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E tem gestor público brasileiro defendendo que não há perigo com a energia nuclear. Além disso, cabe lembrar a denúncia feita pela ecofeminista Yuko Tonohira  sobre a Violência contra mulheres por parte do Estado Japonês, uma vez que este defendia não haver riscos para mães e seus filhos.

Crianças japonesas apresentam nódulos na tireoide depois de acidentes em Fukushima

Aproximadamente 38 mil crianças e adolescentes que vivem na região de Fukushima, no Norte do Japão, foram submetidas a testes para verificação do funcionamento da tireoide. Em 36% das crianças examinadas, foram identificados nódulos, mas não houve confirmação de tumor maligno. Mais de 52 mil pessoas ainda estão fora de suas casas em um raio de 20 quilômetros ao redor da Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, desde os acidentes de 2011.

As autoridades decidiram pelos testes após verificar que algumas crianças de províncias vizinhas à Usina de Fukushima Daiichi foram detectadas com nódulos na tireoide. Porém, o governo de Fukushima desconsidera a possibilidade de adotar medidas adicionais.

Os especialistas advertem que o iodo radioativo liberado pela usina durante os acidentes nucleares poderá se acumular nas glândulas tireoides das crianças e aumentar o risco de câncer. Em março de 2011, a região de Fukushima foi atingida por um tsunami, após um terremoto, o que causou vazamentos e explosões radioativas. Desde então, o Japão está em alerta e redobrou os cuidados com a energia nuclear.

Em março de 2013, serão realizados novos testes em 4,5 mil crianças e adolescentes, em três províncias vizinhas de Fukushima. O governo espera assim aliviar a preocupação dos japoneses e detectar eventuais efeitos da radiação libertada pela central nuclear sobre as crianças.

Com informações da Agência Brasil

Fonte: Sul21

O governo do Brasil acaba de criar uma nova estatal. O “Diário Oficial” desta quinta-feira traz a previsão de instituição da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (Amazul), empresa que será responsável pelo Programa Nuclear da Marinha Brasileira, que inclui a construção do primeiro submarino a propulsão atômica do país.

A Amazul, cujo nome deriva do entendimento de que a costa brasileira possui biodiversidade similar à da Amazônia, será criada a partir de uma cisão da estatal já existente Emgepron, também ligada à Marinha.

Segundo a lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff, a Amazul terá como objeto “promover, desenvolver, absorver, transferir e manter tecnologias necessárias às atividades nucleares da Marinha do Brasil e do Programa Nuclear Brasileiro – PNB”, além de lidar diretamente com os submarinos.

O submarino nuclear brasileiro está atualmente em construção em Itaguaí (RJ). No entanto, a Amazul terá sede em São Paulo (SP).

Fonte: http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2012/08/09/dilma-cria-amazul-para-fazer-submarino-nuclear/

Marcha das Mulheres na Cúpula dos Povos 18.06

Violência nem no Lar, nem Nuclear! Marcha das Mulheres na Cúpula dos Povos. Foto: Cintia Barenho/CEA

Lá do outro lado do atlântico, japoneses (as) enfrentam a madrugada chuvosa para impedir que Usina Nuclear seja reativada. Havia uma previsão de fechamento de todas as usinas nucleares no Japão, como pode-se ler aqui, no entanto…

Ao vivo podemos acompanhar AQUI e/ou acessar outras câmeras aqui

Em março havia um artigo intitulado “Japão mostrou que energia nuclear é segura”, no qual o autor – assistente da Presidência da Eletronuclear S.A. – afirmava que: “…Essas consequências foram bastante limitadas quando comparadas às dimensões da terrível tragédia humana, social, econômica e ambiental causada por esse fenômeno natural excepcionalmente severo. O fato desse acidente não ter causado vítimas fatais pela radiação confirma que a energia nuclear é essencialmente segura.” Nada como desviar o foco. O que será que o mesmo tem para defender agora que o Japão desliga seus 54 reatores nucleares??

Nesse sábado, 05 de maio, os 54 reatores nucleares japoneses estarão parados, talvez para sempre. Foto: Wikimedia

Ansioso, o Japão se prepara para a vida sem energia nuclear   por Justin McCurry

Esse fim de semana o Japão começará um experimento ambicioso de uso de energia que ninguém pensava possível — até que a usina de Fukushima Daiichi sofreu um triplo super aquecimento, faz apenas um ano. No sábado, quando a companhia de eletricidade Hokkaido fechar para manutenção o reator número 3 da usina de Tomari, a terceira maior economia do mundo não terá reatores nucleares funcionando pela primeira vez em quase 50 anos.

O fechamento do último dos 54 reatores japoneses marca uma mudança dramática na política energética, porém enquanto os ativistas se preparam para celebrar, o apagão nuclear nacional chega ligado a riscos econômicos e ambientais expressivos.

A crise de Fukushima detonada pelo letal terremoto e tsunami forçou o Japão a repensar profundamente sua relação com a energia atômica.

O fechamento de Tomari vem quando o Japão se prepara para um longo e úmido verão que levará dezenas de milhões de pessoas a buscar o controle dos seus aparelhos de ar-condicionado, aumentando o perigo de falhas no fornecimento de energia e mais danos para as indústrias, que ainda se recuperam do terremoto.

Em um relatório publicado essa semana, a agência nacional  de políticas públicas do governo projetou uma escassez de 5% de energia em Tóquio, enquanto as próprias empresas de energia preveem uma carência de 16% de energia na região oeste do Japão, onde está Osaka, uma das suas maiores cidades industriais.

“Eu tenho que dizer, nós enfrentaremos um grave risco de falta de eletricidade”, disse Yukio Edano, ministro da economia, comércio e indústria. Ele acrescentou que o custo extra de importação de combustível para uso nas usinas termoelétricas  poderá ser repassado aos consumidores através de contas de luz mais caras.

Antes do desastre de 11 de março de 2011, o Japão dependia da energia nuclear para suprir 30% da sua eletricidade, e havia planos para aumentar essa  participação para mais de 50% até 2030, com a construção de novos reatores.

Com o acidente, o lançamento de imensas quantidades de radiação no ar e no mar, a contaminação da comida e das fontes de água e a evacuação de dezenas de milhares de residentes demoliram a visão de um futuro dominado por energia nuclear e baixas emissões de carbono.

Nos últimos 14 meses, dúzias de reatores nucleares não diretamente afetados pelo tsunami foram desligados para se submeterem à testes de segurança e manutenção rotineira. Enquanto isso, as distribuidoras buscaram usinas movidas a carvão, óleo e gás para manter o fornecimento de eletricidade para a indústria e os lares. As importações desses insumos contribuíram para gerar, no ano passado, o primeiro déficit comercial do Japão em mais de 3 décadas.

O Japão, que já é o maior importador mundial de gás natural liquefeito, comprou quantidades recorde no ano passado para substituir a energia nuclear. A agência internacional de energia estima que o fechamento de todas as usinas nucleares aumentará a demanda japonesa por petróleo para 4,5 milhões de barris/dia, com um custo adicional em torno de 100 milhões de dólares por dia.

As últimas investidas de Yoshihiko Noda, primeiro ministro, de obter apoio para um reinício precoce de 2 reatores da Usina Oi, no oeste do Japão, falharam em meio a uma oposição pública cada vez mais dura contra a energia nuclear.

Nenhum dos reatores ociosos do Japão terá permissão de ser reiniciado até que passem por rigorosos “testes de estresse” — simulações planejadas para testar a capacidade de resistir a eventos catastróficos como o tsunami de 14 metros de altura que nocauteou o sistema reserva de energia da usina de Fukushima Daiichi, e disparou o pior acidente nuclear mundial desde Chernobyl.

Enquanto há especialistas que criticaram os testes de estresse duplos, a volta imediata, mesmo a uma produção limitada, da energia nuclear parece impossível.

Pela lei, a aprovação da população local não é necessária para o reinício. Mas Noda não está inclinado a correr o risco de um colapso político causado por ignorar a opinião local: em uma pesquisa recente, feita pelo Noticiário Kyodo, 59,5% se opunham ao recomeço das operações da usina nuclear Oi, na região administrativa de Fukui, enquanto 26,7% apoiavam a medida.

Na liderança do movimento para reiniciar os reatores está a Keidanren, o influente lobby dos negócios. Em pesquisa recente, 71% dos industriais disseram que a falta de energia poderia forçá-los a cortar a produção, enquanto 96% disseram que o espectro de preços de eletricidade mais altos reduziria o faturamento. O Instituto de Economia da Energia alertou que manter os reatores em compasso de espera pode limitar o crescimento do PIB a apenas 0,1% esse ano, pois as indústrias reduzirão a produção ao mesmo tempo em que pagam mais caro por energia derivada de petróleo.

Críticos da paralisação nuclear também enfatizaram o impacto negativo que mais combustível fóssil para gerar energia terá nos compromissos assumidos pelo Japão na área de mudanças climáticas. E mesmo grandes investidores em energia alternativa, como o principal executivo do Softbank, Masayoshi Son, admitiu que levará tempo para que essas opções tenham impacto real na matrix energética do país.

Esses investidores ficarão exultantes com o resultado de um novo painel do ministério do meio ambiente, o qual afirma que o Japão ainda pode reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em 25% até 2030 (comparadas aos níveis de 1990) através da economia de energia e da adoção mais veloz de fontes renováveis. Espera-se que elas representem entre 25% e 35% da geração total de energia em 2030.

“Se o Japão tiver a motivação, pode também realizar isso”, afirma Sei Kato, diretor de promoção da sociedade de baixo carbono no ministério do meio ambiente. “Nós temos o know-how tecnológico”. Colocando de lado os riscos de curto prazo, grupos ambientalistas dizem que a paralisação desse sábado é uma oportunidade sem precedentes para o Japão se livrar da dependência da energia nuclear.

“Esse é um momento decisivo para o Japão, uma enorme oportunidade para que se mova em direção ao futuro de energia sustentável que o seu povo demanda”, afirmou o Greenpeace no seu relatório sobre a revolução da tecnologia energética. “Com abundância de recursos para energia renovável e tecnologia de vanguarda, o Japão pode facilmente se tornar um líder na área, enquanto simultaneamente acaba com sua necessidade da tecnologia nuclear, que é cara e arriscada”.

Na terça, as pessoas que trabalham em escritórios deram sua contribuição com o início, um mês antes do habitual, do esforço apelidado de “cool biz” (algo como “negócio bacana”) para reduzir o uso de energia. Mas trocar ternos e gravatas por camisas de manga curta, e reduzir o uso de aparelhos de ar-condicionado é fácil enquanto durarem as temperaturas amenas da primavera. O grande teste de força de vontade pós Fukushima ainda está para vir.

Fonte: O ECO

Para onde era (e ainda é levado) o lixo nuclear gerado pelas usinas de Angra?

Usinas nucleares de Angra terão sistema de armazenamento de lixo atômico em três anos

A Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras que administra a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis, vai concluir a construção da primeira célula-demonstração para contenção do lixo atômico das usinas nucleares dentro de três anos, conforme informou o presidente da estatal, Othon Luiz Pinheiro. Ele garante que o sistema de armazenamento dos rejeitos nucleares é seguro.

A técnica adotada faz o encapsulamento de cada célula do combustível e, depois, o encapsulamento do conjunto de elementos combustíveis atômicos. “É uma proteção a mais”, observa Othon Pinheiro.

Segundo ele, o armazenamento não será imposto a nenhum município, mas aquele que se dispuser a estocar esse lixo será remunerado. “[O município] ganhará royalties por isso. Se nós tivermos a competência para demonstrar que [o sistema] é seguro, vai ter muito município com densidade populacional baixa, sem utilização para terrenos públicos, que vai ganhar com isso, sem nenhuma consequência para a população”.

Apesar de o programa nuclear brasileiro estar sendo revisto, em função do acidente que abalou a Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Japão, há um ano, Othon Pinheiro acredita que não há razão para interromper a construção de centrais nucleares no país.

Em construção, Angra 3 deverá entrar em funcionamento em 2016 e vai gerar 1.405 megawatts (MW) de energia. Somando com a produção das outras duas usinas em funcionamento, Angra 1 e 2, contribuirá para a geração de 60% da energia consumida no estado do Rio de Janeiro. Othon Pinheiro destacou que, nos últimos dez anos, a contribuição de energia térmica nuclear ao sistema integrado nacional fica, pelo menos, dentro da média de 2.015 MW.

Para o presidente da Eletrobras, o acidente de Fukushima, um grande vazamento de radiação depois que os reatores foram sacudidos por um forte terremoto terremoto seguido de tsunami, em março do ano passado, acabará provando que a energia nuclear dificilmente será abandonada onde é adotada no mundo.

Mesmo descartando problemas similares aos de Fukushima, a Eletronuclear decidiu construir o prédio do reator de Angra 3 à prova de terremoto. De acordo com Othon Pinheiro, a rotina de trabalho na central nuclear brasileira prima pela segurança e pela qualidade de treinamento do pessoal.

Fonte: Agência Brasil

por Yuko Tonohira*

Estou aqui para falar com você sobre o impacto do desastre nuclear no trabalho reprodutivo, e muitas vezes são as mulheres que estão sobrecarregadas com várias lutas na vida cotidiana. Primeiro, eu gostaria de atualizá-lo com alguns fatos.

O desastre nuclear de Fukushima está longe de terminar.

Os reatores ainda estão vazando substâncias nucleares radioativas.

O governo ainda não está nos dizendo que há riscos para a saúde
No momento nós não podemos ver como os efeitos da radiação vão ser, mas precisamos esperar pior do que o que já sabemos.
Claramente, área muito mais ampla em torno da planta Fukushima precisa ser evacuada.

No rescaldo do acidente nuclear, o governo japonês não nos dizem os níveis de contaminação no ar, a água, o solo, a comida. Em vez disso, eles disseram que não há efeitos imediatos para a sua saúde.

O governo, com ajuda da mídia, pediu às pessoas para continuar com suas vidas e até mesmo continuar a comer produtos da área de Fukushima, alegando que ser um ato patriota. Se você ligasse a tv que você veria celebridades mordendo vegetais das área atingidas por desastres e dizendo que é delicioso, e seguro.

O governo informou às mulheres grávidas e mães com crianças que a água é segura para beber e, mesmo se eles comerem alimentos contaminados, não terá efeitos na saúde. Disse também que o leite do seu seio é completamente seguro, e que se elas ficam muito preocupadas com a radiação haverá efeitos negativos para seus bebês.

As mulheres são mentalmente confundidas, entre a propaganda de segurança por parte do governo e a luta contra as ameaças diárias de radiação que é invisível, mas certamente deve contaminá-las.

Mais uma vez, tudo o que ouvem do governo é que não há efeitos imediatos para a saúde.

Devo evacuar? Ou devo ficar?
Que devo comer ou não?
Devo usar uma máscara?
Devo fazer os meus filhos usam máscaras?
Devo deixá-los jogar ao ar livre?
Eu deveria levantar a minha voz ou manter minha boca fechada?

Estas são as perguntas que todos se fazem todos os dias.

Por aqui, nós também vivemos sob o mesmo sistema baseado no mito de segurança e mentiras.

A energia nuclear é originada do desenvolvimento de tecnologia militar, em meados do século 20. Desde que a energia nuclear foi introduzida no Japão pelas corporações dos EUA, como a GE e a Westinghouse, durante a década de 50, manteve-se como um importante programa nacional, para o bem das relações de ‘segurança’ EUA-Japão.

Agora, as pessoas em Fukushima foram feitas de pesquisa para os experimentos nucleares. Isso é uma pesquisa sem tratamento.
Em setembro do ano passado o governo deu às crianças e mulheres grávidas crachás de dosímetros de pequena radiação. Os resultados são recolhidos pelo governo local a cada três meses e enviados para o centro nacional de câncer. O governo decidiu também que mais de 360 mil pessoas, além de recém-nascidos serão ao longo da vida objetos de exame de câncer de tireóide. Se o objetivo desta pesquisa é o de proteger as vidas humanas, deveriam ser evacuados para um lugar mais seguro em primeiro lugar.

Tantas vidas e recursos naturais são sacrificados apenas para a energia nuclear permanecer aqui, com ou sem acidentes.

Então, o que os japoneses estão fazendo? Para resumir:
-Desde 11 de março as pessoas foram rapidamente educar-se sobre diferentes tipos de materiais radioativos e seus vários efeitos ao corpo humano.
-Eles estão monitorando o nível de radiação em suas próprias comunidades, com os seus próprios contadores Geiger em suas mãos. Essas atividades baseadas na comunidade começou muito autônoma, fora da sua necessidade de obter informações mais ninguém oferece.
-As mulheres, especialmente aquelas com filhos estão protestando contra as autoridades. Na semana passada, as mulheres de todo o Japão começaram a ocupar ruas em torno do ministério da economia, e manter negociações diretas com funcionários governamentais para exigir a evacuação das crianças, a divulgação de todas as informações contaminação de alimentos e etc.

Um mês atrás, uma mãe de Fukushima visitou NY para falar sobre sua experiência. Ela disse para nós, que se pergunta se Fukushima aconteceu para toda a humanidade para mudar nossa percepção sobre o valor monetário, e para todos nós percebermos quão valiosos são nossos bens comuns: o ar, solo, água.

A luta pela abolição das armas nucleares envolve todos os elementos do nosso mundo que ainda é controlada pela sociedade altamente consumista baseada no capitalismo à custa do bem-estar humano. Como eu disse anteriormente, as mulheres são as mais fortemente opostas à propaganda do governo sobre o patriotismo e sacrfifício. Elas estão lutando para resistir a essa lógica suicida, o que exige de suas famílias consumir produtos radioativos para mostrar ao mundo que tudo está bem neste país e que energia nuclear é algo que podemos conviver. Sua resistência precisa do nosso apoio. Por favor, conecte-se conosco e preste atenção em nossas atividades aqui e no Japão.

*Yuko Tonohira é militante ecofeminista japonesa da luta anti-nuclear, que atualmente mora nos EUA. Tradução Ticiana Gabrielle Amaral Nunes.

Manifestante segura cartaz em protesto contra a energia nuclear em frente à Tokyo Electric Power, em Tóquio

Manifestante segura cartaz em protesto contra a energia nuclear em frente à Tepco: reatores estão sendo submetidos a operações de resfriamento.Toru Yamanaka/AFP

Documento mostra que milhares de pessoas em todo o mundo ainda vivem sob a ameaça de acidentes nucleares

Um ano após o desastre de Fukushima, no Japão, o mundo ainda não aprendeu a lição. Um relatório produzido pelo Greenpeace mostra que milhares de pessoas em todo o mundo ainda correm o risco de enfrentar acidentes nucleares.

Intitulado “Lições de Fukushima”, o documento aponta que o acidente não foi causado por um desastre natural, mas por uma série de falhas do governo japonês, de órgãos reguladores e da indústria nuclear.

“Embora causado pelo tsunami de 11 de março, o desastre de Fukushima foi, em última instância, culpa das autoridades japonesas, que optaram por ignorar os riscos e fazer dos negócios uma prioridade mais alta que a segurança”, disse Jan Vande Putte, da campanha de energia nuclear do Greenpeace Internacional.

“Este relatório demonstra que a energia nuclear é insegura e que os governos são rápidos em aprovar reatores, mas continuam mal preparados para lidar com problemas e proteger as pessoas de desastres nucleares. Esta situação não mudou desde o desastre de Fukushima e é por isso que milhares de pessoas continuam expostas a riscos nucleares.”

O relatório chega a três importantes conclusões para explicar a tragédia e suas consequências. A primeira delas é que as autoridades japonesas e a empresa que operava a planta nuclear de Fukushima conheciam, mas ignoraram, os riscos de um sério acidente.

Em segundo lugar, ficou claro que, mesmo um país preparado para desastres de grandes proporções, como o Japão, ficam de mãos atadas diante da magnitude de um desastre nuclear. Os planos de emergência nuclear e de evacuação falharam em proteger os cidadãos.

Por fim, centenas de milhares de pessoas ainda não puderam refazer suas vidas devido à falta de apoio e compensação financeira. O Japão é um dos poucos países onde, por lei, as empresas que operam as plantas nucleares são responsáveis por bancar os custos de um desastre. Na prática, após um ano da tragédia, os afetados pela tragédia continuam desamparados. Os contribuintes japoneses é que terminarão arcando com todos os custos.

Corrente humana contra a energia nuclear

O próximo domingo, 11 de março, marca o primeiro ano do desastre nuclear de Fukushima. O acidente promoveu uma revisão global dos padrões de segurança das usinas nucleares. Países como a Alemanha anunciaram um plano de desligamento de suas usinas.

Na contramão deste processo, o Brasil dá continuidade à construção do terceiro reator do complexo de Angra e prevê a construção de mais plantas nucleares por todo o país.

Fonte: Greenpeace (adaptado para o blog do CEA)

Levantamento em 23 países mostra crescente oposição à construção de novas usinas. Usina nuclear na França, em foto de arquivo (AFP)

Levantamento em 23 países mostra crescente oposição à construção de novas usinas. Usina nuclear na França, em foto de arquivo (AFP)

A rejeição da opinião pública global ao uso de energia atômica aumentou após o acidente com a usina nuclear de Fukushima, no Japão, segundo indica pesquisa encomendada pela BBC.

Na média geral entre os 12 países que já têm usinas nucleares ativas – Brasil incluído –, 69% dos entrevistados rejeitam a construção de novas usinas, enquanto 22% defendem novas estações. No Brasil, 79% dos entrevistados dizem se opor à construção de novas usinas.

Esses 79% incluem pessoas que acham que o Brasil deve usar as usinas nucleares que já tem, mas não construir estações novas (44%), e pessoas que acham que, como a energia atômica é perigosa, todas as usinas nucleares operantes devem ser fechadas o mais rápido possível.

Apenas 16% dos entrevistados brasileiros acham que a energia nuclear é relativamente segura e uma importante fonte de eletricidade e que, portanto, novas usinas devem ser construídas.

A pesquisa, em 23 países, indica que após o acidente de Fukushima, em março, aumentou a oposição à energia nuclear, tanto em países que a promovem ativamente, como Rússia e França, como em países que ainda planejam a construção de usinas.

Em comparação com resultados de 2005, o levantamento “sugere que houve um elevado aumento na oposição à energia nuclear” em parte dos países, enquanto cresce a defesa da economia de energia e o uso de fontes renováveis em vez da energia nuclear.

Rejeição e apoio

As maiores rejeições à ampliação do uso da energia atômica são observadas na França, no Japão, no Brasil, na Alemanha, no México e na Rússia.

Em contrapartida, em países como China, Estados Unidos e Grã-Bretanha, ainda é representativa a quantidade de pessoas que consideram a energia nuclear segura – 42%, 39% e 37%, respectivamente.

“A falta de impacto que o desastre nuclear de Fukushima teve na opinião pública nos EUA e na Grã-Bretanha é digna de nota e contrasta com a crescente oposição às usinas nucleares novas na maioria dos países que acompanhamos desde 2005”, declarou o presidente da empresa de pesquisas GlobeScan, Doug Miller.

“O maior impacto foi observado na Alemanha, onde a nova política do governo (de Angela) Merkel, de fechar todas as estações de energia nuclear, é apoiada por 52% dos entrevistados”, disse.

A visão alemã reflete a opinião pública do resto da Europa, continente em que “a maioria dos países pesquisados tem uma visão negativa com relação ao uso de energia atômica para gerar eletricidade”.

Realizado pela GlobeScan a pedido da BBC, o levantamento ouviu 23,2 mil pessoas em 23 países (12 deles já operando usinas nucleares), entre junho e setembro. A margem de erro é de 3,1 a 4,4 pontos percentuais.

Este foi o primeiro ano em que o Brasil participou da pesquisa.

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/11/111124_pesquisa_nuclear_bbc_pai.shtml

https://i2.wp.com/www.cartamaior.com.br/arquivosCartaMaior/FOTO/62/foto_mat_27259.jpgpor Zoraide Vilasboas

O “Relatório da Missão Caetité: Violações de Direitos Humanos no Ciclo do Nuclear”, que denuncia a situação de injustiça ambiental na exploração de urânio na Bahia, será apresentado amanhã hoje, 25/11, às 14 horas, no Instituto de Geociências da UFBA, em Salvador, pela socióloga Marijane Lisboa da Plataforma Dhesca Brasil (Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais).

A Missão Caetité pesquisou os danos sócio ambientais e econômicos causados pela unidade mínero-industrial da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que há 11 anos opera a única mineração de urânio ativa na América Latina, a 750 km da capital baiana, onde produz concentrado de urânio, principal matéria prima do fabrico do combustível que abastece as usinas atômicas de Angra 1 e 2 (RJ).

Durante mais de dois anos, a Relatoria para o Direito Humano ao Meio Ambiente da Plataforma Dhesca investigou as denúncias de insegurança técnico-operacional nas instalações da INB e de desastres e crimes ambientais, como a contaminação da água e do meio ambiente de uso comum de populações rurais de Caetité, Lagoa Real e Livramento. Investigou também o índice crescente de mortes por câncer na região; os conflitos pelo uso da água; a desinformação da população sobre os riscos à saúde associados à contaminação radioativa e a omissão das autoridades envolvidas.

“conspiração da ignorância”

A Relatoria Dhesca constatou a falta de transparência em todas as atividades nucleares desde a mineração, o fabrico de material radioativo, o funcionamento das usinas até a destinação final do lixo atômico. E levanta a suspeita de que novo programa nuclear militar paralelo seja o verdadeiro propulsor da retomada do Programa Nuclear Brasileiro, que usa o carimbo da segurança nacional para tentar impedir o acesso às informações sobre as atividades atômicas.

Ao avaliar a atuação dos órgãos de fiscalização nas três esferas administrativas, a Plataforma se deparou com uma realidade preocupante, identificada como uma “conspiração da ignorância” que tenta negar os danos causados pela exploração do urânio. Segundo o relatório, a conivência dos poderes públicos com o sigilo imposto pelo setor nuclear e a omissão das autoridades com as irregularidades observadas, resulta na falta de assistência aos trabalhadores e às populações afetadas pela INB.

A Plataforma apontou as ameaças à saúde dos trabalhadores e da população como os aspectos mais graves e que exigem urgentes soluções e apresenta recomendações às autoridades competentes, relativas ao monitoramento da saúde dos trabalhadores e da população, a proteção do meio ambiente, à segurança da água, reparação por danos materiais e imateriais, acesso à justiça e ao licenciamento ambiental das atividades de mineração e processamento de urânio. Também defende a necessidade de uma auditoria independente para avaliar todos os aspectos referentes ao funcionamento da INB, reivindicada pelas populações da região desde o ano 2001.

violação dos direitos humanos

Realizada por Marijane Lisboa, José Guilherme Zagallo (relatores) e Cecília Mello (assessora), a investigação da Dhesca Brasil incluiu viagens a Caetité (2009) e Salvador (2010), visitas à comunidades rurais, o exame de farta documentação, entrevistas com comunitários e reuniões com autoridades públicas nas três esferas de governo, responsáveis pela proteção da saúde e do meio ambiente e pela gestão das águas na Bahia.

A Plataforma atua com apoio da ONU e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão e cumpre importante papel no monitoramento, mediação e promoção de Direitos Humanos. Sobre Caetité, concluiu: “a violação dos direitos humanos ambientais se encontra associada e se expressa por meio da violação do direito humano à saúde, à moradia, à água potável, à atividade econômica e aos direitos políticos de acesso à informação, manifestação e participação nas decisões, dada a inseparabilidade das interações entre todos estes aspectos e o meio ambiente, que constitui o seu fundamento material.”

O lançamento é promovido pela Pós-Graduação em Geografia, Mestrado em Economia/Projeto GeografAR da UFBA e Rede Brasileira de Justiça Ambiental, dentro do programa “Geografando nas Sextas: o Campo Baiano em Debate”. O evento tem o apoio da Associação Movimento Paulo Jackson –Ética, Justiça, Cidadania; Associação dos Engenheiros Agrônomos da Bahia – AEABA; CESE; Comissão Paroquial de Meio Ambiente de Caetité; CREA-BA; CPT-Ba; Gambá; Greenpeace; Instituto Búzios; Instituto Quilombista; Jubileu Brasil Sul; O Lixo somos nós?; Sindae; Suport-Ba.

Zoraide Vilasboas é jornalista da Coordenação de Comunicação da ASSOCIAÇÃO MOVIMENTO PAULO JACKSON-Ética,Justiça,Cidadania

Fonte: EcoDebate

 Japoneses saem às ruas de Tóquio para protestar contra as usinas nucleares neste domingo, quando completam seis meses do terremoto seguido de tsunami. Foto: AFP

Japoneses saem às ruas de Tóquio para protestar contra as usinas nucleares neste domingo, quando completam seis meses do terremoto seguido de tsunami. Foto: AFP

Aos gritos de “nuclear não”, milhares de pessoas pediram neste domingo em Tóquio ao governo japonês o fechamento de todos os reatores atômicos do país, no dia em que completa seis meses da luta para controlar a usina nuclear de Fukushima.

O tsunami que assolou o nordeste japonês em 11 de março provocou nessa planta o pior acidente nuclear em 25 anos, o que obrigou a remoção em massa de mais de 80 mil famílias e mantém 80% dos reatores do arquipélago paralisados.

“A radioatividade não tem fronteiras”, “Do Japão ao mundo: Perdão!” e “Energia atômica, não obrigada” foram alguns dos slogans que se repetiram neste domingo em frente ao Ministério da Indústria na capital, que abriga também a sede da Agência para a Segurança Nuclear do Japão.

Em meio a um forte esquema de vigilância policial, 3 mil pessoas formaram uma rede humana que ordenadamente cercou o prédio e que, em um ambiente entre indignado e de lembrança, pediu em coro e com cânticos levar aos tribunais os responsáveis pela crise e o fechamento definitivo de todas as plantas nucleares do Japão.

As mesmas mensagens se repetiram em outras manifestações na capital japonesa, como no bairro de Shinjuku e o popular parque de Yoyogi, onde ocorrem os atos de homenagem aos quase 20 mil mortos e desaparecidos pela catástrofe de março.

Seis meses depois, mais de 3 mil pessoas trabalham ainda na central de Fukushima para tentar levar os reatores a uma parada fria, enquanto continua interrompida uma área de 20 quilômetros em torno da central e alguns pontos de áreas mais afastadas.

No restante da província persiste ainda o sentimento de medo da radioatividade: embora as pessoas continuem em suas casas, um terço dos cidadãos de Fukushima desejaria mudar, mas não o fazem pelos problemas e custos que isso acarretaria, segundo uma pesquisa conjunta do jornal Asahi, a agência Kyodo e várias TVs locais.

“Temos de encontrar outras fontes de energia e conseguir que todas as usinas nucleares do Japão sejam fechadas já, não daqui a 50 anos”, sublinhava à Agência Efe Akira Kosuge, um dos manifestantes que estava em frente à sede da polêmica Agência de Segurança Nuclear.

“Por que nós japoneses não aprendemos com Chernobyl?”, acrescentou, enquanto exibia uma grande fotografia que mostrava uma mãe chorando por seu filho durante o desastre.

Desde o início da crise, a elétrica TEPCO, operadora de Fukushima, ressaltou a diferença com Chernobyl e insistiu em que os acidentes ocorreram de forma diferente e em reatores de tecnologia diferente, embora os dois tenham sido classificados no nível 7 de máxima gravidade na escala internacional de acidentes nucleares.

Neste domingo, o presidente da TEPCO, Toshio Nishizawa, pediu novamente desculpas “aos moradores que vivem no entorno da central, a Fukushima e a todo o Japão” pelo acidente e insistiu em que a companhia se esforça “para que os refugiados possam retornar para suas casas o mais rápido possível”.

Segundo a televisão pública NHK, na central estão acumuladas ainda 100 mil toneladas de água contaminada e o desafio é conseguir resfriamento estável dos reatores, sem que aumente o volume de líquido até janeiro de 2012.

A situação em Fukushima provocou o fechamento de boa parte dos reatores nucleares do Japão desde 11 de março, parte por questão de segurança e outra por causa de revisões rotineiras, sem que por enquanto exista um sinal verde para reativar nenhum deles.

Atualmente, somente 11 dos 54 reatores do país estão em funcionamento e, se não forem colocados em andamento nenhum dos paralisados por inspeções, até o primeiro semestre do próximo ano todos estarão parados.

No entanto, e apesar dos pedidos dos movimentos contrários a energia nuclear, nesta semana 15 deles começaram a ser submetidos a testes de resistência exigidos pelo governo, por isso que não está descartada a reativação nos próximos meses.

Fonte: Terra

A crise nuclear criou uma nova vertente na requintada culinária japonesa, o cardápio atômico. O que era apresentado como um pequeno problema temporário, tornou-se, seis meses depois, um grave problema sócio-econômico. Vacas, javalis, peixes frutas e folhas de chá, entre outros produtos, apresentam contaminação por césio. Arroz também está sob suspeita. Milhares de agricultores e pescadores exigem indenização.

O cardápio atômico japonês por Tomi Mori (*)

A crise aberta em Fukushima 1 continua a aprofundar-se. Além da questão energética, que aflige os japoneses, a fuga da radiação parece prosseguir sem que a população tenha informações ou meios de evitar as consequências.

Dias após o desastre nuclear, enquanto a TEPCO e o governo insistiam que não havia risco para a população, os fatos foram provando o contrário. O primeiro indício dessa grande mentira foi a divulgação pela imprensa de que o leite e alguns tipos de verduras estavam contaminados pela radiação. Na sequência foi descoberto que a água, mesmo em Tóquio, a quilômetros de Fukushima, estava contaminada, mas, segundo eles, num nível não prejudicial às pessoas. Mas aconselhou-se que essa água não fosse dada a crianças pequenas.

A crise nuclear criava, assim, uma nova vertente na requintada culinária japonesa, o cardápio atómico O que era apresentado como um problemazinho temporário, seis meses depois, tornou-se um grave problema sócio-econômico.

O javali atômico
Para poder escrever sobre este tema, tive de estar atento, com uma lupa na mão, para, em alguns casos, encontrar informações, que julgo relevantes, nos pés de página dos jornais, como aconteceu esta manhã.

Numa breve nota, comunicava-se que, mais uma vez, fora detectada radioatividade acima da estabelecida por lei em gado bovino de corte da província de Iwate. Isso, alguns dias depois do governo afirmar que o gado proveniente dessa província não estava contaminado e ter levantado a proibição da venda da carne produzida nas províncias do nordeste. A questão do gado bovino tornou-se uma grande e triste novela desde que, semanas atrás, foi descoberto que uma vaca, abatida num matadouro, num bairro central de Tóquio, estava contaminada pelo césio. Na sequência das averiguações confirmou-se que outras vacas também abatidas nesse matadouro também estavam contaminadas. A bola de neve foi aumentando e, com o passar dos dias, o governo proibiu que algumas províncias produtoras (Fukushima, Miyagi, Iwate, Tochigi) dispusessem o seu gado para abate.

A contaminação da carne bovina, provocada pelo consumo de palha de arroz que esteve exposta à radiação para a alimentação do gado, assestou um profundo golpe a todo o setor, levando pequeno produtores à bancarrota ou a grandes perdas. E, inclusive, grandes empresas, como é o caso da Agura Bokujo, criador de porte nacional, com 370 fazendas no sistema de franquia, com 145 mil cabeças, que entrou com um pedido de proteção à falência nos primeiros dias de agosto. O golpe atingiu matadouros, que já são negócios decadentes no Japão, supermercados, restaurantes especializados e grandes cadeias de restaurantes como a Gyukaku e Anrakutei, também especializadas na carne bovina. “Penso que não tenho outra opção além de abandonar a criação”, “não sei se os consumidores voltarão a consumir os nossos produtos”, são alguns dos comentários dos pequenos produtores. Durante o auge da crise descobriu-se que algumas centenas (quantas?) de gado bovino foram contaminados pelo césio.

Não existem dados precisos da quantidade de carne contaminada que foi vendida aos consumidores. O que sabemos é que a carne foi vendida na maioria das províncias japonesas, 37 ao todo. O governo comprometeu-se a comprar parte da carne e incinerá-la. Mas é de se perguntar se é correto o governo, e não a TEPCO, desembolsar dinheiro vindo dos contribuintes para resolver um problema criado por essa empresa.

No importantíssimo arroz, que é parte integrante da dieta japonesa, consumido por milhões em três refeições diárias, foi detectada também contaminação radioativa pelo césio, como nalgumas amostras do arroz produzido em Fukushima. Segundo o governo, os índices de contaminação estão abaixo dos estabelecidos por lei. Nas últimas semanas foram feitas várias análises de arroz produzidos nas províncias do nordeste e, inclusive, em Chiba, vizinha a Tóquio.

Um agricultor de Miyagi, Shigeo Kurosawa, decidiu fazer a sua análise por conta própria, através de um instituto privado. Vivemos o período de colheita de arroz e, igualmente, como no caso do gado bovino, todos os produtores de arroz do nordeste têm sofrido em maior ou menor grau as consequências da crise. O arroz de Fukushima foi o meu predilecto durante vários anos, mas decidi aboli-lo do meu cardápio e já nem sei se algum dia voltarei a comê-lo, mesmo que me garantam que é seguro. Várias análises foram feitas e, na maioria dos casos, demonstram que os índices são seguros, conforme os níveis do governo. Mas o óbvio é que toda a metodologia dessas pesquisas é, em primeiro lugar, bastante questionável.

A província de Fukushima é a segunda produtora de pêssegos. Nesse Verão, tive oportunidade de ver esses deliciosos pêssegos serem vendidos a preço de banana no mercado que costumo frequentar. Tradicionalmente, eram utilizados como presentes de Verão, enviados a familiares, amigos ou por empresas aos clientes ou pessoas relacionadas. Mas, neste ano, é evidente que não eram uma boa opção.

No dia 21 de agosto, a imprensa noticiou que a carne de um javali capturado em Kakuda, na província de Miyagi, no dia 7 de agosto, possuía nível de contaminação pelo césio quatro vezes superior ao limite de segurança estabelecido pelo governo. O governo fez um patético apelo para que a população evite comer animais selvagens. Esse javali atômico parece ser apenas a ponta de um grande iceberg, já que qualquer leitor é capaz de imaginar que esse pobre bicho pode não ter sido a única vítima da contaminação Muito provavelmente, por falta absoluta de pesquisas, um número pequeno ou grande de animais silvestres deve ter sofrido contaminação E é possível especular também que alguns seres humanos também podem ter-se transformado em homens atômicos desde o início da crise. Mas ainda não caíram nos matadouros nem nas lâminas das facas dos caçadores para que isso se possa provar. Mas o caso desse simples javali demonstra a profundidade do impacto ambiental causado pela central nuclear.

Situação dramática
Também nas notas de rodapé do Yomiuri do dia 4 de setembro li que recentes análises encontraram césio nas folhas de chá produzidas nas províncias de Saitama e Chiba, vizinhas a Tóquio, ou seja, longe de terminar, cada dia que passa a lista vai ficando mais longa. A situação é tão dramática que, apenas em Fukushima, tinham sido conduzidas mais de 4 mil inspecções.

Estes poucos exemplos ajudam-nos a fazer uma generalização sobre a verdadeira situação após o desastre de Fukushima 1. Um desastre que, ao contrário de ter sido controlado, continua a expandir-se, como os fatos vêm demonstrando. Se não fosse assim, como explicar que, seis meses após o desastre, a lista de contaminação continue a crescer.

O outro aspecto da discussão são os critérios e metodologia que estão a ser utilizados para fazer todo tipo de afirmações Vejamos o critério utilizado no gado bovino: o governo ira inspecionar uma vaca por fazenda a cada três meses! Alguém se sente seguro em comer essa carne? Por que três meses e não cinco, um mês, uma semana, a cada três dias?

A repercussão econômica é mais que evidente. Mas, o desastre tem feito com que milhões de pessoas sejam forçadas a pensar, diariamente, se é realmente seguro deleitar-se com o cardápio atômico que as autoridades insistem em afirmar que não são prejudiciais aos seres humanos. Por último, resta ainda um simples raciocínio: para que comer o cardápio atômico se é possível evitá-lo?

Em meados de agosto, alguns milhares de agricultores e pescadores de Fukushima realizaram uma manifestação de protesto no Parque Hibiya, em Tóquio, exigindo indenização pelos danos causados pela TEPCO às suas vidas.

(*) Correspondente do Esquerda.Net em Tóquio

Fonte: CartaMaior

A era pós-nuclear

Fukushima abala as equações energéticas. É preciso interromper agora a construção de centrais atômicas e desmontar rapidamente as ativas

Por Ignacio Ramonet

Fukushima marca, em matéria de energia atômica, o fim de uma ilusão e o começo da era pós-nuclear. Classificado atualmente como de nível 7, o mais elevado na escala internacional dos incidentes nucleares (INES), o desastre japonês é comparável ao de Chernobyl (na Ucrânia, em 1986), em razão de seus “efeitos radioativos consideráveis sobre a saúde das pessoas e o ambiente”.

O abalo de magnitude 9 e o formidável tsunami que, sacudiram com brutalidade inédita, em 11 de março, o nordeste do Japão, provocaram a cataśtrofe atual e abalaram as certezas dos defensores da energia atômica civil.

Curiosamente, a indústria nuclear vivia talvez a melhor época de sua história. Dezenas de construções de centrais estavam previstas, num grande número de países. Por duas rezões, essencialmente. Primeiro, a perspectiva de um esgotamento do petróleo até o final do século, assim como o crescimento exponencial da demanda energética por parte dos “gigantes emergentes” (China, Índia, Brasil) faziam do átomo a energia substituta por excelência. Além disso, porque a tomada de consciência coletiva, diante dos perigos da mudança climática causada pelos gases do efeito-estufa, conduzia paradoxalmente a preferir a energia nuclear, vista como “limpa”, por não produzir CO2.

A estes dois argumentos recentes, somam-se os pretextos habituais: o da soberania energética e o da menor dependência em relação aos países exportadores de hidrocarbonetos; o baixo custo da energia produzida; e, mesmo que parece insólito no contexto atual, a segurança. Afirmava-se que as 441 centrais nucleares do mundo (metade na Europa Ocidental) só viveram, durante o último meio século, três acidentes graves

Todos estes argumentos – que não são absurdos – voaram em pedaços diante da dimensão excepcional do desastre de Fukushima. O novo pânico que o cataclismo despertou, agora de dimensões mundiais, baseia-se em diversas constatações. Em primeiro lugar, e ao contrário de Chernobyl (atribuído, em parte por razões ideológicas, à obsolescência da tecnologia soviética), o incidente registrado agora ocorreu num dos centros tecnológicos mais avançados do mundo, num país onde se imagina (por ter sido vítima, em 1945, do único inferno atômico militar) que as autoridades e os técnicos tenham tomado todas as precauções para evitar um desastre nuclear civil. Se o Estado mais apto e mais vigilante não foi capaz de evitar a catástrofe, é razoável que os outros continuem a brincar com o fogo atômico?

Em segundo lugar, as consequências temporais e espaciais do desastre de Fukushima são aterradoras. Devido à radiatividade muito forte, as áreas em torno da central terão de permanecer desabitadas por milênios. Zonas um pouco mais distantes, por séculos. Milhões de pessoas serão definitivamente deslocadas, para territórios menos contaminados. Deverão abandonar para sempre suas propriedades e atividades industriais, agrícolas ou de pesca.

Além da região-mártir propriamente dita, os efeitos radiativos se farão sentir na saúde de dezenas de milhões de japoneses. E sem dúvida também sobre diversos vizinhos. Coreanos, russos, chineses… Sem excluir outros habitantes do hemisfério Norte, o que confirma que um acidente nuclear nunca é local, mas sempre planetário

Em terceiro lugar, Fukushima demonstrou que a questão da suposta “soberania energética” é muito relativa. Porque a produção de energia nuclear supõe outra sujeição: a “dependência tecnológica”. A despeito de seu enorme avanço técnico, o próprio Japão foi obrigado a recorrer a experts norte-americanos, franceses, russos e coreanos (além dos especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica), para tentar reassumir o controle sobre os reatores acidentados.

Como se não bastasse, os recursos de urânio do planeta são extremamente limitados. Calcula-se que, ao ritmo de exploração atual, as reservas mundiais do mineral estarão esgotadas em 80 anos. Ou seja: ao mesmo tempo que o petróleo…

Por todas estas razões e muitas outras (a eletricidade nuclear, por exemplo, não é mais barata), os defensores da opção nuclear deveriam admitir que Fukushima modificou radicalmente o enunciado do problema energético. E que, a partir de agora, quatro imperativos se impõem: deixar de construir novas centrais; desmontar as que existem num prazo máximo de, digamos, trinta anos; impor uma frugalidade máxima no consumo da energia; e mergulhar a fundo sobre as energias renováveis. Somente assim, talvez, seja possível salvar o planeta. E a humanidade.

Fonte: http://www.outraspalavras.net/2011/05/05/a-era-pos-nuclear/

A portas fechadas, eis que Dilma Rousseff finalmente revela o que pensa sobre Angra 3. Em conversa com o presidente da Alemanha, Christian Wulff, a presidente fez um apelo para que ele interceda em favor do projeto de construção da usina, que depende de financiamento alemão.

Quase dois meses se passaram desde a tragédia japonesa em Fukushima e vários países anunciaram que irão reavaliar medidas de segurança e até mesmo repensar seus planos nucleares. Por aqui, o governo manteve silêncio, mesmo frente aos vários pedidos do Greenpeace para que interrompa a construção de Angra 3, um projeto desnecessário, caro e perigoso, com tecnologia completamente defasada.

O presidente alemão, segundo revelou nota no jornal O Globo de hoje, não teria cedido tão facilmente aos apelos radioativos de Dilma. Ele confirmou que vem sofrendo intensas pressões internas, especialmente eleitorais, para cancelar o crédito de exportação que o governo concederia para a compra dos equipamentos necessários à Angra 3.

A parceria Brasil-Alemanha em projetos nucleares data da década de 1970 e o aporte do país ao projeto de Angra 3 é de cerca de R$ 3 bilhões. Sem ele, o financiamento para a construção do calhambeque atômico ficaria na mão do BNDES. O Greenpeace esteve na porta do banco em abril para pedir que ele cancele este investimento em insegurança. Esteve também em Brasília, em frente ao Palácio do Planalto, com um pedido direto à presidente pelo fim de Angra 3.

Fonte: http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Blog/os-apelos-radioativos-de-dilma/blog/34617

A maior crise existente no Japão hoje é a crise de confiança. Já não é possível acreditar em nenhum comunicado que faz a Tóquio Eletricidade (Tepco), nem no que diz o governo japonês. Não há como acreditar em nada do que o governo japonês fala. Não se sabe com que critério científico o governo determina o perímetro de 30 km de evacuação. Mas não resta dúvida de que esse perímetro não é aumentado pois isso representará milhares de milhões de ienes de indenizações. O artigo é de Tomi Mori.

Tomi Mori (*) – Esquerda.net

Entrando na quarta semana após o início da tragédia, já que ela ainda está longe de terminar, temos alguns dados já relativamente estabilizados. As mortes oficiais somam 11.620, os desaparecidos 16.444 (não há muita possibilidade de que sejam encontrados vivos depois de tantos dias), 2.877 feridos e 191.625 construções destruídas ou danificadas. Esses números podem ser considerados como a primeira parte da tragédia. A outra parte diz respeito às casas, plantações e vidas desorganizadas pela tragédia nuclear, que continua sem que possamos dizer em que estágio da crise nos encontramos. Estima-se que serão necessários 300 bilhões de dólares para reparar os estragos causados. Estamos no início, no meio ou próximos do final da crise?

Falta de credibilidade
A maior crise existente no Japão hoje é a crise de confiança. Essa crise fenomenal de confiança, no mais amplo sentido da palavra, deriva da atitude das autoridades envolvidas na crise nuclear, ou seja, a Tóquio Eletricidade (Tepco) e o governo do primeiro-ministro Naoto Kan.

A Tóquio Electricidade, operadora da central nuclear Fukushima 1, desde que começou a tragédia, tem agido de tal maneira que já não é possível acreditar em nenhum comunicado que faz. O próprio primeiro-ministro japonês, no início da crise, foi ao escritório da empresa, em Tóquio, para reclamar da maneira como havia sido comunicado. Foi o último a saber, já que a empresa havia se manifestado na imprensa primeiro. Os primeiros vazamentos, que a operadora alegou serem “inofensivos”, acarretaram entre outras coisas uma situação na qual os moradores próximos à unidade não mais poderão voltar às suas casas. Vários trabalhadores foram contaminados pela radioatividade, ocasionada pela falta de segurança no trabalho, fruto de informações erradas ou, quem sabe, literalmente mentirosas.

Desde que se iniciou a tragédia nuclear, a operadora fornece dados das medições de radioatividade, mas ninguém é capaz de dizer quais são os critérios utilizados. Se esses critérios são adequados, se os equipamentos utilizados são apropriados, ninguém está em condições de julgar. Mesmo com toda a artimanha utilizada para não agravar o que já era grave, as ações da empresa despencaram. E só não viraram pó, como se diz no jargão financeiro, porque continuam a jogar às escondidas, sem dizer claramente o que deveria ser dito numa situação tão grave como é a atual. Não restam dúvidas que, em primeiro lugar, vêm as motivações económicas e só depois as sociais, como a segurança e a vida das pessoas. As semanas estão a passar, mas não há nenhuma informação concreta de como tudo isso irá terminar.

Durante a semana, foi anunciada a desativação de quatro reactores. Em qualquer situação, é um trabalho que vai levar algumas décadas. Era o óbvio, depois que deitaram água salgada, na tentativa desesperada de refrigerar os reatores. Mas ao invés de diminuir as dúvidas, o que temos à nossa frente é uma quantidade ainda maior de questões não respondidas. Quanto tempo irá levar para que a situação esteja sob controle? A operadora tem como impedir uma fuga que coloque em risco a vida das pessoas? Agora que entramos na Primavera e a temperatura aumenta, como substituir a água do mar? O exército vai deitar sorvete em cima dos reatores com helicópteros?

Neste momento, nas proximidades de Fukushima 1, a temperatura ainda é baixa, provavelmente oscilando até aos 5 graus. Mas, o que será feito quando a temperatura ambiente atingir mais de 30 graus? O governo aventa a possibilidade de jogar resina, mas o que isso significa?

Não há como acreditar em nada do que o governo japonês fala. Não se sabe com que critério científico o governo determina o perímetro de 30 km de evacuação. Mas não resta dúvida de que esse perímetro não é aumentado pois isso representará milhares de milhões de ienes de indenizações. Quanto maior o perímetro, maior a indenização a ser paga e o governo, claramente, faz essas contas, mesmo que isso signifique o risco de milhares de pessoas. O governo, como qualquer governo, tem de falar alguma coisa, mas é incapaz de encontrar uma solução rápida que possa evitar um tragédia de grandes proporções. Na inexistência de explicações confiáveis, sou forçado a especular e tudo indica que a situação hoje é pior e mais dramática do que no dia 11 de março, quando houve o terremoto.

Falta de confiança afeta economia
A visita do presidente Sarkozy ao Japão corresponde ao temor existente, em todo o mundo, de que a crise japonesa possa causar problemas ainda maiores num mundo que já está bastante complicado. Os otimistas diziam que o mundo estava saindo da crise de 2008. Outros mais críticos, diziam que estávamos a caminho, não da recessão mas, sim, da depressão. Independente de estar a favor desta ou daquela opinião, a atual crise japonesa, sem sombra de dúvidas, só faz piorar a situação mundial. A dependência da energia nuclear de alguns países é gritante, basta ver a França de Sarkozy. A França, que sonhava vender centrais nucleares até para os marcianos, se fosse possível, viu o seu projecto despedaçar-se. E, mais do que isso, pode ocorrer um indesejável e poderoso movimento anti-nuclear, coisa que o presidente francês pretende evitar, antecipando-se aos acontecimentos e tentando se transformar no paladino da segurança nuclear, como se isso fosse possível…

A falta de um posicionamento claro por parte do governo tem acarretado uma paralisia em todas as áreas da atividade social. Ainda é cedo para se fornecer números, mas além de várias empresas já terem sido afetadas, com falta de peças e componentes, ainda estamos apenas no início de problemas maiores na economia japonesa. No próximo verão, já está claro que a falta de energia irá causar graves problemas. O maior deles será a falta de energia em Tóquio, coração da economia japonesa. Como resolver essa questão?

Este ano, os japoneses poderão exercer amplamente a sua criatividade, mas é pouco provável que isso impeça que marchemos para uma situação recessiva. Setores da burguesia imperialista japonesa acreditam que na tragédia surge a oportunidade de auferir grandes lucros. Tem algum sentido, já que as pessoas terão de comprar frigoríficos, televisões,camas, construir casas, etc… Mas não se pode dizer que isso vá revitalizar a economia japonesa. Em função da crise nuclear, do seu prolongamento e desdobramentos, a palavra que sintetiza a atual situação japonesa é “volátil”. Qualquer que seja a próxima tragédia, ela já não será uma surpresa.

(*) Correspondente em Tóquio do Esquerda.net

As notícias de Fukushima seguem alarmantes. Nesta semana descobriu-se a presença de plutônio nas instalações danificadas. Ainda assim, os porta-vozes da indústria nuclear seguem insistindo que esta tecnologia é segura, eficiente e competitiva do ponto de vista econômico. O engano sobre a suposta eficiência econômica da indústria nuclear é tão perverso quanto o ocultamento de informação sobre os danos à saúde e a periculosidade desta tecnologia. A realidade é que a indústria nuclear não poderia funcionar se não fosse pelos astronômicos subsídios que recebe. O artigo é de Alejandro Nadal.

Para esconder sua falta de vergonha, os porta vozes da indústria nuclear agora afirmam que todas as fontes de energia têm seus riscos próprios. Assinalar os defeitos alheios para esconder as próprias falhas é um velho recurso retórico. Ele é empregado quando alguém está acuado e é especialmente útil quando os argumentos se esgotaram. Mas é particularmente estúpido quando os erros próprios são expressamente ofensivos e estão à vista de todos.

As notícias desde Fukushima seguem sendo alarmantes. Nesta semana descobriu-se a presença de plutônio nas instalações danificadas, o que indica que o reator 3 (o único em Fukushima que utiliza uma mistura de urânio e plutônio) provavelmente sofreu danos importantes. Isso não surpreende se se leva em conta a violência da explosão de hidrogênio, dia 14 de março, neste reator.

Ainda assim, os porta-vozes da indústria nuclear seguem insistindo que esta tecnologia é segura, eficiente e competitiva do ponto de vista econômico. O certo é que se trata da tecnologia mais perigosa já inventada pelo ser humano. Se hoje existem 442 reatores em operação no mundo, isso não se deve a sua aceitação, mas sim à imposição destes artefatos sobre a população. Participaram deste processo as granas corporações, governos e o establishment militar. Um ingrediente importante nesta manobra foi, desde cedo, a falta de informação. A opacidade se converteu em costume e a mentira em rotina.

O engano sobre a suposta eficiência econômica da indústria nuclear é quiçá tão perverso quanto o ocultamento de informação sobre os danos à saúde e a periculosidade desta tecnologia. A realidade é que a indústria nuclear mundial não poderia funcionar se não fosse pelos astronômicos subsídios que tem recebido ao longo de sua história.

Os subsídios e ajudas econômicas impactaram todas e cada uma das fases de qualquer projeto nuclear, desde as garantias para obter financiamento, a pesquisa científica e tecnológica para desenvolver os componentes medulares desta tecnologia, a construção e a ativação das plantas, o enriquecimento do combustível e desembocam no manejo do lixo nuclear.

Se isso não fosse suficiente, o subsídio mais importante consiste em limitar ou eliminar tal responsabilidade. O objetivo destes subsídios foi retirar ou reduzir a carga de riscos para investidores e transferi-la para os contribuintes.

Todas as plantas nucleares em operação no mundo (incluindo obviamente aquelas instaladas nos Estados Unidos, França, Japão, Rússia e China) foram construídas e entraram em funcionamento graças a importantes subsídios. Claro, em países como França e China, onde a indústria nuclear está intimamente relacionada com um projeto militar, é quase impossível ter acesso à informação sobre subsídios. No México tampouco há dados públicos confiáveis sobre o custo do projeto de Laguna Verde (central nuclear mexicana).

Nos Estados Unidos, com 104 reatores em operação, o montante total de subsídios para indústria foi calculado em aproximadamente 105 bilhões de dólares. A intensidade do subsídio (equivalente ao apoio governamental por quilowatt/hora produzido) chega a exceder o valor comercial do produto em 30% (segundo dados da organização Global Subsidies Initiative). Em seu estudo sobre subsídios para a indústria nuclear, a Union of Concerned Scientists calcula que esses apoios equivalem ou superam em 100% o valor da produção. Vale a pena lembrar que a UCS não é nem pró, nem anti-nuclear.

Um exemplo de subsídios opacos por trás destas cifras é o subsídio por meio de garantias para obter financiamento. Em dezembro de 2007, o Congresso autorizou apoios de até 38 bilhões de dólares para esta finalidade e o Departamento do Estado começou a canalizar fundos em meados de 2008. Para ter uma ideia das magnitudes envolvidas, vale a pena lembrar que em 1995 o Departamento do Tesouro comprometeu cerca de 20 bilhões de dólares para o resgate da economia mexicana (na verdade os resgatados foram os credores estadunidenses que tinham investido em bônus mexicanos).

Por que o setor privado não entra para financiar totalmente os custos associados a esta indústria? Porque os riscos são tão importantes que simplesmente não podem ser assumidos por nenhum plano financeiro. Nos mercados financeiros, os swaps de descumprimento creditício sobre a indústria nuclear provavelmente estariam no segmento superior de encargos financeiros.

A conclusão é imediata. A eficiência econômica das plantas nucleares é inexistente. O corolário disso é que o principal combustível nos cilindros de zircaloy em um reator nuclear não é nem o urânio enriquecido, nem a perigosa mistura denominada MOX. Não, o combustível mais importante é o dinheiro que vem dos contribuintes.

Tradução: Katarina Peixoto

Por Alejandro Nadal – La Jornada

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