temos hoje. Depois, foi realizada uma reestruturação do projeto, até que em 2004 foi iniciado o procedimento de licenciamento ambiental. Por isso, ele foi se fracionando e se desmembrou em licenciamento fase A, B e C.

Vivemos aqui na região um sério problema de estiagem, atualmente. Candiota, onde se situa um empreendimento, está passando por racionamento de água durante 13 horas por dia. Há, portanto, um sério comprometimento dos recursos hídricos. Além de agravar essa situação, o empreendimento vai trazer uma profunda poluição atmosférica. As emissões que apontam ali, já há muito tempo, segundo o Ibama, estão ultrapassando qualquer limite tolerável pela legislação. Combinados, os gases de efeito estufa emitidos pelo complexo geram a chuva ácida.

É preciso possibilitar a adequação ambiental do empreendimento. E há notícias, tanto no Brasil quanto no Uruguai, de suspeitas de danos à população, por causar doenças tanto respiratórias quanto de pele, que são características desses poluentes. No entanto, não há dados certos, porque não há monitoramento atmosférico, e isso deveria ter sido feito desde o início. Durante a última vistoria do Ibama, entre setembro e outubro de 2010, se constatou que os equipamentos de monitoramento atmosférico não estavam sequer calibrados. O principio básico do direito ambiental, que é o da precaução, diz que se há incerteza, a obra não pode ser aprovada.

IHU On-Line – Para a obra ser liberada, o que o IBAMA e a Companhia de Geração Termelétrica de Energia Elétrica precisam fazer?

Paula Schirmer – É importante ressaltar que essas recomendações dirigidas ao Ibama não são condições que foram ditas primeiramente pelo Ministério Público Federal ou cuja fonte sejam órgãos externos. O que se recomendou ao Ibama foi o cumprimento daquilo que o próprio instituto e seus analistas periciais disseram. Eles produziram notas técnicas, relatórios, pareceres que deveriam, segundo a lei, subsidiar a decisão da presidência do Ibama, que é quem assina as licenças.

A lei diz que uma licença só pode ser assinada depois de parecer técnico conclusivo, após o cumprimento de todas as condicionantes. Mas o que vimos foi totalmente o contrário, vimos uma subversão total da lei e dos princípios ambientais. Por isso, queremos que o Ibama cumpra seu papel e faça o que sua própria autarquia diz que deve ser feito. E uma dessas condições é um estudo da saturação da bacia aérea – a área de impacto – porque se teme que ela esteja saturada. Basta, portanto, cumprir as condicionantes que desde o inicio foram estabelecidas pelo próprio Ibama.

IHU On-Line – Como você passou a se envolver com esse projeto?

Paula Schirmer – Atuo na Procuradoria da República do Ministério Público Federal desde 2009. Quando assumi já havia um inquérito civil-público em tramitação. Desde 2004 ele tramita aqui e vem questionando o Ibama e o empreendedor sobre a obra. Desde que estou junto a esse processo, percebo que o Ibama tem se revelado omisso aos questionamentos enviados pelo Ministério Público Federal.

IHU On-Line – Em função da instalação de outros empreendimentos do mesmo gênero na região, quais suas recomendações?

Paula Schirmer – Todos os empreendimentos que estão com a intenção ou já iniciaram o processamento de licenciamento no Ibama têm, no MP, um inquérito civil-público especifico que vem requisitando e acompanhando os pareceres técnicos. Eles ainda estão em fase de licença prévia e elaboração de estudo de impacto ambiental. Para evitar o dano, e se suscite a tese do fato consumado, nós estamos acopanhando desde o início.

Notas:
[1] A cidade de Candiota, no Rio Grande do Sul, fica localizada à 400 quilômetros de Porto Alegre. Localiza-se na metade sul do estado, próximo a fronteira com o Uruguai. Em dezembro de 2010, a cidade decretou situação de emergência em função de uma profunda estiagem que vive a região. A estimativa é de que as perdas nas produções agrícola e pecuária ultrapassem os R$ 3,6 milhões. Atualmente, a cidade faz racionamento de água durante 13 horas por dia. Em fevereiro de 2011, a presidenta Dilma Rousseff tinha planejado viajar a Candiota. Dilma receberia na cidade o título de cidadã candiotense das mãos do prefeito, mas a viagem foi cancelada na véspera. Candiota é conhecida como a capital do carvão mineral. Por sua natureza geológica, na época da ditadura militar, foi concebida a construção de um complexo de seis usinas térmicas na cidade. A construção da fase C da usina só foi possível por conta de um acordo feito entre o governo brasileiro e a China, que financiou 80% do custo total. Candiota III faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC.

Fonte: publicado pelo IHU On-line, parceiro estratégico do EcoDebate na socialização da informação.

Leia também MP Federal recomenda suspensão das operações de Candiota e anulação de licença ambiental


O CEA, na mina de carvão em Candiota/RS, no início da década de 90. Foto: CEA

Ontem, 08.08, ocorreu em Candiota/RS, o 1° Manifesto Regional Pró-carvão, o qual reuniu, segundo a imprensa noticiou, mais de 1,5 mil pessoas, com o fim de defender o uso do carvão para geração de energia, destacando os benefícios que o mesmo pode trazer para a região, a curto prazo, sob o ponto de vista econômico, evitando de abordar os malefícios que tal uso acarreta a vida no planeta. Os organizadores e apoiadores do evento alegaram que existem técnicas capazes de minimizar ao “aceitável” os impactos ambientais decorrentes da geração de energia do carvão mineral (ainda que o potencial do carvão no Brasil não atinge 2 % do total da energia gerada) e, dessa forma, não sendo um problema ambiental para a região.

O ato, promovido pelo Sindicato dos Mineiros de Candiota, contou com apoio de agentes públicos (municipais, estaduais e federais) notadamente ligados a prefeitura de Candiota e a Câmara de Vereadores daquele município; com representantes do movimento social, tanto de esquerda como de direita e; obviamente, com aqueles vinculados diretamente aos interesses do setor empresarial carbonífero, como representantes da Companhia Rio-grandense de Mineração (CRM), do Sindicato dos Eletricitários do RS (SENEGISUL) e da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica – Eletrobras (CGTEE).

Várias manifestações, entre elas da secretaria estadual de Meio Ambiente, Jussara Cony (PC do B/RS) e do representante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Frei Sérgio Görgen, fizerem coro ao uso do carvão.

Lembramos que a atividade carbonífera já levou o Uruguai a litigar com o Brasil, justamente em razão da poluição atmosférica provocada pela Usina de Candiota no país vizinho, entre elas a chamada chuva ácida.

Lei mais em: http://www.bohnen.com.br/Noticia.aspx?NoticiaID=276

E os debates para mudança no código florestal seguem. Quando será que alguns legisladores, responsáveis por “zelar” pela constituição federal, vão de fato fazer cumprir o artigo 225 (aquele que trata do Meio Ambiente) e se dar conta da interdependência de todos os seres?

Só uma crença acrítica na capacidade do sistema técnico controlar o mundo pode explicar o fato de um país como o Japão, situado no cinturão de fogo de contato de inúmeras placas tectônicas, tenha nada mais nada menos que 55 reatores nucleares como se isso fosse um detalhe. E olha que a palavra tsunami inventada pelos japoneses antes da era científica e tecnológica, foi simplesmente olvidada talvez porque as águas não pudessem ser tão facilmente controladas pela engenharia. O artigo é de Carlos Walter Porto-Gonçalves.

 

por Carlos Walter Porto-Gonçalves

Durante anos cientistas e ativistas denunciaram os males do DDT, do agente laranja e outros subprodutos da indústria militar na “guerra contra as pragas”, enfim, na “luta pela dominação da natureza”, particularmente no mundo da agricultura e da pecuária.

O argumento de que esses cientistas e ativistas era contra o progresso foi brandido ao paroxismo por um bem sucedido lobby das corporações do complexo industrial-financeiro-midiático-militar, nova forma complexa da burguesia característica de um capitalismo cada vez mais complexo (Casanova, 2005). Basta acessarmos o site da ABAG – Associação Brasileira de Agribusiness – em particular o link dos parceiros da ABAG e lá temos a composição desse novo bloco de poder que se reproduz no Brasil com especificidades de se juntar às velhas/atuais oligarquias latifundiárias. Pois bem, a vaca ficou louca, o frango e o porco gripados colocando em risco a saúde humana em nome desse complexo de poder que se nutre desse mito da “dominação da natureza”.

Ora, a idéia de dominação da natureza é em si mesma uma profecia que não se pode cumprir na própria medida em que dominar é fazer com que alguém ou qualquer outro ser faça não aquilo que quer ou que seja, mas aquilo que outrem quer que faça. Assim, sejam os povos, etnias, classes, gêneros ou a natureza na medida em que são dominados implica que estejam sendo submetidos não ao que são, mas aquilo que querem que sejam. No mundo contemporâneo em que a ciência e seu subproduto a tecnologia são instrumentos da busca do aumento da produtividade tendo em vista a acumulação de capital, se produz um deslocamento da “promessa iluminista” de que a razão deveria substituir a religião em nome da emancipação humana. Essa “promessa” foi partilhada também por uma corrente hegemônica no seio do pensamento de esquerda que ignorou uma das mais importantes contribuições de Marx para a análise histórica, qual seja, de que não se pode dissociar nenhum fenômeno do seu contexto, em suma, da totalidade das relações sociais (e de poder).

Assim como disse que “o direito não tem história” posto que são os homens (e mulheres) na conformação de suas relações sociais e de poder que o conformam, o mesmo se dá com o mundo técnico-científico. Marx nos deu uma bela demonstração dessa tese com sua crítica à Malthus e sua “lei geral da população” onde a produção de alimentos aumentaria numa progressão aritmética e o crescimento da população numa progressão geométrica. Assim como não há lei de população que escape às formações sociais que as engendram não há lei histórica do desenvolvimento das forças produtivas fora das relações sociais e de poder.

A ciência e a tecnologia cada vez mais são capturadas pelo mundo dos negócios, pelo mundo do capital, o que Milton Santos chamou “meio técnico-científico-informacional” para caracterizar o espaço geográfico contemporâneo. Como bem salientara o geógrafo brasileiro um objeto técnico difere de um objeto natural por ser um objeto impregnado de intencionalidade, ou seja, busca ser um objeto per+feito no sentido de um objeto previamente feito para controlar os efeitos de suas ações. Ocorre que o mundo não é passivo e mero objeto dos desejos dos que manejam esses objetos. O aquecimento global, por exemplo, é o efeito não desejado de uma matriz energética que tal como Prometeu quis acorrentar o fogo, mas olvidou das leis da entropia. Pensou que inventar o termostato era suficiente para que o motor devidamente programado numa variação máxima e mínima de temperatura fosse suficiente para não aquecer e, assim, dissipasse energia sob a forma de calor e deixasse de trabalhar. A natureza não tem termostato!

Enfim, o paradigma científico de matriz eurocêntrica está fundado num mito que está a serviço da acumulação de capital que é o contexto em que vem se desenvolvendo cada vez mais. Num mundo onde a riqueza se acredita mensurável quantitativamente (dinheiro) os números não têm limites e assim não haveria limites para intervenção no mundo (natural e social). A idéia de crescimento, subjacente à de desenvolvimento econômico embora sempre atenuado pelos seus defensores, mostra por todo lado seus limites. Esclareça-se, antes que algum gestor bem intencionado tente dizer quais são os limites, que limite é o cerne da política, arte de definir os limites e a democracia é quando todos dele participam.

Sabemos dos esforços, muitos bem intencionados, diga-se de passagem, dos que se dedicam à segurança das plantas das usinas nucleares, das plantas das refinarias e dos poços de petróleo, dos sistemas de navegação aérea todos sistemas de alta complexidade. Uma das características mais relevantes dos sistemas de alta complexidade é sua imprevisibilidade.

Assim, caminhamos num paradoxo: quanto mais introduzimos uma nova variável, que bem pode ser uma nova informação sobre um acidente aéreo, num sistema complexo mais ele se aproxima da realidade que, por sua vez, é o mundo na sua imprevisibilidade.

Só uma crença acrítica na capacidade do sistema técnico controlar o mundo pode explicar o fato de um país como o Japão, situado no cinturão de fogo de contato de inúmeras placas tectônicas, tenha nada mais nada menos que 55 reatores nucleares como se isso fosse um detalhe. E olha que a palavra tsunami inventada pelos japoneses antes da era científica e tecnológica, foi simplesmente olvidada talvez porque as águas não pudessem ser tão facilmente controladas pela engenharia. Relembremos que as primeiras notícias dos terremotos e tsunamis que recém atingiram o Japão, veiculadas pelos interessados meios de comunicação procuravam nos tranqüilizar pela tradição arquitetônica dos japoneses de construir edifícios que balançam mais não caem. Até que tivéssemos que assistir ao trágico espetáculo de mortos ou de casas e edifícios completamente destruídos e alguns inteiros boiando nas águas. E, pior, de saber que reatores, como os de Fukushima foram danificados e tantas vidas estarão ameaçadas por décadas.

Basta de “vacas loucas”, de gripe do frango, de gripe suína, de DDT e agente laranja que matam! Basta de uma ciência sem consciência! Que o conhecimento deixe de ser a caixa preta protegida pelo sigilo comercial da propriedade privada! Que se ouçam outras matrizes de conhecimento que se forjaram com a natureza e não contra a ela, como a dos camponeses, dos povos originários e não se desperdicem essas experiências! Que o sofrimento dessas famílias nos ilumine nessa direção! Hiroshima e Fukushima nunca mais!

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=17559

Usina de confusões

Governo demite toda a diretoria da CNEN após descobrir que reatores atômicos operam sem licenças e que Angra 2 não tem autorização definitiva para operar

Há exatamente uma semana che­gou à mesa do ministro da Ciên­cia e Tecnologia, Aloizio Mercadante, um relatório explosivo contra membros da cúpula do programa nuclear brasileiro.

Com base nas denúncias do documento assinado pelas associações de servidores dos principais órgãos ligados ao programa (a CNEN e o Ipen), Mercadante pediu uma imediata investigação in­terna. Em poucos dias convenceu-se de que a situação era, de fato, grave e decidiu agir.

A primeira medida será a demissão do presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves, e de toda a direção do órgão. Gonçalves é responsabilizado, dentre outras coisas, pelo atraso no licenciamento da usina de Caetité que paralisou a extração de urânio e obrigou o Brasil a comprar 220 toneladas do minério no Exterior, ao custo de R$ 40 milhões.

Para Mercadante, trata-se de um constrangimento, já que o País detém uma das maiores reservas de urânio do mundo.Caetité, no entanto, é apenas a ponta de um enrolado novelo que se tornou o pro­grama nuclear. Mercadante ficou chocado ao saber que quatro reatores nucleares utilizados para pes­quisa funcionam sem licença em três campi universitários.

O processo de certificação desses reatores foi engavetado pelo presidente da CNEN e por seu diretor de radioproteção e Segurança Nuclear, Laércio Vinhas. “Dá muito trabalho e os reatores estão muito bem”, teria dito Odair Gonçalves, segundo relato de funcionários. Gonçalves nega. “Nosso pessoal está sobrecarregado”, justifica.

Mas a gota d’água, para Mercadante, foi saber que Angra 2 opera há mais de uma década sem a “autorização de operação permanente”.Além das questões técnicas, há críticas sobre o suposto excesso de viagens internacionais de Gonçalves e de nomeações de amigos para cargos de chefia. Seria o caso da física Maria Cristina Lourenço, que chefia a área internacional da CNEN e acompanhou Gonçalves em 11 das 14 viagens que ele fez em 2010. Odair Dias Gonçalves está à frente da CNEN desde 2003.

Nesse período, entrou em choque com autoridades do setor e com o corpo de fiscais nucleares. Nem o Itamaraty o tolera e pouco fez em defesa de sua candidatura para cargos na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Foram três tentativas frustradas em 2010. “É um caso raro de unanimidade às avessas”, afirma um assessor de Mercadante.

No final do ano passado, Gonçalves filiou-se ao PT. Mas nega interesse na carreira política

Fonte http://www.istoe.com.br/reportagens/130253_USINA+DE+CONFUSOES
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/mercadante-demite-diretoria-da-cnen

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O Centro de Estudos Ambientais (CEA) é a primeira ONG ecológica da região sul, constituída em Rio Grande/RS/Brasil, em julho de 1983.

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