Lembrem bem deste nome – Tuvalu

por Sucena Shkrada Resk*

Em três dias de negociações da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, nada foi mais representativo para mim, do que a manifestação do pequeno estado insular do Pacífico – Tuvalu. O seu representante praticamente implorou aos países em desenvolvimento, que as metas a serem implementadas, tenham como objetivo não ultrapassar 1,5 graus na temperatura média do planeta. Não é preciso dizer, que um sonoro não ressoou no encontro. Países, como Índia, China e África do Sul não aceitaram a reivindicação, que na verdade, já havia sido feita na COP14, mas só agora, havia sido colocada para a apreciação das partes.

Acredito, que nem os professores de Geografia sabem onde fica Tuvalu. E é importante marcar bem esse nome, porque literalmente o arquipélago está desaparecendo com o aumento das águas no Pacífico. É um exemplo das mudanças climáticas em ação, entre outras centenas de situações semelhantes no mundo.

Será que é tão difícil compreender que o processo dos refugiados climáticos está aí, bem à nossa frente? A situação é tão crítica, que este arquipélago, a poucos metros acima do nível do mar, onde havia 11 mil pessoas, está sumindo e sofrendo o exôdo de milhares de pessoas. Desde 2002, há um acordo com a Nova Zelândia, para que receba anualmente 75 pessoas de lá…

Para dar sustentação à prioridade dos países em prol da adaptação – como ilustra a situação de Tuvalu – durante esses dias, também foram lançados dois estudos importantes. Um deles é a 5ª edição do Global Climate Risk Índex 2010, da organização não-governamental(ONG) Germanwatch – http://www.germanwatch.org/klima/cri2010.pdf. Entre os dados mais impactantes, revela que houve cerca de 600 mil mortes no mundo, entre 1990 e 2008, em decorrência de eventos climáticos extremos. Os países com maior vulnerabilidade, nesse histórico, são Bangladesh, Myanmar e Honduras.

O outro é o estudo Migração, Desenvolvimento e Mudança Climática – Acessando a Evidência, da OIM – Organização Internacional para as Migrações. O levantamento chega à constatação da possibilidade de que 25 milhões a 1 bilhão de pessoas podem ser expulsas das terras onde vivem nas próximas quatro décadas; algo que já ocorre, como o exemplo de Tuvalu… http://publications.iom.int/bookstore/free/migration_and_environment.pdf.

Sucena Shkrada Resk, Educomunicação – http://www.cidadaodomundo.blogse.com.br

Fonte: Portal do Meio Ambiente

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