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Fragamentos plásticos encontrados no conteúdo estomacal de albatrozes e petréis

Aves oceânicas e migratórias como os albatrozes e petreis (Procellariiformes) apresentaram altos níveis de contaminação por bifenilos policlorados (PCBs) e pesticidas organoclorados, conforme constatou a bióloga Fernanda Imperatrice Colabuono em uma pesquisa realizada no Instituto Oceanográfico (IO) da USP. Em todas as 103 aves coletadas no litoral do Sul e Sudeste do Brasil foi detectada a presença desses contaminantes no tecido adiposo, no fígado e no músculo dos animais.

“Não se sabe ao certo qual os efeitos causados por estes compostos nas populações de albatrozes e petréis. Novos estudos são importantes a fim de averiguar se essa contaminação interfere ou não no organismo destas aves, e se leva a falhas na reprodução, ao aumento da mortalidade, etc”, sugere a pesquisadora. De acordo com a bióloga, a literatura científica mostra que os bifenilos policlorados (PCBs) e os pesticidas organoclorados são substâncias altamente tóxicas que interferem na produção de hormônios, além de serem cancerígenas.

Os bifenilos policlorados (PCBs) deixaram de ser produzidos há algum tempo, mas ainda persistem no meio ambiente, pois não se degradam facilmente e se acumulam nos tecidos. A substância, semelhante a um óleo e resistente a altas temperaturas, era utilizada por indústrias para o resfriamento de máquinas, em transformadores, etc. Seja pelo transporte indevido ou pelo descarte em local inadequado, a substância chegou aos oceanos.

Já os pesticidas organoclorados também tiveram seu uso proibido ou restrito. Mas durante muito tempo eles foram utilizados em lavouras brasileiras. Alguns deles, como o DDT, ainda podem ser usados em casos emergenciais de saúde pública. As chuvas acabam levando essas substâncias até os rios, e de lá, elas chegam aos mares. “Esses poluentes atingem as aves por meio da alimentação, composta, principalmente, por lulas e peixes” explica Fernanda.

Fonte: http://www.usp.br/agen/?p=100690

É visível o impacto do estilo de vida urbano no cotidiano das aves costeiras, como no caso do Saco da Mangueira, em Rio Grande/RS. Foto: Antonio Soler/CEA

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Guaxinim (Procyon lotor).

Um guaxinim bebê (Procyon lotor), nos EUA conhecido como raccoon, esteve numa situação difícil, antes de ser retirado da tampa de boeiro por servidores do município de Detroit, em 07 julho de 2012.

O Guaxinim, vem sofrendo os impactos da perda dos seus habitats naturais pelas atividades humanas, especialmente pela especulação imobiliária e supressão dos ecossistemas pela agricultura.

Na reunião do CERBMA/RS –  Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica -, realizada no dia 08/5/2012, na Fundação Zoobotânica, os Conselheiros aprovaram uma versão de Decreto que cria a Comissão Estadual de Biodiversidade.  Segundo, Maria Isabel Stumpf Chiappetti, presidente do CERBMA/RS,  depois de feitas as devidas correções e complementações, a versão final será discutida com o Secretário Hélio Corbellini, da SEMA, no dia 14/5/2012.

A organização não governamental ecológica, Centro de Estudos Ambientais (CEA), ONG filiada da APEDEMA/RS, a primeira da zona sul do Rio Grande do Sul, encara com criticidade a criação de tal Comitê, ainda que reconheça sua importância para a possibilidade de construção de uma efetiva política, que de fato proteja os biomas gaúchos (pampa e mata atlântica). Contudo, no campo da política, da gestão ambiental, a proliferação de colegiados ambientais temáticos enfraquece a atuação do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA), “órgão superior do Sistema Estadual de proteção Ambiental (SISEPRA), de caráter deliberativo e normativo, responsável Política Estadual do Meio Ambiente, bem como dos demais planos afetos à área”, conforme estabelece a lei vigente. Tal qual tem acontecido com o CONAMA.

Para o professor de Direito Ambiental e membro do CEA, Antônio Soler , “a criação de colegiados ambientais paralelos ao CONSEMA pode comprometer a eficácia de suas atribuições legais e compartimentalizar (ainda mais) a política ambiental, o que contrária os princípios da ecologia política, tornando a tutela da natureza mais distante.”

Uma forma de mitigar essa desarticulação seria prever algum mecanismo que levasse ao CONSEMA as deliberações do Comitê, o que não estava previsto na proposta de marco legal do novo colegiado, recebida pela APEDEMA/RS, via endereço eletrônico, no dia 09/5/2012.

Fonte: http://apedemars.wordpress.com/2012/05/11/cerbmars-elabora-proposta-de-decreto-criando-a-comissao-estadual-de-biodiversidade-no-rs/

Mulheres em luta – Ação Direta na Solae em Esteio-RS. Por Cíntia Barenho

A pesquisadora que descobriu veneno no leite materno

A repórter Manuela Azenha esteve em Cuiabá, Mato Grosso, onde assistiu à defesa de tese da pesquisadora Danielly Palma. A ela coube pesquisar o impacto dos agrotóxicos em mães que estavam amamentando na cidade de Lucas do Rio Verde. A seguir, o relato:

Lucas do Rio Verde é um dos maiores produtores de grãos do Mato Grosso, estado vitrine do agronegócio no Brasil. Apesar de apresentar alto IDH (índice de desenvolvimento humano), a exposição de um morador a agrotóxicos no município durante um ano é de aproximadamente 136 litros por habitante, quase 45 vezes maior que a média nacional — de 3,66 litros.

Desde 2006, ano em que ocorreu um acidente por pulverização aérea que contaminou toda a cidade, Lucas do Rio Verde passou a fazer parte de um projeto de pesquisa coordenado pelo médico e doutor em toxicologia, Wanderlei Pignatti, em parceria com a Fiocruz. A pesquisa avaliou os resíduos de agrotóxicos em amostras de água de chuva, de poços artesianos, de sangue e urina humanos, de anfíbios, e do leite materno de 62 mães. A pesquisa referente às mães coube à mestranda da Universidade Federal do Mato Grosso, Danielly Palma.

A pesquisa revelou que 100% das amostras indicam a contaminação do leite por pelo menos um agrotóxico. Em todas as mães foram encontrados resíduos de DDE, um metabólico do DDT, agrotóxico proibido no Brasil há mais de dez anos. Dos resíduos encontrados, a maioria são organoclorados, substâncias de alta toxicidade, capacidade de dispersão e resistência tanto no ambiente quanto no corpo humano.

No dia seguinte à defesa de sua tese, Danielly concedeu uma entrevista ao Viomundo.

Viomundo – A sua pesquisa faz parte de um projeto maior?

Danielly Palma – Minha pesquisa foi um subprojeto de uma avaliação que foi realizada em Lucas do Rio Verde e eu fiquei responsável pelo indicador leite materno. Mas a pesquisa maior analisou o ar, água de chuva, sedimentos, água de poço artesiano, água superficial, sangue e urina humanos, alguns dados epidemológicos, má formação em anfíbios.

Viomundo – E essas pesquisas começaram quando e por que?

Danielly Palma – Começamos em 2007. A minha parte foi no ano passado, de fevereiro a junho. Lucas do Rio Verde foi escolhido porque é um dos grandes municípios produtores matogrossenses, tanto de soja quanto de milho e, consequentemente, também é um dos maiores consumidores de agrotóxicos. Em 2006, quando houve um acidente com um desses aviões que fazem pulverização aérea em Lucas, o professor Pignati, que foi o coordenador regional do projeto, foi chamado para fazer uma perícia no local junto com outros professores aqui da Universidade Federal do Mato Grosso. Então, começaram a entrar em contato com o pessoal e viram a necessidade de desenvolver projetos para ver a que nível estava a contaminação do ambiente e da população de Lucas.

Viomundo – E qual é o nível de contaminação em que a população de Lucas se encontra hoje? O que sua pesquisa aponta?

Danielly Palma – Quanto ao leite materno, 100% das amostras indicaram contaminação por pelo menos um tipo de substância. O DDE, que é um metabólico do DDT, esteve presente em 100%, mas isso indica uma exposição passada porque o DDT não é utilizada desde 1998, quando teve seu uso proibido. Mas 44% das amostras indicaram o beta-endossulfam, que é um isômero do agrotóxico endossulfam, ainda hoje utilizado. Ele teve seu uso cassado, mas até 2013 tem que ir diminuindo, que é quando a proibição será definitiva. É preocupante, porque é um organoclorado que ainda está sendo utilizado e está sendo excretado no leite materno.

Viomundo – Foram essas duas substâncias as registradas?

Danielly Palma – Não, tem mais. Foi o DDE em 100% das mães [que estão amamentando]; beta-endossulfam  em 44%; deltametrina, que é um piretróide, em 37%; o aldrin em 32%; o alpha-endossulfam, que é outro isômero do endossulfam, em 32%; alpha-HCH, em 18% das mães,  o DDT em 13%; trifularina, que é um herbicida, em 11%; o lindano, em 6%.

Viomundo – E o que essas susbstâncias podem causar no corpo humano?

Danielly Palma – Todas essas substâncias tem o potencial de causar má formação fetal, indução ao aborto, desregulamento do sistema endócrino — que é o sistema que controla todos os hormônios do corpo — então pode induzir a vários distúrbios. Podem causar câncer, também. Esses são os piores problemas.

Viomundo – Você disse que as mães foram expostas há mais de dez anos. As substâncias permanecem no corpo por muito tempo?

Danielly Palma – Permanecem. No caso dos organoclorados, de todas as substâncias analisadas, o endossulfam é o único que ainda está sendo utilizado. Desde 1998 os organoclorados foram proibidos, a pesquisa foi realizada em 2010, e a gente encontrou níveis que podem ser considerados altos. Mesmo tendo sido uma exposição passada, como as substâncias ficam muito tempo no corpo, esses sintomas podem vir a longo prazo.

Viomundo – Durante a sua defesa de mestrado, em que essa pesquisa foi apresentada, os membros da banca ressaltaram o quanto você sofreu para realizar a pesquisa. Quais foram as maiores dificuldades?

Danielly Palma – A minha maior dificuldade foi em relação à validação do método. Porque, quando você vai pesquisar agrotóxicos, tem de ter uma precisão muito grande. Como são dez substâncias com características diferentes, quando acertava a validação para uma, não dava certo para outra. Então, para ter um método com precisão suficiente para a gente confiar nos resultados, para todas as substâncias, foi um trabalho que exigiu muita força de vontade e tempo. Foi praticamente um ano só para validar o método.

Viomundo – Essas mães que foram contaminadas exercem ou exerceram que tipo de atividade? Como elas foram expostas ao agrotóxico?

Danielly Palma – Das 62 mulheres que eu entrevistei, apenas uma declarou ter contato direto com o agrotóxico. Ela é engenheira agrônoma e é responsável por um armazém de grãos. Três mães residem na zona rural, trabalhando como domésticas nas casas dos donos das fazendas. É difícil dizer que quem está longe da lavoura não está exposto em Lucas do Rio Verde, pela localização da cidade, com as lavouras ao redor. Mas a maioria das entrevistadas trabalha no comércio, são professoras do município, algumas donas de casa, mas não são expostas ocupacionalmente. A questão é o ambiente do município.

Viomundo – Mas a contaminação se dá pelo ar, pela alimentação?

Danielly Palma –  A alimentação é uma das principais vias de exposição. Mas, por se tratar de clorados, que já tiveram seu uso proibido, então eu posso dizer que o ambiente é o que está expondo, porque também se acumulam no ambiente. No caso da deltametrina e do endossulfam, que ainda são utilizados, o uso atual deles é que está causando a contaminação. Mas, nos usos passados [dos agrotóxicos agora proibidos], a causa provavelmente foi a exposição à alimentação — na época em que eram utilizados — e o próprio meio ambiente contaminado.

Viomundo – Quais são as principais propriedades dessas substâncias encontradas?

Danielly Palma – Os organoclorados têm em comum entre si os átomos de cloro na sua estrutura, o que dá uma grande toxicidade a eles. Eles têm alta capacidade de se armazenar na gordura, alta pressão no vapor e o tempo de meia-vida deles é muito longo, por isso que para se degradar demora muito tempo. São altamente persistentes no ambiente, tanto nos sedimentos, solo, corpo humano, e têm a capacidade de se dispersar. Tanto que no Ártico, onde eles nunca foram aplicados, são encontrados resíduos de organoclorados.

Viomundo – O professor Pignati comentou que a Secretaria da Saúde dificultou um pouco a pesquisa de vocês, mas que vocês fizeram questão da participação do governo. Por que?

Danielly Palma – Nós vimos a importância da participação deles porque, quando a exposição da população está num nível elevado e está tendo uma incidência maior de certas doenças, é lá na ponta que isso vai estourar, é no PSF (Programa Saúde da Família). Então, a gente queria que a Secretaria da Saúde acompanhasse para ver em que nível de exposição essa população está e para que  tome medidas. Para que recebam essas pessoas com algum problema de saúde e saibam diagnosticar, saibam de onde está vindo e o porquê de tantas incidências de doenças no município.

Viomundo – Se a maioria dessas substâncias não está mais sendo utilizada, o que pode ser feito daqui para frente para diminuir o impacto delas sobre o ambiente e a saúde?

Danielly Palma – Em relação a essas substâncias que não estão sendo mais utilizadas, infelizmente, não temos mais nada a fazer. Já foram lançadas no ambiente e nos organismos das pessoas. A gente pode parar e pensar no modelo de desenvolvimento que está sendo posto, com esse alto consumo de agrotóxico e devemos tomar cuidado com as substâncias que ainda estão sendo utilizadas para tentar evitar um mal maior.

Viomundo – Como que o agrotóxico pode afetar o bebê?

Danielly Palma – Esses agrotóxicos são lipofílicos e se acumulam no tecido gorduroso, então ficam no organismo e passam para o sangue da mãe. Através da placenta, como há troca de sangue entre mãe e feto, acabam atingindo o feto. E alguns tem a capacidade de passar a barreira da placenta e atingir o feto. Durante a lactação, o agrotóxico acaba sendo excretado pelo leite humano.

Viomundo – Então, mesmo que não amamente o filho, ele pode nascer com resíduo de agrotóxico?

Danielly Palma – Sim, isso se a contaminação da mãe for muito elevada.

Viomundo – Foi o caso nas mães [pesquisadas] de Lucas do Rio Verde?

Danielly Palma – Alguns níveis [encontrados] consideramos altos, até porque o leite humano deveria ser isento de todas essas substâncias. Deveria ser o alimento mais puro do mundo. E a gente vê que isso não ocorre, tanto nos meus resultados quanto em trabalhos realizados no mundo inteiro que evidenciaram essa contaminação. A criança acaba sendo afetada desde a vida uterina e depois na amamentação é mais uma quantidade de agrotóxicos que ela vai receber. Mas é sempre bom lembrar do risco-benefício do aleitamento materno. Nunca se deve incentivar a mãe a parar de amamentar porque seu leite está contaminado. As vantagens do aleitamento materno são muito maiores do que os riscos da carga contaminante que o leite pode vir a ter.

Viomundo – Quais os riscos dessa contaminação?

Danielly Palma
– Os riscos saberemos somente com um acompanhamento a longo prazo dessas crianças. O que pode acontecer são problemas no desenvolvimento cognitivo e, dependendo da carga que o bebê receba desde a gestação, pode causar má formação, que pode só ser percebida mais tarde.

Viomundo – Esse acompanhamento dos efeitos dos agrotóxicos no corpo humano já foi feito ou ainda é uma coisa a fazer?

Danielly Palma – Quanto ao sistema endócrino, existem evidências. Estudos comprovaram a interferência dos agrotóxicos. Quanto a câncer, má formação e ações teratogênicas (anomalias e malformações ligadas a uma perturbação do desenvolvimento embrionário ou fetal),  estudos realizados em animais apontam para uma possivel ação dos agrotóxicos nesse sentido. Mas no ser humano não tem como você testar uma única substância. Quando fazem pesquisas, sempre são encontradas mais de uma substância no organismo e, portanto, não se sabe se é uma ação conjunta dessas substâncias que elevou aquele efeito ou se foi a ação de uma substância apenas.

Viomundo – Os resultados da pesquisa são alarmantes?

Danielly Palma – Foram alarmantes, mas ao mesmo tempo já esperávamos por esse resultado, até porque já tínhamos em mãos resultados da parte ambiental. Vimos que a exposição da população estava muito alta. Com o ambiente contaminado daquela forma, já era esperado encontrar a contaminação do leite, uma vez que o ambiente influencia na contaminação humana também.

Viomundo  – O que será feito com esses resultados?


Danielly Palma
– Os resultados já foram encaminhados às mães e, no início do projeto, assumimos o compromisso de, no final, nos reunirmos com elas e explicarmos os resultados. Esperamos que as autoridades do município e de todas as regiões produtoras acordem para o modelo de desenvolvimento que eles estão adotando, porque não adianta ter um IDH alto, ter boa educação e sistema de saúde, se a qualidade de vida em termos de exposição ambiental é péssima.

Para ler  entrevista com o professor Wanderlei Pignati, que coordenou toda a pesquisa, clique aqui.

Para ler  entrevista com a professora Raquel Rigotto, que pesquisa o mesmo assunto no Ceará, clique aqui.

Fonte: ViOMundo

O dia 21 de setembro, dia da árvore, organizações de resistência ambiental/ecológica e movimentos sociais, escolheram para marcar a luta contra a Monocultura de Árvores Exóticas, as lavouras de celulose.

Nesta terça, 21 de setembro, entidades ambientalistas vão fazer uma concentração para marcar a data, no Largo Glênio Peres/POA – Piquete Contra as Monoculturas de Árvores.

A atividade faz parte da 4ª edição da Escola de Sustentabilidade dos Amigos da Terra da América Latina e Caribe, promovida pela Amigos da Terra Brasil, entidade com sede em Porto Alegre e membro da Federação Friends of the Earth Internacional (FoEI), presente em mais de 70 países.

LARGO GLÊNIO PERES – Mercado Público – 10:00 HORAS

Enquanto isso no Pampa gaúcho, para alguns meios de comunicação (minimamente menos comprometidos com as empresas papeleiras), transformar a paisagem do Bioma Pampa  em grandes extensões de monocultivo de eucaliptos, latifúndios de árvores exóticas, é  uma ameaça a tal bioma, presente apenas nas terras gaúchas.

Reproduzimos aqui o grande “achado” dos nossos companheir@s de luta ecológica, do assentamento Tamoios, em Herval-RS.


Fonte: Sitio Ibiekos

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Justiça Federal do Paraná anula a autorização da liberação comercial do milho Liberty Link da Bayer e reprova atos da CTNBio, em decisão publicada ontem, referente ACP movida pelo Idec, Terra de Direitos, AS-PTA e ANPA

A disputa envolvendo transgênicos ganhou um novo capítulo em sua história. Por decisão judicial, a Bayer está agora proibida de comercializar o milho Liberty Link – resistente ao herbicida glufosinato de amônio – em todo o país pela ausência de um plano de monitoramento pós-liberação comercial. A juíza federal Pepita Durski Tramontini, da Vara Ambiental de Curitiba, também anulou a autorização da liberação especificamente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil por não haver estudos sobre os impactos dessa tecnologia nos biomas dessas regiões.

Pela sentença, a Bayer será multada em 50 mil reais por dia caso não suspenda imediatamente a comercialização, a semeadura, o transporte, a importação e até mesmo o descarte do Liberty Link.

De acordo com a sentença, a ratificação dada pelo Conselho de Ministros (o Conselho Nacional de Biossegurança) à autorização do milho também não se sustenta, pois tal decisão ministerial se baseou em ato viciado da CTNBio.

A CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, responsável pelas liberações de transgênicos no país, foi obrigada a garantir amplo acesso aos processos de liberação de transgênicos. Deve ainda estabelecer norma com prazo para que os pedidos de sigilo comercial sejam decididos, permitindo publicidade a tudo o que não for sigiloso. Desde 2007, as organizações da sociedade civil criticam o bloqueio ao acesso aos procedimentos de liberação, que viola o direito à informação e é incompatível com a publicidade garantida aos documentos de interesse público.

“Mais uma vez, o Poder Judiciário teve que corrigir atos ilegais da CTNBio. A falta de acesso dos cidadãos aos processos públicos, respaldada por um parecer da Consultoria Jurídica do Ministério da Ciência e Tecnologia, é vergonhosa. Assim como é indecorosa a ausência de estudos ambientais nas regiões Norte e Nordeste, por não serem áreas de relevância para o plantio do milho”, acrescenta Andrea Lazzarini Salazar, consultora jurídica do Idec.

A decisão da Justiça refere-se à Ação Civil Pública movida em 2007 pelas organizações Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Terra de Direitos, AS-PTA, e ANPA, para exigir da CTNBio a adequada análise de riscos à saúde e ao meio ambiente, a informação e a não contaminação genética – direitos fundamentais dos cidadãos. A ação contesta a liberação do milho transgênico devido à falta de prévia definição de normas de biossegurança por parte da CTNBio de coexistência entre cultivos transgênicos e não transgênicos e de monitoramento; à falta de estudos ambientais nas regiões Norte e Nordeste; e à falta de acesso aos processos de interesse público.

Contaminação em curso
Apesar de a Comissão ter editado a Resolução Normativa 4 (RN 4), estudos recentes no Paraná apontam a ineficácia das normas de coexistência para o milho, o que coloca em risco toda a sociedade pela falta de segurança no plantio transgênico(leia mais). No ano passado, as organizações entraram com uma nova Ação Civil Pública, questionando dessa vez a insuficiência da norma, mas que até agora aguarda decisão judicial.

Fonte: IDEC

Infelizmente não encontramos fotos de pequenas agricultoras rurais do Pampa. Sendo assim, ilustramos com o humor do Eugenio Neves

Recebido por email pelo companheira de lutas ecológicas de Herval

por Marília G.*

A falta de políticas públicas que propiciem melhores condições de vida para os pequenos produtores rurais no Brasil e particularmente no Pampa onde eu vivo, permite que as coisas por aqui cheguem sem causar muito impacto, chamadas até de “soluções econômicas viáveis” em nome do dito “desenvolvimento”.

Sem ir muito longe a um passado distante, deixando de avaliar a ocupação européia- visto que para falar sobre isto temos muitos, e bons, especialistas historiadores- me atenho em citar fatos mais, bem mais, recentes.

Por volta do ano de 2003, 2004 começamos a viver a realidade de monocultivo do eucalipto no Pampa, mesmo que alguns membros da academia insistam em afirmar que o eucalipto é tão antigo no Pampa quanto o europeu, aproveito aqui para esclarecer que quando os europeus ocuparam estas terras com plantéis gigantescos na fronteira mais a oeste, sentiram falta de sombra para o gado, já que a vegetação lá é basicamente pasto e espécies arbustivas, então trouxeram o eucalipto que era plantado em pequenos bosques, e assim que maturava tinha sua madeira utilizada para alambrados, construções e coisas do gênero. Então, sim temos eucalipto a muitos e muitos anos no Pampa, mas não podemos – e é um absurdo- comparar aqueles pequenos bosques com os monocultivos realizados nos dias de hoje. Na época da implantação das lavouras a falta de conhecimento da população sobre as plantações e a miséria a que este povo foi sempre submetido a viver tornou o processo todo muito fácil. Não só a compra de terras de latifundiários falidos, como a mão-de-obra barata e submissa, já que as condições de trabalho são péssimas.

Como consequências imediatas deste plantio desordenado, podemos citar a invasão de formigas, a invasão de pássaros de pequeno porte as propriedades vizinhas, a diminuição notável de muitos animais silvestres, o aparecimento perto de residências de animais antes encontrados apenas em matos densos, a contaminação das sangas por secantes, fertilizantes, formicidas utilizados nas lavouras, o desaparecimento de “olhos d’água” e pequenos açudes próximos ou dentro das lavouras.

Agregando este fato a inúmeros problemas mundiais – todos eles ligados ao “desenvolvimento”- tivemos entre fim de 2005 e início de 2006 a pior seca já vista não só no Pampa, mas em todo Estado e também na Argentina e Uruguai, na época ainda me lembro que a RBS noticiou que “aquela seca poderia ser comparada a seca de 62” induzindo as pessoas a pensarem se tratar de um ciclo natural, mas felizmente temos pessoas com memória, minha vizinha é uma destas que além de memória, anota tudo e garante”- a seca de 62 não foi pior que esta, esta foi mais extensa e mais ventosa.” Bom, passada a seca, e depois de vários investimentos pessoais – como já disse não existe política pública pro pequeno- para enfrentar as próximas secas que viriam, tivemos em 2007 períodos curtos de seca durante todo o ano, em 2008 já tivemos um ano bem mais agradável, as pessoas conseguiram plantar e colher – o que a caturrita e o javali não comiam- e nos adaptávamos diante das novas “pragas”.

Veio então o setembro de 2009, em nossa região os setembros sempre são terríveis, tem inúmeras músicas nativistas que contam com beleza o terror dos temporais. Mas, este ano o que se conhecia de temporal não foi suficiente para diminuir o pânico vivido por todos que moram no sul do Pampa Gaúcho. Foram ao todo, de setembro à dezembro 23 temporais, com tornados, muitos raios, muito vento, muita chuva, gerou inundações onde faz seca, arrancou casas inteiras, deixou um número incalculável de famílias na rua,mais de uma vez, em muitos lugares mais de duas ou três vezes. Arrancou escolas inteiras, escolas estas que as prefeituras não querem reerguer, facilitando o processo de urbanização das crianças rurais. Bem, foram muitos estragos materiais e imateriais, ainda hoje por onde andar por aqui vai ver e ouvir coisas acontecidas naqueles meses.

Hoje então, estamos sendo obrigados a conviver com o monocultivo de soja transgênica, que está entrando com força total, no município de Jaguarão as lavouras já passam de 14.000ha onde se deixou de plantar trigo, milho entre outros grãos, e também diminuiu drasticamente o rebanho bovino. Geograficamente, Herval não se presta pra este tipo de plantio, mas temos agora nas mãos da CTNBio a aprovação do milho transgênico, algo que vai nos danar e muito. O milho, pra quem não sabe, é a base da agricultura camponesa, é o alimento principal de todos os animais criados na volta da casa – galinhas, patos, gansos, porcos, coelhos, vacas de leite, terneiros, ovelhas guaxas e os companheiros – cavalo e cusco-  e muitos utilizam comer o milho, seja verde deliciosamente cozido, ou depois de seco moído como farinha, comido em encantadores bolos ou polentas e outras mil coisas que dele podem ser feitas.
Recentemente tive a oportunidade de assistir o filme “O mundo segundo a Monsanto”, e ali, muito comprovadamente é mostrado o dano que estas aberrações já fizeram e estão fazendo no ser humano. O veneno RR – Roundup Red – utilizado nas lavouras transgênicas das sementes da Monsanto ganhou uma popularidade incrível pela sua eficácia na “limpeza” das lavouras, o que o produtor levaria seis dias para capinar, hoje passando o RR faz em um dia sozinho.

É realmente impressionante, mas existem mil coisas que podem ser citadas como o mal que este veneno é, me surgiu então uma preocupação bem particular, voltada a pequena propriedade, obviamente que pra  passar o veneno em uma lavoura de um dois até cinco hectares, não vai se utilizar avião, então as pessoas usam o pulverizador costal, fazem manualmente as misturas e colocam nas suas costas, não usam máscaras, luvas ou botas, óculos protetor nem pensar. O pior é que isso não está só nas lavouras, as pessoas estão usando isso em todas as situações imagináveis, na horta, no jardim, no pátio, na sombra da árvore, no caminho do gado, no passo que liga a sanga ao campo… é um absurdo!!

É um genocídio, feito pelas indústrias do mundo “transgênico”, aceita pelos governos, todos, e agente fica aqui, se unindo e lutando para tentar mudar esta realidade!!

E agora virá então o eucalipto transgênico para alta produção de celulose.

Vamos lutando!

*Marília G. (Assentamento Tamoios de Herval- RS)

santiago_pampa3por Cíntia Barenho

Já faz um ano que o dia 17 de dezembro foi oficialmente instituído como o Dia Nacional do Bioma Pampa e poucos (ou quase nenhum) são os avanços no que tange a preservação e conservação desse bioma único no Brasil. Mesmo contando agora com um “dia nacional” os órgãos ambientais Federal e, principalmente o Estadual, parecem seguir de “costas” para o Bioma Pampa. Inclusive, “curiosamente”, hoje nada tratam do tema em seus sítios eletrônicos.

O Pampa sul-rio-grandense abrange cerca de 180 mil Km2, o que equivale a cerca de 60% da área do RS. O Pampa é caracterizado por uma vegetação campestre, que predomina em relevos de planície, e por uma vegetação mais densa, arbustiva e arbórea, nas encostas e ao longo dos cursos de água, além da ocorrência de banhados e áreas úmidas. Além disso, as terras pampeanas ocupam uma área de aproximadamente 700 mil km2 entre os países da Argentina, Uruguai e Brasil (Schnadelbach & Picoli, 2007).2encruzilhada-do-sul-rs-brasil-by-cintia-barenho-2008
No Rio Grande dos Sul apenas 39% de sua área total ainda é constituída por remanescentes de campos naturais (Pillar apud Buckup, 2007). E mesmo com uma imensa riqueza de biodiversidade e significantes endemismos (ou seja, espécies que só ocorrem nesse ecossistema) apenas 0,46% do Pampa gaúcho está protegido em Unidades de Conservação.

Mesmo assim e em ritmo acelerado, os campos estão sendo convertidos em lavouras e plantações de árvores exóticas. Segundo Pillar (2006), entre os anos de 1970 e 2005 mais de 4,7 milhões de hectares de pastagens naturais foram modificadas.

Atualmente o RS tem uma área de mais de 500 mil hectares de monoculturas de árvores exóticas e, segundo projeções, deverá ter cerca de um milhão de hectares de plantações de pinus, eucalipto e acácia até 2015. A metade sul do RS, onde predomina o bioma, desde 2003 tem sofrido a ofensiva dos mega-projetos de três grandes empresas de celulose e papel (Aracruz, Votorantin e Stora Enso). Tais empresas já estão transformando o bioma Pampa e sua biodiversidade em imensos maciços de eucalipto, ou seja, em desertos verdes.  Não obstante, além de transformar a biodiversidade do Pampa em desertos verdes também instalarão, pelo menos, três fábricas de celulose.
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E o poder público? Enquanto o Governo federal se omite, ou melhor, apenas cria um data comemorativa, o Governo estadual “faz de tudo” para não preservar centímetro qualquer do Pampa.  A cúpula do atual poder público estadual (gestão Yeda Crusius) assumiu os investimentos do setor da celulose e papel como projeto de governo e vem incentivando de diferentes formas a consolidação deste setor no Estado. Estas formas de incentivo incluem, sobretudo, a flexibilização e o descumprimento da legislação ambiental (por exemplo, excluindo ou postergando a apresentação do Estudo Prévio de Impacto Ambiental em empreendimento de florestamento ou reflorestamento para fins empresariais com menos de 1000 hectares). Além disso, os licenciamentos ambientais dos plantios de eucaliptos estão sendo liberados de forma precária, descumprindo regras e sem a conclusão do Zoneamento Ambiental para atividade de Silvicultura (ZAS), desenvolvido pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental e da Fundação Zoobotânica. É importante ressaltam que com o ZAS finalizado, o mesmo foi desqualificado e rechaçado pelas empresas, por algumas entidades e sindicatos e, pasmem, pelo próprio governo, uma vez que o zoneamento limitava plantios de pínus e eucalipto em grande escala e em determinadas áreas do RS.Sendo assim, resta concluir que o descomprometimento real com a questão ambiental e que a falta de políticas efetivas de preservação e de conservação do bioma Pampa tem permitido e incentivado que o mesmo seja convertido em monoculturas de eucaliptos.
Autoria de Cíntia Barenho

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Frase

“De tanto postergar o essencial em nome da urgência, termina-se por esquecer a urgência do essencial.” Hadj Garm'Orin

Apresentação

O Centro de Estudos Ambientais (CEA) é a primeira ONG ecológica da região sul, constituída em Rio Grande/RS/Brasil, em julho de 1983.

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As publicações elaboradas e publicadas pelo CEA, bem como suas fotos são de livre reprodução, desde que não haja fins econômicos, que sejamos informados através do mail ongcea@gmail.com e com expressa citação da fonte nos termos a seguir: Fonte: Blog do Centro de Estudos Ambientais (CEA).
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