*Diniz Maciel da Silva

Em continuidade à nossa exposição sobre poluição atmosférica, na qual foram descritos os procedimentos realizados pelo órgão ambiental estadual, permitimo-nos expandir nosso entendimento, agora sobre o envolvimento dos gases poluentes com a atmosférica que, pelos seus componentes tóxicos, interferem em nosso meio ambiente.

Como é sabido, diversas atividades geradas pelo homem lançam no ar atmosférico quantidades consideráveis de resíduos gasosos e material particulado. Então, tal afirmativa leva-nos a entender que o ar atmosférico está poluído quando sofre alterações em sua composição natural por introdução de elementos estranhos, vindo a proporcionar danos à natureza e, logicamente, à saúde.

Dentro os agentes poluidores atmosféricos, são identificados os de composição primários e os de composição secundários. O primeiro é encontrado na atmosfera, em sua forma original de emissão; o segundo é aquele que se origina das interações que ocorrem, na atmosfera, entre agentes poluidores primários.

Entre os gases, identifica-se, nos óxidos de carbono, o monóxido de carbono, que é originado da queima incompleta de combustíveis e que tem como principal fonte de emissão os veículos automotores. Outro, o dióxido de carbono, que é um componente natural do ar atmosférico e cuja concentração vem sendo aumentada por, principalmente, queima de combustíveis. Esses gases, apesar de não serem tóxicos em concentrações muitos elevadas, são prejudiciais devido às suas propriedades de gás estufa.

Os compostos sulforosos, como o dióxido de enxofre, têm origem, principalmente, na queima de óleo e carvão em usinas de energia elétrica, fábricas e veículos automotores. Ele, através de reações fotoquímicas, poderá ser transformado em ácido sulfúrico, gerando uma ação corrosiva e com danos irreversíveis para a natureza e, em especial, para a saúde humana. Um exemplo em nossa cidade foi constatado nas “agulhas” da Igreja de Nossa Senhora do Carmo que, pela corrosão de sua ferragem estrutural, agredida que foi por esse composto químico, motivaram a substituição de suas peças.

Outro componente, o gás sulfídrico, origina-se na decomposição anaeróbia de matéria orgânica, como a que ocorre em recursos hídricos altamente poluídos por esgoto e lixo. No entorno de nossa cidade, face a um fraco envolvimento em saneamento básico, nossas valetas, nossos arroios e nossos rios transformaram-se em berços fonte desse poluente. Por essa intervenção química de oxidação, resulta no dióxido enxofre, gás de alto risco.

Identifica-se, ainda, o flúor que, pelos seus efeitos nocivos, é um dos responsáveis pelas alterações patogênicas nos ossos dos seres vivos. Suas maiores fontes de emissões são originadas pelas indústrias de alumínio e de fertilizantes.

Finalmente, um poluente ubíquo e que atende pelo nome de material particulado. São formados por partículas sólidas ou líquidas que se encontram em suspensão na atmosfera. Suas origens são das mais diversas fontes. Ou seja, queima de madeira, carvão ou óleo, bem como o manufaturamento de vários produtos, como aço e borracha, a construção civil, a indústria de fertilizantes, o uso de pesticidas e herbicidas e, com ênfase, a descarga de veículos automotores.

Seus aerossóis são nocivos aos seres vivos, não somente pelos tóxicos, mas também pelos mecanismos físicos de obstrução que podem agravar problemas pulmonares ao homem e causar diminuição da fotossíntese nos vegetais. Ou seja, é um dos poluentes que mais interfere na saúde das crianças e dos idosos, além de, certamente, tratar-se de um ente altamente degradador de nossa flora.

Pelo exposto, cada leitor terá a oportunidade de constatar os poluentes que, de uma maneira ou de outra, sejam identificados em seu cotidiano e que venham a prejuízo de sua saúde.

*Engenheiro civil, sanitário e urbanista

Fonte: http://www.jornalagora.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?e=5&n=18572

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