Lago Baikal, Siberia. Imagem de f.stroganov

Centenas de pessoas protestam contra reabertura de fábrica de celulose acusada de poluir o lago Baikal

Várias centenas de pessoas manifestaram-se em Irkutsk, uma das maiores cidades da Sibéria, contra a recente reabertura de uma fábrica de pasta de papel, acusada de poluir o lago Baikal, a maior reserva de água doce do planeta.

De acordo com a organização ecologista internacional Greenpeace, mais de duas mil pessoas participaram no protesto. A palavra de ordem foi “Salvemos o Baikal! Salvemos Baïkalsk!”, nome da cidade onde está implantada a controversa fábrica, nas margens do lago.

A polícia, citada pela agência Interfax, falou da participação de apenas 500 pessoas. Os ambientalistas sublinham que os resíduos gerados pela fábrica contêm substâncias perigosas que destroem a vida animal do lago: 1500 espécies de animais e plantas.

Os manifestantes lançaram para o ar balões azuis, simbolizando a pureza da água deste gigantesca lago da Sibéria oriental, um local inscrito no património mundial da Unesco.

“A manifestação foi pacífica. As pessoas estavam entusiasmadas e exigiram o encerramento do complexo e a criação, na cidade de Baïkalsk, de outros empregos que permitam preservar a água do lago Baikal”, explicou uma das organizadoras da iniciativa, Marina Rikhvanova, vice-presidente da organização não governamental local Baïkalskaïa Ekologuitcheskaïa Volna, à rádio Ecos de Moscovo.

“Viemos aqui para mostrar que as pessoas são contra”, acrescentou.

A fábrica de Baïkalsk, da era soviética, foi encerrada em Outubro de 2008, depois de o Governo ter ordenado a instalação de um sistema para evitar o lançamento das águas residuais no lago Baikal. Mas, em Janeiro, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, autorizou a sua reabertura, algo que deverá acontecer no final de Fevereiro. Trabalham na fábrica duas mil pessoas.

Já em Agosto, Putin tinha dado a entender que pretendia levantar as restrições que evitavam o lançamento de esgotos no lago, depois de lá ter mergulhado e ouvido especialistas.

(Ecosfera, 16/02/2010)

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