Japão ameaça o progresso das negociações do clima em Cancun

CANCUN, MEXICO, 1 de dezembro de 2010 – O recente anúncio do Japão de que abandonará o Protocolo de Quioto é uma ameaça ao progresso vital que se necessita nas negociações do clima da ONU em Cancun, advertiu Amigos da Terra Internacional.

Na inauguração das negociações de clima da ONU em Cancun, que começaram na segunda-feira e finalizam na sexta-feira 10 de dezembro, Japão anunciou que abandonará o único tratado que poderia combater as crescentes emissões de gases de efeito estufa dos países desenvolvidos: o Protocolo de Quioto. O paradóxo é que este tratado histórico foi acordado no Japão, que presidiu a terceira conferência das Partes da Convenção Marco de das Nações Unidas sobre Câmbio Climático (CMNUCC) em 1997.

Yuri Onodera, de Amigos da Terra Japão disse: “A decisão do Japão de abandonar o Protocolo de Quioto mostra a grave falta de reconhecimento de sua própria responsabilidade histórica e moral. Com esta posição Japão se isola do resto do mundo. O que é pior, este passo prejudica as atuais
negociações e é uma grave ameaça ao progresso que se necessita em Cancun.”

As negociações de clima da ONU em Cancun são vistas como una prova fundamental de que é possível reestabelecer a credibilidade do processo multilateral das negociações do clima e a confiança dos países en desenvolvimento. O países em desenvolvimento já estão sofrendo os
impactos do câmbio climático provocados pelos países desenvolvidos como Japão. Entretanto, Japão deixou mai que claras suas intenções nos dois primeiros dias em Cancun: disse que não aderirá as próximas fases do Protocolo de Quioto sob qualquer circunstância, uma posição confirmada em Tóquio pelo Primeiro Ministro japonês, Naoto Kan.

Amigos da Terra Internacional exige que o Japão reconsidere sua posição e deixe de paralisar as negociações de clima que recém começaram. Todos os países desenvolvidos, incluindo o Japão, deveriam acordar a redução de suas emissões em pelos menos 40% para 2020, sem recorrer a compensações de carbono, e se comprometer a isto em virtude de um segundo período de compromisso do Protocolo de Quioto.

MAIS INFORMAÇÕES: Lúcia Ortiz, Coordenadora geral, Amigos da Terra Brasil, lucia@natbrasil.org.br

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