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Apresentação do trabalho desenvolvido na Plenária 2: defesa dos bens comuns contra a mercantilização, no qual Cintia Barenho (CEA) foi uma das sistematizadoras. Foto Cíntia Barenho/CEA

Dia 19/06 aconteceu a primeira Assembleia dos Povos, onde foram apresentadas as sínteses das cinco plenárias de convergência realizadas nos dias 17 e 18 de junho. Na Assembleia, foram apontadas as causas estruturais para as crises que o mundo enfrenta e as falsas soluções propostas pelos governos e corporações para resolver questões como aquecimento global, pobreza, fome, desigualdade social e direitos humanos.

Para ler os documentos na íntegra, que servirão de base para a construção do documento final da Cúpula dos Povos, basta clicar sobre os ícones de cada plenária.

Plenária 1: Direitos, por justiça social e ambiental 

Plenária 2: Defesa dos bens comuns contra a mercantilização

Plenária 3: Soberania alimentar

Plenária 4: Energia e indústrias extrativas

Plenária 5: Trabalho — por uma outra economia e novos paradigmas de sociedade

Você pode ler a matéria sobre a primeira Assembleia dos povos, realizada ontem, aqui.

Fonte: Cúpula dos Povos

A quem interessar acompanhar o mundo fantasioso, no qual os Chefes de Estados (nos quais muitos escolhidos para no representar conforme o mundo “democrático”em vivemos, por exemplo, no Brasil)  estão acordando a mercantilização da vida, consequentemente de todos os seres, pode acessar clicando na imagem abaixo.

Mais de 100 chefes de Estado estão reunidos no Riocentro para dar continuidade às negociações da Conferência da ONU.

A temida extinção em massa da vida selvagem também ameaça bilhões de humanos que dependem deles como alimento e sustento, segundo um novo relatório sobre a perda de espécies publicado esta terça-feira durante a conferência Rio+20.

Especialistas apresentaram um quadro sombrio sobre a biodiversidade do planeta, enquanto é aguardada a chegada de líderes mundiais para uma cúpula de três dias sobre os problemas ambientais da Terra e a erradicação da pobreza.

Das 63.837 analisadas, 19.817 correm risco de extinção, alertaram.

Estão ameaçadas 41% espécies de anfíbios, 33% de corais construtores de recifes, 25% de mamíferos, 20% de plantas e 13% de aves, destacou a última versão da respeitada “Lista Vermelha” (Red List).

Muitas são essenciais para os humanos, fornecendo comida e trabalho e uma piscina genética para melhorar cultivos e desenvolver novos medicamentos, acrescentou.

As descobertas são “um chamado estridente aos líderes mundiais que se reúnem no Rio para proteger a rede da vida neste planeta”, disse Julia Marton-Lefevre, diretora da União Internacional para Preservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), que compila os dados.

“Oitenta por cento da nossa ingestão de calorias vêm de 12 espécies de plantas”, disse o professor Stephen Hopper, chefe dos Jardins Botânicos Reais em Kew, Londres.

“Se nós ligamos para a comida que ingerimos, para os remédios que usamos, precisamos agir para preservar nossas plantas medicinais e nossos cultivos”, acrescentou.

Espera-se que 100 chefes de Estado e de governo assistam à cúpula da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, prevista para começar na quarta-feira no Rio de Janeiro.

Amplamente respeitada, a Lista Vermelha observa em detalhe uma pequena proporção das espécies conhecidas no mundo de forma a dar um panorama sobre a saúde da biodiversidade.

Nas Metas de Desenvolvimento do Milênio, membros da ONU prometeram conter a taxa de perda de espécies em 2010, mas fracassaram em alcançar a meta.

Após este fracasso, estabeleceram um “plano estratégico para a biodiversidade”, segundo o qual prometeram evitar a extinção das “espécies mais conhecidas”.

A Lista Vermelha aponta espécies relacionadas a uma entre oito categorias.

Das 63.837 espécies avaliadas em seu novo informe, 27.937 foram “de menos preocupação” ou “quase ameaçadas”, enquanto 255 foram consideradas em “menor risco”.

Outros 3.947 estavam em risco crítico, 5,766 em risco e 10.104 estavam vulneráveis, totalizando 19.817 espécies ameaçadas.

Sessenta e três por cento se tornaram extintas na natureza e 801 desapareceram completamente. As 10.497 espécies remanescentes na pesquisa não têm dados disponíveis para fazer um julgamento.

O ‘Pleurobema perovatum’, molusco de um rio americano, está entre as quatro espécies que se somaram tristemente à lista dos extintos, segundo especialistas da Lista Vermelha.

A boa notícia, no entanto, é que as duas espécies, incluindo um anfíbio chamado ‘Discoglossus nigriventer’, que só é encontrado no lago Hula, foi redescoberto.

A perda de espécies frequentemente resulta da destruição do hábitat. Mas espécies invasivas e, de forma crescente, o suposto impacto das mudanças climáticas, também são fatores.

O relatório lançou luz sobre a exploração irresponsável de oceanos, lagos e rios.

“Em algumas partes do mundo, até 90% das populações costeiras obtêm grande parte de sua comida e ganham sua primeira renda através da pesca. No entanto, a sobrepesca reduziu alguns estoques pesqueiros em até 90%”, alertou o IUCN.

Segundo a organização, 55% dos recifes de corais do mundo, dos quais dependem 275 milhões de pessoas para se alimentar, para proteção costeira e seu sustento, são alvo da pesca predatória.

Na África, 27% dos peixes de água doce são considerados ameaçados, enquanto na Ásia, espécies comerciais importantes como ‘Tenualosa thibaudeaui’ estão vulneráveis,.

Insetos, morcegos e aves que polinizam plantações fornecem um “serviço ambiental” a humanos de mais de US$ 200 bilhões por ano.

Mas 16% das borboletas endêmicas da Europa e, em todo o mundo, 18% dos morcegos estão ameaçados.

A Lista Vermelha é atualizada a cada ano ou mais.

Fonte: EcoDebate

Oficina autogestionada na Cúpula dos Povos:
” Integração dos povos, rumo à Nação Pachamama”
Dia: 21/06, quinta-feira, das 11h30 às 13h30
Local: Tenda 12 – Egidio Bruneto
Pachamama chama seu pueblo, e que venga la luz revolucionária de una nueva Nacíon sin fronteras!
Divulgue!!!!

Agora a pouco (+ ou – 10:40, 20.06.12) foi a aberta a Conferência das Nações Unidas Sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20, feita pelo Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban ki-Moon, o qual chamou a atenção para que não fosse perdida a oportunidade para decidir sobre a sustentabilidade planetária.

A abertura repetiu o apelo individual de um cidadão, personalizada numa adoslecente, como Severn Suzuki, durante a ECO 92. Dessa vez foi a vez da neozelandesa, Brittany Trifford, de 17 anos, a qual disparou um cronômetro (se referendo ao pouco disponível para evitar o a vitória da crise ecológica sobre a humanidade), fazendo um apelo antropocêntrico para que as delegações dos países não diperdisassem essa oportunidade para salvar o planeta para as futuras gerações.

Dilma Rousseff (PT), foi eleita presidente da Conferência e chamada a falar. Quase se calou. Se restringiu a saudar a todos, dizer que a tarde voltarem a plenária para publicizar a posição brasileira e passou os trabalhos imediatamente para Antonio Patriota. Ou seja, o Brasil deixou de dar claramente o tom na condução dos trabalhos no rumo da sustentabilidade, o que poderia mudar os rumos até então das pífias discussões da Rio + 20. Dilma não fez nenhuma menção ao discurso da adolescente  neozelandesa.

Assista ao vivo a Conferência da ONU AQUI

“Dilma não é desenvolvimentista. É crescimentista!!!!!!!”

Ricardo Abramovay, é professor da USP e coordenador do Projeto Temático FAPESP sobre Impactos Socioeconômicos das Mudanças Climáticas no Brasil. Autor de MUITO ALÉM DA ECONOMIA VERDE, Ed. Planeta Sustentável, São Paulo, 2012. Leia mais em AQUI

O video foi produzido para o programa Ponto de Vista, da TV Câmara, como parte da série de quatro que discute as perspectivas do meio ambiente e a Rio+20.

O jornalista é Joã0 Arnolfo (joao.arnolfo@gmail.com)

Ocupa BNDES Feministas e Indígenas

No Rio de Janeiro, Marcha Mundial das Mulheres e Movimento Indígena ocupam, por protesto, o BNDES, pelos seu negócios insustentáveis. Foto: Cintia Barenho/CEA

#OcupaBNDES – Banco Nacional Da Exploração Sexual 

Nesta segunda-feira – 18 de junho, a Marcha Mundial das Mulheres realizou uma ação de resistência, denominada Rosa Luxemburgo, em frente ao Banco Nacional do Desenvolvimento, o BNDES, na sede do Rio de Janeiro.

A ação consistiu em uma batucada feminista e colagem de lambe lambe que dialogavam com a justiça social e ambiental e com a exploração e mercantilização da vida e do corpo das mulheres. Contou com a participação de 40 militantes da MMM. Segundo Bruna Provazi, militante da MMM em São Paulo, o ato conseguiu “mostrar que nós mulheres não aceitamos esse modelo econômico que transforma em mercadoria nossos corpos, nossas vidas e também a natureza. Estamos organizadas e em constante luta”.

Ainda durante a ação, indígenas de diversas etnias do Brasil, ocuparam o espaço do BNDES. Eles exigiram se reunir com algum representante do banco. Em solidariedade e reafirmando que são nas lutas coletivas que existe a possibilidade de conquistas, as militantes da MMM mantiveram-se no BNDES batucando e chamando palavras de ordem como “Ó Belo Monte tem que parar a sociedade não vai mais aguentar”.

Contra a exploração sexual e o desenvolvimento insustentável
O BNDES é uma instituição que empresta dinheiro para que grandes corporações tenham capital financeiro, sendo assim, é responsável pelo financiamento de grandes obras do desenvolvimento brasileiro. Essas por sua vez contribuem para a exploração sexual e a mercantilização da vida das mulheres. É característico que nas regiões onde grandes obras estão sendo construídas, a prostituição e os estupros aumentem. Por exemplo, em Estreito, no Maranhão, existem 240 casas de prostituição e os operários que trabalham na construção da usina utilizam um cartão que eles chamam de cartão dos prazeres, como informado na CPI contra a violência contra a mulher, obteve informações.

Fonte: SOF

Por José Coutinho Júnior, do site oficial do MST

Para Iara Pietricovsky, antropóloga e integrante do conselho de gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), a sociedade civil precisa estar atenta e mobilizada em relação aos debates na Conferência da Rio+20, pois conceitos importantes tratados e definidos na Rio92 podem estar ameaçados. Confira a entrevista que Iara concedeu à Página do MST.

A Rio+20 é uma consequência da Rio92. Quais são as principais diferenças no caráter político e na conjuntura em que as Conferências se realizam?
Em 1992, nós estávamos no ápice do neoliberalismo, e ideias como a privatização e o Estado mínimo estavam sendo aprofundadas. A conferência de 1992 foi um contraponto a esses ideais, mostrando que existiam outras coisas importantes que deviam ser consideradas, como os direitos humanos e a sustentabilidade ambiental.

A Rio92 desorganizou essa lógica neoliberal que assolava o mundo naquele momento. Vinte anos depois, estamos vivendo num mundo onde os paradigmas do neoliberalismo estão em crise. Em 92, ao pensar nos pilares social, econômico e ambiental, se desenvolveu princípios como o de responsabilidades diferenciadas entre os países, cuja ideia é que os países poluidores são os maiores responsáveis pela crise ambiental e, portanto, devem arcar com esta responsabilidade. Além de uma série de marcos regulatórios e princípios jurídicos internacionais ratificados por meio de tratados e convenções, que são fundamentais.

Hoje é o oposto. Estamos num mundo em crise, com os países e seus governos fragilizados, as corporações estão extremamente fortalecidas, pressionando e destituindo os estados de seu papel regulador e mediador.

Como conseqüência desse processo, a Rio+20 está diluída, pois o que foi constituído ao longo dos anos e conferências em relação aos direitos humanos está sendo reduzido. Ou seja, vivemos em tempos muito mais complexos e muito mais complicados, portanto é necessária maior consciência e ação política por parte dos cidadãos, organizações políticas e movimentos sociais em torno do que está se deliberando na Rio+20.

Em relação às metas da Rio92, o que foi cumprido até hoje?
É difícil dizer. Há uma série de leis e marcos legais que foram regulamentados. Hoje há o princípio das Responsabilidades Comuns, Mas Diferenciadas, fundamental para envolver, discutir e obrigar os países desenvolvidos a mudar seu padrão de produção e consumo, além de iniciativas e experiências do ponto de vista do desenvolvimento de tecnologias, da compreensão da necessidade de uma mudança de padrão no mundo.

Mas efetivamente, uma alternativa a essa forma de produção capitalista baseada em recursos naturais de forma infinita continua existindo na prática até hoje. E isso é o maior dos desafios que temos hoje na sociedade planetária. Se não nos mobilizarmos massivamente no sentido de mostrar tanto às corporações e transnacionais quanto aos governos – que vem respondendo mais aos interesses corporativos do que da dignidade humana das populações -, vamos perder um momento importante e transcendente para fazer essa reflexão de modelo de paradigma e desenvolvimento.

Nesse ano expira o protocolo de Quioto. Qual a sua avaliação dos resultados do protocolo?
A renovação do protocolo está sendo questionada. O protocolo essencialmente afirma as Responsabilidades Comuns, Mas Diferenciadas, ao dizer que os países ricos têm de pagar essa conta, pois eles foram e são os maiores predadores ambientais. Há também o debate de transferência de tecnologia: não é só acessar a tecnologia, é transferir, quebrar a lógica das patentes.

O que acontece é que nenhum país desenvolvido quer assumir essa responsabilidade. Essa força política que não quer renovar o protocolo quer partir para outro acordo que responsabilize em igual medida os países em desenvolvimento, o que configura uma inversão de valores e da responsabilidade histórica que os países desenvolvidos têm.

É fundamental que se aprove a renovação do protocolo. Assim como é fundamental que as metas de desenvolvimento sustentável que estão sendo propostas na Rio+20 peguem os países ricos. Eles têm de começar a mudar radicalmente e a pagar a conta. Não que nós não tenhamos responsabilidade, mas eles são os maiores responsáveis: o padrão de consumo e produção predatório é realizado em grande parte pelos países ricos.

Que metas de desenvolvimento sustentável são essas?
Essas metas são propostas de desenvolvimento que nasceram da Colômbia, mas que foram rapidamente aplaudidas pelos países ricos. São metas que pretendem substituir as Metas do Milênio, que fracassaram. Só que para essas metas serem efetivas, elas tinham que estar atreladas a um conteúdo diretamente relacionado aos princípios da Rio92, ou seja, o princípio do país poluidor-pagador, da precaução, que são princípios básicos. Todos os tratados que foram derivados da Rio92 estão atrelados a estes princípios.

O que as metas propostas hoje querem nesse momento é o contrário: estão retirando esses direitos, transformando essas metas em projetos de longo prazo, cujo exemplo maior é a proposta de dobrar a energia limpa do mundo. Ora, a energia limpa do mundo hoje corresponde a 4% do total. Em 2030, se dobrar, vamos para 8%. Isso não é nada.

Não se fala de transferência de tecnologia também. As metas, agora, são assim: em relação ao acesso universal a água, os governos estão sendo incapazes de garantir este direito. Então o conceito de universalização do direito a água da margem para se colocar metas pausadas, e quem vai realizar essa meta são os parceiros prioritários, através das parcerias público-privadas, nas quais o setor privado será o maior realizador dessas metas. As metas da Rio+20 privatizam as decisões que deveriam ser realizadas pelos estados e seus governos.

Aparentemente, há duas agendas, a dos países desenvolvidos e a dos subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Há posições conflitantes na agenda destes países?
Sim. O Estados Unidos não é um país signatário de nenhum tratado internacional. Com isso ele joga o jogo mas não se compromete com nada. Ele não quer direito humano algum, ele quer uma declaração simples, sem nenhuma obrigação. A Europa, por conta dessa crise absoluta, está numa posição defensiva; o Japão está em crise por causa dos terremotos, mas ele tem resoluções internas importantes na questão da sua sustentabilidade, mas não querem compartilhar isso com o mundo. Eles também rejeitam tudo que diz respeito aos direitos humanos.

O G-77, grupo de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte, além de países africanos, árabes e da América Latina, é o grupo que está batalhando para reafirmar os tratados e convenções que foram aprovados desde a Rio92. Há contradições, inclusive dentro do Brasil, mas o fato é que esse conjunto de países tem uma defesa mais pró-ativa em relação à questão dos tratados e dos direitos.

Você acredita que a Rio+20 vai conseguir avançar na criação de algum modelo efetivo para enfrentar as crises que vivemos?
A Rio+20 vai ser importante por colocar na agenda mundial novamente esse debate. O documento oficial vai ser fraco, ele vai simplesmente introduzir essas metas do desenvolvimento sustentável e dar uma agenda para o futuro. É preciso brigar para que os princípios e convenções da Rio92 permaneçam. Lutar para que todas as instâncias e capítulos sejam vinculados ao tema dos direitos humanos, econômicos, culturais, que foram constituídos ao longo destas últimas décadas.

Se isso não for feito, esse documento não vai ter poder nenhum de transformação. Mesmo assim, eu acho que este debate, nesse momento de crise mundial é fundamental, porque é a maneira que os movimentos sociais, as organizações de cidadãos e cidadãs que tem uma consciência do que está acontecendo e que querem se tornar ativos nesse processo, tem de apresentarem seus pensamentos, disputar com o poder da mídia hegemônica e das corporações. É um momento em que a gente consegue fazer uma inflexão de contracultura, de contraponto à tentativa que o modelo e o sistema têm de se readequar e reproduzir, vestido numa roupagem de economia verde, de sustentabilidade.

Fonte: Cúpula dos Povos

 

Paulo Affonso Leme Machado é pioneiro no Direito Ambiental brasileiro.

Artigo de Leonardo Boff

“O futuro que queremos”, lema central do documento da ONU, não é outra coisa senão o prolongamento do presente. Este  se apresenta ameaçador e nega um futuro de esperança. Num contexto desses, não avançar é retroceder e fechar as portas para o novo”, escreve Leonardo Boff, filósofo, teólogo e escritor.

Segundo ele, junto com a “Rio+20 seria um ganho resgatar também a Estocolmo+40”, pois, continua Leonardo Boff, “nesta primeira conferência mundial da ONU de 5-15 de julho de1972 em Estocolmo na Suécia  sobre o Ambiente Humano, o foco central não era o desenvolvimento mas o cuidado e a responsabilidade coletiva por tudo o que nos cerca e que está em acelerado processo de degradação, afetando a todos e especialmente aos países pobres. Era uma perspectiva humanística e generosa. Ela se perdeu com a cartilha fechada do desenvolvimento sustentável e agora com a economia verde”.

Eis o artigo.

O Documento Zero da ONU para a Rio+20 é ainda refém do velho paradigma da dominação da natureza para extrair dela os maiores benefícios possíveis para os negócios e para o mercado. Através dele e nele o ser humano deve buscar os meios de sua vida e subsistência. A economia verde radicaliza essa tendência, pois, como escreveu o diplomata e ecologista boliviano Pablo Solón, “ela busca não apenas mercantilizar a madeira das florestas mas também sua capacidade de absorção de dióxido de carbono”. Tudo isso pode se transformar em bônus negociáveis  pelo mercado e pelos bancos. Destarte, o texto se revela definitivamente antropocêntrico como se tudo se destinasse ao uso exclusivo dos humanos e a Terra tivesse criado somente a eles, e não a outros seres vivos que exigem também sustentabilidade das condições ecológicas para a sua permanência neste planeta.

Resumidamente: “O futuro que queremos”, lema central do documento da ONU, não é outra coisa senão o prolongamento do presente. Este  se apresenta ameaçador e nega um futuro de esperança. Num contexto desses, não avançar é retroceder e fechar as portas para o novo.

Há outrossim um agravante: todo o texto gira ao redor da economia. Por mais que a pintemos de marrom ou de verde, ela guarda sempre sua lógica interna que se formula nesta pergunta: quanto posso ganhar no tempo mais curto, com o investimento menor possível, mantendo forte a concorrência? Não sejamos ingênuos: o negócio da economia vigente é o negócio. Ela não propõe uma nova relação para com a natureza, sentindo-se parte dela e responsável por sua vitalidade e integridade. Antes, move-lhe uma guerra total, como denuncia o filósofo da ecologia Michel Serres. Nesta guerra não possuímos nenhuma chance de vitória. Ela ignora nossos intentos. Segue seu curso mesmo sem a nossa presença. Tarefa da inteligência é decifrar o que ela nos quer dizer (pelos eventos extremos, pelos tsunamis etc.), defender-nos de efeitos maléficos e colocar suas energias a nosso favor. Ela nos oferece informações mas não nos dita comportamentos. Estes devem se inventados por nós mesmos. Eles somente serão  bons caso estiverem em conformidade com seus ritmos e ciclos.

Como alternativa a esta economia de devastação, precisamos, se queremos ter futuro, opor-lhe outro paradigma de economia de preservação, conservação e sustentação de toda a vida. Precisamos produzir sim, mas a partir dos bens e serviços que a natureza nos oferece gratuitamente, respeitando o alcance e os limites de cada  biorregião, distribuindo com equidade os frutos alcançados, pensando nos direitos das gerações futuras e nos demais seres da comunidade de vida. Ela ganha corpo hoje através da economia biocentrada, solidária, agroecológica, familiar e orgânica. Nela cada comunidade busca garantir  sua soberania alimentar. Produz o que consome, articulando produtores e consumidores numa verdadeira democracia alimentar.

A Rio-92 consagrou o conceito antropocêntrico e reducionista de desenvolvimento sustentável, elaborado pelo relatório Brundland de 1987 da ONU. Ele se transformou num dogma professado pelos documentos oficiais, pelos Estados e empresas sem nunca ser submetido a uma crítica séria. Ele sequestrou a sustentabilidade só para  seu campo e assim distorceu as relações para com a natureza. Os desastres que causava nela, eram vistos como externalidades que não cabia considerar. Ocorre que estas se tornaram ameaçadoras, capazes de destruir as bases físico-químicas que sustentam a vida humana e grande parte da biosfera. Isso não é superado pela economia verde. Ela configura uma armadilha dos países ricos, especialmente da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) que produziu o texto teórico do PNUMA Iniciativa da Economia Verde. Com isso, astutamente  descartam a discussão sobre a sustentabilidade, a injustiça social e ecológica, o aquecimento global, o modelo econômico falido e mudança de olhar sobre o planeta  que possa projetar um  real futuro para a humanidade e para a Terra.

Junto com a Rio+20 seria um ganho resgatar também a Estocolmo+40. Nesta primeira conferência mundial da ONU de 5 a 15 de julho de1972 em Estocolmo na Suécia  sobre o Ambiente Humano, o foco central não era o desenvolvimento mas o cuidado e a responsabilidade coletiva por tudo o que nos cerca e que está em acelerado processo de degradação, afetando a todos e especialmente aos países pobres. Era uma perspectiva humanística e generosa. Ela se perdeu com a cartilha fechada do desenvolvimento sustentável e agora com a economia verde.

Recebi um rosário longo de mensagens lamentando minha falta de patriotismo ao afirmar que o Brasil pensava que ia todo elegante para a Rio+20 mas que, na verdade, seguia nu em pelo. A idéia do post (para quem tem preguiça de ler o link acima) era de que meia dúzia de ações de marketing não consegue passar a borracha em todo um modelo de desenvolvimento que constrói a felicidade de parte da população sobre a dignidade e a qualidade de vida da outra. E o futuro de ambas.

Eu simplesmente adoro que alguém critique o meu patriotismo. Sabe por que? Por que não sofro desse mal.

Não amo meu país incondicionalmente, como não amo nada incondicionalmente. Mas gosto dele o suficiente para tentar entendê-lo e ajudar a torná-lo um local minimante habitável, através da narração e análise do que acontece, para a grande maioria da população. Gente deixada de fora do grande butim, que aparece sorrindo em propagandas oficiais, relatórios de sustentabilidae e folders de algumas organizações sociais para mostrar que o Brasil é dez. Mas que, no dia a dia, encaram a realidade da falta, da ausência, da fome, de um ar irrespirável ou de um rio desviado ou poluído.

Qual a melhor demonstração de respeito por um país? Vestir-se de verde e amarelo e se enrolar em uma bandeira enquanto canta o hino nacional em prantos? Contar mentiras sobre a realidade para fazer bonito lá fora?  Ou apontar o dedo na ferida quando necessário? Ama a si mesmo, por outro lado, os que se escondem do debate, usando como argumento um suposto “interesse nacional” – do petróleo (EUA) ao etanol (Brasil) – que, na verdade, trata-se de “interesse pessoal”. Se questionado, corre para trás da trincheira do patriotismo. Que, como disse uma vez o escritor inglês Samuel Johnson: “é o último refúgio de um canalha”.

E já que fico falando mal do meu país por aí, trago à tona uma lista, que organizei tempos atrás, de pontos que o governo não quer nem ouvir falar durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. O divertido é que reuni em cada ponto o discurso oficial ou oficialesco (tem tanto pelego por aí que vocês não imaginam…) para tratar do tema diante de críticas.

Uns podem chamar de ironia, outros de formas pouco ortodoxas de reinterpretar a realidade. Eu que já ouvi isso da boca de representantes do povo com estes ouvidos que a terra há de comer prefiro acreditar que era uma tremenda cara de pau mesmo.

Quando a pergunta é sobre a flexibilização do Código Florestal

…a resposta deve conter algo como: “Esse processo é um exemplo de como um país, que conta com uma boa legislação ambiental, pode melhorá-la ainda mais através de um Congresso Nacional compromissado com a qualidade de vida das futuras gerações”.

Quando a pergunta é sobre problemas na construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte…

… a resposta deve conter algo como: “O licenciamento da usina foi um exemplo de como ouvir as comunidades impactadas por um empreendimento de geração de energia elétrica, pois o progresso de muitos não pode se sobrepor sobre a dignidade de alguns”.

Quando a pergunta é sobre greves e reclamações sobre a reforma e construcão de estádios para a Copa

… a resposta deve conter algo como: “A preparação para a Copa é um modelo de justa remuneração, de respeito à força de trabalho e de tratamento amigável da polícia frente ao pleito de operários e de planejamento para evitar impactos negativos ao meio ambiente”.

Quando a pergunta é sobre a forma através da qual foi feita a construção da Usina Hidrelétrica de Estreito…

… a resposta deve conter algo como: “A usina é um exemplo de reconhecimento das famílias atingidas e de rápida indenização das comunidades retiradas para a construção de uma obra”.

Quando a pergunta é sobre os impactos causados pela transposição de parte das águas do do São Francisco

… a resposta deve conter algo como: “Este é um modelo de como considerar a opinião dos diferentes stakeholders antes da implantação de um projeto de engenharia, levando em conta as realidades socioambientais regionais para a implementação de um empreendimento”.

Quando a pergunta é sobre problemas no Minha Casa, Minha Vida

…a resposta deve conter algo como: “O projeto de construcão de moradias é um exemplo de como não usar trabalho escravo na construção de imóveis em grandes cidades brasileiras e de como não usar madeira oriunda de desmatamento ilegal da Amazônia”.

Quando a pergunta é sobre o afrouxamento de alguns licenciamentos ambientais

… a resposta deve conter algo como: “O Ministério do Meio Ambiente tem conseguido ser um modelo de como um governo consegue resistir às pressões de grandes empreendimentos pela flexibilização das regras de licenciamento ambiental, garantindo a dignidade de indígenas, quilombolas, ribeirinhos, caiçaras e camponeses”.

Quando a pergunta é sobre problemas na construção da usina Hidrelétrica de Jirau

…a resposta deve conter algo como: “Jirau é um modelo de tratamento aos trabalhadores envolvidos na construcão de um empreendimento e de seu canteiro de obras e responder as suas reivindicações e direitos”.

Quando a pergunta é sobre o alto nível de enxofre nos combustíveis…

… a resposta deve conter algo como: “O Brasil é um exemplo de país que conseguiu reduzir suas taxas de enxofre no diesel para valores abaixo daqueles adotados na União Européia e Estados Unidos por se preocupar com a qualidade do ar que respiramos”.

Quando a pergunta é sobre os impactos em nossa biodiversidade…

…a resposta deve conter algo como: “Somos um exemplo de país que recompõe sua área florestal desmatada utilizando árvores nativas, brasileiras, como o eucalipto e o dendê”.

Quando a pergunta é sobre a violação de direitos das populações indígenas…

… a resposta deve conter algo como: “Nunca na história deste país o governo garantiu tantos direitos às populações tradicionais. Haja visto os guarani kaiowá no Mato Grosso do Sul que vivem felizes em suas terras”.

Quando a pergunta é sobre trabalho escravo na produção de etanol…

… a resposta deve conter algo como:  ”A produção de etanol contém algumas das melhores práticas na relação de trabalho, com a jornada de trabalho, com a condição de respeito ao direito do trabalhador. Durante muito tempo o etanol brasileiro foi acusado de utilizar trabalho escravo. Porque a forma de diminuir a importância do etanol como uma alternativa ao uso de combustíveis fósseis era fazer uma acusação socioambiental contra nós”.

Ouvindo os depoimentos de representantes do governo, o jogral está ensaiadinho. E se o jornalista for insistente, há sempre a saída de “o mundo vive uma crise e o Brasil não pode se dar ao luxo de perder empregos para garantir preservação ambiental. Primeiro temos que resolver essa instabilidade, para depois fazer as mudanças necessárias – e em conjunto com as outras nações – para uma economia verde global”.

Ou seja, empurrando com a barriga em nome de uma falsa dicotomia.

O problema é que, como diria Samuel Beckett, vamos esperando Godot.

Temos fé que Godot um dia venha.

Mas Godot não veio. Godot nunca vem.

Fonte: Blog do Sakamoto

A bióloga Mônica, conta como a empresa, juntamente com o Poder Público, tentou vender a idéia de uma Escola Verde, fazendo uma falsa Educação Ambiental. Talvez uma espécie de adestramento ambiental. No entanto a comunidade escolar não é boba e está mobilizada e em resistência contra essa propaganda enganosa, que parece uma tática nazista, mas que saiu pela culatra.

Os particulados que caiam constantemente sobre a comunidade de Santa Cruz, mas negados pela empresa. A saúde da população local está muito comprometida. As lembrancinhas do “mal”da TKSA foram gentilmente dadas aos participantes da Toxic-Tour para auxiliar na divulgação de tal crime ambiental. Foto: Cintia Barenho/CEA

Participamos do Rio Toxico-Tour, pelo qual visitou-se o município de Santa Cruz-RJ, no qual foi terrivelmente premiado com  projeto da Thyssenkrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA). Tal projeto foi negado em outros países e estados. No entanto, o Rio de Janeiro – a cidade que recebe a Rio+20 com o discurso de busca de alternativas aos impasses ambientais – acolheu prontamente a megasiderúrgica, oferecendo inclusive incentivos fiscais.

O empreendimento, instalado em 2010, operou até 2012 sem filtros em suas chaminés (para dar apenas um exemplo), ocasionando constantemente chuvas de partículados, chamados pelos moradores de “chuva de prata”. Inclusive na visita feita à comunidade, fomos presenteados com lembrancinhas do “mal”no qual colocaram os particulados para auxiliarmos no protesto, resistência e solidariedade à comunidade.

Não precisamos falar que as pessoas que “ousam” denunciar o crime vivido, estão constantemente sendo ameaçados e perseguidas. Uma das moradoras, que teve laudo médico apontando as causas de seus problemas de saúde causados pela TKCSA, não consegue atendimento e o médico que assinou tal laudo (contestado pela empresa) foi transferido do posto de saúde. A comunidade, infelizmente, está numa ilha do mal.

Vamos seguir contando mais dessa história….

Veja Fotos AQUI 

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Frase

“De tanto postergar o essencial em nome da urgência, termina-se por esquecer a urgência do essencial.” Hadj Garm'Orin

Apresentação

O Centro de Estudos Ambientais (CEA) é a primeira ONG ecológica da região sul, constituída em Rio Grande/RS/Brasil, em julho de 1983.

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As publicações elaboradas e publicadas pelo CEA, bem como suas fotos são de livre reprodução, desde que não haja fins econômicos, que sejamos informados através do mail ongcea@gmail.com e com expressa citação da fonte nos termos a seguir: Fonte: Blog do Centro de Estudos Ambientais (CEA).
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