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por Vanilda Moraes Pintos

Fiquei muito surpresa e contrariada com a notícia da morte de girafas no zoológico de Sapucaia do Sul e a intenção de adquirirem outros animais oriundos da África para repor o Plantel. Penso que este fato mereça algumas considerações.

Primeiro: estamos vivendo um momento crítico do ponto de vista ecológico/ambiental no qual inúmeras espécies encontram-se em estado de vulnerabilidade devido a desastrada interferência humana;

Segundo: o meio ambiente encontra-se fragilizado e desequilibrado e um número considerável de pessoas engajadas em reverter este desequilíbrio ambiental, clamam em todos os cantos do mundo por uma mudança no modo de encararmos a Natureza e todas as formas de vida nela inseridas;

Terceiro: temos em vista que a mudança para um novo paradigma passe obrigatoriamente por percebermos que a vida dos animais não pode ser encarada como mero objeto de contemplação humana e que merece dignidade e proteção;

Quarto: conscientes da dignidade a que são merecedores os animais, todos eles, deduz-se que é completamente equivocada a visão utilitarista que tende a reduzir os animais a coisas a serem usadas para trazer “entretenimento” e “informação” aos humanos.

Observar animais que foram retirados do seu habitat, expostos em ambientes que não reproduzem nem atendem suas necessidades comportamentais é agressivo e ultrapassado. Isto contraria as mais elementares noções de respeito à vida.

Humanos precisam aprender sim, que existem animais exóticos, mas que estes devem continuar onde estão, vivendo uma vida natural e ecologicamente equilibrada, livre da interferência humana.

Devem aprender que animais exóticos viverem expostos à curiosidade humana em nada lhes beneficia, muito pelo contrário, fere sua dignidade de seres vivos e alimenta a cultura antropocêntrica de que podemos nos servir dos animais para obtermos conhecimento e informação.

Além do mais, a intenção da diretoria do Zoológico em captar uma verba de R$ 10 milhões, tendo em vista a próxima Copa do Mundo de 2014, dos quais, R$ 5 milhões seriam destinados á pavimentação, R$ 2 milhões para área de alimentação e administração e R$ 3 milhões somente, para melhoramento das instalações dos animais, só reforça a idéia explicitada acima, na medida em que é denotada mais preocupação em melhorias para os humanos do que com as vidas que ali são obrigadas a viverem em cárcere permanente.

Dada a diversidade de animais selvagens que ali vivem, suas dimensões e número, certamente que a prioridade desta verba, caso seja liberada, deveria ser para melhoramento de suas instalações.

Logo, conclamo à diretoria do Zoológico de Sapucaia do Sul que reconsidere a intenção de trazerem girafas ou qualquer outro animal, oriundo ou não de outro continente e que busquem sim, investir em enriquecimento ambiental aos animais que lá já se encontram e que, lastimavelmente não podem ser devolvidos à natureza. Que não tentem andar na contramão do progresso, o qual aponta para a aplicação de uma conduta ecologicamente ética, a qual não interfere no ambiente natural e na vida de suas criaturas.

Vanilda Moraes Pintos é veterinária, coordenadora do Grupo Amigo Bicho da Sociedade Vegetariana Brasileira- Rio Grande/RS (vanildamp@vetorial.net)

O CEA participou do VI Forum Brasileiro de Educação Ambiental, no Rio de Janeiro, em 2009, bem como colaborou para a realização da referida publicação.

Nunca antes na História deste país se degradou tanto a natureza, nunca o meio ambiente esteve tão ameaçado a entrar em colapso.  Uma espécie de amortecimento tomou conta do espírito de cidadania da população que não percebe diariamente a prática desordenada e criminosa do uso dos recursos naturais em nome de uma discutível geração de riquezas e de emprego, tanto no setor privado quanto oficial.

Quanto mais legislação, quanto mais órgãos fiscalizadores, quanto mais ONGs e quanto mais divulgação via mídia e internet dos malefícios da poluição, mais ela ocorre. Alguém está ganhando muito com a prática desta ação desordenada que, na grande maioria, é comprovadamente criminosa. Nesta campanha eleitoral pouco se tem falado em inovação das políticas públicas que realmente promovam transformações nos corações e mentes da população, dos empresários e dos políticos governantes. Os discursos de campanha apontam grandes obras e empreendimentos como única forma desenvolvimentista, sem nenhuma preocupação com o meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas. A comunidade ambientalista brasileira faz campanha pela conscientização o ano inteiro, muitos de forma voluntária, porém está perdendo para a ganância infecciosa do lucro a qualquer preço.

Só na região litorânea de Santa Catarina, de quatro mega projetos metade foram aprovados irregularmente pelos órgãos licenciadores e os demais serão também aprovados custe o que custar.

A USITESC no sul com 440MW queimará carvão mineral na contramão da História, mesmo com os estragos que a térmica Jorge Lacerda 856MW causa desde a extração até a queima do combustível fóssil.

Este é comprovadamente o mais perverso processo de geração de energia, pois provoca uma brutal agressão aos recursos naturais, principalmente aos hídricos. Explora não apenas o mineral, mas também o trabalhador mineiro que precisa ficar embaixo da terra para sobreviver sobre a mesma, com a incurável doença do pulmão negro denominada de pneumonoconiose.  Emite gases venenosos e muito calor pelas altíssimas chaminés que causam a temerária e silenciosa chuva ácida, além dos gases efeito estufa que desequilibram a climatologia resultando em tragédias climáticas. Como a matriz energética brasileira permite a queima de combustíveis fósseis, de forma facilitada e incentivada, mais térmicas serão instaladas neste país, como no Rio Grande do Sul, Maranhão, Ceará e Pará. Repotencializar é uma das mais sérias alternativas, mas como não gera lucro às empreiteiras e negociadores oficiais, só fica no discurso.

A ameaça que vislumbra a famigerada fosfateira da Bunge /Yara no município de Anitápolis, agora com controle da Vale, é assustador. Iniciando com a contaminação dos rios, chuva ácida e um possível desmoronamento da represa improvisada de rejeitos. Toda a agricultura regional será afetada, como também o sistema lagunar da histórica cidade de Laguna.

Na baia norte da ilha de Santa Catarina o polêmico estaleiro da OSX está revoltando as comunidades de pescadores do lado continental e do turismo no lado da ilha de Florianópolis. O projeto do Eike Batista foi rejeitado pelo ICMBio por propor um profundo canal de aproximadamente 12 km de extensão na baía norte, próximo a duas reservas nacionais de grande relevância ecológica. Por ser mar territorial a competência é do IBAMA, mas a incompetente FATMA quer licenciar na marra o estaleiro do homem mais rico do país. Cabeças já rolaram no ICMBio por aplicarem multas e outros desdobramentos, ainda não divulgados, já acontecem nos bastidores. A moeda verde não foi suficiente como lição aos inescrupulosos investidores!

No norte do estado a delicada biodiversidade da Baia da Babitonga está ameaçada pelo Porto Mar Azul, além de centenas de outros empreendimentos licenciados com EIA-RIMAs totalmente comprometidos com os interesses do empreendedor; Audiências Públicas teatrais que servem apenas para validar a poluição e os absurdos do Código Ambiental de SC sendo aplicados e motivando a perigosa proposta de alteração no Código Florestal pelo setor ruralista do agronegócio, com simpatia de quem manda neste país. O cenário que está por vir é bem pior, porque não assustador, pois nem as prejudiciais e violentas tragédias do clima irão frear a corrida desenvolvimentista adotada, mesmo contrariando os princípios e os direitos das futuras gerações apontados na esquecida, porém sábia Agenda 21.

OBS. Encontros de ONGs estão sendo programados objetivando a aproximação e o fortalecimento dos coletivos, buscando possibilidades maiores de intervir positivamente na elaboração das políticas públicas, com propostas inovadoras e transformadoras.

Coordenação da ONG Sócios da Natureza de Araranguá/SC (Setembro de 2010)

Por um outro modelo mais justo, fraterno e sustentável, que aponte para uma vida com dignidade e felicidade para todos!

O Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente – MOGDeMA, espaço apartidário de articulação socioambientalista e que congrega organizações, cidadãos, movimentos sociais e sindicatos, juntamente com a Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente – APEDeMA, instância que congrega as entidades ecológicas do Rio Grande do Sul, convidam para ato de lançamento do Manifesto Socioambiental e Plataforma Socioambiental – Eleições 2010.

Data: 30 de setembro – Quinta-feira
Horário: 17:30 min
Câmara de Vereadores de Pelotas

Convidam:
Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente – APEDeMA/RS
Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente – MOGDeMA

Dentro da proposta do CEA, de através do seu Blog, em divulgar documentos de relevância para a luta ecológica, não só elaborado por nós, mas também outros, preferencialmente dos quais tenhamos participado, se encontra disponível na secção “Publicações” o Caderno Sustentar 03, elaborado pela Secretaria Municipal de Planejamento Urbano (SEURB) de Pelotas, em setembro de 2002, dentro da política urbana, a época, fundada nos princípios da sustentabilidade e da participação.

O Sustentar 03 relata um processo inédito de participação na construção de políticas urbanas, que resultou na consolidação das 13 Idéias Forças, construídas com diversas instituições governamentais e organizações não governamentais (ONGs), através do Fórum Intersetorial e do Conselho do Plano Diretor (COMPLAD) de Pelotas. Tais propostas, visando um Novo Pacto Para Uma Pelotas Sustentável, foram consubstanciadas na Carta do Congresso da Cidade, construída e aprovada no I Congresso da Cidade de Pelotas, o qual contou com a participação de mais de 400 pessoas, 90 delegados, de ONGs e instituições diversas, representando 65 setores da coletividade.

Entre os objetivos da edição dos Sustentar destacamos garantir o acesso a informação como instrumento de democratização e participação na gestão da cidade, dando transparência as decisões de caráter urbanístico, antes tomadas predominantemente em gabinetes e escritórios de empresas da construção civil, as quais não consideravam a maioria da população e muito menos os ecossistemas locais.

Di Castri, da UNESCO, participou do I Congresso da Cidade de Pelotas, 2002.

Os Cadernos Sustentar também apresentavam pesquisas, projetos e artigos. Ressaltamos no número 03 o artigo Desenvolvimento Sustentável: Teoria e Prática, Sonhos e Realidade de Francesco di Casrtri, o qual de 1971 a 1984 foi Secretário-Geral do Programa Internacional o Homem e a Biosfera (MAB) da UNESCO; em 1990 foi nomeado Diretor-Geral Adjunto da UNESCO e em 1992 chefiou a sua delegação para a Eco-92, no Rio de Janeiro. Di Castri também é autor de diversos livros sobre o tema ecológico.

Em breve disponibilizaremos os outros números.

O dendezeiro é un cultivo nativo das comunidades da África Central e Ocidental que costumam ora plantá-los em suas terras ora coletar frutos, folhas ou seiva de dendezeiros nativos que usam em suas vidas quotidianas: do óleo de dendê elaborado localmente para ser usado em seus lares ou vendido nos mercados locais à produção de vinho de palma. O dendezeiro faz parte de sua cultura.

Embora algumas plantações foram estabelecidas nos tempos coloniais e outras no período post independência, tudo começou a mudar há poucos anos. Principalmente com o impulso da demanda internacional por óleo de dendê- e mais recentemente por agrocombustíveis- as comunidades africanas estão enfrentando a expansão das plantações de dendezeiros em grande escala. Os governos estão abrindo as portas para as corporações plantarem vastas áreas de terra com dendezeiros. Essa tendência não está acontecendo apenas nos países da África Central e Ocidental, mas também está se espalhando até a regiões da África Oriental.

Em decorrência da dificuldade para acesar a informação e as analises a respeito deste tema, o WRM criou um blog para facilitar um fluxo de informação de duas vias sobre o dendêzeiro na África. Para começar este processo, o WRM produziu um artigo em cada país onde existe dendezeiros naturais ou plantações, juntando a informação que consideramos mais relevante.

Para saber mais acesse AQUI

Por Alain Devalpo, Le Monde Diplomatique | Traduzido por Cauê Seigne Ameni | Foto de Fred Jacquemot

São chilenos, cerca de trinta. Estão privados de liberdade e em ameaça constante de morte. Não são os mineradores bloqueados na mina situada ao norte do Chile, cujo drama a mídia relata. São os “PPM” — os “presos políticos mapuches”, como eles próprios se definem –, em greve de fome desde 12 de julho na penitenciaria do sul do país.

O Chile não está disposto a reconhecer sua composição multicultural e deixa pouco espaço de expressão a seus oito povos indígenas. A convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), único acordo internacional relativo aos povos indígenas, só entrou em vigor em setembro de 2009. Michèle Bachelet, presidenta do país entre 2006 e 2010, prometeu cumpri-la em sua campanha, mas esqueceu uma outra: a de não continuar aplicando a legislação antiterrorista aos ativistas mapuches. Na véspera dos três julgamento sobre seu cargo, os PPM lançaram o mais importante movimento coletivo de greve de fome que o pais já conheceu. Eles denunciam a insistencia de autoridades em qualificar como “terroristas” (1)  práticas comuns no resto do continente – ocupações de latifúndios ou propriedades de empresas, por grupos étnicos empobrecido (2).

Do zapatismo mexicano aos indigenismo de Evo Morales na Bolívia, desde os anos 1990, as revindicações dos povos indígenas ganham terreno em toda América Latina. Reconhecimento, dignidade e determinação para se emancipar são os pontos comuns de todas essas lutas que enfatizam uma relação com a “mãe terra”, inconcebível para o pensamento liberal. Essa filosofia, compartilhada pelos “mapu-che” (pessoas da terra), se opõe constantemente aos interesses econômicos das classes dirigentes. É o caso no Chile.

A primeira grande batalha começa na virada do milênio. Na região do Alto Bio-bio, no coração dos Andes chilenos, os pehuenches (mapuche da cordilheira) contestam a construção da hidroelétrica El Ralcopela, pela companhia espanhola Endesa. Durante anos, Nicolasa e Berta Quintremán enfrentaram o rolo compressor da globalização e do governo chileno para salvar seu território. O combate das irmãs Quintremán teve grande repercussão nacional e internacional. Apesar do apoio de muitos setores da sociedade civil, as comunidades pehuenches não conseguiram interromper o projeto. Elas obterão uma indenização.

Essa luta desperta o sentimento de injustiça entre comunidades que confrontam a voracidade dos grandes proprietários, empresas de reflorestamento ou indústrias de salmonicultura. No rastro das duas anciãs, os jovens, vitimas de descriminação quotidiana, se mobilizam de maneira pacífica (3).

Para combater essa ameaça, a oligarquia chilena tira do armário os cassetetes, escudos e capacetes: a violência feita pelo Estado, para proteger os interesses financeiros em jogo. Aproveita-se um arsenal legislativo oriundo diretamente da ditadura… e reativado pela Concertatión (coalizão de centro-esquerda que se instala no Palácio de La Moneda, sede do governo, de 1989 à eleição de Sabastián Piñera, em dezembro de 2009). Embora alguns de seus membros tenham sido vítimas da legislação antiterrorista introduzida por Pinochet, a coligação faz uso das mesmas leis para silenciar os povos indígenas, para o desespero dos defensores dos direitos humanos.

Durante anos, estes ultimos denunciam as leis de “emergência” que autorizam prisão preventiva, com o uso de testemunhas “sem rosto”, anônimas, pagas pela policia para apontar os engajados. Acusações banais, como de incêndio de veículos, resultam em penas pesadas. Esses protestos foram ecoados pela a Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2007, o Comitê dos Direitos Humanos e em seguida, em 2009, o relator especial sobre a situação dos direitos e das liberdades dos povos indígenas, James Anaya (5), denunciaram as políticas de descriminação racial em vigor.

Mas o impasse torna-se mais aguda quando, no plano político, os mapuches se defrontam com o bloqueio da elite de Santiago, que fecha todos os caminhos para um acordo. A chegada ao poder de uma direita sem complexo, aliadas aos barões da “era Pinochet” não pacifica a situação.

O presidente Piñera, o “Berlusconi chileno”, não se preocupa mais com a sorte do povo mapuche que seus antecessores. É testemunha o rescaldo do violento terremoto, de dezembro de 2009, cujo epicentro situa-se no limite norte do país mapuche. Embora as comunidades costeiras tenham sido devastadas pelos tsunamis que se seguiram, o Observatório Cidadão (6), uma ONG situada na cidade de Temuco, aponta que elas estão entre os esquecidos da reconstrução.

Contudo, as grandes mídias – próximas do poder econômico — não falam nada, Nem mesmo da greve de fome dos militantes mapuche. Somente determinados sites na Internet (7) se voltam para a causa indígena e relatam seus depoimentos e reivindicações.

As semanas passam, a vontade dos presos não diminui, mas sua saúde, sim. Organizações reconhecidas manifestaram sua preocupação. A Anistia Internacional denunciou o uso da força para alimentar os presos: Piñera não teve escolha senão responder.

Ele busca a partir de agora a “reabertura” de um diálogo que nunca foi aberto. Prometeu uma reforma imprecisa dos vestígios da ditadura. Os prisioneiros desejam a abolição da lei antiterrorista. Dois outros prisioneiros solidarizaram-se com eles, no começo de setembro. Todo mundo se lembra que em 2008, o Chepa (8) (“o leão”), ativista mapuche, esteve em jejum 112 dias antes de obter qualquer avanço.

M A I S:
Também sobre os mapuches, na Biblioteca Diplô:

Os mapuches resistem outra vez
Após um século de derrota e aculturamento, ressurgem, entre os povos indígenas do Chile, a busca da identidade e a luta por terras e direitos
(Por Alain Devalpo, fevereiro de 2006)

Alain Devalpo, jornalista, auto de Voyage au pays des Mapuches, Cartouche, Paris, 2007.

1. “Divulgação público dos presos política do mapuches em greve de fome na prisão de El Manzano em Concepcion”, rede de informação e apoio ao povo mapuche.
2. Ver a fotografia de Fred Jacquemot e Alain Devalpo, “Resistencia Mapuche”
3. Ver Alain Devalpo, “Oposição pacifica dos Mapuches chilenos”, Le Monde Diplomatique, fevereiro 2006.
4. “Chile: Terror Law Violates Due Process for Mapuche”, Human Rights Watch (HRW), 27 de outubro 2004.
5. « Informe del Relator Especial sobre la situación de los derechos humanos y las libertades fundamentales de los indígenas, James Anaya » (PDF), Assemblée générale des Nations Unies, Conseil des droits de l’homme, 5 octobre 2009.
6. http://www.observatorio.cl
7. Ver o site Mapuexpress.
8. Ler “Retratos de mulher mapuche, presos políticos”, rede de informação e apoio ao povo Mapuche, em dezembro de 2003.

Publicado originalmente no site do Le Monde Diplomatique
Fonte: Outras Palavras

Reflexões de Fidel
O inverno nuclear e a paz

MAIS de vinte mil armas nucleares estão nas mãos de oito países: Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, China, Israel, Índia e Paquistão; vários deles com profundas diferenças econômicas, políticas e religiosas.

O novo tratado START, assinado em Praga no mês de abril entre as maiores potências nucleares, não implica mais do que ilusões a respeito do problema que ameaça a humanidade.

A teoria do “inverno nuclear”, desenvolvida e colocada no nível atual pelo eminente pesquisador e professor da Universidade de Rutgers, Nova Jersey, Dr. Alan Robock ─ cientista modesto que gosta mais de reconhecer os méritos de seus colegas do que os seus próprios ─, demonstrou sua veracidade.

Para eles, a única forma de evitar o uso das armas nucleares é eliminando-as. O povo norte-americano, situado num lugar privilegiado do planeta, que lhe permite desfrutar dos mais altos níveis de vida e riquezas no mundo, apesar dos incríveis esbanjamentos de recursos não renováveis, deveria ser o maior interessado na informação que lhe oferecem os cientistas. Quanto espaço dedicam a essa tarefa os meios de comunicação social?

A teoria do “inverno nuclear” ensinou-nos ―disse Robock― que: “Se tais armas não existissem, não poderiam ser utilizadas.  E neste momento não existe um argumento racional para usá-las absolutamente. Se não podem ser usadas, é necessária sua destruição e dessa forma nos protegeríamos dos acidentes, dos erros de cálculo ou de qualquer atitude demencial”.

“…os computadores que funcionavam com modelos ultramodernos se tornaram o único laboratório de escolha, e os acontecimentos históricos – inclusive as cidades arrasadas pelo fogo depois dos terremotos e dos bombardeamentos em tempos de guerra, as colunas de fumaça dos incêndios florestais e as nuvens criadas pelas erupções vulcânicas- tornaram-se pedras de toque das avaliações científicas.”

A proliferação das armas nucleares ─ na qual o Israel, a Índia e o Paquistão se integraram ao clube nuclear, e outros países, ao que parece, aspiram a ser membros do mesmo─, obrigou Robock e seus colegas a reverem as primeiras investigações. Os resultados desses estudos modernos, como foi pormenorizado em uma série de artigos recém-publicados, foram surpreendentes.

Quanto aos Estados Unidos e à Rússia, apesar de que cada um deles se comprometeu, no mês de abril de 2010 em Praga, a reduzir seu arsenal nuclear operativo até aproximadamente 2000 armas, a única forma real de evitar uma catástrofe climática global seria eliminando as armas nucleares.

“…qualquer país que neste momento esteja considerando a via nuclear precisa reconhecer que estaria colocando em perigo não só suas próprias populações, mas também o resto do mundo, ao adoptar essa via.  É hora de que o mundo pense mais uma vez nos perigos das armas nucleares, e que desta vez adote o caminho rumo à paz e elimine a possibilidade de uma catástrofe climática global induzida pela energia nuclear, pela primeira vez desde meados do século passado.”

“…o uso das armas nucleares no caso de um ataque total contra um inimigo, seria uma ação suicida devido ao frio e à escuridão anômalos provocados pela fumaça proveniente dos fogos gerados pela bomba.  De fato, evidenciou-se que, enquanto mais armas nucleares tiver um país, terá menor segurançã.”

Albert Einstein disse: “O poder desencadeado do átomo tem mudado tudo salvo nossas formas de pensar, e é por isso que avançamos sem rumo para uma catástrofe sem precedentes”.  Carl Sagan tinha dito que nossa política de armas nucleares era “um caminho onde nenhum homem pensava.”

No final da conferência magistral, perguntei ao professor Alan Robock: “Quantas pessoas no mundo têm conhecimento desses dados?” Respondeu-me que “muito poucas”. Acrescentei: E no seu país, quantas?” “Igual ―respondeu-me― não se conhecem.”

Não duvidava que essa fosse a triste realidade e acrescentei: “Não fazemos nada apenas nós sabendo. É preciso que o mundo saiba disso. Talvez seja necessário buscar psicólogos para que expliquem por que as massas não entendem”.

“Eu tenho uma resposta ― exclamou o cientista―: Isto se chama negação. É uma coisa horrível que as pessoas não queiram pensar nisso. É mais simples fingir que isto não existe.”

Suas palavras — durante quase uma hora que empregou na conferência, auxiliado por gráficos, dados e fotos projetados numa tela —, foram claras, precisas e eloquentes. Por isso expressei: “O que é fazer consciência, da qual tanto falamos? O que é criar cultura? E quanto desanima a vocês, os cientistas, que a gente nem saiba do que vocês estão a fazer, quantas horas investem?”

Eu lhe disse que, quando não existiam nem rádio, nem televisão, nem internet, era impossível difundir uma conferência como essa em Cuba ou no mundo. Ainda menos, quando muitas pessoas não sabiam nem ler nem escrever.

Prometemos ao professor divulgar a informação que nos ofereceu sobre a teoria do “inverno nuclear”, com uma linguagem que até as crianças cubanas de oito anos podem compreender, da qual só conhecíamos um pouco, a partir de nossa preocupação quanto ao estouro de uma guerra global nuclear, o que nos levou a escutar sua palestra.

Nenhuma outra época da história humana é tão parecida com esta. Com certeza, se esses riscos não são compreendidos por aqueles que adoptam as decisões das alturas do imenso poder que a ciência e a tecnologia colocaram nas suas mãos, a próxima contenda mundial será a última, e talvez decorressem dezenas de milhões de anos antes que novos seres inteligentes tentem escrever sua história.

Quis o azar que, ontem segunda-feira dia 20, recebesse a notícia de que com, atraso de várias horas, por causa dos furacões, no amanhecer do dia 21n chegaria ao porto de Havana, procedente das Ilhas Canárias, o cruzeiro “Peace Boat”, a Organização Não-Governamental Internacional com Estatuto Consultivo Especial perante a ONU que, desde 1983, organiza viagens globais para a promoção da paz, os direitos humanos, o desenvolvimento justo e sustentável e o respeito pelo meio ambiente. A Organização, em 2009, foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz pela sua campanha global para prevenir a guerra.

Na carta que me endereçou o fundador e diretor do “Peace Boat”, Yoshioka Tatsuya, através do chefe do coletivo de visitantes Nao Inoue, expressa: “Nossa organização trabalhou durante anos, recentemente em paceria com países da ALBA. […] que expressam claramente o compromisso com a abolição nuclear, a proibição de bases militares estrangeiras e a resolução pacífica de controvérsias internacionais […]  O Japão, como você sabe, único país que sofreu um bombardeamento atômico, ainda hoje mantém uma Constituição pacifista que, através do seu artigo 9, renuncia formalmente à guerra e proíbe o uso da força nas disputas internacionais.

“…tema de especial interesse em nosso ativismo é a remoção de bases militares estrangeiras, uma situação presente no Japão e em diversas partes do mundo, considerando que bases estrangeiras como as existentes em Guantánamo e Okinawa causam prejuízos ambientais irreversíveis e fomentam a guerra, em vez da paz mundial.”

“Peace Boat” organizou, incluindo esta, 70 viagens ao redor do mundo desde 1983, com a participação de não menos de 40 mil pessoas que visitaram mais de 100 países. Seu slogan é: “Aprende com as Guerras Passadas para Construir um Futuro de Paz”.

Em 20 anos, seu navio visitou 14 vezes nosso país, ultrapassando obstáculos e empecilhos impostos pelos Estados Unidos, promove campanhas de doações significativas para os sectores da educação e da saúde fundamentalmente.

Estão presentes nos numerosos fóruns internacionais e encontros de solidariedade a Cuba. São amigos verdadeiramente provados de nossa Pátria. Em maio de 2009, a organização foi condecorada com a Ordem da Solidariedade que outorga o Conselho de Estado da República de Cuba, por proposta do ICAP.

Foi para mim uma grande honra receber o convite para me reunir com uma representação dos visitantes, e lhes propus fazê-lo, com o máximo possível, no Palácio das Convenções. Falaram o senhor Nao Inoue, e a sobrevivente, Sra. Junko Watanabe, que tinha apenas dois anos de idade quando a primeira bomba atômica foi lançada sobre a cidade de Hiroshima. A menina se encontrava com um irmão mais novo no quintal de uma casa a 18 quilómetros do ponto em que foi lançada a bomba, que fez desaparecer a maior parte da cidade, matou instantaneamente mais de 100 mil pessoas e ocasionou sérios danos no resto dos habitantes.

Ela narrou suas dramáticas lembranças quando, anos mais tarde, foi conhecendo as imagens e pormenores daquele acontecimento que tantos sofrimentos ocasionou em tantas pessoas inocentes que nada tinham a ver com aquele ataque brutal.  Foi um acto deliberado para aterrorizar o mundo com o uso desnecessário de uma arma de extermínio maciço, quando o império japonês havia sido já derrotado. Foi lançada, não sobre uma instalação militar, mas sobre um alvo civil indefeso. As imagens divulgadas sobre aquele crime horrível não expressam o que a voz de Junko Watanabe nos contou sobre os fatos. A ocasião foi propícia para expor nossos pontos de vista, e contar aos nossos amistosos visitantes japoneses, lutadores pela abolição das armas nucleares, das bases militares e da guerra, a respeito do esforço que nossa Pátria leva a cabo para evitar um conflito nuclear que possa pôr termo à existência de nossa espécie.

Fidel Castro Ruz
21 de setembro de 2010
19h12

Fonte: Granma

Vídeo realizado por crianças da ONG “Casa do Zezinho” e produzido pela comunicação da Carta da Terra no Brasil feito especialmente para a celebração dos dez anos.

Saiba mais AQUI

Dessa vez foi em pleno centro da cidade, às 11:30 da manhã, na Rua Gonçalves Chaves, quase esquina Dr. Amarante. Consegui flagar a poda irregular de 2 grandes árvores, que escondiam a belíssima fachada do chique restaurante à Rua Gonçalves Chaves, 3002.

As 2 árvores foram derrubadas, picadas em pequenos pedaços e levadas por um carroceiro. A operação durou mais de 2 horas. Liguei para a Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA) de Pelotas (3284-4442) e informei o ocorrido. Foi-me informado que “irão averiguar”. Sei… Faz-me rir…

Fonte: http://pelotaspublica.wordpress.com/

Do blog http://pelotaspublica.wordpress.com/

Lançamento de Manifesto e Plataforma Socioambiental na Assembleia Legislativa do RS

Nesta quinta-feira, dia 23 de setembro, aconteceu na Assembleia Legislativa gaúcha, o lançamento público do Manifesto e da Plataforma Socioambiental – Eleições 2010, desenvolvidos pela Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (APEDeMA-RS) e pelo Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (MOGDeMA).

O ato público contou com a presença de entidades ambientalistas, movimentos sociais, sindicatos, imprensa, cidadãos e cidadãs preocupados com a questão socioambiental, bem como, de candidatos e representantes dos partidos PSOL, PV, PT, PDT.

O Manifesto Socioambiental – por outro modelo mais justo, fraterno e sustentável, que aponte para uma vida com dignidade e felicidade para todos!- apresenta análise crítica sobre o processo eleitoral e a gestão da política ambiental no Rio Grande do Sul (RS) e Brasil, destacando as consequências negativas para o meio ambiente e para todo conjunto da sociedade, bem como refutando o atual modelo de desenvolvimento adotado.

Da mesma forma a Plataforma Socioambiental aponta para a reconstrução do estado de forma democrática, com fortalecimento da participação social e do controle público sobre os bens naturais, com o desenvolvimento de ações e programas socioambientais, bem como visando uma reorientação econômica para atividades compatíveis à vida, sob um paradigma ecológico.

Lançamento de Manifesto e Plataforma Socioambiental na Assembleia Legislativa do RS

Dentre as sugestões destacam-se aquelas que tratam da suspensão de projetos de energia nuclear, reforma política, pescadores tradicionais, projetos populares de reciclagem, pesquisa e implementação de tecnologias alternativas de energia, proibição de doação de áreas públicas para ocupação privada e direitos dos animais.

É importante destacar que o Manifesto e a Plataforma Socioambiental, são parte de um processo em construção, que culminará com a apresentação de pautas específicas para construção e desenvolvimento da política ambiental aos novos gestores do executivo e legislativo.

Dia 30 de setembro, os documentos serão lançados em Pelotas, às 17 horas, na Câmara Municipal de Vereadores.

Segue abaixo texto da Plataforma Socioambiental na íntegra.

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O Bicicletada.org é  um movimento no Brasil e em Portugal inspirado na Massa Crítica, onde ciclistas se juntam para reivindicar seu espaço nas ruas.

Na manhã de 21 de setembro, por volta das 11:25 da manhã, esteve no Lixão de Tapes uma equipe da FEPAM, que logo após a chegada do órgão ambiental, teve também a chegada de um carro da Prefeitura de Tapes. Em menos de 10 minutos na área onde esta localizado um Lixão sem licença ambiental por 50 meses (4 anos e dois meses), a equipe se retirou acompanhada do veículo e funcionários da Prefeitura Municipal. Segundo informações, esta equipe esteve na Usina de Triagem para liberar o Funil de resíduos domésticos que a Prefeitura havia consertado, e que durante mais de 20 dias deixou os catadores do depósito de recicláveis sem matéria prima para o trabalho de seleção, ocasionando privações e fome nos humildes trabalhadores.

Os ambientalistas do Movimento Os Verdes de Tapes, cansados de verem a mesma situação se repetir nos últimos 13 anos, com diversas ocasiões em que o fechamento iminente estava para acontecer, alguma manobra evasiva e “ilusionista” acabava sendo gestada para manter o Lixão funcionando, sem licenças ambientais pertinentes, com até “licenças verbais” no embrógilo que se transformou o problema e a situação do Lixão de Tapes.

“Mais de 4 anos sem lisura no processo no órgão do Estado que mantém aquela área aberta e poluindo o ambiente” é a versão dOs Verdes, que na data de hoje (23/09), acabaram protocolando no órgão ambiental do Estado uma denúncia contra a situação que perdura no tempo, já tendo sido pedido por diversas vezes pelo MP e FEPAM o fechamento, mas as decisões que acabaram permitindo a continuidade dos despejos de lixos no local, se mostram estranhas aos padrões legais e de justiça estabelecidas nos documentos legais produzidos para a defesa do meio ambiente.

Abaixo, publicamos na integra o ofício enviado para as autoridades da FEPAM que detem o poder de solucionar o problema de mais de 27 anos em Tapes/RS.

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As empresas de mineração COPELMI Mineração Ltda. e Mineração Sul Brasil Ltda. ingressaram com pedido de licença prévia para minerar carvão no interior da Área de Proteção Ambiental do Banhado Grande (APA-BG) em nossa cidade.

Considerando que a Área de Proteção Ambiental Banhado Grande, é uma unidade de conservação de Uso Sustentável, tem uma área total de 136 mil hectares, decretada pelo governo do estado, com objetivo principal de proteção da bacia do Gravataí, porém, esta unidade não foi implementada e as atividades dentro do seu limite não correspondem com as objetivadas por esse tipo de unidade de conservação.

A APA do Banhado Grande foi criada em 1998, pelo Decreto Nº 38.971 de 23 de outubro, situando-se nos municípios de Glorinha, Gravataí, Santo Antônio da Patrulha e Viamão.

Nela insere-se o conjunto de banhados formadores do Rio Gravataí: Banhado do Chico Lomã (Santo Antônio da Patrulha); Banhado dos Pachecos (Viamão); e Banhado Grande(Gravataí e Glorinha) (SEMA).
Considerando que os objetivos da área são preservar o conjunto de banhados, compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a proteção dos ecossistemas naturais, conservar o solo e os recursos hídricos, recuperar as áreas degradadas, contribuir para a otimização da vazão do Rio Gravataí, e, ainda proteger a flora e a fauna nativas e seus locais de reprodução. A APA do Banhado Grande ainda não tem efetivação além da legalidade imposta pelo decreto, isso quer dizer que não existe um plano de manejo, com planejamento de ações e zoneamento ecológico econômico da área, isso implica na falta de diretrizes e controle das atividades praticadas na área de proteção ambiental. Dos objetivos prioritários da Área de Proteção Ambiental está proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais (SistemaNacional de Unidades de Conservação, regulado pela Lei 9.985 de 18 de julho de 2000).

Considerando que o Banhado Grande tem uma importância fantástica relacionada com a flora e fauna, pois ali vivem inúmeras espécies animais, que tem esta região como seu habitat natural (Qualidade das Água da Bacia Hidrográfica do Rio Gravataí/FEPAM, página visitada em 21/07/2010). É ponto de migração de aves que vêm de outras regiões do Brasil e até mesmo de outros continentes, que passam pelo banhado em diferentes épocas do ano, em busca de repouso e alimento farto para seguirem em novas viagens. Uma infinidade de peixes e répteis buscam seu último e derradeiro ninho de abrigo, no banhado que, com suas águas mornas e calmas, permite a desova, o aninhamento e a procriação destes animais. Grandes mamíferos, já em fase de extinção, tem o banhado como refúgio.

Considerando que APA é extremamente sensível e saturada. Por mais avançadas que sejam as tecnologias e as condicionantes de licenças, os recursos hídricos e a biodiversidade provavelmente não suportarão tamanha intervenção e, conforme experiências recentes, o poder público não tem estrutura para monitoramento, controle e principalmente, fiscalização. De acordo com o Plano Diretor Municipal, em seu artigo 119, (Lei 3.530/2006), a APA do Banhado Grande localiza-se na Macrozona Rural de Preservação do Manancial que tem como objetivos mínimos orientar as políticas públicas no sentido de compatibilizar o uso e ocupação do solo com o interesse de abastecimento público e preservação socioambiental, especialmente para com as nascentes naturais.

Considerando a importância do Banhado Grande se dá em referência ao mecanismo de regulador da vazão do rio Gravataí, pois para lá convergem todas as águas que, gradativamente, alimentam o rio. É como se o banhado fosse uma esponja, que absorve a água e a vai liberando aos poucos. O Rio Gravataí é a principal alavanca para o desenvolvimento de toda a região. Deste manancial hídrico é realizada a captação de água para o abastecimento público de quase um milhão de pessoas. A água que abastece as indústrias dos mais diversos ramos é retirada do Rio Gravataí, assim como as lavouras de toda a região da bacia, a criação de gado, as atividades de lazer e recreação são abastecidas pelas águas deste manancial hídrico.

Considernado que o carvão mineral é o combustível fóssil que mais contribui com gases de efeito estufa por unidade de energia gerada, sendo um dos grandes vilões do aquecimento global, além de provocar impactos locais desde a sua exploração até o seu uso final, com ênfase na contaminação dos recursos hídricos e atmosféricos. Na etapa de mineração, estes impactos são sentidos pela população do entorno através do ruído das explosões, que freqüentemente provocam subsidências dos terrenos, rachaduras e avarias nas construções; da poeira nociva à saúde que se dissipa no ar na mineração e no transporte feito por grandes caminhões que passam a utilizar vias de acesso comuns à população; pela alteração drástica da paisagem, com movimentação de terras que seriam da ordem compatível com a exploração 1,5 milhões de toneladas de carvão bruto por ano conforme os empreendimentos previstos, e, finalmente, pelo grave impacto desse tipo de mineração sobre a qualidade das águas (Lúcia Ortiz – Coordenadora no Núcleo Amigos da Terra). O carvão mineral é uma rocha rica em matéria orgânica que, por suas características de formação em ambiente sem contato com o Oxigênio, tem como impurezas sulfetos de ferro, sendo a pirita (sulfeto de ferro) mais comum deles. No subsolo, este mineral é inerte. Mas, quando exposto a ação do ar e das chuvas durante o processo de mineração a céu aberto, oxidam-se formando óxidos de ferro e ácido sulfúrico, que carrega metais tóxicos presentes como impurezas neste mineral, como o Cádmio, o Chumbo e o Cobre, dissolvidos na água. Este processo, conhecido como geração de drenagem ácida, uma vez desencadeado, torna-se contínuo, pois a água da chuva que escorre na cava das minas e vai para os cursos d’ água ou para as águas subterrâneas tem grande capacidade de dissolver mais e mais minerais como sulfetos presentes nas camadas de rochas próximas, formar compostos metálicos ainda mais tóxicos no contato com a matéria orgânica dos solos, e ate mesmo dissolver minerais mais resistentes como silicatos, liberando alumínio em quantidades tóxicas para onde fluem estas águas até os pontos ou poços de captação para consumo humano. Na mineração a céu aberto, essa drenagem, como escoamento superficial, não pode ser canalizada e, mesmo com um processo de cuidados de recomposição da paisagem após a lavra, a química dos solos e das águas altera-se e continua sendo fonte de contaminação por décadas. E com isso o reforçamos que o carvão, no subsolo, é um mineral inerte, mas em contato com o ar e as águas da chuva gera toxinas que poluem o ambiente. Ademais, é uma matriz energética altamente poluente e geradora de chuvas ácidas e enxofre, além de gases de efeito estufa.

Baseado nestas argumentações, ratificamos que:

A atividade de mineração de carvão a céu aberto NÃO é compatível como objetivo da APA-BG de proteger a flora e a fauna nativas, principalmente as espécies da bióta, raras, endêmicas, ameaçadas ou em perigo de extinção.

A atividade de mineração de carvão a céu aberto NÃO é compatível como objetivo da APA-BG de proteger os locais de reprodução e desenvolvimento da fauna e flora nativas.

Desta forma, nós abaixo assinados, NÃO concordamos com a mineração de carvão a céu aberto na APA-BG e solicitamos ao Conselho Gestor da APA-BG e Secretaria Estadual de Meio Ambiente que INDEFIRA as atuais e TODAS futuras solicitações de mineração, em especial de carvão, na APA-BG.

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A Câmara Técnica de Educação Ambiental (CTEA) do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), realiza sua 22ª REUNIÃO, em 29 de setembro de 2010, no Ministério do Meio Ambiente (MMA), em Brasília/DF

A previsão de pauta é:

1. Abertura da Sessão pelo Presidente da Câmara.

2. Leitura e aprovação dos Resultados da 21ª Reunião da CTEA.

3. Ordem do dia:

3.1. Processo nº 02000.003134/2005-21 – Recomendação para Centros de Educação Ambiental – CEA

Assunto: Proposta de Recomendação para regulamentação de Centros de Educação Ambiental;

Interessado: Diretoria de Educação Ambiental/MMA;

Tramitação: A proposta foi pautada na 58ª Reunião da CT de Assuntos Jurídicos e foi deliberada a devolução da matéria à Câmara de Origem. Foi elaborado documento com quesitos a serem respondidos pela CTEA. O Dr. José de Moraes Neto foi designado relator para acompanhar a próxima reunião da CTEA.

3.2. Processo nº 02000.001478/2006-86 – Recomendação para Inserção da Dimensão Ambiental da Administração Pública.

Assunto: Recomendação para inserção da dimensão ambiental nas atividades administrativas e operacionais da Administração Pública;

Interessado: MMA;

Tramitação: A matéria foi aprovada com emendas na 19ª CTEA, no dia 18 de fevereiro de 2009, não tendo sido pautada nas reuniões subsequentes da CTAJ.

Devido ao tempo que passou, entende-se que a matéria deve ser revista pela CTEA antes de ser pautada na CTAJ. O Sr. Geraldo Abreu, do Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental/DCRS, apresentará nova minuta de Resolução incorporando alterações advindas da Agenda Ambiental na Administração Pública/A3P.

3.3. Processo nº 02000.002622/2005-11 – Consulta Prévia a Conselho de Política Pública

Assunto: Solicita apreciação do CONAMA sobre o termo de parceria entre a Associação Amigos do Futuro e o Tribunal Superior do Trabalho na implementação de agenda ambiental, de acordo com art. 11 da Lei nº 9.790, de 23 de março de 1999;

Interessado: Tribunal Superior do Trabalho;

Tramitação: Análise do Parecer Técnico nº 24/2006, do Departamento de Economia e Meio Ambiente e Comissão Gestora da A3P e deliberação sobre o encaminhamento da matéria.

4. Informes:

4.1. Processo nº 02000.003016/2008-65 – Seminário de Educação Ambiental

Assunto: Seminário sobre Desafios e Perspectivas da Educação Ambiental no Setor Empresarial e Sindical;

Interessado: Câmara Técnica de Educação Ambiental – CONAMA;

Tramitação: De acordo com os encaminhamentos definidos na 21ª Reunião da CTEA

ocorrido em 19 de junho de 2009, o relatório do Seminário de Educação Ambiental no Setor Empresarial e Sindical aguarda manifestação do presidente da CTEA, bem

como dos palestrantes. A Câmara deliberará sobre o encaminhamento do processo.

4.2. Processo nº 02000.003128/2007-35 – Cadastro Nacional de Coletivos Educadores

Assunto: Proposta de resolução para criação do Cadastro Nacional de Coletivos Educadores.

Interessado: Câmara Técnica de Educação Ambiental – CONAMA

Tramitação: O Diretor de Educação Ambiental/MMA, Sr. Claudison Vasconcelos, fará o informe sobre esta matéria.

5. Encerramento.

A fonte pode não parecer confiável, mas a pequena nota pública nos indica a necessidade de estarmos atentos ao o que faz o Tribunal de Contas em inspeção extraordinária na Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM-RS).

Já tem conselheiro da APEDeMA-RS que fará pedido de esclarecimentos acerca do tema na próxima reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA).

Até lá é preciso estarmos de olho vivo…

Ambientalistas reunidos no 28º EEEE. Foto de Cíntia Barenho

O Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente -  MOGDeMA, espaço apartidário de articulação socioambientalista e que congrega organizações, cidadãos, movimentos sociais e sindicatos, juntamente com a Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente – APEDeMA, instância que congrega as entidades ecológicas do Rio Grande do Sul, realizam um ato de lançamento público do Manifesto Socioambiental e Plataforma Socioambiental – Eleições 2010.

O evento acontece dia 23 de setembro, na Assembléia Legislativa/RS, Sala do Fórum Democrático, às 11:00 horas.

De acordo com dirigentes e organizadores do evento, estes manifestos, acompanhados pela plataforma socioambiental, são parte de um processo em construção, que deve culminar com a apresentação de pautas específicas da política pública de meio ambiente, para a próxima gestão, na perspectiva de um novo quadro político no legislativo, bem como para a próxima gestão do executivo.

Com o slogan que alerta para “outro modelo mais justo, fraterno e sustentável, que aponte para uma vida com dignidade e felicidade para todos!”, o manifesto traz uma análise crítica sobre o processo eleitoral e a gestão de meio ambiente no RS e Brasil, destacando as consequência negativas no meio ambiente e para toda sociedade, do modelo de desenvolvimento hegemônico adotado.

Da mesma forma a Plataforma aponta para a reconstrução de um estado democrático, com fortalecimento do controle público sobre os recursos naturais, programas socioambientais e de reorientação econômica às atividades compatíveis à vida, em um paradigma ecológico.

Data: 23 de setembro – Quinta-feira
Horário: 11 horas
Local: Sala de Reuniões do Fórum Democrático – Espaço Convergência – Térreo
Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul – Praça Marechal Deodoro, 101.

Convidam:
Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente – APEDeMA/RS
Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente – MOGDeMA

Os Estados Unidos ficaram mais perto de aprovar um salmão alterado em laboratório que cresce duas vezes mais rápido que o natural, o que aumenta a probabilidade de ele se tornar o primeiro animal transgênico a ser servido nas mesas de jantar do mundo.

Uma comissão da agência de fiscalização de remédios e alimentos dos EUA, a FDA, discutia ontem se era seguro liberar o peixe para a alimentação ou se ele representa uma ameaça ao ambiente. Mas a FDA parece já ter chegado a algumas conclusões sobre o assunto: antes da reunião de ontem, a agência já tinha divulgado na internet uma análise concluindo que a versão transgênica era tão segura para comer quanto o salmão do Oceano Atlântico e também criaria riscos mínimos para o ambiente.

O salmão AquAdvantage tem um gene que ativa um hormônio de crescimento, originalmente do salmão-rei, que acelera o desenvolvimento no primeiro ano de vida. Também contém um fragmento do DNA de peixe-carneiro americano que ajuda a ativar o gene do salmão-rei. O peixe geneticamente modificado para de crescer quando atinge o tamanho normal.

Na análise científica divulgada na internet, a FDA concluiu que o peixe modificado não é química ou biologicamente diferente de um salmão do Atlântico convencional. Ele cria uma vantagem comercial porque pode atingir o peso de abate em um ano e meio a dois, cerca de metade do tempo necessário para o salmão do Atlântico normal.

“Há uma oportunidade de recriar a indústria nacional de salmão com piscicultura terrestre”, diz Ronald Stotish, presidente da AquaBounty Technologies Inc., de Waltham, no Estado americano de Massachusetts, que participou da reunião da FDA de ontem. Das cerca de 1,5 milhão de toneladas de salmão do Oceano Atlântico produzidas anualmente, os EUA consomem cerca de 450.000, praticamente tudo importado, segundo Stotish.

Mas Jaydee Hanson, analista político sênior do Centro para Segurança dos Alimentos, um grupo sediado em Washington que faz campanha contra o salmão transgênico, disse que alguns dos estudos de segurança se baseiam em amostras pequenas demais.
“Deveriam ser exigidos no mínimo cem peixes”, diz Hanson, que deu seu depoimento à comissão. “Os dados não são suficientes – a FDA deveria pedir mais.” Stotish, da AquaBounty, diz que os dados dos testes são suficientes.

A polêmica em torno do peixe é parte de uma tendência mundial maior: motivada por crescimento da população, alta no preço dos alimentos, impacto da mudança climática na agricultura e falta de evidências claras dos efeitos nocivos dos alimentos transgênicos na saúde humana, a aceitação mundial dos produtos antes chamados de “alimentos Frankenstein” tem aumentado. E isso é especialmente verdade nos países em desenvolvimento.

Alterar a genética de alimentos pode gerar vários benefícios, dizem cientistas. Uma lavoura pode ser modificada para render mais, resistir mais aos pesticidas ou a secas e pragas. Às vezes, barateia a produção. Muitos países estão correndo para usufruir desses benefícios.
Em uma decisão significativa mas pouco noticiada, a China declarou em dezembro que certas variedades de arroz e milho transgênicos são seguras para produzir e consumir nos próximos dois a três anos.

A África do Sul planta milho transgênico. O Brasil e o Paquistão plantam soja e milho transgênico. A Índia produz algodão transgênico há vários anos. Mas uma iniciativa recente para comercializar o primeiro alimento transgênico do país – uma berinjela resistente a pragas – foi paralisada recentemente por questões de segurança.

Em 2009, o total de hectares do mundo plantados com transgênicos subiu 6,8%, de 125 milhões para 133 milhões, segundo o Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações de Biotecnologia Agrícola, uma associação do setor de transgênicos. Quase metade do total foi plantado em países em desenvolvimento.
Produtores rurais do mundo inteiro pagam cerca de US$ 9 bilhões por ano para comprar sementes geneticamente modificadas, segundo uma pessoa do setor. Há várias empresas desenvolvendo plantas transgênicas – a americana Monsanto Co., sediada em St. Louis, Missouri, é a maior. A grande maioria do milho, da soja e do algodão plantado nos EUA contém pelo menos um gene patenteado pela Monsanto.

A Europa tem sido extremamente cautelosa com os transgênicos. Mas no fim de julho a Comissão Europeia aprovou a importação de seis variadades de milho para uso na alimentação humana e de animais, embora não para cultivo. No mesmo mês, a comissão também propôs novas regras permitindo que cada um de seus países membros decida por conta própria se autoriza ou não o plantio de um transgênico aprovado pela comissão. Até agora, o único transgênico aprovado para plantio na Europa é uma batata com alto teor de amido, desenvolvida para uso industrial.

Nas criações de animais, cientistas da Universidade de Guelph, no Canadá, criaram um porco transgênico que digere e processa melhor o fósforo. Isso barateia a ração desses animais porque eles não precisam de suplementos de fósforo – um químico vital para a dieta do porco mas caro demais para os produtores. Os cientistas responsáveis também argumentam que os animais liberam 30% a 70% menos fósforo em seus excrementos, o que os tornaria menos poluentes. As fezes de suínos são uma fonte significativa de poluição.

O Enviropig, que alguns críticos já apelidaram de “Frankensuíno”, ainda está sendo estudado pelas agências canadenses de regulamentação, a Health Canada e a Agência Canadense de Inspeção de Alimentos. Alguns meses atrás, outra agência, a Environment Canada, aprovou a produção dos animais, mas em isolamento. A FDA e as autoridades canadenses ainda estão analisando os dados sobre o porco para determinar se é seguro consumi-lo.

Nos EUA, os transgênicos foram introduzidos em 1996 e agora são um componente habitual da oferta de alimentos de milho, soja e açúcar do país, entre outros. “Se você comer qualquer um desses produtos, há uma chance de 85% ou mais de que está consumindo um alimento transgênico”, diz Marion Nestle, professora de nutrição da Universidade de Nova York.

A AquaBounty criou seu primeiro salmão transgênico em 1989, e apresentou os primeiros dados à FDA em 1996. Até agora, já tem dados sobre dez gerações de peixes. A empresa tem presença em vários países – sediada nos EUA, sua ação é negociada em Londres e ela tem operações pesqueiras no Canadá e no Panamá.

Todos os salmões criados com as ovas transgênicas são fêmeas e estéreis. Para impedir que um escape por acidente para o oceano, a AquaBounty quer que a FDA aprove o peixe apenas para piscicultura terrestre. Em sua análise científica, a FDA afirmou que o salmão transgênico não representa “nenhum risco alérgico adicional em relação ao salmão do Atlântico usado no teste”.

Mas ainda há muitas preocupações. Cerca de 20 grupos ambientalistas e de defesa do consumidor apresentaram suas opiniões à comissão da FDA, identificando o que chamam de falhas na maneira como a AquaBounty isola e esteriliza os peixes transgênicos, e apontando o alto volume de antibióticos que pode ser necessário para produzir o peixe em operações industriais de piscicultura.

A FDA realiza hoje outra audiência sobre como o peixe e produtos derivados dele devem ser rotulados nos supermercados.

Se aprovado, o peixe provavelmente só deve estar disponível nos próximos dois a três anos.

Gautam Naik, do The Wall Street Journal, Valor Econômico

Fonte: Valor online

Republicamos aqui no site obra tão importante, que infelizmente estava com seu arquivo para download corrompido.

Mais primaveras, menos agrotóxicos…

Baixe AQUI esse clássico da luta ecológica

(o arquivo tem 55MB)

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