Hein, Sr. Embaixador? Desambientalizar… para mercantilizar? Fora que afirmar que “Estamos fatigados das conferências. Já tivemos o suficiente” parece uma declaração de quem não acompanhou nenhuma Conferência; muitos menos esta ao par de que as mesmas deram em nada; ou é oriunda de alguém que não tem simpatia pela democracia; ou de alguém que fala em nome de poluidores e degradadores. Tal postura guarda uma certa sintonia com as declarações do Presidente do IBAMA à TV australiana e revela a postura do governo federal frente ao cuidado da natureza e a Rio + 20… a crise ecológica está cada vez mais profunda e também, cada vez mais, parece que o Brasil não pretende comprometer-se com a mudança dessa realidade…

Rio+20 precisa ‘desambientalizar’ o discurso, diz embaixador brasileiro

A conferência Rio+20 deve abandonar temas comuns nos encontros mundiais sobre o meio ambiente. O foco das discussões do evento, que reunirá mais de 180 representantes de países no Rio de Janeiro, em 2012, deve voltar-se para a economia verde.

O tema vai ser tratado através de debates tanto sobre o uso da água quanto sobre a sustentabilidade nas cidades e a geração de energia.

“Estamos fatigados das conferências. Já tivemos o suficiente”, disse um dos organizadores da Rio+20, o diplomata André Corrêa do Lago, em entrevista ao jornal inglês “The Guardian”. “A economia verde pode ajudar a erradicar a pobreza”.

O sucesso das discussões da Rio+20 vai depender do sucesso da próxima Conferência do Clima, em dezembro de 2011, em Durban, na África do Sul. Segundo o diplomata, caso a conferência de Durban termine sem acordos significativos para a redução de gases que aquecem o planeta, os negociadores podem chegar à Rio+20 desacreditados. “Durban vai ter um impacto sobre o Rio. Se for tudo bem, as pessoas vão chegar ao Rio acreditando no sistema multilateral”, disse Corrêa.

Tendência – A mudança de foco da Conferência seria uma tendência. Em 1992, quando ocorreu a Eco-92, o Brasil foi palco do primeiro grande acordo mundial em prol da conservação da biodiversidade e do combate às mudanças climáticas.

A conferência também pode ser um marco para os países em desenvolvimento. Segundo o diplomata, na Rio+20 essas nações devem assumir uma posição de liderança nos acordos mundiais sobre meio ambiente. “Mas isso não deve ser mal interpretado, por alguns países, como um momento em que devemos assumir mais obrigações.

China, Índia, África do Sul e o Brasil estão conscientes de que são países em desenvolvimento. Estamos convencidos de que não podemos ser comparados a países que possuem tecnologia e condições financeiras melhores”, concluiu.

Fonte: G1/AmbienteBrasil

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