Finalmente das mamadeiras já está proibido. Agora falta proibir dos demais produtos que o contém, como potes plásticos, revestimentos de embalagens. Se as pessoas fossem esclarecidas suficientemente sobre tais informações, ou seja, se fosse garantido o acesso a informação você acha que o povo ia querer se intoxicar dessa forma? Engraçado que ao ler a matéria da Folha de 16/09, tem um destaque para a fala de Synésio B.Costa,presidente da Associação Brasileira de Produtos Infantis, que afirma:

“Somos a favor da medida, mas a agência tem de me deixar vender o estoque. Não está provado que a substância causa mal” (Synésio B.Costa, presidente da Associação Brasileira de Produtos Infantis)

Anvisa proíbe venda e fabricação de mamadeiras com bisfenol no Brasil

Químico usado na fabricação do plástico e de latas é associado a doenças como câncer, obesidade, diabetes infantil e distúrbios neurológicos; proibição vale a partir de janeiro de 2012

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a proibição, em todo o Brasil, da venda e da fabricação de mamadeiras de plástico que contenham bisfenol A (BPA). A medida entra em vigor a partir de janeiro de 2012. O principal argumento da instituição é que estudos realizados com animais mostraram que o BPA pode causar problemas neurológicos, sobretudo em crianças expostas à substância química nos primeiros anos de vida.

O bisfenol A é uma substância química usada na fabricação do plástico e no revestimento interno de latas de bebidas e de alimentos. Segundo pesquisas, pode provocar puberdade precoce, câncer, alterações no sistema reprodutivo e no desenvolvimento hormonal, infertilidade, aborto e obesidade. Por conta disso, já foi proibido na União Europeia, no Canadá, na China, na Malásia e na Costa Rica. Onze estados americanos também já vetaram o BPA em mamadeiras e copos infantis.

A decisão da Anvisa vem ao encontro da lei sancionada no ultimo dia 3 de setembro em Piracicaba, interior de São Paulo, onde já está proibida a comercialização de mamadeiras e copos de bico fabricados com BPA. A lei proposta pelo vereador Capitão Gomes e sancionada pelo prefeito Barjas Negri, ex-ministro da Saúde, fez de Piracicaba o primeiro município brasileiro a combater os perigos do bisfenol com medidas legais e estimulou outras cidades como Campinas, Americana, Tupã, Sorocaba, Indaiatuba e Rio Claro a desenvolverem iniciativas que vão além do tema das mamadeiras e que propõem a proibição imediata também em latas de refrigerantes, alimentos e em demais embalagens plásticas.

Além desses municípios, existe um movimento que reúne vereadores de todo o Brasil e que, neste momento, soma mais de 50 projetos de lei em diversas cidades e também na Assembleia Legislativa do estado de São Paulo, através do deputado José Bittencourt. Na Câmara dos Deputados, o parlamentar Alfredo Sirkis apoia a luta oficialmente desde o começo do ano, quando protocolou seu próprio Projeto de Lei que proíbe o bisfenol A em qualquer produto fabricado e vendido em território nacional. Ainda no Congresso Nacional, um outro projeto do senador Gim Argello também busca proibir a substância química em mamadeiras e copos de bico.

O site O Tao do Consumo, que foi criado há 18 meses justamente para promover um debate público nacional sobre o tema do BPA, parabeniza a Anvisa pela sua acertada decisão e agradece ao Grupo de Estudos de Desreguladores Endócrinos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, regional São Paulo, pela parceria nesta luta que vem registrando importantes avanços nos últimos meses. Sabemos que a proibição em mamadeiras representa um primeiro passo para eliminar esse perigo que é o bisfenol A, mas com o apoio da SBEM-SP e a conscientização dos políticos e da população, estamos confiantes de que é uma luta que vale a pena.

Fonte: O Tao do Consumo

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