No comentário político, publicado na Agência Chasque, o sociólogo Cristóvão Feil comenta as denúncias de que o vírus da gripe teria sido introduzido por empresas farmacêuticas em criatórios de suínos do agronegócio.https://i0.wp.com/www.bbc.co.uk/worldservice/assets/images/2009/04/29/090429171533_mexico283dentro.jpg

Gripe suína foi originada pelo agronegócio internacional

por Cristóvão Feil*

Hoje vamos comentar sobre a gripe que a mídia chama de suína, mas que a rigor é a doença originada do agronegócio internacional. Por isso, que o nome que se dá a coisas, objetos, projetos, episódios e até a doenças é muito importante. Vejam o caso dessa epidemia mundial de gripe viral. Estão chamando-a de forma imprópria de gripe suína. Nada mais ideológico; nada mais acobertador da verdade. O vírus dessa gripe se originou da combinação de múltiplos pedaços de ADN humanos, aviários e suínos o resultado é o vírus oportunista que acomete animais e imunodeprimidos, preferencialmente porcos criados comercialmente em situações inadequadas, não-naturais, intensivas, massivas e fruto de cruzamento clonados e que se alimentam de rações de origem transgênica, vítimas de cargas extraordinárias de antibióticos, drogas do crescimento e bombas químicas visando a precocidade e o anabolismo animal.

Especulações científicas indicam que o vírus dessa gripe teve origem nas granjas Carroll, no estado mexicano de Vera Cruz. A granja de suínos pertence ao poderoso grupo norte-americano Smithfield Foods, cuja sede mundial fica no estado de Virginia, nos Estados Unidos. A Smithfield Foods detém as marcas de alimentos industriais como Butterball, Farmland, John Morrell, Armour (que já teve frigorífico no Rio Grande do Sul e na Argentina), e Patrick Cudahy. Trata-se da maior empresa de clonagem e criação de suínos do mundo, com filiais em toda a América do Norte, na Europa e também na China. Desse jeito, pode-se ver que não é possível continuar chamando a gripe de suíno, pois se trata de um vírus oportunista que apenas valeu-se de condições biológicas ótimas propiciadas pela grande indústria farmacêutica, a grande indústria que lida com engenharia biogenética, os oligopólios de alimentos e seus satélites de grãos e sementes. Todos esses setores contribuíram, de uma certa forma, com uma parcela para criar essa pandemia mundial de gripe viral. O nome da gripe, portanto, não é suína, o nome da gripe é gripe do agronegócio internacional, que precisa responder judicialmente o quanto antes de forma urgente pela sua ganância e irresponsabilidade com a saúde pública mundial.

Aliás, é muito estranho que justo no momento em que dois grandes laboratórios farmacêuticos mundiais que estavam a beira da falência, refiro-me aos laboratórios Roche e Glaxo, surja essa epidemia de gripes. É muito estranho tudo isso uma vez que são os fabricantes de medicamento que combatem a gripe, embora de forma paliativa.Pois nestes últimos dias as ações em Bolsas desses laboratórios subiram de forma exponencial, salvando-os da falência. Especula-se que a Roche e a Glaxo tenham introduzido o vírus da gripe nos criatórios de suínos no México e nos Estados Unidos. Hora, com a ganância do grande capital tudo é possível.

Pensem nisso, enquanto eu me despeço. Até a próxima.

*Cristóvão Feil é sociólogo e editor do blog Diário Gauche

Os comentários politicos de Feil, podem ser conferidos mo link “Comentário Político” do site da Agência Chasque.

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