Tuvalu é um Estado da Polinésia formado por nove atóis no Oceano Pacífico que pode desaparecer caso o aquecimento global não seja contido. Este pequeno país apresentou na Plenária da CoP15 em Copenhague uma proposta que coloca os países industrializados sob forte questionamento ético e político.

Tuvalu, obviamente, entrou na pauta da coletiva do Embaixador Figueiredo, negociador-chefe do Brasil, na quinta feira dia 10/12 aqui na CoP. Aliás, não se fala em outra coisa desde que as negociações foram interrompidas pela falta de consenso a respeito de seu pedido de criação de um grupo de contato para discutir a proposta, apresentada há seis meses (conforme previsto pelas regras da CoP), para a nova fase do Protocolo de Quioto. Figueiredo esclareceu que, ao contrário de boatos e plantações que estão acontecendo (comprovando o quanto o jogo está acirrado por aqui), a proposta de Tuvalu era amplamente conhecida, já que foi apresentada há seis meses (junto com outras quatro: não é a única, cumpre destacar).

Na coletiva do Figueiredo ninguém tocou no tema, mas o evento Tuvalu teve um outro desdobramento: a colocação em pauta novamente (depois da tentativa, na cerimônia de abertura, feita por Papua Nova Guiné) de questionamento do esquema de votação na CoP.  Este é um ponto sobre o qual não há consenso há 15 anos – ou seja, desde que a Conferência das Partes foi criada. Na falta de decisão sobre quais devem ser seus mecanismos de votação, a CoP segue o manual da ONU, segundo o qual as decisões são tomadas por consenso.  Isso significa que: 1) basta um país dizer “não” para inviabilizar uma votação; 2) sem consenso, qualquer sessão é suspensa.  Ou seja, do ponto de vista dos procedimentos, a suspensão da sessão de Tuvalu foi normal, parte das regras.

O que a normalidade dos procedimentos não conseguiu minimizar foi o impacto sobre corações e mentes: Tuvalu praticamente reviveu o mito de David e Golias aqui na CoP15! Foi muito forte, do ponto de vista simbólico, o enfrentamento entre o pequeno arquipélago do Pacífico e as nações industrializadas do Anexo I.


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