É importante destacarmos que apenas uma das candidaturas à presidência está  de fato apresentando suas proposições. Se serão cumpridas a risca, de fato, precisamos nós da sociedade civil nos mobilizarmos para ocupar os espaços de conselhos de políticas públicas ambientais, os espaços de decisão se sermos vigilantes como sempre.

Candidata lança plataforma ambiental em atos simultâneos nas capitais. Ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, revela compromisso de barrar ímpeto de ruralistas sobre a legislação

De olho no eleitorado de Marina, Dilma promete vetar mudanças no Código Florestal

Em Brasília, Dilma comandou um dos atos com ambientalistas (Foto: Roberto Stuckert Filho/Divulgação)

De olho no eleitorado de Marina, Dilma promete vetar mudanças no Código Florestal

Rio de Janeiro – A realização de atos políticos de rua em todas as capitais brasileiras ao longo desta quarta-feira (20) marcou o lançamento público do documento com os treze compromissos ambientais da candidata do PT a Presidência da República, Dilma Rousseff. As manifestações em todo o país também confirmaram a tendência de apoio à petista pela maior parte da militância socioambientalista que endossou a candidata do PV, Marina Silva, no primeiro turno das eleições.

As principais manifestações aconteceram em Brasília e no Rio de Janeiro. Na capital federal, Dilma recebeu pessoalmente o apoio individual de diversas lideranças que estiveram com Marina, como o membro da executiva nacional do PV, Édson Duarte, e o ex-superintendente regional do Ibama, Rogério Rocco, entre outros, além de ambientalistas como Ângela Mendes, filha de Chico Mendes. No Rio, o ex-ministro Carlos Minc foi o mestre de cerimônias de um ato que reuniu cerca de 300 pessoas, entre militantes, ambientalistas e parlamentares.

Em Brasília, a candidata do PT se comprometeu a aprofundar os esforços pela redução do desmatamento da floresta amazônica. “A redução do desmatamento é pré-condição para a sustentabilidade da Amazônia. Por isso, teremos tolerância zero com o desmatador”, resumiu Dilma. A ex-ministra chefe da Casa Civil reconheceu que “o governo avançou, mas não fez tudo” nessa área. Ela também ressaltou a “consolidação da atuação brasileira na política ambiental global” em relação a temas como o aquecimento global e a biodiversidade, entre outros.

Na carta-compromisso, o PT afirma que “a política ambiental de Dilma vai aprofundar os avanços conquistados no governo Lula na construção de um novo padrão de desenvolvimento sustentável e includente”. O documento afirma que entre 2003 e 2010 foram destinados no Brasil 26,8 milhões de hectares para novas Unidades de Conservação, o que corresponde a 75% das áreas de unidades de conservação criadas no mundo neste período. A carta afirma também que “o desmatamento da Amazônia foi reduzido a menos de 7,5 mil quilômetros quadrados em 2009, graças à ação integrada de fiscalização, apoio à produção sustentável e regularização fundiária”.

No documento, Dilma promete que irá “avançar na política ambiental integrada, que associa incorporação da sustentabilidade às políticas públicas e à parceria com a sociedade” e afirma que “o Brasil cumprirá as metas de redução das emissões de CO2, incrementará o Plano Nacional de Recursos Hídricos com o fortalecimento da gestão participativa e executará a Política Nacional de Resíduos Sólidos para erradicar os lixões”.
Código Florestal

Mesmo sem assumir publicamente, Dilma já confirmou aos ambientalistas do PT – e também aos que apoiaram Marina no primeiro turno e agora vêm trazer seu apoio – que não deixará que o Código Florestal sofra as modificações que a bancada ruralista tenta lhe impingir. O fato foi confirmado no Rio de Janeiro pelo ex-ministro e deputado estadual reeleito Carlos Minc: “Um dos pontos que o pessoal da Dilma, respondendo às propostas da Marina, assumiu foi o compromisso de vetar todos aqueles artigos que descaracterizam o Código Florestal como, por exemplo, a anistia para os desmatadores ou a redução das Áreas de Proteção Permanente”, disse.

Minc saudou a adesão dos ambientalistas que apoiaram a candidata do PV no primeiro turno. “A nossa companheira Marina teve 20 milhões de votos. Nem todos esses votos são votos ambientalistas, mas muitos são. Eu diria que uma parte muito considerável dos votos de Marina foi dada por pessoas convencidas de que estavam votando pela sustentabilidade. Então, nós não estamos aqui para falar para nós mesmos. Nós estamos alimentando e acertando a conversa para falar com a população”, afirmou o ex-ministro. Minc brincou ao dizer que Dilma obterá 80% dos votos de Marina no Rio: “Vamos deixar um pouco para o Gabeira, para ele não ficar triste”.

Os ambientalistas Pedro Aranha e André Luz, entre outros que apoiaram Marina no primeiro turno, lançaram no ato do Rio o Manifesto dos Ambientalistas em Apoio à Dilma Rousseff: “O mais importante para nós é a defesa do Código Florestal brasileiro, e a Dilma está com esse compromisso. Hoje, ambientalistas do Brasil inteiro estão lançando esse manifesto em defesa do desenvolvimento sustentável e da ecologia social. Decidimos divulgar esse manifesto quando percebemos o movimento nefasto que poderia levar à vitória do candidato Serra. Chegamos a considerar a opção pela neutralidade, mas, com a ameaça clara de retorno dos neoliberais, fazemos uma opção firme pela Dilma”, disse Aranha, muito aplaudido.

Carlos Minc também saudou a participação de “mulheres poderosas” no ato do Rio de Janeiro, em referência à ministra da Secretaria das Mulheres, Nilcéia Freire, à secretária estadual de Meio Ambiente, Marilene Ramos, à ex-governadora e deputada federal eleita Benedita da Silva e as deputadas federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e estadual Inês Pandeló (PT-RJ). Também estiveram no ato os deputados federais petistas Jorge Bittar e Alessandro Molon que, em seu primeiro mandato em Brasília, terá os temas ambientais como uma de suas prioridades.

Por Maurício Thuswohl

Fonte: Rede Brasil Atual

Interessad@ em ouvir o áudio da atividade? Clique Dilma lança plataforma ambiental

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