A termoelétrica de Candiota. Foto de Cíntia Barenho, novembro de 2010

Moradores do município relatam problemas respiratórios

A estiagem registrada em Candiota, na Campanha, agrava os contratempos decorrentes da emissão de cinzas da usina termelétrica Presidente Médici. Muitos moradores relatam problemas respiratórios provocados pela seca e pelos resíduos.

A professora Sílvia Gislaine de Souza, 48 anos, mora há oito em Candiota. A casa dela e do filho de 17 anos fica no bairro Dario Lassance, muito próximo à usina que entrou em operação na capacidade máxima, na terça-feira. Segundo Sílvia, dentro de casa, as cinzas se acumulam sobre os móveis. Os panos ficam pretos depois da limpeza, que precisa, nos últimos tempos, ser diária. Conforme a professora, a emissão aumentou depois do início da operação da Fase C, em janeiro, mas não foi percebida porque choveu regularmente durante o ano.

“A gente não está acostumado a respirar com umidade relativa do ar em 30% e, além disso, tem muito vento. Juntando com as cinzas, que estão chegando muito no Centro da cidade, está bastante difícil, não só para quem tem alergias, mas para todo mundo”, explica.

De acordo com a assessoria de imprensa da Eletrobras CGTEE, administradora da usina, ontem teve inícios as operações de equipamentos conhecidos como precipitadores e hoje começam a funcionar os dessulfurizadores. As duas tecnologias têm o objetivo de reduzir a quantidade de cinzas emitidas na atmosfera.

Em dezembro, durante o período de testes, houve, conforme a autarquia, maior emissão de partículas da queima de carvão mineral. Candiota III é a maior obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na região Sul, avaliada em R$ 1,3 bilhão. A cidade de Candiota decretou situação de emergência em virtude da estiagem ainda em dezembro. Os moradores da região rural estão sendo abastecidas por dois caminhões-pipas.

Fonte: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=242177

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