Notícia preocupante que demonstra o descaso ambiental e a violação, de no mínimo, um dos príncipios do Direito Ambiental: o Princípio de Precaução.

Tais contaminações não acontecem só no Brasil, mas em diversas partes do planeta (vide O Mundo Segundo a Monsanto) .

Quem “paga” por tal situação é a coletividade e os pequenos agricultores.

Empresas, cientistas, setores da mídia e instituições públicas que atestam a  “segurança” dos trangênicos, seguem impunes .

Todas as embalagens e rótulos que contém trangênicos deveriam possuir tal simbolo
Todas as embalagens e rótulos que contém trangênicos deveriam possuir tal símbolo

Milho transgênico invade campo brasileiro

por Raquel Casiraghi

Das 261 novas cultivares de milho registradas no Ministério da Agricultura desde 2008, mais da metade são transgênicas. Gabriel Fernandes, da AS-PTA, avalia que maioria das cultivares deve ser comercializada até a próxima safra. Contaminação genética e dependência às multinacionais serão sentidas pelo agricultor.

Porto Alegre (RS) – Levantamento da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), com base em dados do Ministério da Agricultura (MAPA), mostra um cenário nebuloso para o campo brasileiro já na próxima safra. Das 261 novas cultivares de milho registradas no MAPA entre 2008 e Janeiro deste ano, 146 são transgênicas. Ou seja, 56% das novas sementes que estão entrando no mercado são geneticamente modificadas.

O assessor técnico da AS-PTA, Gabriel Fernandes, estima que boa parte das cultivares já esteja à venda na próxima safra. Ele prevê que as empresas do setor forcem a substituição do milho convencional pelo transgênico mais rápido do que ocorreu com a soja.

“A informação que mais chama a atenção é que, como existe uma concentração muito forte no mercado de sementes, são quatro, cinco empresas que controlam o setor, o que achamos é que em pouco tempo essas empresas irão tirar do mercado as variedades não-trangsênicas. E vão deixar somente as transgênicas. Acho que este é o grande sinal de alerta”, diz.

Fernandes analisa que a principal disputa deve se dar na fase da comercialização, já que muitos países, principalmente europeus, têm resistência ao milho transgênico. No Brasil, como as indústrias que usarem o geneticamente modificado deverão rotular os seus produtos, a população poderá rejeitar a semente.

Para os agricultores, a situação é mais grave do que no plantio de soja transgênica. Como o milho tem polinização cruzada, o perigo da contaminação é bem maior. O milho transgênico também deverá ser suscetível às estiagens e à criação de resistência a pragas, como já ocorre com a soja.

“O grande problema agora é a contaminação que vai ocorrer. Esse milho, uma vez plantado, vai se espalhar seja pelo pólen, seja pela mistura dos grãos, e vai contaminar qualquer tipo de milho que não seja transgênico. O grande desafio hoje é saber como vai ser possível manter o cultivo convencional ou agroecológico sem a contaminação”, diz.

A comercialização do milho transgênico foi liberada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em 2008.

Fonte: Agência Chasque

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