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Para ela, Conselho é o espaço democrático que recepciona as diferenças de opinião e pensamento e que também representa o ideal de luta pela consolidação da democracia dos últimos 30 anos.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu nesta quarta-feira (30/3), o fortalecimento do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) como órgão de caráter deliberativo. Durante a 101ª reunião do conselho, em Brasília, ela disse que o Conama hoje é o espaço democrático que recepciona as diferenças de opinião e pensamento e que também representa o ideal de luta pela consolidação da democracia dos últimos 30 anos. “Temos de nos orgulhar deste ambiente tão rico”, destacou a ministra.
Em sua fala para os membros do colegiado, Izabella ressaltou a necessidade de avançar na agenda ambiental para fazer face aos desafios do Brasil. Segundo ela, há três desafios nessa agenda: a questão do clima e todas suas implicações; os resíduos sólidos, com a erradicação dos lixões; e a conservação da biodiversidade.
A ministra disse ainda que para alcançar essas metas, o MMA deve exercer seu protagonismo dentro de um novo patamar de desenvolvimento, ampliando sua rede de interlocução com os segmentos da sociedade. A agenda é fundamental e estratégica para criar a interlocução com a sociedade.
Na reunião, Izabella falou do orgulho de ter participado da trajetória de Paulo Nogueira Neto, primeiro ministro do Meio Ambiente do Brasil e um dos fundadores do movimento que fundou o Conama. A ministra recomendou o livro de Nogueira Neto “Uma Trajetória Ambientalista” como uma “aula de meio ambiente”, que será lançado nesta quarta-feira, em Brasília.
Plenária - A plenária do Conama aprovou o texto base da resolução que dispõe sobre as condições e padrões de lançamentos de efluentes, que complementa e altera a resolução do Conama nº 357 de 2005. O texto continuará em debate nesta quinta-feira (31/03).
Também foi alterada a resolução Conama nº 307/2002 que trata sobre a reclassificação dos resíduos de gesso. Foi incluído no texto que o material pode ser reciclado.
Fonte: MMA

Nota da APEDeMA-RS acerca do processo eleitoral CONAMA Biênio 2011/2013
LUTA ECOLÓGICA SE FAZ COM UNIDADE E COMPROMISSO
Fundamental para o fortalecimento da luta ecológica é a transparência, a democracia e a coesão interna do movimento ambiental/ecológico.
Na recente eleição para o CONAMA, mais uma vez as ONGs da região sul do Brasil fizeram valer o acordo existente há anos entre os coletivos dos três estados (PR, SC e RS) e empenharam seu voto nas candidatas escolhidas respectivamente por tais coletivos, conforme rodízio de titularidade e suplência pactuado, o qual indicava voto no INGA, pelo RS e AMAR, pelo PR, já que cabia a esses dois estados a titularidade e a SC as respectivas suplências.
Das 44 entidades aptas para votar (14 do PR, 12 de SC e 18 do RS, dessas últimas, 12 são filiadas a APEDEMA/RS), a absoluta maioria, ou seja, 39 (13 do PR, 9 do SC e 17 do RS) votaram nas duas entidades indicadas pelos coletivos, cumprindo plenamente o acordado. Importante destacar que das 18 votantes do RS que honraram a palavra e asseguraram o decidido coletivamente votando no INGA e na AMAR, 6 não eram filiadas a APEDEMA/RS. Ou seja, todas as votantes não filiadas a APEDEMA seguiram sua indicação, fruto da escolha coletiva.
Cabe ressaltar que para a disputa nacional, diferentemente das representações regionais, não havia indicação coletiva. Assim, conforme a articulação entre as ONGs, a Amigos das Águas (PR) obteve 18 votos, a MOVER (MG) 11 votos e a ONG IMAVI (SC) 14 votos.
A APEDeMA/RS ressalta a importância do respeito ao referido acordo para o conjunto de ONGs da região sul, o qual demonstra que é possível agir com unidade no movimento ambiental/ecológico, mesmo que tenhamos diversas visões de como fazer a luta ecológica. Tal acordo se mantém graças a conduta das entidades a seguir listadas, o qual retrata o compromisso e o cuidado com a coesão do movimento ambiental/ecológico no sul do Brasil, para o seu fortalecimento e a superação da crise ecológica:
Entidades do Rio Grande do Sul: Associação Ambiental Amigos da Paisagem Preservada de Quintão (Apaipq); Associação Bento-Gonçalvense de Proteção ao Ambiente Natural (Abepan); Associação de Proteção Ambiental Amigos do Rio Piratini (Aparp); Associação Ecobé; Associação Hoc Tempore (Hoc Tempore); Centro de Estudos Ambientais (CEA); Fundação Moa Estudos e Pesquisas para Proteção e o Desenvolvimento Ambiental (Fundação Moa); Fundação Pró-Rio Taquari (Pró-Taquari); Igré – Associação Sócio-Ambientalista; Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (Ingá); Instituto Orbis de Proteção e Conservação da Natureza; Movimento Roessler para Defesa Ambiental; Núcleo Amigos da Terra/Brasil (Nat-Brasil); Onda Verde – Preservando o Meio Ambiente; União Pedritense de Proteção ao Meio Ambiente (Uppan); Grupo Ecológico Guardiões da Vida (GEGV); Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (NEMA).
Entidades do Paraná: Rede Brasileira para Conservação dos Recursos Hídricos e Naturais- Amigos das Águas (ADA); Arindiana Jones; Mater Natura; Fundação O Boticário de Proteção à Natureza; Fundação para o Desenvolvimento da Economia Rural da Região Centro Oeste do Paraná (Rureco); Grupo Ambientalista do Rio Iguaçu (GARI); Instituto Os Guardiões da Natureza (Ing); Centro de Estudos, Defesa e Educação Ambiental (Cedea); Associação de Proteção ao meio ambiente de Cianorte (Apromac); Associação de Estudos, Orientação e Assistência Rural (Assesoar); Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar); Sociedade de Estudos Contemporâneos – Comissão Regional de Prevenção contra enchentes do Rio Iguaçu (Sec Corpreri); Sociedade de pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).
Entidades de Santa Catarina: Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi); Associação Catarinense de Preservação da Natureza (Acaprena); Associação de Preservação e Equilíbrio do Meio Ambiente de Santa Catarina (Aprema); Associação do Movimento Ecológico de Capivari (Movec); Centro de Estudos Integrados e de Promoção do Ambiente e da Cidadania (Ceipac); Coalizão Internacional da Vida Silvestre (Iwc/Brasil); Instituto Mangue Vivo (Imavi); Instituto Serrano de Conservação da Natureza (ISCN); Programa Oficina Educativa Verde Vida (Verde Vida).
Enfim, desejamos a todas Entidades Ambientalistas eleitas uma luta, em que pese suas dificuldades, permanente e firme na defesa dos interesses coletivos pela sustentabilidade!
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Cães abandonados são comuns andando de metrô entre o subúrbio e o centro da cidade de Moscou, na Rússia. Segundo informações do jornal The Sun, esses cães pegam o metrô de manhã, em direção ao centro da cidade onde eles têm mais chances de conseguirem comida e, ao anoitecer, eles pegam o metrô de volta para os subúrbios onde dormem.
Especialistas que estudam esses animais descobriram que eles, inclusive, trabalham juntos para garantir descerem na estação desejada. Eles aprendem a calcular o tempo que leva a viagem. Eles preferem entrar nos vagões de começo ou do fim do comboio por serem mais silenciosos e menos cheios.
Cientistas acreditam que o fenômeno começou com a queda da União Soviética e os complexos industriais mudaram do centro para os subúrbios. Dr. Andrei Poiarkov, do Instituto de Ecologia e Evolução de Moscou disse que que os cães abandonados usavam os complexos industriais como abrigo e portanto tiveram que se mudar junto com suas casas. Mas o centro da cidade é o melhor lugar para conseguir comida e então eles aprenderem a pegar o metrô de manhã e voltar para “casa” à noite. Igual a qualquer trabalhador.
Dr. Poiarkov ainda descobriu que os cães também se divertem pulando dentro dos vagões segundos antes das portas serem fechadas, correndo risco de terem suas caudas presas na porta.
Os cães aprenderam também a usar as luzes de tráfego para poderem atravessar as ruas sem correr riscos. Uma vez no centro da cidade estes cães desenvolveram uma tática para fazer com que os humanos dêem comida e de maneira mais rápida. Eles se posicionam atrás da pessoa que está comendo e em dado momento emitem um latido forte. Com o susto a pessoa deixa cair a comida no chão…
Com as crianças, os cães brincam, pulam, sentam e lançam olhares suplicantes e conseguem com isso dividir o lanche com elas. Dr. Poiarkov confirma que os cães são excelentes psicólogos e sabem usar disso.
Os cães abandonados de Moscou não são os primeiros a usar os transportes públicos. Em 2006, um Jack Russell Terrier, em Dunnington começou a usar o ônibus para ir ao pub local atrás de alimentos. E há dois anos atrás passageiros em Wolverhampton viram abismados um gato, chamado Macavity (como o do poema de El liot), começar a pegar o ônibus e descer na porta de um determinado pub em busca de comida.
Fonte: ANDA
Um vídeo bem interessante e muito didático. Apresenta uma parte da discussão relacionada sobre as mudanças no código florestal, aquela mais polêmica e mais preocupante.
Fundação Grupo Boticário e SOS Florestas lançam a animação para mobilizar a sociedade e estimular a assinatura do manifesto contra o substitutivo que prevê mudanças na lei.
A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza lançou nesta segunda-feira, dia 28 de março, o vídeo “Código Florestal em Perigo”, queestá disponível na internet. A animação alerta para os efeitos negativos das alterações no Código Florestal Brasileiro previstas no substitutivo ao projeto de lei nº 1876/99 e outros apensados, que tramita no Congresso Nacional.
A animação foi produzida em parceria com o SOS Florestas, uma aliança de movimentos sociais e organizações ambientais que são contrários ao substitutivo e da qual a Fundação Grupo Boticário faz parte. O objetivodessas instituições é utilizar o vídeo como uma ferramenta de mobilização social, incentivando o público a aderir à causa e a assinar o manifesto virtual que será enviado aos parlamentares.
O vídeo apresenta a dimensão dos impactos decorrentes da redução das Áreas de Preservação Permanentes (APPs) – beira de rios, topos de morros e encostas íngremes – e da modificação no estabelecimento de áreas de reserva legal,caso sejam aprovadas as alterações no Código Florestal.
Com a diminuição das APPs, por exemplo, os riscos de erosão, desmoronamento e enchentes, tanto em zonas urbanas como rurais, aumentariam. De acordo com relatório do Observatório do Clima divulgado no fim de 2010, com a redução das matas nas margens de rios, estima-seque o país possa perder uma área equivalente a dois milhões de campos de futebol de florestas.
“Se as alterações previstas forem aprovadas, as atividades econômicas e o bem-estar da sociedade serão ameaçados. Teremos grandes prejuízos que, em um curto espaço de tempo, podem afetar a qualidade da água e a fertilidade do solo”, diz a diretoraexecutiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes. Além disso, a redução de áreas naturais também faria com que o Brasil elevasse suas emissões de gases do efeito estufa, contribuindo ainda mais para o aquecimento global.
O manifesto está disponível em http://www.avaaz.org/po/peticao_codigo_florestal/?sos.
Para saber mais, acesse www.sosflorestas.com.br
Fonte:Fundação Grupo Boticário/EcoAgência
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) realiza sua 101ª Reunião Ordinária, nos dias 30 e 31 de março de 2011.
A reunião será marcada não só pelo debate da flexibilização do Código Florestal, assumida pelo Deputado Federal Aldo Rabelo (PC do B), em defesa do agronegócio predatório, a qual se impõe presente em qualquer reunião sobre temática ambiental/ecológica hoje em dia, mas também por que será primeira reunião do Governo Dilma e seus aliados, bem como a primeira para a representação de ONGs ambientalistas/ecologistas recentemente eleita, num pleito que trouxe a tona debates relevantes para a luta ecológica e que estavam esquecidos nos corredores e no plenário do CONAMA.
A região sul votou e escolheu como seus representantes no CONAMA a ONG Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (AMAR) do Paraná a qual terá como Conselheira Zuleica Nicz e Rafael Filippin; e o Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (INGA) do Rio Grande do Sul, o qual terá o Biólogo Paulo Brack como conselheiro. Ambas serão empossadas juntamente com as ONGs representantes das demais regiões brasileiras.
A reunião será aberta pela Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

Em pé: Paulo Brack (INGÁ), representante eleito das ONGs da região sul no CONAMA. Agachados: Julia Zanin Shimbo (Consultora FBOMS), Renato Cunha (GAMBA), Vicente Megdalia (INGA), Doroty Matos (GT Agenda 21/FBOMS), Francisco Iglesias (ASPOAN), Cintia Barenho (CEA) e Eugênia Dias (CEA). Foto: CEA
Por Jacques Távora Alfonsin
A presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) publicou um artigo na Folha de S.Paulo de sábado (19) sobre a alta crescente que está se verificando no preço dos alimentos. Descarta os mercados futuros e as condições climáticas como a fonte dessa crise, mas aponta a “elevação da demanda nas regiões pobres do mundo, em especial na Ásia” como a sua causa. Até aí, pouco ou nada acrescentou a quanto já se debateu e conhece. Ao apontar a saída para o problema, porém, reduziu tudo a outra receita não confirmada historicamente, pelo menos para os povos pobres. Tudo se resolveria em “produzir mais grãos, mais carnes e mais frutas”, coisa que estaria sendo atrapalhada pelo nosso Código Florestal, já vencido em anos (1960); hoje, o país é outro, fala a senadora: “…somos o segundo maior exportador de alimentos do mundo” e, nessa produção “ ocupamos 230 milhões de hectares, somos 191 milhões e temos uma agropecuária moderna, que assimilou tecnologias, gera empregos, distribui renda e produz com eficiência, e de forma sustentável, comida de qualidade para o mercado interno e o mundo.”
Algumas contradições e incoerências presentes nessa publicação têm de ser denunciadas, sob pena de passar por verdade uma versão que autoriza ser vista como tendenciosa e, até, bastante simplória, da complexa conjuntura atual vivida pelo agronegócio no Brasil. Acusando de ultrapassada, por exemplo, a legislação do país sobre florestas, o texto da senadora não aponta um dispositivo sequer desse ordenamento jurídico no qual haveria fundamento para a sua crítica. O fato de o Brasil ser o segundo maior exportador de alimentos do mundo não explica e muito menos justifica as razões pelas quais ainda é tão grande a indigência, a fome e a miséria persistentes em tão grande parte da população sem-terra, vivendo no interior do país, em nossas zonas rurais.
Muito pior se revela a crítica da presidente da CNA, considerando-se os demais dados que ela aponta no seu texto, como o aumento de extensão da área plantada, a excelência “moderna” dos nossos métodos de produção e os ótimos efeitos sociais por ela tidos como já alcançados. “Esqueceu-se” de colocar as premissas probatórias dessa conclusão. Como é que uma exploração de terra com tantas virtudes, mesmo sendo tão boa, move pressão politica tão poderosamente contrária à revisão dos índices de produtividade desse bem, defasados há décadas, a ponto de eles permanecerem sem a mínima condição de cumprirem os objetivos para os quais foram estabelecidos, que outros não são, justamente, o de comprovarem toda essa alegada excelência.
Não recordou também que, sobre a grande extensão da área plantada, pesa uma função social de propriedade ignorada ou sacrificada por empresas transnacionais estrangeiras capazes de monopolizar a produção e a venda do que a terra sustenta e favorece no Brasil, patenteiam sementes, açambarcam latifúndios de tamanho superior aos limites legais permitidos, indiferentes à população pobre nativa, expulsando gente, impondo a venda de agrotóxicos e sementes transgênicas, contaminando nossa terra, nosso ar e nossa água. Isso é feito, inclusive, com a cumplicidade de empresas “laranjas”, disfarçadas de brasileiras, como está ocorrendo agora na região da campanha do Rio Grande do Sul, e já foi provado em documentação oficial do Ministério Público e do Incra neste Estado.
Sobre a modernidade da nossa tecnologia, ela não referiu um conhecido fato notório independente de prova – o de não ter o agronegócio exportador o mérito de alimentar o nosso povo, mas serem as pequenas propriedades rurais e posses próprias da economia familiar as responsáveis pela garantia do respeito devido a um direito humano tão fundamental como esse. Não é essa economia, também, a que já foi flagrada explorando trabalho escravo, monitorando a bancada ruralista no Congresso Nacional para impedir a transformação em lei da PEC que acentua sanções legais a esse tipo de crueldade. Nem é ela a responsável pelo vergonhoso número de mortes de agricultores sem terra que a CPT publica anualmente, em conflitos gerados, exatamente, pela concentração da propriedade rural em tão poucas mãos, no nosso país.
Quem estuda um pouquinho a nossa Constituição Federal e o nosso Direito Agrário sabe existir uma diferença muito grande entre produtividade e produtivismo no uso e na exploração da terra. A opinião da senadora presidente da CNA deixa as/os leitoras/es do seu artigo na dúvida se ela conhece essa diferença. A produtividade está bem longe de poder ser medida, tão só, sob a lente da conveniência econômica, conforme o seu artigo deixa transparecer. Ela respeita a natureza desse bem indispensável à vida dele e nossa; não quer a sua morte, por via de uma exploração predatória, O produtivismo transforma-o em reles mercadoria, posta em concorrência (ou leilão) de quem paga mais, por ele ou por seus frutos, preferentemente empresas situadas fora daqui, por piores que sejam os efeitos sociais e ambientais desse interesse. A primeira se preocupa com os fins próprios da saudável e abundante fecundidade da terra, coloca-os em função do seu destino, capaz de alimentar, com folga, a multidão dos brasileiros que, ao contrário do dito pela senadora, ainda padecem fome. O outro se preocupa com o poder de transformar esse bem e essa fecundidade potencial apenas em lucro, dinheiro, não raro entregue, por sua vez, a roleta das bolsas de valores.
Antes de se buscar somente na produção, portanto, a solução para diminuir os preços dos alimentos, um mínimo de sensibilidade humana e social deveria se preocupar com o acesso de todas/os as/os brasileiras/os aos frutos e produtos da nossa terra, sua distribuição e partilha, como a reforma agrária, também esquecida no seu texto, pretende garantir. Não adianta produzir mais, “aumentar o bolo”, como se pregava no passado, se a maior parte do que se colhe e cria é mandada para fora, subindo de preço o que fica para o mercado interno, ao limite de proibir, de fato, o seu consumo pela população trabalhadora e pobre.
A Folha de São Paulo está avisando que a senadora vai escrever quinzenalmente naquele jornal. Seria de todo conveniente que, no seu próximo artigo, ela reflita sobre o tema da Campanha da Fraternidade, empreendida pelas Igrejas, neste ano de 2011 (Fraternidade e a vida no planeta), acompanhado por um lema retirado da Carta de São Paulo aos romanos, por sinal, com recado direto para o seu texto – “A criação geme em dores de parto.” Os dados objetivos e as lições lá contidas sobre a nossa realidade agrária põem em séria dúvida a opinião da presidente da CNA. Seria interessante ela avaliar, então, se a entidade por ela presidida e a bancada ruralista no Congresso, da qual participa com muito destaque, não são responsáveis pelo aumento dessa dor e desse gemido da terra, ao efeito de abortar qualquer projeto alternativo à injustiça social preservada pelo modelo econômico, político e jurídico por ela defendido. Se esse é perfeito, deveria diminuir e não aumentar o preço da comida.
(*) Procurador do Estado do Rio Grande do Sul aposentado, advogado popular e educador.
por Valéria Nader
A ‘tropa de choque’ do agronegócio deve contar, a partir de agora, com um de seus mais poderosos interlocutores em um dos veículos de maior visibilidade e circulação do país, o jornal Folha de S. Paulo. Kátia Abreu, a senadora do DEM que se destaca como uma das figuras mais famosas e entusiastas da bancada ruralista no Congresso, passará a escrever quinzenalmente no diário.
O tema escolhido para a estréia de sua coluna no caderno Mercado, no último sábado, 19 de março, não foi nada gratuito. Em uma conjuntura em que volta a se insinuar fortemente no cenário mundial a crise alimentar, com falta de produtos e conseqüente aumento de preços, a senadora fez veemente artigo em defesa da reforma do Código Florestal.
Trata-se de texto habilíssimo na captura do momento adequado para desferir sua bateria de argumentos em favor do agronegócio.
O pulo do gato
Em introdução ao seu texto, Kátia Abreu enumera superficialmente os fatores que nos últimos meses vêm sendo apontados por vários estudiosos como deflagradores dessa crise. Evita, desta forma, possíveis acusações de desconhecimento do fenômeno a partir de suas causas multifatoriais. Depois disso, passa ao que realmente pretende: o estabelecimento de um vínculo ‘direto’ e ‘indiscutível’ entre o atual Código Florestal e a crise de alimentos.
Para a senadora, a especulação nos mercados futuros de produtos agrícolas não tem praticamente nada que ver com o aumento atual dos preços dos alimentos. Convencida dos poderes do livre mercado na solução dos desajustes entre oferta e demanda, as cotações dos produtos não se descolariam desse fundamento básico a não ser por períodos curtos. Quanto aos fatores climáticos, seriam reais, mas não determinantes, uma vez que, para Kátia Abreu, o mercado também se encarregaria de estabelecer os vasos comunicantes entre “grãos e carnes produzidos hoje em tantas latitudes diferentes”.
O único motivo que, no espectro da senadora, explicaria a atual subida de preços seria “a demanda nas regiões pobres do mundo, em especial na Ásia, onde centenas de milhões de pessoas estão saindo da miséria e comendo mais, comendo melhor”. Neste cenário determinístico e unidirecional, em que o problema é o excesso de demanda, a solução não poderia, obviamente, ser outra: o aumento da oferta, com maior produção de grãos, carnes e frutas.
Aqui vem o pulo do gato. Conforme Kátia Abreu, os últimos governos compreenderam a importância de não ceder a deletérias tentações intervencionistas, como controle de preços e formação de estoques. Contudo, ainda viveríamos sob o império de leis retrógradas, anteriores à revolução agrícola dos anos 70. Este seria o caso do Código Florestal, um obstáculo, para ela, à expansão da produção agrícola e, portanto, da oferta tão necessária em meio a uma conjuntura de crise alimentar. Urgente, portanto, se faria sua ‘revisão’ e ‘atualização’, o que não implicaria em desmatamento – faz questão de ressalvar a senadora -, mas apenas na regularização de áreas de produção abertas com ‘grande sacrifício e elevados custos’.

Preocupação da Senadora é com os Alimentos ou com as Commodities?
Crise alimentar e a complexidade de causas
O discurso da senadora não chega a ser surpreendente em um país em que a causa ruralista não raramente se impõe no cenário econômico e político. Em um momento anterior de agravamento da crise alimentar, em 2008, o então governador do Mato Grosso e hoje também senador, Blairo Maggi, chegou a sugerir o aumento do desmatamento legal como uma saída para se lidar com as altas de preços. Nada muito diferente do que aquilo que propõe agora a senadora, mesmo que de modo, sem dúvida alguma, muito mais engenhoso.
Esse negócio de Grenal, ruralista versus ambientalista, bicicleta versus carro, não está com nada! Pior. Tem estado com tudo na mídia, que alimenta o ódio entre as partes. Nós jornalistas, onde me incluo como parte dessa categoria tão desvalorizada ao longo do tempo, temos tido pouco cuidado ao explicar os distintos contextos em nossas matérias.
A falta de contexto é uma questão perigosa. Tremendamente perigosa para todos, inclusive para nós, jornalistas, que no afã de terminar uma reportagem, ou porque temos pouco espaço, não conseguimos ouvir lados importantes de uma determinada questão. Essa situação é resultado da ausência de leitores, ouvintes, telespectadores mais exigentes?
Não tenho visto, infelizmente, colegas escreverem ou explicarem questões importantes, que afetam a vida de milhares – até mesmo milhões – de pessoas direta ou indiretamente. Infelizmente, alguns colegas, bravos colegas que resistem nas redações, acreditam nas palavras colocadas por um determinado segmento que têm certos interesses e, portanto, deveria ter sua credibilidade questionada.
É óbvio que a imparcialidade não existe. Aí continuo a indagar: será que a nossa imprensa está assim porque a sociedade organizada não está sabendo chegar até ela? Com tantas novas faculdades de comunicação abrindo, quem está brigando pela qualidade da informação, de olho apenas no interesse coletivo?
Enfim, essa explosão de inquietações foi provocada depois de ler o artigo de uma articulista da Folha de S. Paulo que saiu no último dia 12, sábado. Eis aqui um trecho:
“Pois parece que tudo o que não precisamos no momento é trazer para nossos indomados centros urbanos os problemas que ainda não são nossos. Ou melhor, que por ora pertencem apenas a um grupo de garotos mimados e com mais disciplina para exercitar músculos do que para enxergar o próximo. Não me venha dizer que estar “engajado na defesa da bicicleta como meio de transporte” é uma reivindicação que faz sentido para a população de baixa renda.”
A autora, assim como qualquer um, tem o direito de escrever o que pensa. Mas o que me intriga é que se ela teve coragem de escrever isso deve ser porque tem muita gente pensando como ela. Para ela, é bobagem a reivindicação dos ciclistas por mais espaço na cidade.
Outro assunto perturbador é a forma como o licenciamento ambiental é tratado. Muitos jornalistas são insuflados, pressionados a pressionar órgãos ambientais para que as licenças sejam concedidas. Mas será que eles sabem o que é, de fato, uma licença? Ou quantas pessoas são pagas pelos governos para trabalhar no processo de licenciamento? A questão de fundo é se a sociedade sabe o que significa transformar os órgãos ambientais em cartórios, com finalidades puramente burocráticas.
Não, não quero que isso vire uma guerra entre o público e o privado. Apenas acho que nós, jornalistas, precisamos saber perguntar e nos colocar no lugar de um público que está começando a compreender as complexidades da tão falada, mal entendida e com seu santo nome em vão tão evocado: a tal sustentabilidade.
Aliás, para que mesmo servem as árvores? Por que elas são importantes na beira do rio? Os rios são todos iguais, com a mesma vazão? E o que são Áreas de Preservação Permanente? E por que foram criadas as Reservas Legais? Será que algum colega se perguntou sobre isso antes de escrever ou falar para uma audiência de milhões de pessoas? Afinal, nem tudo é relativo. Para a natureza, as coisas simplesmente são como são. E ponto final!
O GT Comunicação dos Comitês Popular da Copa de Porto Alegre organizou a primeira entrevista coletiva de uma série prevista para debater os impactos das obras da Copa de 2014. Nesta entrevista na ONG Cidade, Sergio Gregorio Baierle, cientista político e consultor do Cidade (Centro de Assessoria e Estudos Urbanos) e João Farias Rovati, professor Doutor no Programa de Pós-graduação em Planejamento Urbano e Regional (PROPUR/UFRGS) conversaram com um grupo de comunicadores sobre o impacto das obras da Copa na capital gaúcha.
Em sua exposição inicial, Baierle falou das obras da Copa e seus “números” (dinheiro gasto, pessoas removidas). Conforme ele, há uma mitologia em torno dos grandes eventos, promessas que servem como justificativa para a realização das obras. Rovati falou do legado, de a Copa ser uma oportunidade única. “De fato, esse legado pode ser bom ou pode ser muito ruim. No entanto, a experiência histórica mostra que a Copa foi mais problema que solução”. Ele aponta como uma das causas disso a falta de planejamento urbano, que até a década de 70 visava resolver os problemas causados pelo mercado. Com o advento do neoliberalismo, a lógica mudou: seu mote era atrair investimentos. “Qual é o papel da Secretaria de Planejamento Urbano? Eles já não tinham poder de decisão, agora menos ainda, já que tem a Secretaria da Copa!”, disse.
“O fato é que, apesar de não sabermos qual será o estádio, os políticos já assumiram a responsabilidade. O presidente da República é o avalista das obras”. Rovatti aposta que, caso faltem recursos privados, o poder público não hesitará em injetar mais recursos. “Sim, mais ainda. O volume de recursos até agora: dois anos inteiros do orçamento da cidade de Porto Alegre”.
Rovati chamou atenção para a necessidade da “organização social”. Colocou três pautas de luta: Fortalecer a estrutura de planejamento urbano, com servidores bem pagos; transporte coletivo de qualidade; e saneamento – despoluir o Guaíba (coisa que fica só na promessa).
Segundo Baierle, este eixo compreende duplicação de vias (Av Tronco, Beira-Rio, Padre Cacique, Voluntários), prolongamento da Severo Dullius (entre Dique e Assis Brasil), portais da cidade, complexo da Rodoviária, ampliação do aeroporto, aeromóvel, plano diretor Cicloviário, Rodovia do Parque, Rodovia do Progresso e início do metrô. Os dois entrevistados concordam que seria possível reassentar as populações envolvidas próximo ao seu antigo local de moradia. Há espaço para isso. No entanto, o poder público alega que seria muito oneroso fazê-lo, já que os valores dos terrenos ao redor são muito altos. (Clique aqui para ler mais)
Foto: Leandro Silva
Fonte: RS Urgente
Assista o vídeo realizado pelo coletivo Catarse AQUI
A Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Jussara Cony (PC do B), afirmou hoje a tarde (por volta das 15:15 hs), em entrevista numa radio da capital gaúcha, que pretende “diminuir o tempo de licenciamento ambiental”, dando exemplo de licenças que levavam dois anos para serem emitidas, agora serão em seis meses, sem com isso “ferir a legislação ambiental”, inclusive tem conversado com o Ministério Público (MP) para tal fim. Para tanto, igualmente, basta dar uma estrutura adequada para órgãos ambientais estaduais, afirmou a Secretaria, citando que existem processos de licenciamento ambiental tramitando de quatro a seis anos na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM).
Para a Secretaria, a SEMA não pode ser uma mera expedidora de licenças de obras e empreendimentos, mas tem que “influir no processo, até para poder agilizar o licenciamento ambiental”.
A transparência na informação ambiental e o Zoneamento Ecologico-Economico (do Litoral Norte, do Lago Guaíba, de Rio Grande e das Bacias Hidrográficas do Sinos e Gravataí) são duas prioridades da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA) no governo Tarso, que possivelmente receberão apoio do Banco Mundial, conforme projetos enviados pelo órgão de política ambiental do estado.
Para a Secretária Cony, a sustentabilidade deve ser harmonizada com o desenvolvimento, o qual “não pode ser travado”, e isso se faz através da “geração de emprego, crescimento de renda e justiça social.”
A pesquisadora que descobriu veneno no leite materno
A repórter Manuela Azenha esteve em Cuiabá, Mato Grosso, onde assistiu à defesa de tese da pesquisadora Danielly Palma. A ela coube pesquisar o impacto dos agrotóxicos em mães que estavam amamentando na cidade de Lucas do Rio Verde. A seguir, o relato:
Lucas do Rio Verde é um dos maiores produtores de grãos do Mato Grosso, estado vitrine do agronegócio no Brasil. Apesar de apresentar alto IDH (índice de desenvolvimento humano), a exposição de um morador a agrotóxicos no município durante um ano é de aproximadamente 136 litros por habitante, quase 45 vezes maior que a média nacional — de 3,66 litros.
Desde 2006, ano em que ocorreu um acidente por pulverização aérea que contaminou toda a cidade, Lucas do Rio Verde passou a fazer parte de um projeto de pesquisa coordenado pelo médico e doutor em toxicologia, Wanderlei Pignatti, em parceria com a Fiocruz. A pesquisa avaliou os resíduos de agrotóxicos em amostras de água de chuva, de poços artesianos, de sangue e urina humanos, de anfíbios, e do leite materno de 62 mães. A pesquisa referente às mães coube à mestranda da Universidade Federal do Mato Grosso, Danielly Palma.
A pesquisa revelou que 100% das amostras indicam a contaminação do leite por pelo menos um agrotóxico. Em todas as mães foram encontrados resíduos de DDE, um metabólico do DDT, agrotóxico proibido no Brasil há mais de dez anos. Dos resíduos encontrados, a maioria são organoclorados, substâncias de alta toxicidade, capacidade de dispersão e resistência tanto no ambiente quanto no corpo humano.
No dia seguinte à defesa de sua tese, Danielly concedeu uma entrevista ao Viomundo.
Viomundo – A sua pesquisa faz parte de um projeto maior?
Danielly Palma – Minha pesquisa foi um subprojeto de uma avaliação que foi realizada em Lucas do Rio Verde e eu fiquei responsável pelo indicador leite materno. Mas a pesquisa maior analisou o ar, água de chuva, sedimentos, água de poço artesiano, água superficial, sangue e urina humanos, alguns dados epidemológicos, má formação em anfíbios.
Viomundo – E essas pesquisas começaram quando e por que?
Danielly Palma – Começamos em 2007. A minha parte foi no ano passado, de fevereiro a junho. Lucas do Rio Verde foi escolhido porque é um dos grandes municípios produtores matogrossenses, tanto de soja quanto de milho e, consequentemente, também é um dos maiores consumidores de agrotóxicos. Em 2006, quando houve um acidente com um desses aviões que fazem pulverização aérea em Lucas, o professor Pignati, que foi o coordenador regional do projeto, foi chamado para fazer uma perícia no local junto com outros professores aqui da Universidade Federal do Mato Grosso. Então, começaram a entrar em contato com o pessoal e viram a necessidade de desenvolver projetos para ver a que nível estava a contaminação do ambiente e da população de Lucas.
Viomundo – E qual é o nível de contaminação em que a população de Lucas se encontra hoje? O que sua pesquisa aponta?
Danielly Palma – Quanto ao leite materno, 100% das amostras indicaram contaminação por pelo menos um tipo de substância. O DDE, que é um metabólico do DDT, esteve presente em 100%, mas isso indica uma exposição passada porque o DDT não é utilizada desde 1998, quando teve seu uso proibido. Mas 44% das amostras indicaram o beta-endossulfam, que é um isômero do agrotóxico endossulfam, ainda hoje utilizado. Ele teve seu uso cassado, mas até 2013 tem que ir diminuindo, que é quando a proibição será definitiva. É preocupante, porque é um organoclorado que ainda está sendo utilizado e está sendo excretado no leite materno.
Viomundo – Foram essas duas substâncias as registradas?
Danielly Palma – Não, tem mais. Foi o DDE em 100% das mães [que estão amamentando]; beta-endossulfam em 44%; deltametrina, que é um piretróide, em 37%; o aldrin em 32%; o alpha-endossulfam, que é outro isômero do endossulfam, em 32%; alpha-HCH, em 18% das mães, o DDT em 13%; trifularina, que é um herbicida, em 11%; o lindano, em 6%.
Viomundo – E o que essas susbstâncias podem causar no corpo humano?
Danielly Palma – Todas essas substâncias tem o potencial de causar má formação fetal, indução ao aborto, desregulamento do sistema endócrino — que é o sistema que controla todos os hormônios do corpo — então pode induzir a vários distúrbios. Podem causar câncer, também. Esses são os piores problemas.
Viomundo – Você disse que as mães foram expostas há mais de dez anos. As substâncias permanecem no corpo por muito tempo?
Danielly Palma – Permanecem. No caso dos organoclorados, de todas as substâncias analisadas, o endossulfam é o único que ainda está sendo utilizado. Desde 1998 os organoclorados foram proibidos, a pesquisa foi realizada em 2010, e a gente encontrou níveis que podem ser considerados altos. Mesmo tendo sido uma exposição passada, como as substâncias ficam muito tempo no corpo, esses sintomas podem vir a longo prazo.
Viomundo – Durante a sua defesa de mestrado, em que essa pesquisa foi apresentada, os membros da banca ressaltaram o quanto você sofreu para realizar a pesquisa. Quais foram as maiores dificuldades?
Danielly Palma – A minha maior dificuldade foi em relação à validação do método. Porque, quando você vai pesquisar agrotóxicos, tem de ter uma precisão muito grande. Como são dez substâncias com características diferentes, quando acertava a validação para uma, não dava certo para outra. Então, para ter um método com precisão suficiente para a gente confiar nos resultados, para todas as substâncias, foi um trabalho que exigiu muita força de vontade e tempo. Foi praticamente um ano só para validar o método.
Viomundo – Essas mães que foram contaminadas exercem ou exerceram que tipo de atividade? Como elas foram expostas ao agrotóxico?
Danielly Palma – Das 62 mulheres que eu entrevistei, apenas uma declarou ter contato direto com o agrotóxico. Ela é engenheira agrônoma e é responsável por um armazém de grãos. Três mães residem na zona rural, trabalhando como domésticas nas casas dos donos das fazendas. É difícil dizer que quem está longe da lavoura não está exposto em Lucas do Rio Verde, pela localização da cidade, com as lavouras ao redor. Mas a maioria das entrevistadas trabalha no comércio, são professoras do município, algumas donas de casa, mas não são expostas ocupacionalmente. A questão é o ambiente do município.
Viomundo – Mas a contaminação se dá pelo ar, pela alimentação?
Danielly Palma - A alimentação é uma das principais vias de exposição. Mas, por se tratar de clorados, que já tiveram seu uso proibido, então eu posso dizer que o ambiente é o que está expondo, porque também se acumulam no ambiente. No caso da deltametrina e do endossulfam, que ainda são utilizados, o uso atual deles é que está causando a contaminação. Mas, nos usos passados [dos agrotóxicos agora proibidos], a causa provavelmente foi a exposição à alimentação — na época em que eram utilizados — e o próprio meio ambiente contaminado.
Viomundo – Quais são as principais propriedades dessas substâncias encontradas?
Danielly Palma – Os organoclorados têm em comum entre si os átomos de cloro na sua estrutura, o que dá uma grande toxicidade a eles. Eles têm alta capacidade de se armazenar na gordura, alta pressão no vapor e o tempo de meia-vida deles é muito longo, por isso que para se degradar demora muito tempo. São altamente persistentes no ambiente, tanto nos sedimentos, solo, corpo humano, e têm a capacidade de se dispersar. Tanto que no Ártico, onde eles nunca foram aplicados, são encontrados resíduos de organoclorados.
Viomundo – O professor Pignati comentou que a Secretaria da Saúde dificultou um pouco a pesquisa de vocês, mas que vocês fizeram questão da participação do governo. Por que?
Danielly Palma – Nós vimos a importância da participação deles porque, quando a exposição da população está num nível elevado e está tendo uma incidência maior de certas doenças, é lá na ponta que isso vai estourar, é no PSF (Programa Saúde da Família). Então, a gente queria que a Secretaria da Saúde acompanhasse para ver em que nível de exposição essa população está e para que tome medidas. Para que recebam essas pessoas com algum problema de saúde e saibam diagnosticar, saibam de onde está vindo e o porquê de tantas incidências de doenças no município.
Viomundo – Se a maioria dessas substâncias não está mais sendo utilizada, o que pode ser feito daqui para frente para diminuir o impacto delas sobre o ambiente e a saúde?
Danielly Palma – Em relação a essas substâncias que não estão sendo mais utilizadas, infelizmente, não temos mais nada a fazer. Já foram lançadas no ambiente e nos organismos das pessoas. A gente pode parar e pensar no modelo de desenvolvimento que está sendo posto, com esse alto consumo de agrotóxico e devemos tomar cuidado com as substâncias que ainda estão sendo utilizadas para tentar evitar um mal maior.
Viomundo – Como que o agrotóxico pode afetar o bebê?
Danielly Palma – Esses agrotóxicos são lipofílicos e se acumulam no tecido gorduroso, então ficam no organismo e passam para o sangue da mãe. Através da placenta, como há troca de sangue entre mãe e feto, acabam atingindo o feto. E alguns tem a capacidade de passar a barreira da placenta e atingir o feto. Durante a lactação, o agrotóxico acaba sendo excretado pelo leite humano.
Viomundo – Então, mesmo que não amamente o filho, ele pode nascer com resíduo de agrotóxico?
Danielly Palma – Sim, isso se a contaminação da mãe for muito elevada.
Viomundo – Foi o caso nas mães [pesquisadas] de Lucas do Rio Verde?
Danielly Palma – Alguns níveis [encontrados] consideramos altos, até porque o leite humano deveria ser isento de todas essas substâncias. Deveria ser o alimento mais puro do mundo. E a gente vê que isso não ocorre, tanto nos meus resultados quanto em trabalhos realizados no mundo inteiro que evidenciaram essa contaminação. A criança acaba sendo afetada desde a vida uterina e depois na amamentação é mais uma quantidade de agrotóxicos que ela vai receber. Mas é sempre bom lembrar do risco-benefício do aleitamento materno. Nunca se deve incentivar a mãe a parar de amamentar porque seu leite está contaminado. As vantagens do aleitamento materno são muito maiores do que os riscos da carga contaminante que o leite pode vir a ter.
Viomundo – Quais os riscos dessa contaminação?
Danielly Palma – Os riscos saberemos somente com um acompanhamento a longo prazo dessas crianças. O que pode acontecer são problemas no desenvolvimento cognitivo e, dependendo da carga que o bebê receba desde a gestação, pode causar má formação, que pode só ser percebida mais tarde.
Viomundo – Esse acompanhamento dos efeitos dos agrotóxicos no corpo humano já foi feito ou ainda é uma coisa a fazer?
Danielly Palma – Quanto ao sistema endócrino, existem evidências. Estudos comprovaram a interferência dos agrotóxicos. Quanto a câncer, má formação e ações teratogênicas (anomalias e malformações ligadas a uma perturbação do desenvolvimento embrionário ou fetal), estudos realizados em animais apontam para uma possivel ação dos agrotóxicos nesse sentido. Mas no ser humano não tem como você testar uma única substância. Quando fazem pesquisas, sempre são encontradas mais de uma substância no organismo e, portanto, não se sabe se é uma ação conjunta dessas substâncias que elevou aquele efeito ou se foi a ação de uma substância apenas.
Viomundo – Os resultados da pesquisa são alarmantes?
Danielly Palma – Foram alarmantes, mas ao mesmo tempo já esperávamos por esse resultado, até porque já tínhamos em mãos resultados da parte ambiental. Vimos que a exposição da população estava muito alta. Com o ambiente contaminado daquela forma, já era esperado encontrar a contaminação do leite, uma vez que o ambiente influencia na contaminação humana também.
Viomundo – O que será feito com esses resultados?
Danielly Palma – Os resultados já foram encaminhados às mães e, no início do projeto, assumimos o compromisso de, no final, nos reunirmos com elas e explicarmos os resultados. Esperamos que as autoridades do município e de todas as regiões produtoras acordem para o modelo de desenvolvimento que eles estão adotando, porque não adianta ter um IDH alto, ter boa educação e sistema de saúde, se a qualidade de vida em termos de exposição ambiental é péssima.
Para ler entrevista com o professor Wanderlei Pignati, que coordenou toda a pesquisa, clique aqui.
Para ler entrevista com a professora Raquel Rigotto, que pesquisa o mesmo assunto no Ceará, clique aqui.
Fonte: ViOMundo
Acompanhando as tendências do mundo digital tecnológico, já adaptamos o blog do CEA para ser visualizado nos “badalados” Ipad (mais um instrumento do mundo do consumo, mas com interessantes ferramentas). Abaixo segue uma mostra de como fica a visualização do blog nesse instrumento tecnológico modernoso…
A água encontrada junto do reator 2 da Usina Nuclear de Fukushima Daiichi, no Leste do Japão, apresenta um nível de radiação 10 milhões de vezes maior do que o normal, segundo informou neste domingo (27/03) a Agência de Segurança Nuclear do país.
De acordo com a agência, existe uma grande possibilidade de que esta água esteja vazando diretamente de dentro do reator. Os funcionários que tentavam bombear a água para fora do reator 2 foram retirados do local, para evitar exposição à radiação.
Esta é de longe a amostra de água mais radioativa já encontrada na Usina de Fukushima desde o início da crise nuclear, que se seguiu ao terremoto de magnitude 9 do último dia 11. O terremoto, que foi seguido de um tsunami, causou graves danos na usina, que teve o sistema de refrigeração dos reatores desligado.
A Agência de Segurança Nuclear informou ainda que o nível de radiação na água do mar próximo à usina aumentou para 1.850 vezes acima do normal. Sábado, o nível era de 1.250 vezes além do limite permitido em lei.
No sábado, a agência afirmou que estes níveis de radiação não trariam risco em um período superior a oito dias. No entanto, o aumento da radioatividade em poucas horas já causa preocupação – ainda mais porque a origem do vazamento é desconhecida.
A identificação da origem do vazamento de água contaminada continua sendo a maior prioridade das equipes em Fukushima, segundo afirmou a agência. Existe a suspeita de que aágua radioativa esteja saindo dos reatores e indo diretamente ao mar. Por outro lado, as autoridades dizem que os níveis de radiação no ar próximo à usina estão em queda.
Fonte: OperaMundi
As operadoras responsáveis pelo funcionamento das usinas nucleares dos Estados Unidos têm omitido informações à agência reguladora do setor sobre ocorrências de falhas em seus equipamentos.
Esse problema foi apontado no relatório de uma auditoria da NRC (Nuclear Regulatory Commission, ou Comissão Reguladora Nuclear, em português), agência governamental responsável por cuidar de todas as questões relativas à segurança das 104 usinas nucleares em território norte-americano. O documento foi publicado nesta quinta-feira (24/03) no site da agência.
É procedimento obrigatório para essas empresas relatar qualquer malfuncionamento em componentes básicos de seus reatores que possam vir a comprometer a segurança das instalações.
Durante vistorias realizadas nas usinas norte-americanas entre dezembro de 2009 a setembro de 2010, os inspetores da NRC detectaram ao menos 24 casos em que defeitos identificados pelas operadoras não foram relatados à agência.
Leia a íntegra do relatório no site da agência.
Autocrítica
O documento também levanta questões a respeito dos erros cometidos pela própria instituição, afirmando que os parâmetros de segurança repassados à indústria nuclear norte-americana são “contraditórios e obscuros”.
O relatório também alerta que, caso a NRC não tome providências para aperfeiçoar suas orientações gerais, “a margem de segurança dos reatores em operação pode ser reduzida”.
A equipe da NRC reviu o resumo do relatório, mas optou por não fornecer comentários formais sobre seus resultados.
A NRC é constante alvo de críticas de associações ambientalistas, que questionam os métodos de licenciamento da agência. No dia 10 de março de 2011, anterior ao terremoto seguido de tsunami que devastou o nordeste do Japão - que teve, entre outras consequências a explosão de reatores da usina nuclear de Fukushima Daiichi – , o órgão prorrogou por vinte anos a licença da usina nuclear de Vermont Yankee.
Entretanto, no dia 24 de fevereiro, o Senado do Estado de Vermont decidiu, por larga maioria (26 votos contra 4), pela não continuidade de seu funcionamento.
Em 2007, o então candidato à Presidência dos EUA Barack Obama também fez críticas à NRC, dizendo que ela havia se tornado “refém das empresas as quais deveria regular”, enquanto seu candidato a vice, Joe Biden, afirmava que ela não possuía qualquer credibilidade.
Fonte: OperaMundi
Publicamos artigo de Le Monde de hoje sobre as mentiras do governo e a influencia do lobby nuclear. Contribuição de Alfredo Martin. O tradução do texto foi feita no google. Abaixo segue a versão em francês.
Veja AQUI a Modelisacion de la dispersion de la radioactiva en la atmosfera a escala global
Fukushima, o silêncio culpado
Sub-informada pelas autoridades, cada vez mais conscientes do risco de um desastre na sua maioria são incapazes de avaliar a gravidade, os japoneses são agora mais preocupado do que hoje superfície, a leitura da imprensa e por meio de transmissão peritagens nuclear em canais de televisão privados ou em blogs, o fundo nauseante deste drama: o poder dos que, por modéstia, o chamado “lobby nuclear”.
Um rico e poderoso, cujo coração bate ao Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI), que tem a supremacia sobre a política de energia nuclear e as ramificações que incluem a Federação dos serviços públicos ( FEPC), a Agência de Segurança Nuclear e Industrial (NISA), grupos do setor que construir usinas – Toshiba e Hitachi em mente – e os comerciantes.
Esse lobby, que vê a ex-altos funcionários de ministérios e agências relacionadas com a nuclear “pantufas” em empresas de energia, que dominou a arte de informações de bloqueio. Apóia campanhas publicitárias importantes nos jornais e na televisão para garantir que a energia nuclear é perfeitamente seguro.
A chegada ao poder em 2009, uma nova maioria não mudou a situação, porque o Partido Democrático do Japão (PDJ) é baseado na poderosa Federação Sindical Rengo, uma das cujo principal componente é o trabalhadores ramo agrupamento de energia, muito ligados à energia nuclear.
Essa conivência de grande escala entre a gerência sênior, as agências de supervisão, construtores e operadores das usinas não é apenas o silêncio da oposição, mas também remover qualquer dúvida sobre a energia nuclear. Isso não é por falta de provas – documentado – negligência, mentiras por omissão ou falsificação pura. Estas acções foram trazidos em 2002 pelo questionamento das empresas de energia dez no país para cobrir os incidentes na década de 1970, no início de consoles exteriores. A Tokyo Electric Power Company (TEPCO), proprietária e operadora de usinas em Fukushima, foi a primeira visão.
Adicionado nesta época do testemunho – chamado para ser verificado e colocado em perspectiva – ex Tepco. Mas, por agora, “funcionamento do moinho”, estas revelações são assustadoras. Se elas refletem a realidade, parece que os operadores – Tepco, certamente, mas também os seus homólogos – reduziram a rentabilidade no curto prazo antes que o imperativo da segurança a longo prazo, ou, na melhor das hipóteses, têm não suficientemente abordado o risco em um país com alta atividade sísmica e de tsunamis.
plantas Fukushima foram projetados para resistir a uma onda de 5,5 metros, referindo-se à que atingiu o Chile em 1956 … Os reatores resistiram ao tremor de terra e parou automaticamente, mas o sistema de arrefecimento, insuficientemente protegidos, parou de funcionar. Dois engenheiros da Toshiba que ajudou a projetar a planta em Fukushima, citado pelo jornal Tokyo Shimbun, considere um “baixo risco” foi escolhido como a base de cálculo.
serviço de bordo, o ministro da Economia reconheceu que “quando a crise foi contida, vamos analisar a gestão dos TEPCO. É verdade, mas nesse meio tempo, quantas vítimas terão que contar?
Um ex-engenheiro da Toshiba, que testemunhou anonimamente, é mais contundente: “Isto não é um desastre natural que o Japão está enfrentando, mas de uma catástrofe provocada pelo homem.” Um longo artigo no Wall Street Journal usa os dados expostos por Hidekatsu Yoshi, o deputado comunista e ex-engenheiro nuclear que tem demonstrado, em um livro publicado em 2010 com base em documentos do NISA, a planta é que Fukushima em todo o Japão, teve o maior número de incidentes, incluindo uma dezena de acidentes entre 2005 e 2009, e que seus funcionários foram os mais expostos à radiação durante a última década. Também apontaram para a utilização para manutenção da planta, sub-empreiteiros, muitas vezes inexperientes, que agora estão pagando um preço muito alto na luta contra o desastre.
A reação atrasada da TEPCO também é questionada. “TEPCO levou em conta o perigo lentamente”, disse uma agência de notícias oficial sênior Kyodo. Nos dois primeiros dias após o terremoto e tsunami, a necessidade de preservar o equipamento parece ter prevalecido sobre a consideração dos riscos para a população.
Os oito funcionários da Areva, líder mundial em energia nuclear francês, que estavam presentes no local durante o terremoto, rapidamente percebeu o perigo que eles estavam entre os primeiros a ir. Areva nunca tinha feito ainda qualquer temor sobre os riscos colocados pelo poder de seu cliente Tepco.
Mesmer e Philippe Pons Philippe
Artigo publicado na edição de 27.03.11
Vale a pena conferir o último documentário de Michel Moore – Capitalismo – Uma História de Amor. O documentário busca discutir as razões para o colapso do sistema financeiro em 2008, especialmente nos EUA.
No documentário Moore explora como o tal “capitalismo”, grande ideário imperialista yankee, tem se transmutado e através de políticos, que hora são estão em algum cargo público, ora estão a frente das grandes corporações , conseguiram dar carta branca para estas, especialmente as financieiras, aumentarem a fortuna através da desregulamentação das operações do sistema financeiro, mas principalmente através do engodo feito à população, através do refinanciamento de imóveis. Ele ainda escarafuncha as manobras diabólicas, feitas no congresso americano para dar um “resgate” de U$ 700 bilhões aos bancos e como estes utilizaram o dinheiro (que não tinha nenhuma regra para ser usado). O filme se encerra frente as eleições de Barack Obama, evidenciando o porquê da tal esperança depositada nesse democrata.
Além disso, o filme é uma excelente aula de como é o capitalismo. Vale a pena conferir, bem como ser utilizado como material didático.
Se quiser ler um pouco mais, acesse AQUI
Especializado em fotos do céu, Laveder faz parte do coletivo The World At Night, que reúne 30 dos melhores astrofotógrafos do planeta.

“Vendo do avião, não imaginei que o Taim fosse tão bonito. As árvores de corticeira, e as dunas, são de uma beleza rara. Superou a expectativa.”
Paulo Nogueira-Neto
Será lançado na próxima quarta-feira (30/3), o livro Diário de Paulo Nogueira-Neto - Uma Trajetória Ambientalista. A publicação trata dos fatos mais relevantes nos 45 anos trilhados por Neto, hoje com 88 anos, no ambientalismo e foi organizado pela advogada Flávia Frangetto, integrante do Conselho Superior de Meio Ambiente (CONSEMA), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).
Além da FIESP, o livro conta com o apoio da ONG transnacional WWF, do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e do PNUMA.
Segundo a FIESP Paulo Nogueira-Neto “tornou-se referência nos estudos de Ecologia e Conservação. Seu objeto de pesquisa é o comportamento das abelhas sem ferrão” Ele “permanece atento às questões mais amplas que envolvem a conservação ambiental. No ano passado, durante um jantar no Mosteiro São Bento, que marcou o lançamento do projeto do livro organizado por Flávia, o ambientalista declarou estar ‘convicto de que um dos maiores problemas ambientais é a miséria’.”
Já para a Fundo Mundial para Natureza – Worldwide Fund for Nature (WWF), Paulo Nogueira-Neto é um ”eminente cientista e homem público (…) patrono do ambientalismo em nosso país”. O livro “É uma verdadeira história do ambientalismo brasileiro, abrangendo fatos significativos e identificando personagens que acreditam no progresso social e econômico em equilíbrio com a natureza.”
O livro Diário de Paulo Nogueira-Neto - Uma Trajetória Ambientalista pode ser baixado gratuitamente na internet pelo site da WWF: http://www.wwf.org.br/informacoes/bliblioteca/?27103/Uma-Trajetoria-Ambientalista-Diario-de-Paulo-Nogueira-Neto.
Paulo Nogueira-Neto é paulista, é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais (1945) e em História Natural (1958), com doutorado em Ciências Biológicas, pela Universidade de São Paulo (USP). É professor e pesquisador especializado em apicultura. De 1974 a 1986, dirigiu a Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA), vindo a se tornar o primeiro ministro do Meio Ambiente do Brasil. Foi membro da Comissão Brundtland de Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU), que cunhou o conceito de Desenvolvimento Sustentável. Presidiu a Associação de Defesa do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (ADEMA-SP) e a Fundação Florestal. É Presidente emérito do Conselho Diretor da WWF há mais de 14 anos. É membro da SOS Mata Atlântica.
É um dos idealizadores e membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).
O CEA compartilhou sua cadeira no CONAMA, por duas oportunidades, com Paulo Nogueira Neto, quando realizamos algumas ações em conjunto e recebemos o seu apoio para uma Moção pela manutenção Estação Ecológica do Taim (ESECTAIM) como tal categoria de Unidade de Conservação, pois, na época (1998), havia um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional, de autoria do então Deputado Federal Adolfo Fetter Junior (hoje prefeito de Pelotas/RS), o qual pretendia transformar a ESECTAIM em Parque Nacional, o que diminuiria sua proteção legal. Tal Moção do CONAMA, aprovada por unanimidade na época, recomendava estudos prévios e audiências públicas e foi enviada para a administração da ESEC Taim, para as prefeituras e Câmaras de Vereadores de Rio Grande e Santa Vitória do Palmar, para o Congresso Nacional, para o IBAMA e para o Conselho Estadual de Meio Ambiente do RS (que já havia aprovado Moção de igual teor, também por proposta do CEA).
por Ana Carolina Martins da Silva*
Nós nos sobrecarregamos com a discussão político-pedagógica de nosso ambiente de trabalho, com a discussão do mundo, com a salvação das baleias, dos afogados, dos desprotegidos, lutamos pela paz mundial, pelo bom aprendizado e pela construção das mais diversas áreas do conhecimento, por laboratórios, por merenda escolar. Nós nos dedicamos tanto a construir e ajudar aos nossos educandos a se construírem que nem nos lembramos de nós mesmos. A missão é o objeto, nós somos um soldado fundamental do bom combate. Quanta ilusão! Na verdade, o Sistema nos vê como uma peça necessária, mas de fácil reposição.
As negociações desta semana, tanto do CPERS com o Governo do Estado do RS, quanto do SINPRO, com o Sindicato patronal das Escolas Particulares, SINEPE, parecem comprovar o que no fundo sempre desconfiamos, somos importantes, fazemos um papel fundamental, mas de onde saímos, saem muitos, somos descartáveis. Ainda que venhamos a fazer greve, depois temos de pagar em dinheiro pela rebeldia de querer existir; Podemos nos revoltar e tentar abrir os olhos de nossa comunidade, em termos de contexto político, então somos considerados agitadores, inclusive pela própria comunidade na qual estamos inseridos.
É de se pensar o porquê disso. Eu fico com a velha hipótese da luta de classes. O educador é o marisco entre a luta do rochedo e do mar. A maior parte de nós vem de classes abaixo da classe média. Fizemos a graduação em docência por ser aquela “mais em conta”, como se diz. A educação, além de ser a nossa forma de querer salvar o mundo, é a nossa forma possível de subsistência, nosso trabalho. Assim, magistério não é apenas vocação, magistério é profissão. Uma profissão que pode de fato efetuar uma transformação social. Inverter a pirâmide, eliminar a pirâmide, ensinar a pensar. É óbvio que para quem está no topo não é vantagem nos dar condições dignas de vida. É óbvio que precisamos estar sob controle, submissos, em servidão, com medo de sermos demitidos, de termos nossa vida funcional atrasada por anos. O Sistema não gosta de sopa de letrinhas, o Sistema é um glutão que come pessoas.
Quanto a nós, temos de ver o alto status financeiro e social de profissões que não se dedicam a ideais tão fundos com elegância. Não devemos nos comparar com os outros. Comparemo-nos com nossa própria classe… que classe? Quando conseguimos unanimidade em greve? Quando conseguimos unanimidade em ações políticas? Apesar disso, quem consegue pagar o dentista, a modista, a diarista, a casa própria e outros-que-tais com um salário de professor? A classe é desunida ou está em perpétuo susto? Ficamos vendo os Governos economizar em nossos salários, as Escolas Particulares, em geral, ligadas a grandes instituições com estabilidade financeira, destaque social, economizando no salário de seus professores. Não temos como evitar pensar nas palavras escravidão, assédio moral, violência, exclusão porque o Sistema, na verdade, aterroriza. Eu já tive a experiência de não fazer uma greve por medo. Eu tinha voltado ao Magistério Público Estadual, estava no tal estágio probatório e tive medo. Eu sustentava minha família, eu não poderia ficar sem emprego. Conto isso porque não estou escrevendo com alguém que se coloca como superior. Eu tenho medo de não poder sustentar minha família com minha profissão. Saí da iniciativa privada humilhada por uma demissão. Diferenças da Escola com meu método de ensinar. Então, quando se fala em dinheiro, não é só dinheiro moeda, é dinheiro que gastamos em mais uma porção de batata frita, em doce, em paracetamol, em antidepressivo. É o conjunto da obra que ataca o coração do professor que é terrível. Se fosse para falar em desrespeito por parte dos alunos, humilhação perante pais mimados, coação por parte de colegas em posições de mando, desconsideração por projetos e idéias, sinceramente, quem iria querer ser professor?
Nós. Nós queremos ser professores. Nós que somos filiados ao CPERS, filiados ao SINPRO. Nós que delegamos aos nossos Sindicatos essa tarefa árdua de enfrentar essas feras em nosso nome. Nós que não desistimos de mexer na pirâmide. Nós que fazemos a diferença, nós para cujos espaços depois de abertos não existem peças de reposição porque somos únicos, cada um de nós, ímpares em seu universo de luta e pares dentre os seus.
SINEPE/RS (sindicatos do Ensino Privado), escuta! Queremos reajuste salarial com aumento real para a categoria, Já. 28 de março, segunda-feira, Dia do Aumento Real na Escola, manifestações nas instituições de ensino privado de todo o Estado reforçando a reivindicação por aumento real, e mais, limitação do número de alunos por turma (presencial e a distância); calendário escolar 2011 com a indisponibilidade do professor nas duas últimas semanas de julho; destinação de 30% da carga horária para atividades extraclasse; contratação de professores para as atividades extracurriculares.
Companheiro TARSO, o que é isso, companheiro? Aumento real em R$ 38,00 para quem ganha o básico? Essa proposta de reajuste salarial de 10,91% apresentada à direção do Cpers/Sindicato não satisfaz a categoria. Magistério Público Estadual, já! Assembleia Geral, dia 08 de abril e a luta continua!
E para não dizerem que não falei na UERGS, mais professores começam a se evadir de nossa Universidade por falta de condições profissionais compatíveis com suas formações. Precisamos estar sempre alertas em relação ao nosso Plano de Carreira, que ainda não está na pauta principal do Governo do Estado. Precisamos estar vigilantes a respeito de nossos colegas funcionários, cujos vencimentos, em determinados casos, estão abaixo de um salário mínimo. Precisamos socorrer nossos alunos, com sustentabilidade e assistência, como se espera de uma Instituição Pública. ADUERGS e ASSUERGS: Plano de Cargos e Salários e a abertura das vagas para atender o limite de 300 professores e funcionários, Já!
Políticas pedagógicas, paz mundial, construção das mais diversas áreas do conhecimento, missão e bom combate, que fácil reposição, que nada! O Sistema que se cuide, transformação de realidades e resistência é o nosso ramo de negócios.
* Profa. Me. Ana Carolina Martins da Silva é Mestre em Comunicação Social e Professora da UERGS




















































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