FURG é exemplo de iniciativa em mobilidade

por Leandro Karam*

Em meio à crescente disseminação da bicicleta como meio de transporte e adoção da mesma no cotidiano das cidades, eis que tive uma agradável surpresa ao visitar recentemente a Fundação Universidade de Rio Grande (FURG). Logo na entrada verifiquei a existência de ciclovias que interligam as unidades do Campus Carreiros, o que já me chamou a atenção. Mas ao me aproximar do centro de convivência vi que também haviam paraciclos e bicicletários para que os usuários de bicicletas possam deixá-las estacionadas de forma segura.

A surpresa foi perceber dezenas de bicicletas estacionadas e disponíveis para o uso de estudantes e servidores gratuitamente, mediante a apresentação de um documento com foto que comprove o vínculo institucional. Desta forma, de segunda à sexta feira, das 8h às 17:30, elas estão disponíveis para utilização por até duas horas e devem ser retiradas e devolvidas na Divisão de Alojamento, Alimentação e Transporte Estudantil (DAATE) e registradas em livro de controle.
Ao retirá-las é entregue ao usuário um cadeado com chave e o banco das mesmas.

A circulação das bicicletas é permitida somente dentro do perímetro do Campus Carreiros e somente é permitida ao longo das CICLOVIAS existentes no Campus.
Mas, de fato, elas existem!
No entanto, de acordo com João C. Ferreira (DAATE), existem algumas arestas a serem reparadas. A contrução do bicicletário não contou com uma cobertura e isto tem causado prejuízos às bicicletas que ficam expostas às intempéries. Para minimizar o problema, algumas delas ficam guardadas em outro local enquanto não são utilizadas.

Apesar da necessidade de reparo a este serviço, a iniciativa demonstra o desejo de se ter um diferencial referente à mobilidade dentro da Universidade e certamente é um exemplo muito positivo a ser seguido por outras administrações, como prefeituras, escolas, empresas e centros comerciais.

Recentemente houve em Pelotas o encaminhamento de uma solicitação, por parte dos alunos do DCE da UFPel, de iniciativas que viabilizem segura e efetivamente aos alunos e servidores a utilização de bicicletas para transporte entre suas unidades espalhadas pela cidade. Esta atitude teria notável importância no que diz respeito ao tão frágil sistema de transporte, corriqueiramente problematizado e discutido.

É evidente que nem toda a comunidade universitária tem condições de adotar este hábito, mas é inquestionável que isto significaria um importante passo à frente na tentativa de incrementar o processo de mobilidade e, aos poucos, disseminar o desenvolvimento de um transporte limpo e saudável em Pelotas, cidade que apresenta todo o potencial para o desenvolvimento da cultura das magrelas no dia-a-dia. Talvez, por isso não representar possibilidades de lucro direto por parte da gestão pública e de empresas conveniadas ou politicamente comprometidas, estas iniciativas estão demorando tanto a acontecer. Mas é perceptível, ao observar a cidade, que a bike é um meio de transporte amplamente usado e isto confere somente benefícios à população, pois as ruas estreitas e o excesso de automóveis só tem trazido congestionamento, poluição, barulho e muito, mas muito estresse.

Sendo assim, torna-se clara como a luz do sol que o gestor público que tomar uma atitude EFICAZ neste sentido, ganhará a aprovação da população e, consequente, muitos votos também.

*Leandro Karam  é professor, músico, ciclista e colaborador do CEA

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