Dia 22 de Maio comemora-se o dia internacional da biodiversidade, onde celebramos a magnitude da vida, em suas mais diversas formas. A vida das florestas, dos campos nativos, dos oceanos e restingas, banhados e todos os ecossistemas que compõem as paisagens e dão forma ao que chamamos de Terra. São nestes espaços, nestes ecossistemas, que as pequenas relações e conexões biológicas fundamentais para a estabilidade da vida se completam, formando uma intensa rede de interdependências.
A floresta tropical compreende uma vasta área em três continentes e tem capacidade de influenciar a dinâmica hidrológica e climática em escala global. Mesmo com sua reconhecida importância, este patrimônio da humanidade segue sendo ameaçado pelas atividades humanas, principalmente aquelas ligadas ao agronegócio e à mineração. E as pressões se ampliam e os agentes da degradação se multiplicam, levando a floresta ao risco eminente de extinção.
Nossa dependência da biodiversidade vai além dos usuais e reconhecidos utilidades e apropriações, como o uso de medicamentos, alimentos e materiais. A relação que os sistemas construídos pelo homem, como as cidades, tem com os sistemas naturais é exposta pelo controle do clima, controle de pragas e enchentes, repositória e reservatório genético, além de uma infinidade de utilidades que não são mensuráveis economicamente e visíveis no cotidiano das cidades e do cidadão urbano.
Esta relação é mais estreita do que parece e do que se imagina. Estudos mostram que a relação entre o crescimento da demanda por recursos naturais já ultrapassou em 20% a capacidade de recomposição da biosfera, e que esta demanda pode chegar a uma taxa de crescimento anual de 2,5%.
As previsões mais alarmantes indicam que até o ano de 2030, cerca de 70% da biodiversidade do planeta tenha desaparecido, isto acarretaria uma catástrofe global, com a queda da produtividade dos solos, a redução das áreas de criação, geração de conflitos por acesso a água e queda na produção de alimentos, além da possibilidade de acabar com o reservatório genético que está contido nas florestas.
Juntamente com a floresta que agoniza, a cultura e tradição dos povos também faz seu chamado de alerta contra a devastação. Se analisarmos um mapa identificando as regiões de maior riqueza e concentração biológica, e sobrepormos outro mapa onde constem as regiões de maior diversidade lingüística, podemos ver uma nítida sobreposição destes dois patrimônios da humanidade, a lingüística primitiva e a diversidade biológica, ambas consolidadas numa mesma área de influência.
Hoje a maior ameaça aos povos da floresta e sua biodiversidade está na exploração dos recursos naturais de floresta em pé. Empresas e corporações estão presentes em regiões mais inóspitas para através de pesquisa e prospecção, identificando espécies e apropriando-se do saber popular, criar medicamentos, ampliar bancos genéticos e patentear produtos ou estratos da floresta.
A etnobiopirataria, que é a pilhagem da natureza e exploração dos saber local, concentra-se nos países com megadiversidade, e que por sua vez são aqueles chamados países periféricos, os países pobres.
Está na hora de começar a mudar as regras da economia mundial, aproveitar momentos de crise para virar a mesa. Mas não podemos esperar uma ação positiva de Wall Street, Davos, ou qualquer representatividade do mundo econômico e do poder. Devemos garantir governos locais comprometidos com a conservação e valorização da natureza. Colocando países periféricos no status que merecem devida sua riqueza biológica e cultural.
Não podemos viver num mundo onde os mais ricos em biodiversidade são os mais pobres em oportunidades.
*Felipe Amaral é ecólogo e integrante do Instituto Biofilia
Fonte: Agência Chasque





















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