skull-crossbonesEntidades voltam os olhos ao uso dos agrotóxicos

Brasil é o segundo maior consumidor mundial de agrotóxicos

O Brasil é o segundo maior consumidor mundial de agrotóxicos, em um negócio que faturou no ano passado, US$ 5,4 bilhões. A previsão é que o balanço nacional de compras feche em 17% a mais que o de 2007. Os dados foram apresentados durante uma reunião técnica de atualização sobre o controle e os perigos do uso de agrotóxicos no bem-estar físico e mental dos agricultores e na população. Participaram dos paineis de discussão, os servidores das Secretarias de Estado do Paraná da Sáude (Sesa) e da Agricultura (Seab) dos setores de fiscalização, vigilância sanitária e defesa agropecuária.

De acordo com a chefe da Vigilância Sanitária de Alimentos do Paraná, Elaine Castro Neves, há uma série de doenças – agudas e crônicas -, relacionadas com a exposição constante aos componentes químicos dos agrotóxicos. Ela destaca a infertilidade, lesão do sistema nervoso central, disfunsões endócrinas, casos de câncer e intoxicações.

Segundo os dados do Sistema Nacional de Informações Tóxico-farmacológicas (Sinitox) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Brasil, em 2006, dos 488 óbitos registrados por intoxicação, os agrotóxicos de uso agrícola responderam por 36,5% dos casos. Já nos 6.588 casos de intoxicação relacionados à circunstância ocupacional, os produtos de uso agrícola estão em 28,4% dos casos. O Sinitox indica que em 2006, na região Sul adoeceram 1.754 trabalhadores rurais por intoxicação de agrotóxicos, 5,78% do total de intoxicações. Em Curitiba foram 108 pessoas e em Londrina, 155. O mesmo estudo apontou 27 mortes, sendo 4 em Curitiba e 2 em Londrina.

De acordo com a coordenadora da rede nacional de centros de atendimento Heloísa Reyfaza, os dados não condizem com a realidade. “Isso é um pedaço da iceberg porque não sabemos os números reais. As notificações, quando acontecem, são em casos agudos, os casos crônicos nem chegam a nós. Precisamos de uma rede integrada de informações para monitorar isso com maior eficácia”, sugere.

A especialista da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Letícia Rodrigues da Silva denuncia que o órgão foi proibido pela Justiça brasileira, de reavaliar a composição de 10 princípios ativos já com o uso condenado em países europeus, China e Índia. “O Brasil é um importante consumidor de substâncias proibidas. Estamos obrigados a nos abster de aplicar qualquer restrição de entrada no País de produtos que contenham essas substância na formulação”, indigna-se, e diz que agora estão aguardando o julgamento dos recursos.

O engenheiro agrônomo da Seab Adriano Riesemberg, afirma que desde o início do ano, o governo estadual paranaense mantém um projeto de monitoramento de vendas de produtos químicos pelo comércio aos produtores. Os dados devem sair até o fim do ano. O manejo integrado de pragas foi retomado para chamar a atenção pelo uso indiscriminado de produtos. “A pressão comercial das grandes indústrias é muito grande. A nossa perspectiva é reduzir em 50% o consumo por meio de conscientização e instrução técnica para o controle de pragas”, diz.

Fonte: ABANORTE

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