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por Cíntia Barenho*

A Mekorot, empresa pública israelense de águas, expande suas fronteiras da apropriação indébita das águas dos territórios.

A estatal, tida como um símbolo nacional de Israel, é a responsável pelo constante roubo das águas palestinas. A Mekorot opera sistematicamente cortando o abastecimento de água das famílias palestinas. Para se ter uma idéia, até os canos de abastecimento palestino, tem seus diâmetros significativamente menores que das casas israelenses.

Utilizam-se e reforçam o apartheid, que é social e ecológico, sobre o povo palestino. Ou seja, a apropriação e a opressão de Israel é sobre o território e todos seus elementos naturais existes dos recursos naturais.

O controle dos elementos naturais é ponto-chave do apartheid israelense. E se ainda não o controlam, tratam de degradá-los a ponto de tornar a vida insustentável para as famílias palestinas, que acabam abandonando as áreas degradadas.

Atualmente o  consumo médio de água de um(a) israelense equivale ao de quatro palestinos(as). O consumo médio de água diário na Palestina é cerca de 70 litros por pessoa (para a OMS- Organização Mundial de Saúde – são recomendados 100 litros), enquanto que o consumo médio dos (as) israelenses é de 300 litros por dia (OperaMundi).

Tal empresa, especializada no roubo de água nos territórios ocupados, já chegou ao território da América Latina.

A questão foi debatida no Fórum Social Mundial Palestina Livre. O Apartheid del agua en Palestina y la privatización del agua del agua a nivel mundial: Mekorot, el agente israelí del robo de aguas, foi organizado por Stop the Wall, Amigos de la Tierra Brasil, ATE (Asociación de Trabajadores del estado Argentino), Federación de Entidades Argentino-Palestinas, Lifesource, FEPAL.

Os representantes da Argentina relataram a luta popular contra a privatização das águas na província de Buenos Aires, que tem a segunda maior densidade populacional da Argentina e é área com maior número de estabelecimentos industriais.

Privatização essa que vem sendo encampada pela Mekorot.

Relataram que para tal estão sendo feitos ajustes estruturais, com reformas jurídicas até certo ponto ilegais, sendo que, inclusive, há suspeitas sobre o processo de Licitação pública ocorrido.

A israelense se utiliza de constantes campanha publicitárias que faltam com a verdade. Inclusive uma das propostas da empresa é mudar o conceito de água potável para água corrente. No entanto uma água corrente não tem a mesma qualidade que a água potável, não é uma água propícia para o consumo humano. Mas é uma água mais barata para uma empresa Multinacional lucrar e enriquecer ainda mais. A água torna-se uma mercadoria rentável num mundo com cada vez mais escassez de águas. Assim, não satisfeita em expropriar ás águas, a vida do povo palestino a empresa também que fazê-lo conosco.

O Brasil já é alvo das águas sujas de sangue da Mekorot

No semi-árido brasileiro, especialmente na Bahia já existem parcerias com a Mekorot. Em notícia encontrada “Semi-árido baiano pode usar tecnologia israelense de reuso da água” mostra os interesses relacionais ao tratamento de esgoto e ao processo de irrigação por gotejamento.

O mais intrigante foram as afirmações que a Mekorot tem intenções sobre as águas de Porto Alegre. Uma busca rápida na internet vemos que representantes do DMAE (do Departamento Municipal de Água e Esgotos) e o Secretário da Produção, Indústria e Comércio de Porto Alegre, participaram, em 2011, de feira de tecnologias sobre saneamento (Watec). Feira essa que ocorreu em Tel Aviv/Israel.

 Reforçando a luta pelo água como um bem público

A luta contra a privatização das águas e a defesa da água como um bem público precisa ser reforçada.  A apropriação dos territórios para expropriação dos elementos naturais está cada vez mais em expansão, especialmente num mundo de frequente crise do capitalismo, consequentemente da crise ecológica.

Precisamos ampliar nossas redes de cooperação e de luta, seja com a Palestina, seja entre os países do Mercosul. Ações como cobranças de uma atitude diplomática dos países do Mercosul e Unasul frente aos interesses da Mekorot sobre as nossas águas. Bem como, reforçando estratégias de resistência, como a campanha BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), sobre os interesses israelenses nas águas latino-americanas.

A luta pela águas é uma luta feminista

Para nós da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) a defesa da água como bem público é luta feminista.

A realidade das mulheres que vivem na escassez  de água evidencia ainda mais todo o machismo e opressão que o capitalismo exerce sobre nossas vidas. Por conta da divisão sexual do trabalho, são as mulheres que se ocupam do trabalho doméstico, que promovem, dentre tantas coisas, o acesso à comida e à água nos lares. E com as águas sendo privatizadas há toda a problemática de ter recursos financeiros disponíveis para pagar pelo o acesso ou então ir a busca de águas não paga, como ocorre com as mulheres em Manaus-AM. E no caso das mulheres palestinas, que vivem em zonas de conflito, tais tarefas são ainda mais difíceis e arriscadas.

Diante disso, nós mulheres feministas da MMM estamos unidas contra a privatização da água, seja no Rio Grande do Sul, onde já participamos do Comitê em Defesa da Água Pública, seja na luta com as mulheres da Chapada do Apodi-RN, contra os projetos de hidronegócio.

Da Palestina a América Latina, de Apodi a Porto Alegre nós mulheres dizemos sim às águas como um bem comum/público, dizemos sim à soberania alimentar.  Estamos unidas contra a privatização das águas.

* Cíntia Barenho feminista e ecologista , escreveu o material para o blog da Marcha Mundial das Mulheres

Fonte: MMM

Mekorot ( מקורות): a israelense privatizadora das águas

Mekorothebraico : מקורות ., iluminada “Fontes”) é a empresa nacional de água de Israel e da agência superior do país para a gestão da água. Fundada em 1937, fornece Israel com 90% de sua água potável e opera uma cruz -país da rede de abastecimento de água conhecida como a Transportadora Nacional de Águas. Mekorot e suas subsidiárias têm parceria com vários países ao redor do mundo em áreas como a dessalinização e de gestão da água. (Fonte: Wikipedia).

As corporações…você sabe o que significa? O quanto estas interferem no seu dia-a-dia? O quanto estão cada vez mais intrinsicamente ligadas ao mundo da políticas públicas, das eleições municipais? O quanto estão aliadas às Nações Unidas (ONU)? O quanto causam de degradação ambiental? O que estão fazendo você comer, beber, vestir, consumir?? Veja o vídeo e faça suas próprias ideias.

Diante de tais questões, Porto Alegre, há uma efervescência popular contra as medidas corporativas tomadas pela prefeitura municipal.

intervenção urbana retrata como a cidade que já foi referência em participação popular, considerada até cidade da educação popular tem diferenciado(ou não) público e privado.

Para saber mais leia: Coca-Cola terá que sair da Bolívia antes do fim do mundo, já em Porto Alegre…

Para saber mais leia: Enquanto reproduzem-se estádios para Copa, o seu mascote corre risco de extinção

Alegrando a Coca-Cola….

por Cíntia Barenho

Enquanto isso a revitalização do Largo Glênio Peres (Mercado Público) de Porto Alegre é financiado pela Vonpar (leia=se Coca-Cola) e “surpreendentemente” contará agora com 14 jatos de água, dispostos numa linha de 48 metros e que irão jorrar água numa altura de 2 metros. Sim, leitor(a), podia ser pior, podia não ser água etc e tal…. Segundo notícia veiculada aqui, o arquiteto Glênio Bohrer, vai direto ao assunto afirmando que:

“as mudanças também implicaram na aprovação de uma lei municipal que proíbe a realização de feiras que tradicionalmente ocorriam no local, como as de artesanato, a Feira Estadual de Economia Solidária. A única permitida a partir das mudanças é a do Peixe. “O Glênio Peres é um espaço nobre que recebia 20 feiras no ano. Foi avaliado que apenas a Feira do Peixe é pertinente quanto à contribuição ao município”, declara Glênio.”

Infelizmente tal espaço público está fadado ao interesse privado de uma empresa multinacional. Na luta constante pelo direito à cidade (mas não qualquer cidade como queremos no CEA), cidadãos e cidadãs portoalegrenses estão chamando, pelas redes sociais, um simbólico Banho junto ao Chafariz do Glênio Peres, agora dia 10/09 dia da provável inauguração desse símbolo do não bom uso da água, do dinheiro público (não podemos ser ingênuos em pensar que numa PPP só o privado investe $) e  muito menos do dinheiro daqueles que gastam seus trocos em lixo líquido. Por sinal, recentemente havia matéria de jornal afirmando que “Porto Alegre faz parceria para reduzir perdas de água”, sem comentários. Acham que a gente é o que?

Estamos cada vez mais precisando de democracia real, voltada ao interesses públicos e não de interesses privados, que na maioria das vezes dão-se em função das eleições…Pense nisso, já que estamos em processo eleitoral municipal.

Quanto a notícia abaixo, já deveríamos tê-la publicado, mas nem sempre damos conta de postar tantas informações pertinentes! Evo Morales, apesar de estar tendo uma política contraditória com os indígenas, acerta a mão definindo que ninguém “abre a felicidade”numa garrafa desse liquido, mas sim abre caminho para uma série de infelicidades, especialmente para sua saúde humana.

Evo Morales vai expulsar Coca-Cola da Bolívia no final do ano

A empresa deverá deixar país até o dia 21 de dezembro desse ano. Segundo governantes, o fim do calendário maia marca o fim de uma era, o capitalismo

O presidente Evo Morales decidiu expulsar a Coca-Cola da Bolívia. A decisão precisará ser cumprida até o dia 21 de Dezembro deste ano. Segundo o ministro do Exterior boliviano, David Choquehuanca, esta determinação está “em sintonia com o fim do calendário Maia” e será parte dos festejos para celebrar o fim do capitalismo e o início de “uma cultura da vida”. A festa ocorrerá no fim do dia, no solstício de verão (no Hemisfério Sul), na Ilha do Sol, situada no Lago Titicaca.

“O dia 21 de Dezembro de 2012 marca o fim do egoísmo, da divisão. O 21 de dezembro tem que ser o fim da Coca-Cola e o começo do mocochinche (refresco de maçã, um refrigerante muito popular no país). Os planetas se alinham após 26 mil anos. É o fim do capitalismo e o início do comunitarismo”, disse Choquehuanca, em um ato ao qual compareceu o presidente do país

A medida, que atrai os holofotes da mídia para o governo boliviano, reforça a determinação de Evo Morales no reforço a um Estado socialista. Ele tem recebido várias críticas de seus eleitores por agir “devagar demais”, segundo as críticas, em determinar o fim do capitalismo naquela nação andina.

A medida também visa melhorar a saúde da população. A Coca-Cola, assim com a maioria dos refrigerantes industrializados, contem substâncias comprovadamente nocivas ao corpo e cujo consumo constante se associa a infartos cardíacos e derrames cerebrais.

Fonte: OutrasPalavras

Aproveitamos o interesse geral, no mês de março, pelo uso da água, divulgamos um vídeo produzido pela Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO), da Organização das Nações Unidas (ONU), com uma forte influencia antropocêntrica, mas que revela, em parte, como se da o consumo desse elemento natural, essêncial a vida, não só humana.

Interessante a abordagem da Revista Rolling Stones sobre o Dia Mundial da Água. Preservação e conservação ambiental não é só coisa de ecologista… ou não deveria ser!

Interessantíssima e revoltante publicação sobre as implicações da privatização das águas de Manaus. A capital do Amazonas, localizada no principal manancial hídrico mundial, no qual a população, especialmente às mulheres, não possui acesso à água.

Clique na imagem para baixar o PDF da publicação.

Será que só fechar a torneira ao escovar os dentes resolve?revoluciona?

Em países da África somente se acessa água através de cartão pré-pago, tipo de telefone celular. Seria isso o que o Fórum Mundial da Água afirma ser acesso à água potável ou seria o tal promover uso “inteligente” da água? Água não é mercadoria!

Oportunismo mesmo! Nada melhor que ir pros estrangeiros, usar dinheiro público pra isso, defender proposta privada de um determinado grupo da sociedade burguesa brasileira e minar o Código Florestal Brasileiro, no qual legisla também para a proteção das águas!

Kátia Abreu diz ter apresentado proposta de APP mundial no Fórum da Água, na França

A senadora Kátia Abreu (PSD-TO), em discurso nesta terça-feira (20), explicou a proposta que a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), a qual preside, apresentou no Fórum Mundial da Água, realizado na semana passada na França: a criação de Áreas de Proteção Permanente (APPs) em todos os países do mundo.

Segundo explicou a senadora, a iniciativa tem por objetivo propor um debate em nível mundial sobre a proteção das nascentes, de margens de rios e das áreas de recarga dos aquíferos que, no Brasil, formam as APPs. São áreas frágeis, de preservação obrigatória, das quais depende o bom funcionamento do ciclo hidrológico. No fórum, disse Kátia Abreu, foi possível observar que se discute muito a democratização ao acesso da água, mas não a proteção dessas fontes.

– Nossa proposta de APP mundial, de preservação das matas ciliares, vem preencher essa lacuna. Agora vamos discutir os dois pilares: a gestão da água a distribuição, a democratização dela, mas principalmente a fonte de água, a proteção, o gerenciamento, a administração da fonte de água, na nascente, no rio e no aquífero subterrâneo – afirmou.

Para Kátia Abreu, a proposta apresentada pela CNA – a primeira entidade de produtores rurais filiada ao Conselho Mundial da Água no mundo – não é nenhuma espécie de revanchismo ou hipocrisia, mas sim “ambientalismo com consciência, e não com paixão”.

Na opinião da senadora, é importante mostrar para todo o mundo o trabalho de proteção das APPs que os produtores também fazem, já que são áreas intocáveis. Por esse esforço, os 12% da água doce do mundo, que estão em rios e lagos brasileiros, estão bem protegidos, disse a senadora.

Fonte: AgenciaSenado

O Conselho Mundial da Água, liderado por empresas como Veoliam, Suez, Coca Cola, Monsanto e outras grandes transnacionais desenvolveu uma visão muito sofisticada da água, uma visão que está fundamentada no conceito de que ela é um bem mercantil necessário para a vida e a ecologia, funcional aos direitos humanos e à sobrevivência e, portanto…um grande negócio. Como é possível que o Fórum Mundial da Água negue-se a reconhecer o direito humano à água e ao saneamento?

por  Elizabeth Peredo Beltrán (*)

Passaram-se já 15 anos da primeira edição do Fórum Mundial da Água e 20 da Declaração do Rio. Durante esses anos, o Conselho Mundial da Água, liderado por empresas como Veoliam, Suez, Coca Cola, Monsanto e outras grandes transnacionais desenvolveram uma visão muito sofisticada da água, uma visão que está fundamentada no conceito de que água é um bem mercantil necessário para a vida e a ecologia, funcionais aos direitos humanos e à sobrevivência e, portanto…um grande negócio.

Em todo esse período, ao invés de melhorar o cuidado com as fontes e aquíferos em todo o mundo a situação piorou substancialmente. Os equilíbrios ecológicos necessários para a sobrevivência e a fluidez do ciclo hidrológico foram rompidos como nunca havia acontecido, devido aos processos de agroindústria em larga escala, contaminação mineradora e projetos de energia baseados na construção de enormes hidroelétricas, entre outras causas. As empresas, por sua vez, estão buscando cada vez ganhar mais terreno da gestão pública e seguem ocorrendo debates entre gestores públicos e empresários diplomáticos corporativistas que tentam nos convencer de que o papel do setor privado é absolutamente necessário para a gestão da água.

Nestes debates e acordos de governança global da água pretende-se deslegitimar a gestão pública e fortalecer o conceito que foi desenvolvido pelo Consenso de Washington: o desenvolvimento e o cumprimento dos Objetivos do Milênio só serão possíveis se existir um forte investimento privado; portanto, o desenvolvimento, os direitos humanos e os equilíbrios ecológicos estão ligados à sorte do mercado.

Este princípio permitiu construir um sistema especulativo de alto voo que agora é reforçado com o desenvolvimento da economia verde que é mais do mesmo, mas concebido para criar mercados especulativos coloridos com uma tinta verde acrescentada para dar a sensação de que se está protegendo o planeta e com a intenção de mercantilizá-lo todo; não só a água que tomamos e até o ar que respiramos, mas inclusive o futuro do planeta. Ainda que pareça ficção científica, isso é possível assim como foi possível que desde este Fórum tenham surgido soluções técnicas e corporativas escandalosas há alguns anos e que agora estão sendo colocadas em prática.

Em Haia, o Fórum Mundial da Água de 2003 se propôs incentivar a criação de sementes transgênicas para “poupar água”, sob o diagnóstico de que a agricultura é a atividade que consome mais água em todo o mundo. Na época, os ativistas da água reclamaram que esta solução podia se constituir em um crime que poderia afetar a saúde de todo o mundo e lançaram campanhas para evitar as sementes transgênicas e incluir o princípio de precaução nestas tecnologias. Hoje, as sementes transgênicas são parte do comércio mundial de alimentos e suas tecnologias e insumos. Nesta semana a Argentina apresentou ao mundo com orgulho o patenteamento de uma nova semente transgênica capaz de “poupar” água na produção de trigo, milho e soja em nível mundial.

As coisas vão mal porque deixaram as decisões mais importantes sobre a vida e sobre o planeta nas mãos das corporações e de governos poderosos e desenvolvimentistas que, baseados no princípio de que tudo se compra, se paga, se vende ou se repara pagando, levaram até os limites a impossibilidade de construir uma sociedade solidária, protetora do meio ambiente e, sobretudo, respeitosa de um bem sagrado para a vida como é a água.

O Fórum Mundial da Água se negou sistematicamente a apoiar em suas declarações o Direito Humano à Água e ao Saneamento. No Fórum Mundial da Água do México, em 2006, foram apenas quatro os países que assinaram uma declaração minoritária exigindo o direito humano à água, entre eles Uruguai e Bolívia. No entanto, nas Nações Unidas, há dois anos não houve nem um só voto contra a Resolução 64/292 declarando o Direito Humano à Água e ao Saneamento. Os países que se opunham a ela só puderam se abster de votar, mas não explicitar sua negativa a um evidente consenso gerado pelos povos e pelos países que sabem que esse é um direito inalienável para a humanidade.

Como é possível que, sistematicamente, o FMA se negue a reconhecer esse direito e que, na ONU, ele tenha sido aprovado sem oposição há dois anos?

Sendo que são os mesmos países que fazem parte das declarações ministeriais, por um lado, e das resoluções e conferências, por outro. Por que é que agora que ocorreu esse passo tão importante na ONU, o FMA não avança, mas, ao contrário, busca retroceder e diminuir as possibilidades de implementação do direito humano à água, favorecendo os processos de privatização? Mais do que isso, agora o FMA está decididamente disposto a incluir a água em “todas as suas dimensões econômicas, sociais e ambientais em um marco de governança, financiamento e cooperação”…como afirma sua declaração emitida ontem, apesar do protesto de alguns países.

Enquanto isso, milhares, senão milhões de experiências e iniciativas de gestão social e solidária, experiências exitosas de gestão pública, são implementadas com base no conceito de que água é um bem comum, um bem não mercantil para a vida.

As políticas e visões promovidas pelo Fórum Mundial da Água não estão à altura dos desafios colocados diante do planeta e da humanidade. Pelo contrário, estão condenando a gestão da água a seu manejo pelos poderes corporativos incapazes de priorizar a vida, preocupados mais em extrair lucros de qualquer parte, por sistemas financeiros, especulativos e sistemas de litígios corporativos cobiçados nas instituições financeiras internacionais.

Considerando o extremo esgotamento dos recursos e o desequilíbrio ecológico produzido no planeta é indispensável que a governabilidade da água fique fora das mãos do Conselho Mundial da Água e seja construída a partir de consensos dos cidadãos, dos povos e do interesse público. É por isso que os movimentos sociais reunidos em Marselha estão propondo que a ONU convoque um Fórum Global da Água que possibilite escutar as vozes das pessoas para pensar a água como um bem para a vida. As organizações sociais estão pedindo que sejam reforçados os sistemas locais e que se contribua para um exercício de vigilância social para assegurar que seu manejo seja social, democrático e solidário.

Diz-se, não sem razão que “milhares viveram sem amor, mas ninguém viveu sem água” (Auden). Nós acrescentamos, a partir deste Fórum, “sem amor, empatia e solidariedade, será impossível assegurar que a água chegue limpa e pura para todos”.

(*) Elizabeth Peredo é psicóloga social, escritora e ativista pela água, cultura e contra o racismo. Escrito para o Fórum Alternativo Mundial da Água, Marselha, 2012.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19764

El agua es un recurso esencial a la vida y a las diversas producciones; un recurso renovable pero limitado y con disponibilidad irregular. Hoy día, más de 900 millones de personas no tienen acceso al agua potable (de estos, 322 millones son africanos y 234 millones de Asia del Sur) [2] y más de 4 mil millones no se pueden beneficiar del saneamiento.  En el planeta, solamente 3% del agua es dulce y solamente 1% es propia para utilización (99% se encuentra en los glaciares o en capas subterráneas inaccesibles). Además, el agua se encuentra desigualmente repartida sobre la tierra. Un estadounidense consume un promedio de 600 litros de agua por día, un parisiense, 240 litros por día y un africano un promedio de 50 litros por día.

El control sobre el agua es también control sobre los pueblos. En la Cisjordania un colono israelí en las ocupaciones ilegales en territorio palestino utiliza seis veces más agua que un palestino. Los palestinos, se acaso necesitan más agua, la tienen que comprar de una empresa israelí  (Mekorot) que explota el Rio Jordán, localizado en territorio palestino.

Los diferentes usos del agua también son desiguales: según la FAO [3], un 70% de la extracción del agua es usada en la agricultura, seguida de 19% en la industria y producción de energía y 11% en usos municipales (uso doméstico y en los servicios públicos).

Desde los años 1990, las reglas de la OMC y la política neoliberal vehiculadas por el FMI, el Banco Mundial y los acuerdos de libre comercio siguen considerando el agua como una mercancía como las demás. Esto quiere decir que el agua, especialmente en los países del sur puede ser considerada como la propiedad de una empresa o de un individuo que puede venderla si le conviene. En el proceso de “alivio de la deuda” de los “países pobres muy endeudados”, el Banco Mundial impone como condicionalidad la privatización de la distribución del agua en las ciudades [4].

En el auge del neoliberalismo, dichas instituciones, al igual que la Unión Europea, alardeaban que la participación de las empresas privadas era una condición para asegurar el acceso al agua potable. En realidad, la entrada de las empresas privadas en los servicios de distribución del agua ha significado el aumento abusivo de precios y la privación del acceso, por ejemplo, por medio de la instalación de medidores de prepago y corte inmediato de aguas de las familias que no podían pagar.

Los “principios de Dublín”, resultado de la Conferencia Internacional sobre agua y medio ambiente que sucedió en Dublín, 1992, se han tornado un nuevo consenso para la gestión del agua en ámbito mundial, para los gobiernos, al igual que para las organizaciones internacionales y ONGs, porque aparentaba ser políticamente neutro y sin controversias. Sin embargo, la aplicación de estos principios tiene diversas consecuencias. El principio 3 trata del rol de las mujeres: “La mujer desempeña un papel fundamental en el abastecimiento, la gestión y la protección del agua”. Las mujeres son presentadas como una categoría social unitaria, como se conformasen un grupo políticamente, económicamente y socialmente homogéneo. Además, el reconocimiento  del “papel fundamental” de las mujeres en este contexto abre camino para su instrumentalización [5].

Las jornadas de Cochabamba, Bolivia entre enero y abril de 2000, marcan un momento de cambio en esta historia. Mujeres y hombres de los barrios populares, campesinas e indígenas se han movilizado contra la privatización de los servicios, manejados con la participación de la empresa estadounidense Bechtel, y que había resultado en el aumento del precio en más de un 50%. El episodio conocido como la guerra del agua no solamente ha desnudado la perversidad de la privatización del suministro del agua como las inúmeras posibilidades que se abren con la revuelta popular. Su victoria en revertir la privatización ha alimentado la lucha contra la Área de Libre Comercio de las Américas, derrotada en 2005, y el cambio de gobierno con la elección de Evo Morales en este mismo año. Bolivia ha considerado los derechos de la naturaleza y el agua en su Constitución, aprobada en 2009, y propone a las Naciones Unidas el reconocimiento del derecho al acceso al agua de cualidad como un derecho humano, finalmente aceptado por su Asamblea General en 2010.

En 2008, la Coalición contra la privatización del agua de Sudáfrica gana una demanda que asegura a las familias de Soweto el derecho de tener el doble de agua del grifo. En 2010, el servicio de agua de Paris vuelve a ser público. La Unión Europea empieza a fortalecer las experiencias de asociación público-público en la mejora de los servicios de abastecimiento del agua. Sudáfrica, Ecuador y Uruguay también han previsto en sus Constituciones el agua como derecho humano. [6]

Mientras la lucha por servicios públicos que garanticen el acceso al agua de cualidad sigue en el mundo, también las luchas contra otras formas de acaparamiento del agua son expandidas. En Estados Unidos, comunidades de California, Maine y Michigan han triunfado contra los tratos de favoritismo que permitían a Nestlé bombear agua de ríos, lagos y acuíferos para la venda de agua en botellas. En 2005, las comunidades y el gobierno local de Kerala en India han logrado cerrar una planta de Coca-Cola altamente contaminante y consumidora de agua.[7]  Dicho logro es particularmente simbólico, porque Coca- Cola es conocida por vender como sociales proyectos que favorecen a sus intereses. En una práctica de “gender washing” (lavandería de género), Coca-Cola firmó una asociación con ONU Mujer en 2011 para empoderamiento económico de las mujeres en pequeños negocios, como las recicladoras.

En el Valle del Narmada en India, en las tierras Maya-Lenca en Honduras, en el Valle del Omo en Etiopia y en tantos otros territorios, comunidades resisten a la construcción de mega represas y plantas hidroeléctricas que inundan tierras, desplazan populaciones y limitan los usos de los ríos que eran la base de su supervivencia y cultura.

En 2006, las mujeres de la Vía Campesina han realizado una acción en las plantas de la empresa papelera Aracruz contra el monocultivo de eucaliptus. La radicalidad de su acción ha puesto en relevo la desertificación causada por los extensivos plantíos con el uso intensivo del agua y su contaminación por agro tóxicos o por la crianza intensiva de cerdos y gallinas. Cuando un país exporta pasta de celulosa o soja también exporta grandes cuantidades de agua utilizadas en su producción.

La Gran Marcha por el agua y la vida, que sucederá en febrero del 2012, en Perú, llama la atención para el uso excesivo del agua y su contaminación por las empresas mineras. Denuncia los males causados por las empresas ya existentes, resiste a la instalación del proyecto Minas Conga, demanda la prohibición de minería en cabeceras de cuencas y glaciares y la moratoria de concesiones mineras. La explotación de oro al aire libre con cianuro utiliza millones de litros de agua potable diariamente. La denuncia del pueblo peruano se añade a la resistencia de comunidades afectadas por la minería en diversas partes del mundo como en Guatemala, Rumania, Mozambique y muchas otras.

Mujeres en la gestión del agua y en la lucha contra su privatización

En las zonas rurales, especialmente en los países del sur, las mujeres se ocupan de asegurar el agua necesario para el uso domestico, además de asegurar que el abastecimiento sea suficiente o que haya agua estocada de manera adecuada en la casa, son ellas que de hecho gestionan el agua en el domicilio. Las niñas son muchas veces privadas de la educación pues sus madres necesitan que ellas les ayuden a buscar agua a lo largo de los días. Las mujeres, especialmente las mujeres rurales, no tienen acceso al agua potable cuando es industrializada y envasada para la venta. También por que las estructuras responsables del tratamiento de agua no realizan correctamente su trabajo.

Las mujeres tienen igual rol a nivel comunitario, incluso en la construcción y manutención de las instalaciones de acceso al agua. Ellas son, en general, responsables por la manutención de las letrinas. Ellas también auxilian los niños, las personas mayores o enfermas en sus necesidades sanitarias y de higiene. Ellas se preocupan con la seguridad (sobre todo de los niños) y con la intimidad: las mujeres quieren, antes de todo, estar seguras que sus niños no van a caer en las fosas y ellas demandan puertas con cierre para se proteger de las vistas de los pasantes. Además en algunos países, la falta de aseos cerca de casa plantea grandes riesgos de violencia para las mujeres, incluida la violación, sobre todo cuando es tarde de la noche.

En las ciudades, en todas las partes del mundo, las mujeres gestionan la utilización del agua por la familia. Con el acceso limitado por los altos precios o por racionamiento son ellas las que administran la escasez y se acuerdan de guardar agua en reservatorios. En Barcelona, durante la sequía de 2008, la comunidad ha resistido a mega proyectos como la transposición del río Ebro y reflexionado sobre formas de consumir menos agua. Las mujeres, aún más, han asumido los costos de imponer reglas más rígidas en el cotidiano, especialmente a los hijos como  baños más cortos.

Mujeres y hombres de todo el mundo resisten a que el agua y la naturaleza sean consideradas recursos a servicio de la ganancia de las empresas, percibidos como inagotables o como mercancía  más cara a medida que se agota por su mala utilización.  Las mujeres en especial son muy activas en estas luchas. La experiencia que viven de invisibilización y desvalorización de su trabajo de cuidado de las personas es muy similar a la invisibilidad y desvalorización de la naturaleza. El tiempo y la energía de las mujeres en cuidar, en el preparo de la comida, en los afectos, la disponibilidad para la escucha no son visibles y son elásticos. Las mujeres son las primeras a levantar y las ultimas a dormir en la mayoría de las familias. El tiempo y la energía de los procesos de regeneración de la naturaleza son ocultos y tratados como impedimento a superar para que la máquina del consumo siga operando a todo vapor. Las mujeres siguen presionadas a ajustar las lógicas opuestas y tiempos de la vida y del lucro, asumiendo las tensiones que de ahí vienen. Su trabajo es instrumentalizado para amenizar u ocultar las injusticias promovidas por instituciones multilaterales, gobiernos y empresas. Si las mujeres caminan distancias más largas para encontrar agua o esperan horas en la cola del camión cisterna esto no es considerado un problema porque dichos agentes lo justifican como parte de su rol de madres.

La sociedad capitalista y patriarcal se estrutura en una división sexual del trabajo que separa el trabajo de hombres y lo de las mujeres y preconiza que el trabajo de los hombres vale más que lo de las mujeres. El trabajo de los hombres es asociado al productivo (lo que se vende en el mercado) y el trabajo de las mujeres al reproductivo (la produción de seres humanos y sus relaciones). Las representaciones de lo que es masculino y feminino son duales y jerárquicas como lo es la asociación entre hombres y cultura y mujeres y naturaleza.

En la Marcha Mundial de las Mujeres luchamos para superar la división sexual del trabajo, al igual que por el reconocimiento de que el trabajo reproductivo está en la base del sostienimiento de la vida humana y de las relaciones entre las personas en la familia y en la sociedad. Creemos que es posible establecer (y en algunos casos reestablecer) una relación dinamica y harmoniosa entre las personas y la naturaleza y que las mujeres, con su experiencia histórica, tienen mucho a decir sobre el tema y deben estar implicadas en los procesos de decision y de gestión del agua.

Nuestro desafío es unir las luchas por bienes comunes y servicios públicos de las mujeres del campo y de la ciudad como la protección de la naturaleza, contra la privatización de la vida. Nuestro objetivo es fortalecer los lazos entre mujeres, concienciar sobre los problemas comunes y particulares en cada ámbito y luchar por cambios en los modelos de producción y consumo. [8]

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[1]  Entre el 14 y el 17 de Marzo de 2012, el Foro Alternativo Mundial del Agua sucede en Marsella, Francia. El Secretariado Internacional de la MMM ha elaborado  este texto con la colaboración de activistas del Colectivo 13 Femmes de Marsella et de la MMM Francia para situar la problemática de la privatización y acaparamiento del agua. Invitamos a todas las Coordinaciones Nacionales y los grupos participantes de la MMM a debatírselo y enviarnos comentarios, reacciones y acrecimos al coreo: Info@marchemondiale.org para poder avanzar en nuestro análisis y construcción de propuestas.
[2]  http://www.partenariat-francais-eau.fr/spip.php?article620
[3]  http://www.fao.org/nr/water/aquastat/water_use/indexfra.stm
[4]  http://www.cetim.ch/fr/interventions_details.php?iid=185
[5]  Trottier, Julie, “Water Crises: political construction or physical reality?”, Contemporary Politics, Vol. 14, n°2, June 2008, pp.197-214
[6]  Bell, Beverly et Colectivo Other Worlds: ¿Quien dice que no podemos cambiar el mundo? Economías y Sociedades Justas en un Planeta Injusto. Other Worlds, EEUU y Otros Mundos, Chiapas, México, Noviembre 2009, pp. 14-17.
[7]  Ibidem
[8] Marcha Mundial de las Mujeres – Campo de acción “Bien común y los servicios públicos ” http://www.marchemondiale.org/actions/2010action/text/biencomun/fr?set_language=fr&cl=fr  consultado en febrero de 2012. El agua es un bien común de la humanidad. El acceso al agua de cualidad es un derecho de todas y todos.

Fonte: http://www.marchemondiale.org/themes/biencommun/agua2012/es

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“De tanto postergar o essencial em nome da urgência, termina-se por esquecer a urgência do essencial.” Hadj Garm'Orin

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O Centro de Estudos Ambientais (CEA) é a primeira ONG ecológica da região sul, constituída em Rio Grande/RS/Brasil, em julho de 1983.

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