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Em países da África somente se acessa água através de cartão pré-pago, tipo de telefone celular. Seria isso o que o Fórum Mundial da Água afirma ser acesso à água potável ou seria o tal promover uso “inteligente” da água? Água não é mercadoria!

É com grande tristeza que a família da professora Wangari Maathai anuncia seu falecimento em 25 de setembro de 2011, no Hospital de Nairobi, depois de uma brava e prolongada luta contra o cancer. Seus entes queridos estavam com ela no momento do falecimento.

A partida Professor Maathai é prematura e uma perda muito grande para todos que a conheciam, como uma mãe, parente, colega de trabalho, amiga, modelo de pessoa e heroína, ou para os que a admirava por sua determinação em fazer do mundo um lugar mais pacífico, mais saudável e melhor.

Prof Wangari Muta Maathai começou o Green Belt Movement (Movimento Cinturão Verde) em 1977, trabalhando com as mulheres para melhorar seus meios de subsistência, aumentando o seu acesso a recursos como lenha para cozinhar e água limpa. Ela se tornou uma grande defensora de uma melhor gestão dos recursos naturais e da sustentabilidade, eqüidade e justiça.

Prof Maathai deixa seus três filhos-Waweru, Wanjira e Muta e neta, Ruth Wangari. Eles são realmente muito gratos por todas as orações e apoio que receberam.

Em breve serão fornecidas mais informações sobre como a vida Prof será celebrada, onde partilhar memórias e condolências, e como se juntar a nós para construir o seu legado para as gerações vindouras.

Fonte: http://greenbeltmovement.org/index.php

Os porquês da fome

por Esther Vivas

Vivemos em um mundo de abundância. Hoje se produz comida para 12 bilhões de pessoas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), quando no planeta habitam 7 bilhões. Comida, existe. Então, por que uma em cada sete pessoas no mundo passa fome?

A emergência alimentar que afeta mais de 10 milhões de pessoas no Chifre da África voltou colocar na atualidade a fatalidade de uma catástrofe que não tem nada de natural. Secas, inundações, conflitos bélicos… contribuem para agudizar uma situação de extrema vulnerabilidade alimentar, mas não são os únicos fatores que a explicam.

A situação de fome no Chifre da África não é novidade. Somália vive uma situação de insegurança alimentar ha 20 anos. E, periodicamente, os meios de comunicação removem nossos confortáveis sofás e nos recordam o impacto dramático da fome no mundo. Em 1984, quase um milhão de pessoas mortas na Etiópia; em 1992, 300 mil somalenses faleceram por causa da fome; em 2005, quase cinco milhões de pessoas a beira da morte no Malaui, só para citar alguns casos.

A fome não é uma fatalidade inevitável que afeta a determinados países. As causas da fome são políticas. Quem controla os recursos naturais(terra, água, sementes) que permitem a produção de comida? A quem beneficiam as políticas agrícolas e alimentares? Hoja, os alimentos se converteram em uma mercadoria e sua função principal, alimentar-nos, ficou em segundo plano.

Se aponta a seca, com a consequente perda de colheitas e gado, como um dos principais desencadeadores da fome no Chifre da África, mas como se explica que países como Estados Unidos o Austrália, que sofrem periodicamente secas severas, não sofram fomes extremas? Evidentemente, os fenômenos meteorológicos podem agravar os problemas alimentares, mas não bastam para explicar as causas da fome. No que diz respeito a produção de alimentos, o controle dos recursos naturais é chave para entender quem e para quê se produz.

Em muitos países do Chifre da África, o acesso a terra é um bem escaso. A compra massiva de solo fértil por parte de investidores estrangeiros (agroindústria, Governos, fundos especulativos…) têm provocado a expulsão de milhares de camponeses de suas terras, diminuindo a capacidade destes países para se auto-abastecerem. Asim, enquanto o Programa Mundial de Alimentos tenta dar de comer a milhões de refugiados no Sudão, se dá o paradoxo de que governos estrangeiros (Kuwait, Emiratos Árabes Unidos, Coreia…) os compram terras para produzir e exportar alimentos para suas populações.

Asim mesmo, ha que recordar que Somália, apesar das secas recorrentes, foi um país auto-suficiente na produção de alimentos até o final dos anos setenta. Sua soberania alimentar foi arrebatada em décadas posteriores. A partir dos anos oitenta, as políticas impostas pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para que o país pagasse sua dívida com o Clube de Paris, forçaram a aplicação de um conjunto de medidas de ajuste. No que se refere a agricultura, estas implicaram uma política de liberalização comercial e abertura de seus mercados, permitindo a entrada massiva de produtos subvencionados, como o arroz e o trigo, de multinacionais agro-industriais norte-americanas e europeias, que começaram a vender seus produtos por debaixo de seu preço de custo e fazendo a competição desleal com os produtores autóctonos. As desvalorizações periódicas da moeda somalense geraram também a alta do preço dos insumos e o fomento de uma política de monocultivos para a exportação forçou, paulatinamente, o abandono do campo. Histórias parecidas se deram não só nos países da África, mas também na América Latina e Ásia.

A subida do preço de cereais básicos é outro dos elementos assinalados como detonante da fome no Chifre da África. na Somália, o preço do milho e o sorgo vermelho aumentou 106% e 180% respectivamente em apenas um ano. Na Etiópia, o custo do trigo subiu 85% em relação ao ano anterior. E no Quênia, o milho alcançou um valor 55% superior ao de 2010. Uma alta que converteu estes alimentos em inacessíveis. Mas, quais são as razões da escalada dos preços? Vários indícios apontam a especulação financeira com as matérias primas alimentares como uma das causas principais.

O preço dos alimentos se determina nas Bolsas de valores, a mais importante das quais, a nível mundial, é a de Chicago, enquanto que na Europa os alimentos se comercializam nas Bolsas de futuros de Londres, Paris, Amsterdam e Frankfurt. Mas, hoje em dia, a maior parte da compra e venda destas mercadorias não corresponde a intercâmbios comerciais reais. Se calcula que, nas palavras de Mike Masters, do hedge fund Masters Capital Management, 75% do investimento financeiro no setor agrícola é de caráter especulativo. Se compram e vendem matérias primas com o objetivo de especular e fazer negócio, repercutindo finalmente em um aumento do preço da comida para o consumidor final. Os mesmos bancos, fundos de alto risco, companhias de seguros, que causaram a crise das hipotecas subprime, são quem hoje especula com a comida, aproveitandp-se dos mercados globais profundamente desregularizados e altamente rentáveis.

A crise alimentar em escala global e a fome no Chifre da África em particular são resultado da globalização alimentar a serviço dos interesses privados. A cadeia de produção, distribuição e consumo de alimentos está nas mãos de umas poucas multinacionais que antepõem seus interesses particulares às necessidades coletivas e que ao largo das últimas décadas têm erosionado, com o apoio des instituições financeiras internacionais, a capacidade dos Estados do sul para decidir sobre suas políticas agrícolas e alimentares.

Voltando ao princípio, Por quê existe fome em um mundo de abundância? A produção de alimentos se multiplicou por três desde os anos sessenta, enquanto que a população mundial tão só duplicou desde então. Não estamos enfrentando um problema de produção de comida, mas sim um problema de acesso. Como assinalou o relator da ONU para o direito a alimentação, Olivier de Schutter, em uma entrevista a EL PAÍS: “A fome é um problema político. E uma questão de justiça social e políticas de redistribuição”.

Se queremos acabar com a fome no mundo é urgente apostar por outras políticas agrícolas e alimentares que coloquem no seu centro as pessoas, as suas necessidades, a aqueles que trabalham a terra e o eco-sistema. Apostar pelo que o movimento internacional da Vía Campesina chama a “soberania alimentar”, e recuperar a capacidade de decidir sobre aquilo que comemos. Tomando emprestado um dos lemas mais conhecidos do Movimiento 15-M, é necessário uma “democracia real,já” na agricultura e na alimentação.

*Esther Vivas, do Centro de Estudos sobre Movimentos Sociais da Universidad Pompeu Fabra. Artigo em El País, 30/07/2011.

***Tradução português : Paulo Marques para o blog http://www.economiasocialistads.blogspot.com

O dendezeiro é un cultivo nativo das comunidades da África Central e Ocidental que costumam ora plantá-los em suas terras ora coletar frutos, folhas ou seiva de dendezeiros nativos que usam em suas vidas quotidianas: do óleo de dendê elaborado localmente para ser usado em seus lares ou vendido nos mercados locais à produção de vinho de palma. O dendezeiro faz parte de sua cultura.

Embora algumas plantações foram estabelecidas nos tempos coloniais e outras no período post independência, tudo começou a mudar há poucos anos. Principalmente com o impulso da demanda internacional por óleo de dendê- e mais recentemente por agrocombustíveis- as comunidades africanas estão enfrentando a expansão das plantações de dendezeiros em grande escala. Os governos estão abrindo as portas para as corporações plantarem vastas áreas de terra com dendezeiros. Essa tendência não está acontecendo apenas nos países da África Central e Ocidental, mas também está se espalhando até a regiões da África Oriental.

Em decorrência da dificuldade para acesar a informação e as analises a respeito deste tema, o WRM criou um blog para facilitar um fluxo de informação de duas vias sobre o dendêzeiro na África. Para começar este processo, o WRM produziu um artigo em cada país onde existe dendezeiros naturais ou plantações, juntando a informação que consideramos mais relevante.

Para saber mais acesse AQUI

Em tempo,  bem interessante o editorial da WRM publicado em seu boletim.

http://cervejandmulher.files.wordpress.com/2010/03/logo_copa.png

África: a Copa do Mundo e a realidade

A cada quatro anos, milhões de pessoas do mundo inteiro tornam-se repentinamente fanáticos pelo futebol. Muitos de nós sabemos que o organizador – a FIFA- é uma enorme e corrupta máquina de fazer dinheiro. Também sabemos que o futebol é um grande negócio para um enorme número de corporações transnacionais altamente destrutivas. E ainda sabemos que os jogadores de futebol, na maioria das vezes, são nada mais do que gladiadores modernos vendidos como mercadorias no mercado da FIFA.

Apesar disso tudo, a mágica do futebol nos faz grudar no televisor. A beleza do jogo e a arte exibida por alguns de seus jogadores está unida com uma rara qualidade no mundo de hoje: igualdade. Sem importar o poder político e econômico do país que representam, 11 homens jovens competem com outros 11 homens jovens em igualdade de condições.  Dentro dos times, a colaboração entre os jogadores e seu treinador é essencial. As regras do jogo são as mesmas para os dois times e os árbitros são geralmente neutrais em suas cobranças.

Pela primeira vez a Copa do Mundo está acontecendo na África, o que é uma boa oportunidade para comparar futebol com realidade no continente.

Falar de igualdade nas relações entre a África e os poderes econômicos do mundo é uma brincadeira de mau gosto. As regras são impostas pela arbitragem (Sr.Banco Mundial, Sr. FMI, Sr.OMC e outros para colaborar com os jogadores corporativos para que vençam os jogos. Os treinadores africanos- governos- têm sido subornados por seus oponentes, fazendo com que a colaboração entre os times fosse impossível. Do outro lado, os governos do Norte- impõem mudanças nas regras quando seus times precisam disso. O jogo bonito não existe.  O resultado do jogo é bem sabido com antecedência: as corporações transnacionais vencem facilmente à África.

Contrariamente ao futebol, em que os perdedores simplesmente ficam tristes por um tempo, as Corporações- o cenário africano está repleto de sofrimento humano: fome, morte, violência, despejo, falta de moradia, destruição ambiental. As riquezas do continente- florestas, minérios, petróleo- enriquecem o que já é rico enquanto empurram os povos africanos à pobreza absoluta. O “jogo” não é um jogo de jeito nenhum: é uma tragédia.

No entanto, pouco ou nada disso é informado pelos milhares de jornalistas presentes na África do Sul que estão cobrindo a Copa do Mundo. Tanto o país anfitrião quanto o resto do continente parece repleto de pessoas felizes vestidas com roupas coloridas que assopram as vuvuzelas, e apenas preocupados pelo sucesso ou fracasso de seus times no jogo bonito.

Mas a real África que sofre e é explorada é de fato bem visível para qualquer pessoa que quiser vê-la. E também as comunidades, organizações e os movimentos lutando contra tudo no jogo injusto que está sendo jogado contra o continente. Eles ficaram de fora da cobertura da Copa do Mundo mas, felizmente para o futuro da África, eles ainda estão aí e cada vez mais fortes. Torcemos por eles!

A Parte III da série especial, produzida pela WRM, em função do dia internacional de luta das Mulheres (8 de março) evidencia como as mulheres nigerianas enfrentam a problemática expansão dos seringais em seus territórios. Territórios esses cedidos “gentilmente” pelo governo local a iniciativa privada,  a transnacional francesa Michelin (líder mundial em pneus). Inclusive, no site da empresa no Brasil a propagandas da “Energia Verde Michelin” interessante, não!?

Parece até aquela história do “papel bonito lá fora…” que bradam por ai.

ecofeminismo8

Nigéria: As plantações de borracha da Michelin destruíram os meios de vida das mulheres

“Não quero dinheiro. Quero que devolvam minha terra… se agora eles me derem um milhão de Naira [a moeda local], ainda estarei no vermelho , mas se eu tenho minha terra posso cultivar para cuidar da minha família e possivelmente passar as terras para meus filhos.” (Mulher  de Iguoriakhi)

A transnacional francesa Michelin, um dos principais atores na produção mundial de pneus tem estabelecido bastante recentemente plantações de borracha na Nigéria.

Tudo começou no dia 29 de maio de 2007, quando mais de 3.500 hectares da Reserva Florestal de Iguobazuwa- incluindo terras agrícolas individuais e comunais- foram concedidas à Michelin para serem transformadas em plantações de borracha através de um acordo ilegal sem o consentimento da comunidade nem uma apropriada Avaliação do Impacto Ambiental.

A reserva de Iguobazuwa abriga uma população de mais de 20.000 agricultores, 85% dos quais dependem da densa floresta para seu sustento diário. A floresta é rica em biodiversidade e inclui animais como macacos, antílopes, aulacodos (roedores tropicais), tartarugas, caracóis e aves. Iguobazuwa era também o local de cultivo de lavouras alimentícias como mandioca, inhame, banana, abacaxi, melão, milho e hortaliças tanto comestíveis quanto medicinais.

As comunidades dos arredores da floresta de Iguobazuwa são Aifesoba, Iguoriakhi, Igueihase, Ora, Amienghomwan, Ugbokun, Obaretin, Obosogbe, Okoro e Iguobazuwa. Apesar de as terras florestais pertencerem legalmente ao governo, em 1972 as comunidades obtiveram direitos sobre elas, sendo que algumas partes das florestas alocavam-se em forma rotativa aos membros da comunidade para serem usadas como terras agrícolas.

Em dezembro de 2007, a Michelin clareou com buldôzeres 3.500 hectares de florestas bem como as terras agrícolas da comunidade, sem dar qualquer compensação à comunidade afetada. Os moradores locais ficaram, da noite para o dia, com suas duas fontes de sustento- florestas e terras agrícolas- completamente destruídas. As comunidades de Iguobazuwa perderam tudo.

Em maio de 2008, a empresa começou a plantar as árvores de borracha. Mesmo que as árvores estejam ainda em estágios iniciais, as comunidades também deverão enfrentar os impactos adicionais decorrentes das próprias plantações, como mostra a experiência em muitos outros países.

“Dois anos depois da morte de meu marido, comecei a cultivar… a Michelin chegou com seu maldito buldôzer e destruiu tudo o que tinha plantado. Estava chorando… estava tentando detê-los; eles ameaçaram com empurrar-me com suas máquinas se eu não os deixasse passar.”

Mulheres agricultoras agora sem emprego…

A chegada ultrajante da Michelin à floresta de Iguobazuwa depois de 300 anos de coexistência pacífica entre as comunidades só trouxe fome, mal nutrição, doenças, pobreza, poluição do ar e da água, erosão do solo, deslocamentos sociais, aumento de vícios sociais, alteração das antigas práticas tradicionais, falta de lenha e de carne de caça.

As roças destruídas tinham produzido diversas culturas alimentícias:
Eu tinha dois acres de terras agrícolas e plantava mandioca, banana, abacaxi, mangarito e pimentão. Agora, a roça desapareceu e já não tenho nenhuma fonte de alimentos nem de meios de vida’. (Mulher da aldeia Aifesoba)

A maior parte das mulheres que partilharam suas experiências disse que é comum que os homens preparem a terra para plantar e as mulheres tomem conta de todas as outras atividades desde a cultura até a colheita. Por isso são as mulheres as que usam a terra para o cultivo de lavouras. Agora, com suas roças destruídas, as mulheres devem tornar-se trabalhadoras de outras roças na floresta ou em aldeias vizinhas que ainda não foram afetadas pela avassaladora Michelin enquanto outras ficaram sem trabalho e famintas.

A Michelin destruiu nossas roças. Sofri com isso. As roças providenciavam alimentos para nossas famílias. Eu podia ajudar no pagamento da mensalidade da escola de meus filhos. Queremos que nos paguem por nossas lavouras e terras agrícolas. Eles deveriam deixar que nossas terras fossem nossas. Queremos que nossas terras sejam devolvidas. Nossas vidas dependem disso. Agora nós não temos emprego.Não mais folhas amargas, folhas de água nem folhas de abóbora. Meu marido tem estado sem trabalho durante anos; não podemos depender de nossos maridos para tudo. Queremos que a Michelin nos compense… o valor é muito alto para ignorá-lo . (Mulher da aldeia Aifesoba)

… e sem uns trocados

É comum que as mulheres consigam dinheiro da produção de suas roças vendida no mercado local. Por isso, o roubo de suas roças afetou seriamente as mulheres da aldeia já que muitas das responsabilidades pelo sustento da família recaem nelas, e então elas não têm outra opção a não ser recorrer a trabalhos servis a fim de sobreviverem.

Será que estas pessoas nos impulsionam a sair a roubar?  Eles se apropriaram de minha terra de quatro acres e da fonte de sustento de minha família. Eles me afastaram da roça enquanto eu ainda estava trabalhando sem nenhuma explicação nem compensação. Meu marido perdeu o emprego como motorista na cidade e temos quatro filhos, que estão fora da escola por não podermos pagar as mensalidades da escola. Mulher da aldeia Aifesoba.

A maior parte das mulheres agora está envolvida na agricultura de subsistência em pequena escala dentro de suas instalações. Algumas compram as lavouras de mandiocas para processá-las e vendê-las quando amadurecem.

As mulheres que cuidam da família em problemas

Além de tomar conta do uso da água para as atividades domésticas, do fornecimento de vestimentas e da coleta de frutas e sementes, as mulheres são responsáveis pela coleta de plantas medicinais que são vitais para as práticas tradicionais das comunidades locais vinculadas com a saúde. O fato de a floresta ter desaparecido provocou que muitas mulheres devam caminhar longas distâncias- sendo a mínima de cerca de 15 km- para conseguirem ervas com as que tratam algumas doenças.

Estou grávida e doente, e não temos onde encontrar as ervas. Antes, íamos à mata e coletávamos ervas para curar todo tipo de moléstias. Você sabe que há algumas doenças que não podem ser curadas com a medicina ortodoxa; mas agora não temos acesso a elas porque a Michelin arrasou nossas florestas. Você pode ver que minhas pernas estão inchadas; à diferença de outras vezes em que engravidei, já não posso conseguir aquelas ervas que eram tão efetivas para mim. (Mulher em avançado estado de gravidez de Aifesoba)

Omo diz uma mulher de Iguoriakhi:

Só sabemos que a Michelin está causando os  prejuízos. São as pessoas que nós vemos. No passado nos alimentávamos da floresta; nossa vida depende da floresta. Há muitas pessoas em minha comunidade que nem sabem onde estão os hospitais porque é a floresta a que providencia os remédios necessários.

Uma mulher de 83 anos da comunidade Iguobazuwa explica a situação da seguinte forma:

Tenho morado em Iguobazuwa durante 65 anos. Sempre ia à floresta e arrancava as ervas medicinais para tratar meus filhos quando ficavam doentes. Foi na floresta que eu consegui as folhas medicinais que tomei toda vez que engravidei.

As mulheres se levantam por seus direitos

As mulheres sabem que não há nem haverá nada de bom como resultado das atividades da Michelin em suas terras. E começam a organizar-se e a procurar apoio. Elas querem que suas terras sejam devolvidas, que suas árvores sejam replantadas, e também querem ser plenamente recompensadas por suas lavouras destruídas.

Estão decididas a empreender ações, passeatas de protesto e manifestações contra a Michelin Nigéria a fim de que suas exigências sejam cumpridas opondo-se de todas as formas às plantações de árvores em larga escala em seus territórios.

“Se eu decidisse, eu impediria que eles comprassem nossas terras para as plantações de borracha…Se eu decidisse, eu arrancaria toda a plantação de borracha com minhas mãos… Eles deveriam deixar nossas terras para nós.”

Para isso, elas precisam superar alguns problemas. Enoma Oduwa, da comunidade Iguobazuwa, diz:

No passado, tínhamos um grupo de mulheres mas agora já não existe. Esse é um dos motivos por que não podemos enfrentá-los como um grupo. Sem unidade não há resistência!

Tradicionalmente, as mulheres Iguobazuwa não têm participado de nenhuma forma de resistência, até recentemente quando algumas mulheres e alguns homens das comunidades Aifesoba e Obosogbe se engajaram em uma passeata de protesto na cidade de Benin para denunciarem as atividades da Michelin em seu município.

Mais recentemente, as mulheres têm adotado um comportamento mais assertivo para conhecer e exercer seus direitos, o valor de sua floresta e como se tornar mais ativas no processo da tomada de decisões quando estiver relacionada a práticas de bom manejo florestal em seus municípios.

Na comunidade Aifesoba, as mulheres- acompanhadas de homens- engajaram-se em uma passeata de protesto na área florestal onde os caminhões e buldôzeres da Michelin estavam cortando as árvores. Conseguiram que parassem de trabalhar em duas ocasiões; na terceira vez a Michelin conseguiu mobilizar policiais que os protegessem e intimidassem e enxotassem as pessoas da comunidade. Como resultado, algumas mulheres de outras comunidades agora receiam empreender qualquer ação para enfrentar a Michelin já que temem ser maltratadas, intimidadas ou assediadas da mesma forma em que as pessoas comunidade Aifesoba foram tratadas.
Em conseqüência do workshop de dois dias realizado nos dias 4 e 5 de novembro de 2008, a Michelin chamou alguns membros de duas comunidades (Aifesoba e Iguobazuwa) das nove comunidades diretamente afetadas, e pagou uma compensação. Um grupo de Iguobazuwa foi completamente recompensado enquanto a outra comunidade de Aifesoba recebeu o que eles descreveram como uns trocados já que está muito longe do tamanho da destruição e não era proporcionado com o valor das lavouras destruídas.

No final do workshop, as mulheres publicaram um comunicado em que exigem uma série de ações urgentes. Entre elas, exigem que o atual governo do Estado de Edo revise a venda da reserva florestal de Iguobazuwa, que a Michelin Nigéria devolva suas terras e replante cada árvore cortada, que haja  compensações pelas lavouras destruídas, e que a invasão de suas florestas por parte da Michelin Nigéria não seja vista como um sinal de desenvolvimento e sim de empobrecimento, já que suas vidas e meios de sobrevivência têm sido colocados em risco. Exigem também que a expansão em suas terras da floresta Iguobazuwa sejam detidas.

Mas o que é mais importante é sua determinação para conseguir reaver suas terras.

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