Não conseguimos encontrar notícias sobre os 10 anos da Batalha de Seattle, mas encontramos este “pequeno” manual do Movimento Anti-globalização. Não parece ser algo “novo”, mas é interessante para estarmos nos apropriando de outros debates

1ª PARTE – UMA PEQUENA INTRODUÇÃO
Uma coisa é certa: NENHUM SISTEMA POLÍTICO É ETERNO. Muitos já ruíram, e cada dia que passa estamos mais perto do fim do capitalismo, do imperialismo e de todos esses causadores de explorações, desigualdades, fomes, tristezas…
O capitalismo é autodestrutivo! O culto ao dinheiro, ao individualismo, caminha rumo à própria destruição. Pois, é impossível no meio de tantas culturas, no meio de tanta pluralidade, com tantas diferenças econômicas e sociais realizar-se uma globalização nos moldes em que está acontecendo.
Os países não se ajudam. Aproximam-se para sugar ainda mais as forças do outro. A globalização é uma desunião disfarçada de união, onde somente o mais forte consegue vantagem.
A aproximação e a competição entre países completamente diferentes economicamente e socialmente têm gerado problemas gravíssimos. A globalização que sempre é apresentada como avanço tem acabado com recursos naturais, eliminado línguas, massacrado culturas e imposto uma única visão de mundo como correta.
Disposto a lutar contra todos esses malefícios, contra o pagamento da dívida pelos países pobres, contra a destruição do meio ambiente e contra o superpoder das multinacionais surge o MOVIMENTO ANTIGLOBALIZAÇÃO.
Na nossa memória sem dúvida ainda está a manifestação de Gênova, e a morte de Carlo Giuliani, mártir do movimento. A certeza temos de que nesse ano que se inicia (2003) muitas vezes veremos o movimento organizado, mostrando-nos que um outro mundo é possível e enchendo-nos de vontade de lutar, abrindo-nos os olhos e obrigando-nos a combater interiormente a covardia que nos prende e nos impede de fazer o melhor, não por nós, mas, pelo nosso próximo.
2003 será um ano de lutas! Gritaremos não às guerras e enfrentaremos com coragem os homens mais poderosos do mundo em busca da nossa tão sonhada liberdade, da nossa tão sonhada igualdade, da nossa tão sonhada fraternidade, as quais muitas vezes foram berradas, ditas, fingidas, mas nunca alcançadas.
Esse será o ano do MOVIMENTO ANTIGLOBALIZAÇÃO. O capitalismo está em xeque.

2ª PARTE – O QUE PRETENDE E QUEM SÃO AS PESSOAS DO MOVIMENTO?
O MOVIMENTO ANTIGLOBALIZAÇÃO é uma corrente de protesto mundial, que reúne diversos grupos que são contra o capitalismo e contra o injusto modelo neoliberal. Nele se reúnem sindicatos, intelectuais, ecologistas e grupos desfavorecidos pelo sistema atual.
Os integrantes do movimento estão há décadas estudando os problemas causados pela globalização e organizam sempre campanhas e encontros para debates e discussões para um novo mundo.
A força do movimento, a imensa militância é composta por jovens, muitos pacifistas, socialistas e anarquistas. No meio destes estão também os “Black Bloc” pequeno grupo extremamente violento, conhecido por apedrejar e quebrar os lugares por onde passa, o qual não tem a simpatia da maioria dos integrantes antiglobais, pois são os que roubam a cena, levando à TV uma imagem de violência do movimento e não uma imagem de protesto inteligente. Eles também são a desculpa para a violência policial. Já que a polícia extremamente mal preparada agride o povo no lugar de defendê-lo.
Os ativistas antiglobalização exigem uma sociedade mais justa, com uma melhor distribuição de renda. Entre seus inimigos estão as multinacionais, simbolizadas pelo Mc Donald’s e Nike. Acusadas de exploração de trabalhadores do terceiro mundo. A destruição de símbolos e propriedades dessas empresas tem sido prática dos setores mais radicais do movimento.

3ª PARTE – QUEM SÃO OS LÍDERES DO MOVIMENTO?
O MOVIMENTO ANTIGLOBALIZAÇÃO não possui um líder, nem hierarquias. Seus simpatizantes se organizam em assembléias para tomar decisões. Mas, podemos destacar alguns dos integrantes mais conhecidos, cujo os atos servem de referência ao movimento:

Walden Bello: diretor executivo do instituto “Focus on the Global South” pela democratização da economia global com sede na Tailândia. É autor de incontáveis artigos e ensaios.

José Bové: Sindicalista francês que apareceu em todos os jornais no ano de 1999 quando, ao término de uma manifestação, assaltou um Mc Donald’s para protestar contra impostos dos EUA a produtos europeus. Famoso também por protestar contra os projetos nucleares franceses.

Bernard Cassen: Jornalista francês, diretor geral do Le Monde Diplomatique e presidente da ATTAC. Foi um dos promotores do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, que ele definiu como o primeiro passo de um movimento histórico.

Susane George: Norte-americana naturalizada francesa, diretora associada do Instituto  Transnacional de Amsterdã e vice-presidenta  da ATTAC

Hazel Henderson: Especialista em desenvolvimento humano, brilhante escritora que possui livros traduzidos para vários idiomas.

Subcomandante Marcos: Líder do Exército Zapatista de Libertação Nacional e do movimento indígena de Chiapas no México.

Ralph Nader: Advogado estadunidense, defensor dos direitos do consumidor. Durante três décadas coordenou campanhas que alertam sobre o poder das multinacionais, a ecologia e os direitos do trabalhador.

Ignacio Ramonet: Diretor do Le Monde Diplomatique e fundador da ATTAC. É um dos intelectuais mais produtivos e seus artigos e ensaios sobre o movimento são numerosíssimos. É um grande admirador do movimento zapatista e do subcomandante Marcos.

Diane Matte: Membro da Marcha Mundial das Mulheres, é especialista no impacto que a globalização tem neste setor da população.

Aminata Traoré: Pesquisadora e escritora. Trabalha no continente africano.

Oder Grajev: Coordenador da Associação Brasileira de Empresários pela cidadania.

Trevor Wanek: De Soweto, Johannesburgo, é membro do “Centro de desenvolvimento e informação alternativa pelo perdão da dívida”.

Rafael Alegría: De Honduras, representa o “Movimento Internacional de Camponeses sem Terra”.

Sandra Cabral: Diretora da “Central Única dos Trabalhadores no Brasil.

Hebe de Bonafini: Presidenta das “Madres de Plaza de Mayo”.

Fred Azcárate: Diretor executivo de “Trabalho com Justiça” nos EUA.

Njoki Njehu: Diretor da ONG norte-americana “50 years is enough” que nos EUA trabalha pela transformação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.

4ª PARTE – DICIONÁRIO DA ANTIGLOBALIZAÇÃO
Abaixo estão listadas algumas das intermináveis siglas, palavras e termos que você pode encontrar quando ler sobre a globalização e o movimento antiglobalização:

AGP: Associação Global dos Povos. Rede de associações de base criada em Genebra em 1998 para coordenar a resistência contra a OMC e o livre comércio.

ATTAC: Associação para a imposição do controle das transações financeiras especulativas. Criada na França em 1998. Reúne cidadãos, associações, sindicatos, e jornais que atuam como grupo de pressão para promover o controle democrático do sistema financeiro.

Banco Mundial: Organismo de finanças mundial criado em Bretton Woods em 1946. Seus projetos nos países em desenvolvimento foram muito criticados pelos movimentos de Génova.

Dívida Externa: A abolição da dívida externa dos países do sul é uma das principais reivindicações dos grupos antiglobalização.

Fundo Monetário Internacional: Instituição criada em 1946, integrada por 183 países. Encarrega-se de supervisionar e dirigir as políticas macroeconômicas do mundo. Seus planos de ajuste estrutural para os países em desenvolvimento são muito criticados pelo movimento antiglobalização.

G-8: Rússia e os sete países mais ricos do mundo (Estados Unidos, Japão, França, Reino Unido, Alemanha, Canadá e Itália). Reúnem-se anualmente para tratar temas de comercio internacional, relações com os países pobres, política macroeconômica, entre outros.

GATT: Conjunto de acordos entre os países com o objetivo de liberar o comércio, que deram lugar a OMC.

Kioto: Acordo da ONU sobre a mudança climática. Obriga os países industrializados a reduzir suas emissões de gases.

MST: Movimento dos Sem Terra do Brasil.

OMC: Organização Mundial do Comércio. Fundada em 1995, formada por 135 países. Estabelece as leis do comércio mundial. A OMC aposta na liberação do comércio, na queda das barreiras comerciais.

Outro mundo é possível: Início do discurso de Bernard Cassen, presidente da ATTAC, em Porto Alegre. Converteu-se na mensagem de apresentação dos antiglobalização.

Transgênicos: Alimentos modificados geneticamente. Os grupos antiglobalização questionam a segurança destes alimentos para a saúde e as técnicas de produção controladas por companhias como a Monsantos ou Novartis.

Via Campesina: Organização que reúne mais de 100 associações agrárias de todo o mundo. Denunciam a distribuição desigual da terra.

Fonte: Militante – O Portal da Revolução

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