You are currently browsing the monthly archive for março 2010.

O modelo brasileiro para a formação de cooperativas de catadores de lixo e seleção de materiais recicláveis ultrapassou as fronteiras do Brasil. Além de ser adotado por países da América Latina, ele já chegou à Ásia e Leste Europeu, passando a ser uma referência internacional.

Criado pela organização Compromisso Empresarial para a Reciclagem (Cempre), fundada em 1992, o projeto já chegou a Tailândia, na Ásia. Neste ano, outros dois países asiáticos – Filipinas e Indonésia – devem implantá-lo. A Índia estuda a possibilidade fazer o mesmo, aproveitando a sua rede de organizações de catadores.

Na América Latina, onde já foi implantado pela Colômbia, o projeto deve começar a ser desenvolvido pelo Peru. No Leste Europeu, a Rússia adota o sistema brasileiro. Na Ásia, a China já vem usando-o.

O diretor executivo do Cempre Brasil, André Vilhena, disse que o modelo se ajusta bem a países em desenvolvimento, no quais há a necessidade de criação de postos de trabalho para uma parte da população que tem dificuldade de se empregar. Nesse caso, a coleta seletiva aparece como uma oportunidade, afirmou.

Vilhena destacou que o modelo de reciclagem do Cempre passou a ser referência internacional, por se tratar de um projeto que dá enorme contribuição à inclusão social. “Por isso, os países em desenvolvimento têm se inspirado nesse sistema, porque, em geral, têm desigualdade social em grande escala. Há necessidade urgente de criação de emprego e renda para a população e a coleta seletiva aparece como oportunidade, principalmente para a camada da população que tem baixa qualificação e, portanto, dificuldade de inserção no mercado tradicional de trabalho”.

O Cempre já apoiou no Brasil mais de 450 cooperativas de catadores, que somam cerca de 25 mil cooperados. Atualmente, a ONG apoia de forma direta 50 cooperativas com capacitação e doação de máquinas e equipamentos. O modelo de reciclagem do Cempre foi o tema do segundo encontro da Aliança Global para Reciclagem e Desenvolvimento Sustentável (Garsd, na sigla em inglês), em novembro de 2009, na Tailândia. A próxima reunião do Garsd está prevista para 2011, na Colômbia.

Edição: João Carlos Rodrigues

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Seria trocar 6 por meia dúzia?

Parece que só há alguns interesses, digo, interessados em receber o mesmo…

A publicação foi entregue, simbolicamente, ao presidente da Ageflor, Leonel Menezes.
Aprovado no Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), por unanimidade, em novembro de 2009, o zoneamento ambiental para a silvicultura (ZAS) no Rio Grande do Sul foi apresentado, em forma de publicação, pelo secretário do Meio Ambiente, deputado Berfran Rosado, em encontro que reuniu representantes da cadeia produtiva da madeira, das universidades, da Famurs, conselheiros do Consema e do Ministério Público Estadual na sede da secretaria nesta terça-feira (30). A publicação foi entregue, simbolicamente, ao presidente da Ageflor, Leonel Menezes.

Em dois volumes, a publicação traz as alterações que foram produzidas após 15 meses de debates no Consema, através de 22 reuniões na Câmara Técnica de Biodiversidade e Política Florestal. Dentre as propostas do zoneamento ambiental da silvicultura, destaca-se a que prevê o plantio em 3,5 milhões de hectares melhores distribuídos no Estado, já que a proposta original possibilitava o plantio em oito milhões de hectares, mas em locais que foram contestados. As principais alterações tratam ainda do percentual de ocupação de área de plantio, dos tamanhos de maciços (área de plantio lindeira) e das distâncias entre eles. As alterações foram construídas pelo setor produtivo, governamental e pelas ONGs ambientalistas.

A presidente da Câmara Técnica da Biodiversidade e de Política Florestal do Consema, Mauren Alves, falou sobre o trabalho empreendido para chegar-se ao atual ZAS, destacando o empenho de todos, além da metodologia aplicada dentro do maior rigorismo e técnica. O coordenador do Centro de Apoio Operacional de Meio Ambiente do Ministério Público, Júlio Almeida, falou sobre a importância do consenso e, sobretudo, da proteção ambiental que o ZAS representa, dando garantias legais ao empreendedor. Na mesma linha, o presidente da Ageflor, Leonel Menezes, frisou que o ZAS vem para acabar com as dúvidas e trazer certezas. Para o secretário Berfran, o zoneamento, com os ajustes propostos e aprovados, oferece segurança jurídica e de gestão aos projetos de silvicultura, ao mesmo tempo em que os harmoniza com a proteção dos recursos naturais do RS.

O debate desta quarta trará um balanço das ações no mês da Mulher na perspectiva das Mulheres da Via Campesina para o espaço de resistência e transformação da CasaNAT.

O convite, que busca fortalecer as alianças e a relações de solidariedade do Movimento Ambiental com os Movimentos Sociais do campo, é também para conhecer a agenda ambiental da Via Campesina. Entre os temas tratados, estarão a soberania alimentar e a agroecologia, o Código Florestal e a Justiça Climática. Participe!

31/03 – Debate com Saraí Fátima Brixner, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e da Via Campesina, Um balanço do 8 de março e a agenda ambiental das Mulheres da Via Campesina

As Quartas Temáticas são abertas à comunidade e acontecem sempre às quartas-feiras, das 17 às 19:00 na CasaNAT, na Rua Olavo Bilac,192, na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Em 2010, este projeto de encontros semanais que já tem 8 anos, vai fazer da futura sede dos Amigos da Terra um ponto de cultura socioambiental, intercalando a realização de debates teóricos sobre os temas relevantes para a cidade com ações práticas de educação ambiental e transformação do espaço urbano.

Boa tarde companheiros,

Gostaríamos de convidar à todos para comparecer dia 31 de Março no auditório Central da UCPel para assistir ao Filme “Arquivos da Cidade”, Esse documentário busca discutir e atualizar as memórias da resistência à ditadura no Rio Grande do Sul, e, mais especificamente, em Porto Alegre. Composto por depoimentos de militantes da época, que partiram das lutas contra o regime militar e foram vítimas da repressão instaurada a partir do Golpe de 1964, o filme trás uma série de elementos que nos possibilita conhecer mais sobre esse período de nossa história. As memórias e histórias ali narradas contribuem para combater o esquecimento e a impunidade em relação aos crimes cometidos no período.

Após a exibição do filme, haverá debate com a presença dos diretores do filme, Luciana Knijnik e felipe Diniz, e das professoras Cíntia Langie ( curso de cinema e animação da UFPel) e Alessandra Gasparotto ( História -CAVG/UFPel).

Dia: 31 de março de 2010.
Horário: 19:30
Local: Auditório Central da UCPel (Campus I).

Instituto Mario Alves
Andrade Neves, 821
Telefone (53) 30257241
CEP 96020-080 Pelotas/RS

Entre no nosso Blog: www.imapelotas.blogspot.com


Protestos pipocaram por toda a Europa contra a destruição das florestas que servem de habitat para orangotangos na Indonésia. O motor dessa devastação, que colocou os primatas à beira da extinção, é a conversão do uso do solo de mata virgem para o plantio de palmáceas.

A Nestlé, que sustenta essa atividade comprando óleo de palma da Indonésia para produzir chocolates como o Kit kat, foi o alvo das manifestações no continente europeu, parte de uma campanha global que o Greenpeace lança hoje contra a companhia. A Nestlé por enquanto continua jogando de ponta de lança no time das empresas que estimulam a destruição das florestas tropicias.

Além de financiar a derrubada em massa de mata na Indonésia e empurrar os orangotangos para o abismo da extinção, a Nestlé está contribuindo para agravar o aquecimento global. Florestas ajudam a regular o clima e acabar com o desmatamento, uma das maneiras mais rápidas de reduzir as emissões de Co2 na atmosfera.

Foi por isso que escritórios da Nestlé na Inglaterra, Holanda e Alemanha acabaram sendo palco de protestos por ativistas do Greenpeace, pedindo  para que a empresa deixe de utilizar óleo de palma proveniente da destruição de área antes ocupada por florestas na Indonésia.

Fonte: Greenpeace

Fábrica que contamina o Córrego das Pedras, no Espírito Santo, está construindo nova tubulação para jogar o efluente em outro rio

por Winnie Overbeek -de Linhares (ES)

Revoltados com o avanço da poluição de suas águas, cerca de 100 manifestantes denunciaram em Linhares, norte do Espírito Santo, a contaminação do Córrego das Pedras, causada pela empresa de fabricação de sucos, a Mais Indústria de Alimentos, propriedade da transnacional Coca-Cola. A empresa é conhecida pela marca Minute Maid Mais, transformado recentemente na marca Del Valle Mais.

O protesto realizado no último dia 23 de janeiro mobilizou as famílias da comunidade do bairro Santa Cruz, vizinho à fábrica no município de Linhares, e famílias rurais camponesas ligadas ao Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

A fábrica que já contamina o Córrego das Pedras, afetando alguns agricultores e o bairro Santa Cruz, está construindo uma nova tubulação para poder jogar o efluente (produtos poluentes produzidos pela indústria lançado no meio ambiente) em um córrego limpo que tem contato direto com dezenas de lagoas naturais na região. Centenas de agricultores temem a contaminação deste córrego, já que pode afetar as fontes de água que usam para irrigação e para o consumo humano.

A nova fonte de contaminação afetará diretamente os pequenos agricultores da região, que já sofrem dos impactos da expansão da monocultura da cana em larga escala, realizada pela empresa Lasa. Uma das agricultoras, Cristina Soprani, explica que “o grande objetivo do movimento hoje é produzir comida limpa, comida saudável. E para isso, a gente precisa essencialmente da água, e da água preferencialmente limpa”.

A poluição avança
O problema começou em 2003 quando a empresa chamada Sucos Mais iniciou o lançamento de efluentes no Córrego das Pedras, que passa por algumas propriedades rurais e depois pelo bairro Santa Cruz. Desde então, os moradores do bairro sofrem com o mau cheiro. Uns dos agricultores mais afetados, os irmãos Zanetti, tiveram sua produção de café reduzida de 1500 para 60 sacas e não podem mais tomar água do poço na propriedade.

As reclamações feitas ao longo dos anos surtiram pouco efeito. E depois da compra do empreendimento pela Coca-Cola em 2006, a situação se agravou ainda mais. Segundo os dados do Instituto Estadual de Meio Ambiente (IEMA), a empresa requereu licença de ampliação da produção exatamente em 2006, visando a produzir outras bebidas como chás, bebidas mistas de sucos de frutos com soja, bebidas lácteas, preparados líquidos, entre outros, objetivando produzir mais 900 mil litros por mês. Apesar das denúncias, o IEMA tem concedido e renovado o licenciamento ambiental da empresa.

Em 2007, devido à situação de calamidade do Córrego das Pedras, a família dos irmãos Zanetti procurou o Ministério Público na cidade de Linhares denunciando a situação. A promotora de meio ambiente na época, Carina Jovita de Sá Santos, resolveu solicitar um laudo técnico realizado pelo IBAMA. O laudo, de 14 de julho de 2008, concluiu “uma inequívoca vinculação da degradação da qualidade ambiental do córrego “rio das Pedras” ao lançamento dos efluentes da empresa”, sobretudo no “período de junho a setembro de 2007”. O laudo constatou ainda que a Mais Indústria de Alimentos S/A, por ter poluído o Rio das Pedras e descumprindo a Licença de Operação 27/200, tinha infringido artigos 41 e 44 do decreto 3.179/99, constituindo também crime contra o meio ambiente. Posteriormente foi aberta ação criminal que tramita na 3ª Vara Criminal.

Em função do laudo do IBAMA, o Ministério Público do Espírito Santos ingressou com Ação Civil Pública para responsabilizar a empresa pelo dano ambiental. No entanto, Ministério Público e empresa resolveram celebrar um acordo sugerindo melhorias no tratamento do efluente num prazo de 120 dias.

Considerando, dentre outros, que o Córrego das Pedras continuava apresentando baixa qualidade de água, o Ministério Público resolveu celebrar no dia 27 de agosto de 2009 outro acordo contendo obrigações como apresentar dentro de um prazo de 90 dias “projeto de adequação a ser realizada para regularização do sistema de tratamento de efluentes industrial atualmente existentes na empresa”, além de “apresentar, ao IEMA, e implementar após aprovação projeto de recuperação das áreas adjacentes que possam ter sido objeto de degradação pelas obras de colocação das manilhas, no ponto de lançamento de efluentes da empresa”.

Porém, segundo os manifestantes, o efluente continua sujo e a prometida recuperação não foi realizada. “A gente percebe que o governo municipal, governo estadual, dá concessão às empresas e que os órgãos ambientais fazem todo o processo de licenciamento, e aí a gente fica se perguntando: onde fica a vida?”, reclama Cristina Soprani.

Fonte: Brasil de Fato

Em dezembro de 2009, Miguel Carter concluiu o trabalho de organizar o livro ‘Combatendo a Desigualdade Social – O MST e a Reforma Agrária no Brasil.’. É um lançamento da Editora UNESP, que reúne colaborações de especialistas  sobre a questão agrária e o papel do MST pela luta pela Reforma Agrária no Brasil.

Esta semana, ele conversou com Paulo Henrique Amorim, por telefone.

PHA – Professor Miguel, o senhor é professor de onde?

MC – Eu sou professor da American University, em Washington D.C.

PHA – Há quanto tempo o senhor estuda o problema agrário no Brasil e o MST?

MC- Quase duas décadas já. Comecei com as primeiras pesquisas no ano de 91.

PHA – Eu gostaria de tocar agora em alguns pontos específicos da sua introdução “Desigualdade Social Democracia no Brasil”. O senhor descreve, por exemplo, a manifestação de 2 de maio de 2005, em que, por 16 dias, 12 mil membros do MST cruzaram o cerrado para chegar a Brasília. O senhor diz que, provavelmente, esse é um dos maiores eventos de larga escala do tipo marcha na história contemporânea. Que comparações o senhor faria ?

MC – Não achei outra marcha na história contemporânea mundial que fosse desse tamanho. A gente tem exemplo de outras mobilizações importantes, em outros momentos, mas não se comparam na duração e no numero de pessoas a essa marcha de 12 mil pessoas. Houve depois, como eu relatei no rodapé, uma mobilização ainda maior na Índia, também de camponeses sem terra. Mas a de 2005 era a maior marcha.

PHA – O senhor compara esse evento, que foi no dia 2 de maio de 2005, com outro do dia 4 de junho de 2005 – apenas 18 dias após a marcha do MST – com uma solenidade extremamente importante aqui em São Paulo que contou com  Governador Geraldo Alckmin, sua esposa, Dona Lu Alckmin, e nada mais nada menos do que um possível candidato do PSDB a Presidência da República, José Serra, que naquela altura era prefeito de São Paulo. Também esteve presente Antônio Carlos Magalhães, então influente senador da Bahia. Trata-se da inauguração da Daslu. Por que o senhor resolver confrontar um assunto com o outro ?

MC – Porque eu achei que começar o livro com simples estatísticas de desigualdades sociais seria um começo muito frio. Eu acho que um assunto como esse precisa de uma introdução que também suscite emoções de fato e (chame a atenção para) a complexidade do fenômeno da desigualdade no Brasil. A coincidência de essa marcha ter acontecido quase ao mesmo tempo em que se inaugurava a maior loja de artigos de luxo do planeta refletia uma imagem, um contraste muito forte dessa realidade gravíssima da desigualdade social no Brasil. E mostra nos detalhes como as coisas aconteciam, como os políticos se posicionavam de um lado e de outro, como é que a grande imprensa retratava os fenômenos de um lado e de outro.

PHA – O senhor sabe muito bem que a grande imprensa brasileira – que no nosso site nós chamamos esse pessoal de PiG (Partido da Imprensa Golpista) -  a propósito da grande marcha do MST, a imprensa ficou muito preocupada como foi financiada a marcha. O senhor sabe que agora está em curso uma Comissão Parlamentar de Inquérito Mista, que reúne o Senado e a Câmara, para discutir, entre outras coisas, a fonte de financiamento do MST. Como o senhor trata essa questão ? De onde vem o dinheiro do MST ?

MC _ Tem um capítulo 9 de minha autoria feito em conjunto com o Horácio Marques de Carvalho que tem um segmento que trata de mostrar o amplo leque de apoio que o MST tem, inclusive e apoio financeiro.

PHA – O capítulo se chama “Luta na terra, o MST e os assentamentos” -  é esse ?

MC – Exatamente. Há uma parte onde eu considero sete recursos internos que o MST desenvolveu para fortalecer sua atuação, nesse processo de fazer a luta na terra, de fortalecer as suas comunidades, seus assentamentos. E aí tem alguns detalhes, alguns números interessantes. Porque eu apresento dados do volume de recursos que são repassados para entidades parceiras por parte do Governo Federal. Eu sublinho no rodapé dessa mesma página o fato de que as principais entidades ruralistas do Brasil têm recebido 25 vezes mais subsídios do Governo Federal (do que o MST).  E o curioso de tudo isso é que só fiscalizado como pobre recebe recurso público. Mas, sobre os ricos, que recebem um volume de recursos 25 vezes maior que o dos pobres, (sobre isso) ninguém faz nenhuma pergunta, ninguém fiscaliza nada. Parece que ninguém tem interesse nisso. E aí o Governo Federal subsidia advogados, secretárias, férias, todo tipo de atividade dos ruralistas. Então chama a atenção que propriedade agrária no Brasil, ainda que modernizada e renovada, continua ter laços fortes com o poder e recebe  grande fatia de recursos públicos. Isso são dados do próprio Ministério da Agricultura,  mencionados também nesse capítulo. Ainda no Governo Lula, a agricultura empresarial recebeu sete vezes mais recursos públicos do que a agricultura familiar. Sendo que a  agricultura familiar emprega 80% ou mais dos trabalhadores rurais.

PHA – Qual é a responsabilidade da agricultura familiar na produção de alimentos na economia brasileira ?

MC – Na página 69 há muitos dados a esse respeito.

PHA- Aqui: a mandioca, 92% saem da agricultura familiar. Carne de frango e ovos, 88%. Banana, 85%.. Feijão,  78%. Batata, 77%. Leite, 71%. E café,  70%. É o que diz o senhor na página 69 sobre o papel da agricultura familiar. Agora, o senhor falava de financiamentos públicos. Confederação Nacional da Agricultura, presidida pela  senadora Kátia Abreu, que talvez seja candidata a vice-presidente de José Serra, a Confederação Nacional da Agricultura recebe do Governo Federal mais dinheiro do que o MST ?

MC – Muito mais. Essas entidades ruralistas em conjunto, a CNA, a SRB, aquela entidade das grandes cooperativas, em conjunto elas recebem 25 vezes do valor que recebem as entidades parceiras do MST. Esses dados, pelo menos no período 1995 e 2005, fizeram parte do relatório da primeira CPI do MST. O relatório foi preparado pelo deputado João Alfredo, do Ceará.

PHA – O senhor acredita que o MST conseguirá realizar uma reforma agrária efetiva ? A sua introdução mostra que a reforma agrária no Brasil é a mais atrasada de todos os países que fazem ou fizeram reforma agrária. Que o Brasil é o lanterninha da reforma agrária. Eu pergunto: por que o MST não consegue empreender um ritmo mais eficaz ?

MC – Em primeiro lugar, a reforma agrária é feita pelo Estado. O que os movimentos sociais como o MST e os setenta e tantos outros que existem em todo o Brasil fazem é pressionar o Estado para que o Estado cumpra o determinado na Constituição. É a cláusula que favorece a reforma agrária. O MST não é responsável por fazer. É responsável por pressionar o Governo. Acontece que nesse país de tamanha desigualdade, a história da desigualdade está fundamentalmente ligada à questão agrária. Claro que, no século 20, o Brasil, se modernizou, virou muito mais complexo, surgiu todo um setor industrial, um setor financeiro, um comercial. E a (economia) agrária já não é mais aquela, com tanta presença no Brasil. Mas,  ainda sim, ficou muito forte pelo fato de o desenvolvimento capitalista moderno no campo, nas últimas décadas, ligar a propriedade agrária ao setor financeiro do país. É o que prova, por exemplo, de um banqueiro (condenado há dez anos por subornar um agente federal – PHA) como o Dantas acabar tendo enormes fazendas no estado do Pará e em outras regiões do Brasil. Houve então uma imbricação muito forte entre a elite agrária e a elite financeira. E agora nessa última década ela se acentuou num terceiro ponto em termos de poder econômico que são os transacionais, o agronegócio. Cargill, a Syngenta… Antes, o que sustentava a elite agrária era uma forte aliança patrimonialista com o Estado. Agora, essa aliança se sustenta em com setor transacional e o setor financeiro.

PHA – Um dos sustos que o MST provoca na sociedade brasileira, sobretudo a partir da imprensa, que eu chamo de PiG, é que o MST pode ser uma organização revolucionária – revolucionária no sentido da Revolução Russa de 1917 ou da Revolução Cubana de 1959. Até empregam aqui no Brasil, como economista Xico Graziano, que hoje é secretário de José Serra, que num artigo que o senhor fala em “terrorismo agrário”. E ali Graziano compara o MST ao Primeiro Comando da Capital. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, que, como se sabe ocupou por dois dias a cidade de São Paulo, numa rebelião histórica. Eu pergunto: o MST é uma instituição revolucionária ?

MC – No sentido de fazer uma revolução russa, cubana, isso uma grande fantasia. E uma fantasia às vezes alardeada com maldade, porque eu duvido que uma pessoa como o Xico Graziano, que já andou bastante pelo campo no Brasil, não saiba melhor. Ele sabe melhor. Mas eu acho que (o papel do)  MST é (promover) uma redistribuição da propriedade. E não só isso, (distribuição) de recursos públicos, que sempre privilegiou os setores mais ricos e poderosos do país. Há, às vezes, malícia mesmo de certos jornalistas, do Xico Graziano, Zander Navarro, dizendo que o MST está fazendo uma tomada do Palácio da Alvorada. Eles nunca pisaram em um acampamento antes. Então, tem muito intelectual que critica sem saber nada. O importante desse (“Combatendo a desigualdade social”) é que todos os autores têm longos anos de experiência (na questão agrária). A grande maioria tem 20, 30 anos de experiência e todos eles têm vivência em acampamento e assentamentos. Então conhecem a realidade por perto e na pele. O Zander Navarro, por exemplo, se alguma vez acompanhou de perto o MST, foi há mais de 15 anos. Tem que ter acompanhamento porque o MST é de fato um movimento.

PHA – Ou seja, na sua opinião há uma hipertrofia do que seja o MST ? Há um exagero exatamente para criar uma situação política ?

MC – Exatamente. Eu acho que há interesse por detrás desse exagero. O exagero às vezes é inocente por gente que não sabe do assunto. Mas às vezes é malicioso e procura com isso criar um clima de opinião para reprimir, criminalizar o MST ou cortar qualquer verba que possa ir para o setor mais pobre da sociedade brasileira. Há muito preconceito de classe por trás (desse exagero).

(*)Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista
Fonte: Conversa Afiada

Confira mais AQUI

Local: CIDEC-SUL – Universidade Federal do Rio Grande/Rio Grande – RS

Período: 07 a 09 de abril de 2010.

O II EDEA (Encontros e Diálogos com a Educação Ambiental) é um espaço aberto à discussão e ao repensar da prática da Educação Ambiental dentro dos quatro eixos balizadores que pautam as diretrizes do Programa, a dizer o Ensino, a Pesquisa, a Extensão e a Gestão.

A realização do projeto justifica-se por constituir um momento de interação entre docentes e discentes do Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental em um movimento que oportuniza refletir acerca da Educação Ambiental e da formação. O EDEA em sua segunda versão pretende continuar buscando essa conexão entre os envolvidos no curso, versando abordar em torno das múltiplas visões da Educação Ambiental que dialogam no cenário acadêmico.

Objetivos:

Problematizar a relação entre teoria e prática da Educação Ambiental;

Refletir sobre o papel do Educador Ambiental na sociedade contemporânea;

Conjugar Ensino, Pesquisa, Extensão e Gestão como esteios que compõem a educação ambiental presente no Programa de Pós-Graduação em Educação Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande. [segue...]

Leia o resto deste post »

Já está disponível mais uma importante contribuição para o estudo da expansão dos desertos verdes sobre o Pampa gaúcho. A Mestre Patrícia Binkowski, defendeu a dissertação  – Conflitos ambientais e significados sociais em torno da expansão da silvicultura de eucalipto na “Metade Sul” do Rio Grande do Sul – sobre orientação do prof.Dr Jalcione Pereira de Almeida no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Rural da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Baixe AQUI – Conflitos ambientais e significados sociais em torno da expansão da silvicultura de eucalipto na “Metade Sul” do Rio Grande do Sul / Patrícia Binkowski. – Porto Alegre, 2009.

Em propaganda veiculada na televisão, mas não localizada via internet, a Celulose “Riograndense” que é chilena, patrocina mais um rodeio de gaudérios do MTG.

Pelo jeito que os desertos verdes tomam conta do Pampa gaúcho, rapidinho tais eventos “sumirão” do mapa. Os cavalos que agradecerão…


A denominação “florestas plantadas” é um termo cunhado pela FAO com o objetivo de equiparar as culturas florestais às florestas que gradativamente tem ido se espalhando e assimilando por inúmeros organismos internacionais e nacionais, fato que foi aproveitado pelas multinacionais do setor florestal para incidir nessa equiparação, tal como ficou demonstrado no último Congresso Florestal Mundial celebrado no mês de outubro de 2009 na Argentina.

Tratar uma floresta e uma cultura florestal como se fossem sinônimos não deixa de ser uma incongruência, por não dizer uma aberração, já que não têm nada ou têm muito pouco em comum, a não ser a presença de árvores, e mesmo assim a diferença é abismal, pois na grande maioria das culturas florestais as árvores costumam ser alóctones e na maior parte dos casos, tirando obviamente as motivações econômicas, produzem mais prejuízos do que benefícios para o meio ambiente, embora sejamos bombardeados com as vantagens ecológicas que as culturas de árvores trazem consigo, que focalizam principalmente a redução da poluição atmosférica produzida pelo dióxido de carbono.

Então, se as vantagens para o meio ambiente não são tão grandes, o que é que se esconde por trás de tal equiparação? Única e exclusivamente um grande negócio, potenciado pelas empresas do setor florestal que não têm nenhum receio em admiti-lo como tal embora façam questão de revesti-lo de verde ou eco, o que atualmente vende muito.

O que nós colocamos não é produto de nossa invenção, nem de nosso “radicalismo” eco- egocêntrico, nem sequer de nossa “ignorância”, como preferem nos qualificar alguns mal intencionados, aliás, bem interessados, com o único propósito de continuar levando à frente determinados interesses. O que nós dizemos está refletido nas Conclusões e Ações Estratégicas da Declaração de Buenos Aires do XIII Congresso Florestal Mundial (celebrado de 18 a 23 de outubro na Argentina), onde são colocadas certas ações a ser desenvolvidas:

* Implementar mecanismos de monitoramento e relatórios inter-setoriais a fim de influir sobre as políticas e as ações relacionadas com as florestas.
* Promover a reforma da posse da terra proporcionando direitos garantidos para as comunidades locais e outras partes interessadas quanto ao uso e o manejo dos recursos florestais.
* Desenvolver estratégias nacionais de financiamento no contexto de programas florestais nacionais usando instrumentos inovadores e melhorar as condições para o investimento e o desenvolvimento do mercado na atividade florestal.
* Estabelecer, como primeira prioridade, os mecanismos relativos à mudança climática com especial atenção aos temas relacionados com a REDD.
* Reconhecer a importância das florestas plantadas para satisfazer as necessidades econômicas, sociais e ambientais.
* Focalizar as atividades em paisagens degradadas, especialmente para a restauração de terras florestais degradadas.
* Desenvolver e implementar tecnologias que permitam manter ou incrementar a produtividade das florestas plantadas e suas contribuições em escala local e de paisagem. Leia o resto deste post »

A Borregaard, que virou Riocel, que virou Aracruz, que virou Fibria, que virou Celulose Riograndense da Compañía Manufacturera de Papeles y Cartones (CMPC), ou seja uma empresa chilena, apresenta sua mais nova “artimanha” – a Reserva Natural Barba Negra (Reserva Particular do Patrimônio Natural-RPPN).

Alguns podem pensar que deveríamos estar contentes com tal feito, mas da forma degradante que as empresas de celulose e papel (praticamente só duas hoje no estado) atentam contra a biodiversidade, contra o ecossistema gaúcho, isso é apenas uma jogada de marketing aplaudida pelos políticos gaúchos e ambientalistas de mercado.

A orla da Lagoa dos Patos, em Barra do Ribeiro-RS, deveria estar livre dos plantios de eucaliptos e ser toda ela uma única reserva, efetivamente um patrimônio. Não apenas a “ilha” que aparece na imagens no vídeo indicado abaixo. A propósito, no vídeo fica meio nebuloso que tipo de paisagem há de fato em tal RPPN

Programa Opinião Livre – Celulose Riograndense apresenta Reserva Natural Barba Negra

Se quiser assistir o vídeo clique AQUI

Celulose Riograndense cria reserva natural privada no RS
A CMPC Celulose Riograndense formalizou hoje a criação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural em parte da fazenda Barba Negra, em Barra do Ribeiro (RS), sua maior propriedade no Estado. Entre seus 10,6 mil hectares, aproximadamente 6 mil hectares possuem plantação de florestas e viveiro de mudas. O restante forma uma área de preservação e, dentro dela, 2,4 mil hectares foram designados para a reserva, que terá plano de manejo permitindo determinadas atividades controladas, como educação ambiental e pesquisas.

A fazenda se tornou conhecida em 8 de março de 2006, quando foi invadida em protesto de agricultoras da Via Campesina contra plantações de eucalipto. Na época, o protesto destruiu mudas de eucalipto na área de expedição. O viveiro ocupa apenas uma parte da fazenda e fica em área diferente da que foi transformada em reserva.

Após ficar praticamente paralisado por causa da crise no ano passado, o viveiro voltou a produzir mudas no final de 2009, lembrou o presidente da Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes. Cerca de 200 funcionários foram contratados desde então.

A chilena CMPC Celulose Riograndense adquiriu em dezembro a fábrica de celulose que pertencia à Fibria – união entre Aracruz e Votorantim Celulose e Papel – em Guaíba (RS). A fazenda Barba Negra integrava os ativos da Aracruz no Estado. A área fica em uma península entre a Lagoa dos Patos e o Lago Guaíba, 40 quilômetros ao sul de Porto Alegre.

Conforme a empresa, em 1998 a Fundação Gaia, dirigida à época pelo ambientalista José Lutzenberger, defendia a importância de preservar a vegetação nativa da área no horto florestal Barba Negra.

Só os desertos verdes avançam, nenhuma Unidade de Conservação pública é vislumbrada. Eucaliptos em Pedro Osório- RS. Foto de Marília G.

Veja mais fotos AQUI

BannerForum120x240 Defendendo o Código Florestal codigoflorestal22
2 blogprog BannerEDEA
#BlogProgRS

Assine e receba as atualizações do Blog do CEA por email. Basta clicar no link acima, ao abrir uma janela, coloque seu email, digite o código que aparece e confirme. Será enviado um email solicitando sua confirmação. Obrigad@.

Frase

“De tanto postergar o essencial em nome da urgência, termina-se por esquecer a urgência do essencial.” Hadj Garm'Orin

Apresentação

O Centro de Estudos Ambientais (CEA) é a primeira ONG ecológica da região sul, constituída em Rio Grande/RS/Brasil, em julho de 1983.

Email

email ongcea@gmail.com

Nos siga no Twitter

Acessos desde 04/11/08

  • 645,886 Visitas

Campanhas e Parcerias

Flickr PIT 531 - Logotipo Pedal Curticeira - Pedal Curticeira2 um-carro-a-menos_outra2 Flickr

Flickr

Flickr

Flickr

Flickr Flickr

Visitantes on-line

Fotos do CEA

28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE)

28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE)

28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE)

28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE)

28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE)

28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE)

28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE)

28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas (EEEE)

More Photos

Países Visitantes

free counters

Temas

Direito a Informação Ambiental

As publicações elaboradas e publicadas pelo CEA, bem como suas fotos são de livre reprodução, desde que não haja fins econômicos, que sejamos informados através do mail ongcea@gmail.com e com expressa citação da fonte, conforme garante a lei vigente, sob as penas cabíveis, nos termos a seguir: Fonte: Blog do Centro de Estudos Ambientais (CEA). As demais publicações devem ser observadas as eventuais restrições respectivas.
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 1.020 other followers