ecofeminismo

As mulheres erguem suas vozes em três continentes

Extensas áreas de terras em que predominam ecossistemas ricos e diversos estes vêm sendo substituídos por plantações de árvores em larga escala nos países do Sul.  Tais plantações- seja de eucaliptos, pinheiros, seringueiras, dendezeiros ou outras monoculturas- vêm causando sérios impactos nas comunidades locais que têm seus ecossistemas e meios de vida destruídos para abrir caminho às plantações industriais de árvores. Além de afetar as comunidades no conjunto, provocam impactos específicos e diferenciados nas mulheres, o que se traduz em seu desempoderamento.

O que a maioria das pessoas na Europa ignora é que a União Européia é um protagonista na promoção de tais plantações nos países do Sul, e está cumprindo, portanto, um papel no desempoderamento das mulheres nos países do Sul. Apesar de a União Européia ter assinado diversos tratados e convenções e ter desenvolvido um importante volume de legislações com vistas a conseguir a igualdade de gênero na União Européia, a questão da justiça de gênero parece perder importância fora de suas fronteiras.

Os artigos que seguem são resultado de três workshops realizados no final de 2008 na Papua Nova Guiné, Nigéria e Brasil no contexto de um projeto conjunto entre a Amigos da Terra Internacional e o Movimento Mundial pelas Florestas Tropicais.

No caso da Papua Nova Guiné, o workshop foi desenvolvido em colaboração com a organização local CELCOR/Amigos da Terra-PNG. Nele tratou-se a questão das plantações de dendezeiros que vêm sendo promovidas principalmente para o abastecimento do mercado europeu com óleo de dendê (usado em produtos tais como cosméticos, sabonetes, óleo vegetal e produtos alimentares) bem como para a produção de agrocombustíveis.

O segundo caso é o workshop da Nigéria- organizado em colaboração com a Environmental Rights Action/Amigos da Terra-Nigéria- que tratou a questão das plantações de seringueiras estabelecidas nas terras de uma comunidade local por parte da francesa Michelin para a produção de borracha usada na fabricação de pneus.

E finalmente, o workshop do Brasil- em colaboração com a NAT/Amigos da Terra-Brasil- tratou das plantações de eucaliptos estabelecidas por três empresas- a sueco-finlandesa Stora Enso, a Aracruz Celulose e a Votorantim- para a produção de celulose voltada à exportação para a Europa onde será transformada em papel.

O objetivo principal deste esforço colaborativo é apoiar a luta dessas e de muitas outras mulheres que enfrentam situações semelhantes nos países do Sul. Ao mesmo tempo, visamos gerar uma tomada de consciência entre os cidadãos da UE- mulheres e homens- sobre como seus governos estão promovendo políticas que favorecem os investimentos corporativos nos países do Sul e sobre como esses investimentos impactam nas comunidades em geral e nas mulheres em particular. Como resultado de uma maior conscientização, esperamos que os cidadãos da UE e suas organizações venham se unir no esforço de criar um mundo socialmente eqüitativo e ambientalmente sustentável- Norte e Sul- em que a justiça de gênero possa se tornar uma realidade para todos. As vozes das mulheres do Sul cada vez têm mais força.

O relatório na íntegra está disponível, apenas  na versão em inglês: Completa ou Resumida

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