O pequeno auditório da Faculdade de Engenharia da UFRGS estava lotado para assistir a atividade organizada pela Fundação Rosa Luxemburgo, durante toda a manhã deste segundo dia do Fórum Social Temático.

O tema da atividade  não poderia deixar de ser dos mais instigantes para o debate ” Ecossocialismo ou barbárie : armadilha do capitalismo verde ou uma saída para além do capital”.

Na mesa de debates estavam  o canadense Pat Mooney considerado como uma autoridade em questões de biodiversidade agrícola e novas tecnologias., trabalha a  mais de 30 anos com organizações da sociedade civil sobre o comércio internacional e questões de desenvolvimento relacionados com aagricultura, e biodiversidade e novas tecnologias. Autor ou co-autor de vários livros sobre a política de biotecnologia e biodiversidade, Pat Mooney recebeu o “Nobel Alternativo” do Parlamento sueco em 1985; ChristopherAguiton da ATTAC França, autor do livro “O mundo nos pertence” e Esther Vivas da Izquierda Anticapitalista de Barcelona, ativista anti-globalização e autora e co-autora de vários livros sobre movimentos sociais, comércio justo

O primeiro painelista o canadense Pat Mooney, que ao se referir a ECO92 disse que aquela cúpula “foi o maior roubo da história” , ele se referia ao  acordo firmado entre governos de países do sul e do norte no qual permitem que toda biodiversidade da América Latina, levada pelos europeus nos últimos 500 anos, pertenceria aos países do norte. Mooney também criticou a ideia de economia verde, levada a cabo pela maioria da organizações que integram a Rio+20. Para ele, “economia verde se trata do controle econômico da natureza”.

Ele ainda afirma que no acordo que vai ser tirado na Rio+20, as empresas vão tomar conta de parte da biodiversidade que agora pode se tornar mercadoria. Mooney explica que o valor comercial do material biológico extraído da natureza atualmente pode ser feita com a biotecnologia. Esse desenvolvimento tecnológico garante, por exemplo, a transformação de celulose tirada das árvores em bioeletricidade, bionergia, plástico e até mesmo comida.

Ao referir-se ao significado da proposta ecossocialista, o francês ChristopherAguiton da organização ATTAC da França, destacou que hoje há uma diferença entre o movimento alter-mundialista e movimento ecologista que não existia no período de luta contra o neoliberalismo dos primeiros Fóruns quando havia uma unidade contra o neoliberalismo, que significava o modelo único capitalista existente. A partir de uma idéia de frente comum contra o neoliberalismo foi possível derrotar a ALCA por exeplo, assinalou Aguiton. Entretanto, no contexto atual a ecologia e o meio ambiente não podem ser discutidas desta maneira, na medida em que são os capitalistas sejam neoliberais ou não, que buscam privatizar  a biodiversidade com o argumento da “proteção”. Ha portanto uma clara divisão no movimento ambientalista hoje, onde estão de um lado aqueles que seguem as propostas capitalistas de “mudanças” para “proteção do meio ambiente” sem questionar o sistema e de outro lado  aqueles que lutam tanto para proteção do meio ambiente como contra o sistema responsável por sua destruição, portanto, realizando uma luta de caráter anticapitalista.

Para Aguiton foi o movimento feminista dos anos 60 o responsável por ampliar a agenda estratégica da esquerda quando levantou a questão de não apenas mudar o sistema mas fundamentalmente mudar as práticas. Uma mudança de perspectiva que identificamos hoje como a necessidade de mudanças das práticas coletivas, para isso transformar o mundo mudando o sistema e mudando as práticas.

Esther Vivas, ativista anti-globalização de Barcelona destacou que o ecossocialismo é hoje a alternativa a crise sistemica global, pois apresenta um perspectiva ecologista radical. Na medida em que o sistema não tem capacidade para sair da crise, apresentando falsas alternativas como a economia verde. Nesse sentido, salientou Esther, ”  o ecossocialismo, que reivindica um marxismo original, busca combater a lógica produtivista, questionar o modelo de produção e de mercantilização dos bens comuns, assim como a guerra global de todos contra todos como a única lógica possível, contrapondo outra lógica baseada na cooperação, na solidariedade e em práticas coletivas que apontem para uma nova lógica de vida. Uma verdadeira transformação ecológica e social.

Esther apontou alguns elementos fundamentais para uma ação transformadora no ambito do mundo do trabalho como uma reconversão produtiva de trabalhadores, redução da jornada de trabalho, redistribuição da renda e riqueza, nacionalização do sistema bancário e energético dos países. Por fim Esther Vivas afirmou que é fundamental para os processos de transformação que,  além da luta social nas ruas e mobilizações sociais,  seja possível mudanças na vida cotidiana, com práticas individuais e coletivas como a Economia Solidária que contribuem para as mudanças estruturais.

O grande trunfo do capitalismo é nos fazer crer que não existe alternativas. Por isso as alternativas práticas, cotidianas são fundamentais para nós anticapitalistas, afirmou Esther Vivas.

Fonte: BrasilAutogestionario

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